
Consumir menos açúcar durante os primeiros anos de vida pode estar associado a um menor risco de desenvolver Alzheimer e outras formas de demência décadas mais tarde. É o que sugere um estudo publicado em 22 de julho na revista npj Aging.
Os pesquisadores analisaram dados de mais de 60 mil pessoas e observaram que aqueles que tiveram menor exposição ao açúcar desde a gestação até os dois primeiros anos de vida apresentaram menor risco de doenças neurodegenerativas na velhice.
Segundo os autores, os resultados reforçam a importância da alimentação no início da vida para a saúde do cérebro ao longo do envelhecimento.
Para investigar essa relação, os cientistas aproveitaram um episódio histórico ocorrido no Reino Unido. Durante a Segunda Guerra Mundial e nos anos seguintes, o açúcar era racionado no país. Mulheres grávidas tinham acesso limitado ao alimento e crianças menores de 2 anos não recebiam sua própria cota.
A política terminou em setembro de 1953 e, pouco depois, o consumo de açúcar praticamente dobrou entre a população.
Os pesquisadores analisaram registros de saúde de 60.394 pessoas nascidas entre 1951 e 1956 e cadastradas no UK Biobank. Os participantes foram divididos de acordo com a fase da vida em que estiveram expostos ao racionamento: durante a gestação, nos primeiros anos de vida ou em nenhuma dessas etapas.
Em comparação com quem não passou pelo período de restrição, as pessoas que consumiram menos açúcar nos primeiros mil dias após a concepção apresentaram risco 27% menor de desenvolver demência por qualquer causa. No caso especificamente da doença de Alzheimer, a redução foi ainda maior, chegando a 46%.
Os pesquisadores também observaram risco 20% menor de ansiedade e 11% menor de depressão. Já para a doença de Parkinson, não houve diferença entre os grupos.
Além dos registros de saúde, a equipe analisou exames de ressonância magnética de mais de 9 mil participantes. As imagens mostraram que quem passou pelo período de restrição de açúcar apresentava um cérebro que parecia, em média, cerca de 0,39 ano mais jovem do que o esperado para sua idade. Algumas regiões importantes para a memória, como o hipocampo e o tálamo, também eram maiores nesse grupo.
Apesar dos achados, os pesquisadores ressaltam que o estudo mostra apenas uma associação entre menor consumo de açúcar no início da vida e melhor saúde cerebral décadas depois. Isso significa que ainda não é possível afirmar que a redução do açúcar seja a causa direta da diminuição do risco de Alzheimer.
Segundo os autores, novas pesquisas com populações atuais e informações detalhadas sobre a alimentação na infância serão necessárias para confirmar se essa relação também ocorre fora do contexto do racionamento vivido no Reino Unido.
