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Onde termina a Via Láctea? Estudo define qual é a “borda” da galáxia

Via Láctea não tem uma borda visível como um continente ou um planeta. Mesmo assim, cientistas propuseram uma nova forma de definir esse limite para entender melhor a estrutura e a evolução da galáxia onde está o Sistema Solar. O estudo, publicado em abril na revista Astronomy & Astrophysics, sugere que a “borda” da Via Láctea pode ser definida como o ponto onde deixa de ocorrer a formação de novas estrelas.

De acordo com os pesquisadores, a região está a cerca de 40 mil anos-luz do centro galáctico. A descoberta foi feita a partir da análise de mais de 100 mil estrelas gigantes, com dados de grandes levantamentos astronômicos, como o APOGEE-DR17, o LAMOST-DR3 e a missão espacial Gaia.

O estudo ajuda a entender melhor como a Via Láctea é organizada e evolui ao longo do tempo. Segundo os cientistas, ela se encaixa no chamado disco de perfil II, um tipo de galáxia em que a quantidade de estrelas diminui de forma mais acentuada em determinadas regiões.

Na prática, isso mostra que há uma diferença clara entre a parte “ativa” da galáxia (onde novas estrelas ainda estão se formando) e as áreas mais externas, compostas por estrelas antigas e mais dispersas. Assim, mesmo sem ter uma borda física bem definida, a Via Láctea possui um limite funcional que agora pode ser identificado com mais precisão.

Onde fica o limite da Via Láctea?

Ao cruzar a idade das estrelas com a distância em relação ao centro da galáxia, os cientistas identificaram um padrão em forma de “U”. O resultado mostra que as estrelas mais próximas do centro são mais antigas, enquanto as regiões intermediárias concentram estrelas mais jovens.

No entanto, a partir de determinado ponto, próximo aos 40 mil anos-luz, essa tendência se inverte e as estrelas voltam a ser mais antigas. Segundo os autores, esse “ponto de virada” indica o fim da região onde novas estrelas ainda se formam.

A explicação está na distribuição de gás e poeira ao longo da galáxia. Nas áreas centrais, a abundância desses elementos no passado favoreceu a formação precoce de estrelas. Já nas regiões intermediárias, o processo ocorre de forma mais lenta, dando origem a estrelas mais jovens.

Os pesquisadores apontam três fatores principais para explicar o fim da formação estelar nessa região:

  • A ressonância de Lindblad externa, que interfere no fluxo de gás.
  • A deformação do disco galáctico, que espalha a matéria.
  • E a baixa densidade do gás, que impede o resfriamento necessário para formar novas estrelas.

Sem essas condições, o processo de nascimento de estrelas simplesmente deixa de acontecer.

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