
Existe uma estatística no futebol mundial que desafia qualquer lógica esportiva. Desde 1986, com uma única exceção em quatro décadas, toda seleção que eliminou o Brasil numa Copa do Mundo foi punida com uma campanha desastrosa na edição seguinte. E não se tratam de equipes medianas, mas da Argentina de Maradona, da Alemanha tetracampeã, da Bélgica segunda colocada no ranking da FIFA e da França bicampeã mundial. Todas eliminaram o Brasil. Todas pagaram o preço quatro anos depois. A Croácia, algoz da seleção nos pênaltis em 2022, foi a mais recente a integrar essa lista ao cair para Portugal por 2 a 1 logo nos 16 avos de final da Copa de 2026, com um gol anulado pelo VAR nos acréscimos.
O padrão é tão consistente que virou tema de debate nas plataformas que combinam previsão e entretenimento durante o torneio, onde apostadores e analistas passaram a monitorar não apenas o desempenho dos favoritos ao título, mas também o destino dos algozes históricos da seleção. Afinal, se a estatística vale algo, quem eliminou o Brasil em 2026 teria motivos para se preocupar com 2030.
Antes de entrar nos casos individuais, vale registrar o único sobrevivente da maldição: a Holanda. Após eliminar o Brasil nas quartas de final da Copa de 2010, os holandeses não só avançaram no Mundial seguinte como chegaram até a semifinal de 2014, venceram México e Costa Rica nas fases eliminatórias e ainda derrotaram o próprio Brasil por 3 a 0 na disputa pelo terceiro lugar. A exceção holandesa, portanto, foi especialmente cruel para o torcedor brasileiro. Todos os outros algozes, sem exceção, foram punidos. Às vezes com elegância estatística, às vezes com humilhação histórica. Para consultar as Stake.bet.br odds de quem vai sofrer a maldição no próximo ciclo, basta aguardar a Copa de 2030.
A primeira vítima documentada da maldição foi a própria França. Os franceses eliminaram o Brasil nas quartas de final da Copa de 1986 e foram ao terceiro lugar naquele torneio. Quatro anos depois, a punição foi a mais severa de todas: a França sequer se classificou para a Copa de 1990. Não caiu na fase de grupos, não foi eliminada nas oitavas. Simplesmente não estava lá. A maldição, em sua estreia, foi categórica.
A Argentina eliminou o Brasil nas oitavas de 1990 com um gol solitário de Caniggia e avançou até a final, onde perdeu para a Alemanha. Quatro anos depois, em 1994, o elenco portenho chegava ao torneio nos Estados Unidos com um dos ataques mais temidos do mundo: Gabriel Batistuta, Diego Simeone, Claudio Caniggia, Fernando Redondo e Ariel Ortega. Era uma geração de talentos excepcionais. Mas havia um problema: Maradona havia sido expulso do torneio após testar positivo para estimulantes proibidos, três dias antes da partida decisiva.
Enfraquecida sem seu maior ídolo, a Argentina encontrou nas oitavas uma Romênia inspirada, liderada por Gheorghe Hagi, o chamado "Maradona dos Cárpatos". O jogo em Pasadena foi um jogo frenético de cinco gols. Ilie Dumitrescu marcou dois, Hagi marcou o terceiro com uma finalização em curva de rara beleza. A Argentina tentou a reação com Batistuta e Balbo, mas a Romênia segurou o 3 a 2 e eliminou os sul-americanos prematuramente. Era um elenco talentoso demais para cair tão cedo, mas sem Maradona para carregar o peso nos momentos decisivos, o talento individual não foi suficiente para evitar a eliminação. Maradona, trabalhando como comentarista na televisão argentina, recusou-se a aceitar a derrota como legítima: "A Romênia não nos venceu em campo", disse. A maldição, porém, era implacável.
A França tem uma relação particularmente íntima com a maldição brasileira. Eliminou o Brasil nas quartas de final de 1986, não foi à Copa de 1990. Venceu o Brasil na final de 1998, foi eliminada na fase de grupos de 2002 sem marcar um único gol em três partidas. Eliminou o Brasil nas quartas de 2006, terminou a Copa de 2010 na última posição do grupo, com apenas um ponto, numa campanha marcada por motim dos jogadores contra o técnico Raymond Domenech. A França é o único país a ter incorrido na maldição duas vezes, e ambas as punições foram exemplares.
