
A desistência de Ricardo Salles (Novo) da disputa pelo Senado em São Paulo, anunciada nesta segunda-feira (28), ampliou entre aliados a defesa de uma união da direita também na corrida presidencial. O movimento aumenta a pressão para que Romeu Zema (Novo) deixe a candidatura ao Planalto e apoie Flávio Bolsonaro (PL) ainda no primeiro turno.
Ao anunciar a retirada de sua candidatura ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Salles afirmou que diferenças políticas deveriam ser colocadas em segundo plano diante do cenário nacional. “O momento é tão grave que diferenças, opiniões diferentes têm que ser deixadas de lado, justamente porque o risco de uma catástrofe, de uma reeleição do presidente Lula é muito grande. E o país não merece isso”, declarou.
“Portanto, questões pessoais, opiniões diferentes, enfim, tudo isso fica menor diante de um objetivo maior”, acrescentou.
O deputado também tratou diretamente da situação de Zema. “Enquanto o Zema for o candidato do meu partido, eu tenho a obrigação moral de apoiá-lo. Mas, assim como comentou o governador Tarcísio aqui, se o Zema entender, e acho que há elementos para isso, de que seja possível uma união já no primeiro turno, essa decisão dele terá meu apoio”, disse Salles.
A avaliação é compartilhada por André do Prado (PL), candidato ao Senado na chapa apoiada por Tarcísio. Ao comentar o cenário presidencial, ele afirmou acreditar em uma adesão do Republicanos à candidatura de Flávio e disse conversar sobre o tema com o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira.
“No que depender de mim vai apoiar Flávio. Tenho conversado com Marcos Pereira. Temos maior colégio eleitoral em SP, Minas no segundo com candidato ao governo super competitivo”, afirmou. “No fim das contas, Pereira costuma ouvir partido e observar posição majoritária no partido. Não faz sentido nem Republicanos nem Brasil estar com Lula”, acrescentou.
Apesar da pressão, a expectativa no entorno de Zema é de que ele mantenha a candidatura à Presidência até o fim da campanha, segundo apuração da Jovem Pan. Pessoas próximas ao candidato não trabalham, neste momento, com a possibilidade de uma retirada para apoiar Flávio no primeiro turno.
Vice na chapa de Zema, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) foi categórico ao ser questionado sobre a possibilidade de desistência. “Zero chance de desistirmos da campanha presidencial”, afirmou. Girão foi oficializado pelo Novo como vice de Zema em agosto.
A posição mantém, portanto, uma diferença entre a estratégia adotada em São Paulo e a corrida presidencial. Enquanto Salles abriu mão da candidatura para concentrar forças em Derrite e André do Prado, a chapa do Novo indica que pretende permanecer na disputa pelo Planalto mesmo diante das manifestações de aliados em favor de uma união antecipada.
Zema já afirmou que, caso não chegue ao segundo turno, apoiará o candidato que estiver contra o PT. Aliados do mineiro disseram à Jovem Pan que, em uma eventual segunda etapa, a prioridade será derrotar Lula. A pressão agora é para que essa convergência ocorra ainda no primeiro turno.
Na pesquisa Datafolha divulgada na última quinta-feira (24), Lula aparecia com 40% das intenções de voto, contra 36% de Flávio. Zema registrava 1%.
