
O governo federal empenhou mais de R$ 2,4 bilhões em emendas de senadores após o envio de indicação de Jorge Messias para vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Nas últimas semanas, o Executivo articulou para tentar garantir a aprovação do nome do advogado-geral da União e evitar a derrota histórica sofrida nesta quarta-feira (29/4).
Em comparação ao mês de março, o volume de liberações de emendas individuais indicadas pelos senadores aumentou em mais de 12 vezes. Levantamento da coluna leva em conta dados do portal Siga Brasil relativos ao período entre 1º de abril, quando o presidente Lula enviou a indicação ao Senado, e 29 de abril deste ano, data da votação.
O maior beneficiário das liberações foi o senador Eduardo Braga (MDB-AL), com o montante de R$ 71,8 milhões empenhados pelo governo. O senador Romário (PL-RJ) aparece em segundo lugar com cerca de R$ 69 milhões. Na sequência, o ranking registra dois quadros do MDB: Jader Barbalho (PA) e Renan Calheiros (AL).
Veja lista:
Vale lembrar que as emendas individuais têm execução impositiva, portanto o Executivo é obrigado a liberá-las no decorrer do ano. No entanto, a velocidade e a prioridade que o governo federal dá a cada indicação pesa nas negociações relacionadas a votações no Congresso.
Nesta quarta-feira (29/4), o Senado rejeitou a indicação de Messias para integrar o STF. Apesar da aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o plenário do Senado barrou a escolha do presidente Lula (PT) por 42 votos a 34.
O placar marcou uma derrota inédita para o governo Lula, uma vez que foi a primeira indicação ao Supremo a ser rejeitada em 132 anos. O caso mais próximo na história é o de Cândido Barata Ribeiro, principal precedente de uma indicação que não se consolidou no Senado, em 1894.
