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Metrópoles

Antidepressivos são associados a menos mortes durante tratamento do câncer

 

 

 

Pacientes com câncer que usavam antidepressivos da classe dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) tiveram menos mortes registradas nos dois anos após o início da imunoterapia, em comparação com pessoas que usavam benzodiazepínicos. A diferença foi observada em uma análise de prontuários de adultos com depressão ou ansiedade e tumores sólidos.

O estudo, publicado na revista PLOS Medicine em 29 de setembro, foi conduzido por pesquisadores do Hospital Geral Tri-Service e da Universidade Médica de Defesa Nacional, em Taiwan. Os dados foram obtidos da plataforma de registros eletrônicos de saúde TriNetX e incluíram pacientes que começaram a receber imunoterapia entre 2015 e 2025.

Os ISRS são uma classe de antidepressivos que atuam sobre a serotonina, um neurotransmissor. Entre os medicamentos do grupo estão fluoxetina, sertralina e escitalopram.

Na pesquisa, os cientistas avaliaram pessoas que iniciaram o tratamento com inibidores de checkpoint imunológico. Esses medicamentos são usados na imunoterapia para bloquear sinais que impedem o sistema imunológico de atacar as células tumorais.

Diferença nas mortes

Para fazer a comparação, os pesquisadores identificaram 1.567 pacientes que usavam ISRS e os parearam com outras 1.567 pessoas que utilizavam benzodiazepínicos — medicamentos prescritos para problemas como ansiedade e insônia.

O pareamento considerou 49 características dos pacientes antes do início do tratamento. Foram incluídos dados demográficos, características dos tumores, outras doenças, medicamentos utilizados e resultados de exames laboratoriais.

A escolha dos benzodiazepínicos como grupo de comparação permitiu avaliar pacientes que também faziam tratamento para questões de saúde mental. Assim, a análise não comparou simplesmente pessoas que usavam antidepressivos com outras que não utilizavam nenhum medicamento psiquiátrico.

Durante os dois anos de acompanhamento, 368 pessoas do grupo que usava ISRS morreram. Entre os pacientes que tomavam benzodiazepínicos, foram registradas 539 mortes. Em termos proporcionais, isso corresponde a 23,5% dos pacientes no grupo dos antidepressivos e 34,4% no grupo dos benzodiazepínicos.

Possível relação com a imunidade

Os pesquisadores investigam se os ISRS podem ter algum efeito sobre a resposta do sistema imunológico durante o tratamento do câncer.

“Uma forma simples de explicar é que os ISRS podem liberar um segundo freio na imunidade, que fica bem próximo daquele liberado pelos inibidores de checkpoint”, explicou o oncologista Cho-Hao Lee, um dos autores do estudo, em comunicado.

A hipótese é relevante porque a imunoterapia depende da capacidade do sistema imunológico de reconhecer e atacar as células tumorais. Os inibidores de checkpoint ajudam nesse processo ao bloquear sinais que impedem a ação das células de defesa contra o tumor.

Ainda não é possível afirmar, porém, que os antidepressivos tenham causado a redução observada nas mortes. A análise foi feita a partir de registros médicos e encontrou uma diferença entre os grupos de pacientes.

O estudo avaliou adultos com tumores sólidos e excluiu pessoas com cânceres do sangue. Os participantes tinham depressão ou ansiedade e estavam em tratamento com medicamentos para essas condições.

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