
Pólipos no intestino são pequenas lesões que crescem na parede interna do cólon ou do reto e, na maioria das vezes, surgem de forma silenciosa. Apesar de muitos serem benignos, alguns tipos podem evoluir para câncer colorretal ao longo dos anos, especialmente quando não são identificados e removidos precocemente.
Apesar de ser considerada comum entre adultos acima dos 50 anos, especialistas observam um aumento de casos também em pessoas mais jovens. Fatores genéticos, obesidade, alimentação rica em ultraprocessados, tabagismo e sedentarismo estão entre os principais fatores associados ao aparecimento dessas alterações.
Os pólipos no intestino podem ter características diferentes. Alguns apresentam risco baixo, enquanto outros têm potencial de malignização e exigem acompanhamento mais próximo. A colonoscopia é considerada o principal exame para detectar e retirar essas lesões antes que evoluam.
Segundo a gastroenterologista Karla Melo Maggi, do Hospital Santa Paula, em São Paulo, os pólipos costumam se desenvolver lentamente e nem sempre provocam sintomas. “Os pólipos, chamados hiperplásicos, têm potencial maligno muito baixo e raramente evoluem para câncer, por exemplo. Já os pólipos adenomatosos merecem atenção, porque esses têm real potencial de malignização se não forem removidos”, explica.
A especialista destaca que a transformação pode levar anos, o que torna o rastreamento essencial. “Em geral, essa transformação leva de 5 a 10 anos. E é exatamente nessa janela de tempo que a colonoscopia salva vidas, pois permite identificar e remover o pólipo antes que ele se torne um problema sério”, afirma.
Na maioria das vezes, os pólipos não causam sintomas. Ainda assim, alguns sinais podem indicar alterações mais importantes no intestino e devem motivar avaliação médica.
Entre os sintomas de alerta estão sangue nas fezes, mudança persistente no hábito intestinal, dores abdominais recorrentes, anemia sem causa aparente e perda de peso inexplicada.
O coloproctologista Danilo Munhóz, da Clínica Primazo, afirma que lesões maiores ou mais avançadas podem estar associadas ao câncer colorretal. “Qualquer mudança intestinal persistente, especialmente em pessoas acima dos 45 anos ou com fatores de risco, merece investigação médica”, alerta.
Ele ressalta ainda que o histórico familiar influencia diretamente no rastreamento. “Quando há parentes de primeiro grau com diagnóstico de câncer colorretal ou pólipos avançados, o rastreamento geralmente precisa começar mais cedo do que na população geral”, explica.
Além de diagnosticar, a colonoscopia também permite retirar os pólipos durante o próprio procedimento, reduzindo o risco de progressão para câncer. O material removido é enviado para análise laboratorial, que define o tipo da lesão e o acompanhamento necessário.
A recomendação dos especialistas é que pessoas sem fatores de risco iniciem o rastreamento aos 45 anos. Já aquelas com histórico familiar, doenças inflamatórias intestinais ou pólipos anteriores devem iniciar o acompanhamento antecipado e com maior frequência.
Mudanças no estilo de vida também ajudam na prevenção. Dieta rica em fibras, prática regular de atividade física, controle do peso e redução do consumo de ultraprocessados e carnes processadas estão entre as medidas recomendadas para diminuir o risco de desenvolver pólipos no intestino.
