
As negociações ilegais envolvendo policiais penais, integrantes de uma organização criminosa que atuava no Conjunto Penal de Feira de Santana, na Bahia, alvos da 'Operação Sísifo', eram feitas pelo WhatsApp e os pagamentos realizados por Pix.
Conforme informações do jornal Correio, os integrantes do grupo usavam parte do dinheiro na aquisição de gado, além de terem movimentado centenas de milhares de reais incompatíveis com os salários recebidos do Estado. O bando passou a ser investigado em 2023 quando a primeira fase da operação foi deflagrada contra a organização - formada por agentes penais - que atuava facilitando a entrada de celulares, drogas e outros objetos ilícitos na unidade prisional mediante propina.
Na última terça-feira (7), o Ministério Público da Bahia (MP-BA), que coordenou as investigações, anunciou que 10 policiais penais, envolvidos no esquema, foram condenados por participação em esquema criminoso no presídio de Feira de Santana. Eles foram indentificados como Valmir Pereira de Jesus, Vitor Cerqueira de Oliveira, Ednilson Santana Mota, Isaías Gregório de Miranda Filho, Yure Pinheiro Costa, Gildo de Lima Almeida, Valter Ferreira de Almeida, Leandro Calazans Amaral, Luana Priscilla de Jesus Moitinho e Rosana Souza de Oliveira.
Também de acordo com apuração do Correio, uma conversa no celular de Valmir, analisada pelas autoridades, mostrou um diálogo com o colega Yure negociando o acesso de materiais ilícitos na unidade prisional. Segundo o Correio, nessa conversa, os suspeitos acertaram a entrada de nove celulares, duas balanças de precisão e dois quilos de entorpecentes, em troca de R$ 36,5 mil.
Ainda conforme informações do portal de notícias, os envolvidos não recebiam o dinheiro diretamente nas suas contas. O valor das negociações era transferidos para terceiros, uma delas pertencia à empresa EME Eletricista, registrada em nome do comerciante Emerson Carmo dos Santos, um dos condenados que integrava o núcleo financeiro.
Após quebras de sigilos, mais um detalhe veio à tona durante as investigações: só entre janeiro de 2022 e abril de 2023, Yure movimentou R$ 334.918,67 em créditos e R$ 332.304,50 em débitos. Sendo que, segundo o Correio, dessa quantia, somente R$ 59.901,11 tinham origem identificada nos salários pagos pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).
Gildo teria movimentado R$ 555,3 mil em créditos e R$ 557,6 mil em débitos entre 2020 e 2022. Já Valmir, também segundo apuração do Correio, movimentou mais de meio milhão de reais no mesmo período.
Modus operandi
As diligências revelaram que os agentes utilizavam os cargos ocupados na unidade prisional para facilitar a entrada de celulares, drogas e outros materiais ilícitos no presídio mediante recebimento de vantagens indevidas.
"As investigações apontaram a existência de divisão de tarefas, atuação coordenada e mecanismos voltados à ocultação e dissimulação dos valores obtidos com as atividades criminosas, inclusive por meio de movimentações financeiras incompatíveis com os rendimentos declarados dos envolvidos", detalhou o MP.
