
O consumo frequente de alimentos ultraprocessados pode estar associado à piora da concentração e a maior risco estimado de demência, segundo um estudo publicado na última quinta-feira (23/4) na revista científica Alzheimer’s & Dementia: Diagnosis, Assessment & Disease Monitoring.
A pesquisa analisou dados de 2.187 adultos australianos sem diagnóstico de demência e identificou relação entre maior ingestão desses produtos e pior desempenho em testes cognitivos.
O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Monash University e Deakin University, ambas na Austrália, em parceria com a Universidade de São Paulo, entre outras instituições. Os autores avaliaram hábitos alimentares e indicadores de saúde cerebral em participantes de meia-idade e idosos.
Os resultados mostraram que pessoas que consumiam mais ultraprocessados tiveram desempenho inferior em tarefas ligadas à atenção e ao funcionamento cognitivo global. Além disso, apresentaram maior risco estimado de demência calculado por ferramentas clínicas usadas para prever probabilidade futura da doença.
Segundo os pesquisadores, uma elevação de 10% na participação de ultraprocessados na dieta diária foi associada a falhas de concentração. Na prática, isso pode representar a troca de alimentos frescos por itens industrializados prontos para consumo.
Ultraprocessados são produtos formulados industrialmente com muitos ingredientes e aditivos, geralmente com pouco alimento in natura na composição. Entram nessa categoria:
A atenção e/ou concentração é uma função mental importante para atividades diárias, aprendizado, trabalho e tomada de decisões. Alterações persistentes podem afetar produtividade e qualidade de vida.
Os autores destacam que a alimentação é um fator modificável. Ou seja, diferentemente de idade e genética, hábitos alimentares podem ser ajustados ao longo da vida.
Por se tratar de uma análise observacional, a pesquisa não comprova que ultraprocessados causam demência diretamente. O estudo mostra uma associação estatística entre maior consumo desses alimentos e piores indicadores cognitivos.
Ainda assim, os achados reforçam recomendações já conhecidas de priorizar frutas, verduras, legumes, grãos integrais e preparações caseiras para proteger a saúde geral e o cérebro ao longo do envelhecimento.
