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Pela 1ª vez, cientistas flagram fundo oceânico da Terra se expandindo

A crosta terrestre, camada mais externa do nosso planeta, está sempre em movimento e foi nessa porção do globo que pesquisadores registraram, de forma inédita, o fundo do oceano se ampliando. Apesar de ser um movimento já conhecido pelos especialistas, o processo nunca havia sido observado, pois ocorre de forma lenta e sutil.

A detecção inédita do evento ocorreu em 2024, quando os cientistas conseguiram flagrar uma expansão de mais de 1 metro no fundo do Oceano Índico. Esse processo é como se a Terra estivesse “reciclando sua pele”.

O registro do fenômeno foi liderado pelo geofísico marinho Jean-Yves Royer, da Universidade de Brest, na França, e os resultados foram publicados na revista Nature nesta quarta-feira (8/7).

Pitada de sorte faz cientistas flagrarem expansão do fundo oceânico

Para ocorrer a formação de um novo fundo oceânico, o aumento de pressão no magma acumulado no interior força a passagem entre as rochas, causando terremotos. Como consequência, as placas tectônicas se afastam, a lava sobe e ao entrar em contato com a água fria, se resfria e endurece, transformando-se em uma nova camada rochosa. 

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A ocorrência do fenômeno foi constatada utilizando microfones subaquáticos, sensores de pressão e outros equipamentos. O objetivo era mapear o fundo do mar em uma porção da Dorsal Meso-Oceânica do Sudeste do Oceano Índico, uma cadeia de montanhas submersas formada pelo afastamento das placas da Austrália e Antártica.

Para a sorte dos pesquisadores, os equipamentos foram instalados a cerca de dois meses antes da ocorrência de uma sequência de terremotos, o que fez as placas tectônicas se afastarem com mais rapidez.

Assim, os dispositivos detectaram um acréscimo de mais de um metro no fundo oceânico índico. Além da expansão, os equipamentos também identificaram  que parte da dosal afundou cerca de 4 metros e a separação das placas ficou em mais de 1 metro.

“Tivemos muita sorte de ter todos esses instrumentos instalados quando isso aconteceu. Mas também tivemos sorte porque essas grandes quantidades de lava extravasaram a um ou dois quilômetros de distância dos nossos instrumentos, então não perdemos nenhum dado”, conta Royer, em entrevista ao New York Times.

Os especialistas acreditam que o registro inédito do fenômeno pode ajudar a comunidade científica ter mais detalhes e entender melhor como ele ocorre e de que forma novos eventos de expansão podem ser medidos.

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