
De acordo com um artigo da revista da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), o Brasil tem elevada prevalência da bactéria Helicobacter pylori, também conhecida como H. pylori. Conforme levantamento da entidade, em torno de 70% da população brasileira está infectada pelo micro-organismo especializado em colonizar o revestimento do estômago.
Recentemente, a coluna Claudia Meireles já explicou sobre o contágio, sintomas e o que a H. pylori provoca no organismo. Desta vez, a gastroenterologista Maria Júlia Colossi detalha se a infecção pela bactéria tem cura. A médica é mestra pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG).
A especialista descreve a H. pylori como uma “bactéria chata”. “Tem seus mecanismos próprios de adaptação em um meio hostil no estômago, consegue se proteger e sobreviver por muito tempo”, afirma a professora assistente de gastroenterologia da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP).
Segundo a gastroenterologista, a única forma de tratamento é por meio do uso de antibióticos. A médica esclarece que o que costuma ser recomendado está prestes a mudar no Brasil tendo em vista a atualização do Consenso Brasileiro do H. pylori, que está em sua quinta edição. “Seguirá a lógica mundial dos estudos mais recentes”, frisa Maria Júlia.

“De uma forma geral, passaremos a recomendar amoxicilina em altas doses com bloqueio de ácido intenso, no caso, os ‘prazois’, como esomeprazol, lansoprazol ou pantoprazol, ou vonoprazana. Esses medicamentos serão combinados ou não com bismuto”, sustenta a especialista em endoscopia digestiva.
A médica pontua: “A terapia com quatro drogas diferentes”, a exemplo de bismuto, tetraciclina, metronidazol e os ‘prazois’ ou vonoprazana também seguirá sendo recomendada”. Maria Júlia enfatiza que esse tratamento deve ser feito sempre por 14 dias e sob orientação de um gastroenterologista, para ponderar caso a caso.

