
Um ataque com drones fez soar os alertas do sistema de defesa aérea de Kiev enquanto o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia, Heorghii Tykhyi, conversava com jornalistas latino-americanos na terça-feira (21/7).
O incidente, no entanto, não interrompeu a entrevista coletiva, já que o veículo não-tripulado foi interceptado, assim como 90% dos que são lançados diariamente contra o território ucraniano pela Rússia.
O que, segundo o diplomata, mostrava na prática não só a capacidade do país de se defender, mas também de exportar tecnologias para a segurança de outras nações, incluindo na América Latina.
“Estamos trabalhando muito duro, como o serviço diplomático, o ministro Sybiha e todos os diplomatas, para consolidar esse papel e transformar a Ucrânia em um instrumento de política externa — sendo, naturalmente, o nosso maior trunfo os acordos de drones que estamos propondo a países ao redor do mundo, os quais consistem em acordos-quadro de 10 anos para o desenvolvimento da cooperação em segurança”, disse Heorghii.
A ideia não é apenas vender os veículos não-tripulados, que podem ser empregados tanto na área militar quanto em questões civis, como o monitoramento de fronteiras e áreas da agricultura.
De acordo com Heorghii, o país busca acordos semelhantes aos firmados recentemente com nações do Golfo Pérsico, onde estão previstos a cooperação na implementação, treinamento e transferência de tecnologias relacionadas a drones e defesa aérea.
Relação da Ucrânia com drones
Os drones mantém um papel central na guerra entre Ucrânia e Rússia, iniciada em 2022.
Nos primeiros meses de conflito, o governo Zelensky anunciou medidas para avançar na produção de veículos não-tripulados no país. O objetivo era ter uma opção mais barata do que armas tradicionais.
Logo após a invasão russa, a administração ucraniana lançou o programa Army of Drones (Exército de Drones, em português). A iniciativa foi coordenada pelas Forças Armadas da Ucrânia , o Ministério da Transformação Digital e a organização Congresso Mundial dos Ucranianos (WUC).
Além de investimentos governamentais, a Ucrânia passou a receber doações internacionais por meio da plataforma UNITED24 para o setor.
Os esforços foram que a Ucrânia foi o primeiro país do mundo a criar, em 2024, um ramo das Forças Armadas dedicadas exclusivamente ao combate com drones. A unidade é conhecida como Forças de Sistemas Não Tripulados (USF).
Dados do governo ucraniano mostram que ao menos cinco acordos já foram firmados com países da região, alvos de bombardeios do Irã — que iniciou ataques contra instalações dos Estados Unidos nas nações vizinhas em resposta as operações norte-americanas.
“Nós estamos atuando compraticamente com todos os países do Golfo, onde alguns acordos de drones já foram firmados e outros estão em progresso”, afirmou Heorghii.
“Mas nossa cooperação não se limita apenas ao Oriente Médio e Europa. Nós estamos expandindo acordos e planos de cooperação para países da Ásia, alguns países da África e também estamos prontos para expandir nossas operações na América Latina, caso seus países tenham interesse em uma cooperação”, acrescenta.

Desejo antigo de Zelensky
Usar os aprendizados no setor de drones conquistados nos últimos cinco anos da guerra com a Rússia como uma vantagem econômica é desejo antigo do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.
Em 2025 o líder ucraniano defendeu a venda de drones, e suas tecnologias, como uma forma de reerguer a economia do país, cuja dívida pública externa gira em torno de US$ 115 bilhões (cerca de R$ 585 bilhões).
No início do ano, pouco antes do início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, o governo da a Ucrânia reabriu as exportações de armas produzidas, suspensas desde 2022. s vendas estavam bloqueadas como parte dos esforços ucranianos de concentrar toda produção militar do país para defesa contra a Rússia.
Segundo estimativas do Ministério da Defesa da Ucrânia, o país conta com mais de 500 fabricantes de drones, capazes de produzir até 10 milhões de veículos não-tripulados por ano. Um número que Zelensky
Segundo estimativas do Ministério da Defesa do país, o número de fabricantes de drones na Ucrânia chegou a mais de 500 no último ano, com capacidade de produzir até 10 milhões de veículos não-tripulados anualmente. Uma produção que Zelensky deseja dobrar em um futuro próximo, até atingir a casa de 20 milhões anuais.
