
Vivemos na era das notificações. Estudos mostram que o ser humano médio desbloqueia o celular mais de 100 vezes por dia, e nem sempre por necessidade. Em uma época cheia de estímulos, hoje um dos maiores desafios é manter o foco — e a ciência tem dicas para ajudar a evitar distrações.
O doutor em neurologia e neurociências Leandro Oliveira explica que notificações, interrupções frequentes, ambientes barulhentos e estresse ambiental (como calor excessivo, por exemplo), impactam o processamento cognitivo e dificultam o foco.
“Além disso, privação de sono, fadiga mental acumulada e consumo excessivo de conteúdos em formato acelerado, frequentemente incentivados por recursos tecnológicos, prejudicam nossa capacidade de manter o foco sustentado”, aponta o professor da Universidade Católica de Brasília (UCB).
Estudos recentes comprovam que a atenção não depende só do momento da ação. Fazer atividade física regularmente, ter uma alimentação equilibrada, dormir com qualidade e interagir socialmente ajudam a manter o órgão saudável.
Estimular o cérebro também faz diferença. “Quanto menos o exercitamos, menos criativos, críticos e autônomos somos. Cuidar do cérebro é um ato de autocuidado tal qual fazer atividade física e cuidar da alimentação”, afirma a especialista em neuroaprendizagem Patrícia Lessa, diretora pedagógica do Supera.
Patrícia lembra que um dos maiores mitos disseminados na sociedade contemporânea é a capacidade e benefícios do multitasking. Fazer várias coisas ao mesmo tempo, segundo ela, gera uma alternância de foco muito rápida, prejudicando a atenção.
“É algo que aumenta a chance de erros, diminui a profundidade do processamento da informação e é mais cansativo. Tentar escrever um e-mail importante enquanto participa de uma reunião por vídeo, por exemplo, é a receita para fazer as duas coisas mal”, avalia.
Oliveira conta que, do ponto de vista evolutivo, não fomos preparados para realizar várias tarefas ao mesmo tempo. O ser humano é capaz de focar, terminar a tarefa e passar para a próxima, mas fazer tudo ao mesmo tempo é ineficaz.
“Esse mecanismo aumenta o tempo de execução, eleva a fadiga mental e a probabilidade de erros, fatores que frequentemente contribuem para quadros de burnout no ambiente organizacional”, alerta.
Redes sociais e telas também atrapalham, já que usam mecanismos para promover prazer imediato. O indivíduo abre o celular e não consegue sair, evitando períodos de descanso essenciais para a manutenção da cognição.
O professor conta que a ciência comprova: o foco em uma tarefa de uma vez só e reduzir estímulos concorrentes que trazem distração são essenciais para manter a atenção.