A eliminação da Alemanha na fase de grupos da Copa de 2018 é, provavelmente, o capítulo mais dramático da maldição. Os alemães humilharam o Brasil por 7 a 1 na semifinal de 2014, em Belo Horizonte, num resultado que entrou para a história do futebol mundial. Quatro anos depois, na Rússia, a Alemanha campeã foi ao campo no jogo decisivo contra a Coreia do Sul precisando de uma vitória para se classificar. O que se viu foi um colapso espetacular.
A Coreia, já eliminada, jogou fechada e explorou os contra-ataques com precisão. O goleiro Cho Hyun-Woo fez defesas decisivas, incluindo uma intervenção extraordinária numa cabeçada de Goretzka à queima-roupa no início do segundo tempo. A Alemanha desperdiçou chance após chance, com Werner e Müller incapazes de converter oportunidades claras. O drama culminou nos acréscimos: Kim Young-Gwon marcou após revisão do VAR e Son Heung-Min fechou o placar em 2 a 0 num contra-ataque fulminante, com o goleiro Neuer avançado até o ataque. A Alemanha, tetracampeã mundial, era eliminada na fase de grupos pela primeira vez na história. A maldição havia cobrado o preço mais alto de todos.
A Bélgica derrotou o Brasil nas quartas de final da Copa de 2018 com uma atuação convincente e chegou ao terceiro lugar naquele torneio. Na Copa de 2022 no Qatar, a seleção belga chegava como segunda colocada no ranking da FIFA, com De Bruyne, Lukaku e Hazard no elenco. Saiu na fase de grupos. A Croácia, num jogo sem gols que não fez jus ao talento dos envolvidos, garantiu a classificação enquanto os belgas faziam as malas. A Bélgica não marcou um gol sequer nas últimas duas partidas da fase de grupos e acabou eliminada com apenas três pontos.
Os croatas eliminaram o Brasil nos pênaltis nas quartas de final de 2022, numa partida dramática que foi a 1 a 1 no tempo regulamentar. Quatro anos depois, em 2026, a Croácia enfrentou Portugal nos 16 avos de final e perdeu por 2 a 1, com um gol de empate anulado pelo VAR nos acréscimos que poderia ter levado o jogo à prorrogação. O momento em que o árbitro cancelou o gol croata foi descrito pela imprensa europeia como um dos lances mais controversos do torneio. A maldição, desta vez, contou com a ajuda da tecnologia.
O futebol nunca resistiu a uma boa teoria conspiratória, e a eliminação do Brasil pela Noruega em 2026 reanimou pelo menos duas que circulam nas redes. A primeira é a "maldição do gato": durante uma coletiva de imprensa na Copa de 2022 no Qatar, um gato saltou sobre a mesa onde Vinícius Júnior concedia entrevistas. O assessor de imprensa da CBF, em vez de retirar o animal com delicadeza, jogou-o para fora da mesa com certa falta de tato. O gato caiu de pé, saiu caminhando com a dignidade intacta, mas a internet não perdoou e creditou o azar seguinte da seleção àquele evento. O Brasil foi eliminado pela Croácia nas quartas de final. Quatro anos depois, nova eliminação precoce. Nos minutos seguintes ao apito final contra a Noruega, as redes sociais ressuscitaram o vídeo do incidente com uma velocidade que dizia muito sobre a disposição do torcedor brasileiro de encontrar explicações sobrenaturais para os fracassos em campo.
A segunda teoria é mais elaborada e, assim, irresistível. O Japão participou de oito Copas do Mundo e avançou ao mata-mata em cinco delas. Em todas essas cinco ocasiões, a seleção que levantou o troféu foi a que eliminou a equipe que havia eliminado o Japão na primeira fase eliminatória. Aos exemplos. Em 2002, o Japão caiu para a Turquia, que caiu para o Brasil, campeão. Em 2010, o Japão perdeu para o Paraguai, que perdeu para a Espanha, campeã. Em 2018, o Japão foi eliminado pela Bélgica, que caiu para a França, campeã. Em 2022, o Japão perdeu para a Croácia, que perdeu para a Argentina, campeã. Em 2026, o Japão foi eliminado pelo Brasil nos 16 avos. O Brasil perdeu para a Noruega nas oitavas. Segundo a lógica da maldição japonesa, portanto, a Noruega seria a campeã de 2026.
Erling Haaland, ao ser informado sobre a teoria após a vitória sobre o Brasil, respondeu com a seriedade que a ocasião merecia: "É absolutamente insano." Não ficou claro se ele se referia à maldição ou ao próprio torneio. Se a Noruega for campeã de 2026, será a quinta vez consecutiva que a profecia japonesa se cumpre, transformando uma curiosidade estatística numa das sequências mais improváveis da história do futebol.
