
Os adoçantes podem ser usados como alternativa para reduzir o consumo de açúcar, principalmente durante uma fase de adaptação do paladar. No entanto, é preciso estar atento à quantidade consumida e à frequência de uso no dia a dia, alerta o nutricionista Diego Righi.
Ao Metrópoles, o professor de nutrição na Afya Centro Universitário Itaperuna explica que o objetivo não deve ser simplesmente substituir todo o açúcar por grandes quantidades de adoçante. O ideal é reduzir a necessidade de sabores excessivamente doces.
“A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a redução dos açúcares livres seja acompanhada, sempre que possível, de uma redução gradual da preferência pelo sabor muito doce, em vez de depender continuamente de adoçantes não açucarados para controle de peso.”
Sobre a quantidade recomendada de adoçante por dia, o nutricionista explica que é preciso considerar a Ingestão Diária Aceitável (IDA), limite de segurança calculado de acordo com o peso corporal.
A IDA corresponde à quantidade que pode ser consumida diariamente ao longo da vida sem representar risco apreciável à saúde. No entanto, esse valor não deve ser entendido como uma meta de consumo, mas como um parâmetro de segurança.
“Por exemplo, para o aspartame, o JECFA — comitê científico da FAO/OMS — mantém uma IDA de 0 a 40 mg/kg de peso corporal por dia. Para uma pessoa de 70 kg, isso corresponderia a até 2.800 mg/dia. Na prática, porém, não há motivo para tentar se aproximar desse limite: vale usar apenas a quantidade necessária para tornar a alimentação agradável“, orienta o profissional.

De acordo com o nutricionista Diego Righi, não existe um adoçante que seja universalmente “o mais saudável”. Estévia, sucralose, aspartame, acessulfame-K e outros edulcorantes autorizados podem ser utilizados dentro dos limites estabelecidos.
O profissional enfatiza que a escolha deve considerar quantidade utilizada, tolerância, sabor, frequência de consumo e contexto individual, e não apenas se o produto é “natural” ou “artificial”.
“Para quem está reduzindo açúcar, uma estratégia interessante é utilizar o adoçante como uma ponte para diminuir progressivamente o grau de doçura. Por exemplo: começar reduzindo o açúcar do café, usar uma pequena quantidade de adoçante se necessário e, gradualmente, tentar consumir menos de ambos”, afirma Diego.
Alguns cuidados específicos também importam. Produtos com polióis, como sorbitol, maltitol ou xilitol, podem provocar gases, distensão abdominal ou efeito laxativo quando consumidos em maiores quantidades. “Já pessoas com fenilcetonúria devem evitar ou restringir o aspartame devido à presença de fenilalanina.”

O primeiro passo, segundo o nutricionista, é olhar a lista de ingredientes, e não somente frases como “zero açúcar”, “diet” ou “com estévia”. Vale observar qual edulcorante realmente está presente e se o produto utiliza uma mistura de vários deles.
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