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Nem toda micose é grave, mas infecção rara pode atingir até o cérebro

As micoses costumam ser associadas a problemas superficiais, como frieiras e infecções nas unhas. No entanto, alguns fungos podem ultrapassar a pele e atingir órgãos vitais, provocando infecções graves que exigem diagnóstico e tratamento rápidos. Embora essas formas sejam incomuns na população geral, especialistas alertam que pessoas com imunidade comprometida têm maior risco de desenvolver quadros potencialmente fatais.

Além das micoses invasivas, infecções aparentemente simples também merecem atenção quando persistem ou se espalham, principalmente em pacientes com doenças crônicas.

Segundo a infectologista Gabriela Leite Camargo, do Hospital Pró-Cardíaco, da Rede Américas, no Rio de Janeiro, as infecções mais graves são aquelas que atingem órgãos internos.

“São as chamadas micoses invasivas, nas quais os fungos ultrapassam a pele ou as mucosas e atingem órgãos internos, como pulmões, cérebro e corrente sanguínea”, afirma.

Entre elas estão aspergilose invasiva, candidemia, mucormicose, criptococose, histoplasmose disseminada e formas graves de paracoccidioidomicose.

O risco é maior em pacientes transplantados, em tratamento contra o câncer, pessoas vivendo com HIV avançado, diabéticos descompensados e pacientes internados em UTI.


Sintomas que podem indicar uma micose grave

  • Febre persistente, especialmente quando não melhora com antibióticos.
  • Falta de ar.
  • Tosse com sangue.
  • Dor no peito.
  • Confusão mental.
  • Dor de cabeça intensa.
  • Convulsões.
  • Lesões escuras na face, no nariz ou no céu da boca (palato).

Nem toda micose é grave, mas merece atenção

As formas mais frequentes da doença são superficiais e afetam pele, unhas e couro cabeludo. A frieira (pé de atleta), a tinea do corpo e a onicomicose estão entre os diagnósticos mais comuns nos consultórios dermatológicos.

De acordo com a dermatologista Ana Carolina Sumam, que atende no Rio de Janeiro, o tratamento inadequado pode favorecer complicações.

“Os erros mais frequentes são interromper o tratamento assim que os sintomas melhoram, utilizar medicamentos sem orientação médica e recorrer a receitas caseiras sem comprovação científica”, explica.

Segundo a especialista, esses hábitos podem mascarar a infecção, dificultar o diagnóstico, favorecer a persistência do fungo e aumentar o risco de recorrência, especialmente nas micoses das unhas, que costumam exigir tratamento prolongado.

Prevenção reduz o risco de infecção

Especialistas destacam que medidas simples ajudam a prevenir as micoses mais comuns. Manter a pele limpa e bem seca, trocar meias diariamente, evitar permanecer com roupas úmidas, usar chinelos em banheiros, piscinas e vestiários coletivos e não compartilhar toalhas, alicates ou calçados reduzem a chance de contágio.

Também é importante procurar atendimento médico quando uma lesão aumenta de tamanho, se espalha, não melhora após algumas semanas de tratamento ou acomete unhas e couro cabeludo. Nesses casos, o diagnóstico correto é essencial para indicar o tratamento mais adequado e evitar que a infecção se torne mais extensa ou persistente.

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