
O empresário Luan Ferrari, 37 anos, foi preso em flagrante na madrugada do último domingo (12), suspeito de agressão contra a companheira, uma mulher de 27 anos que terá seu nome preservado. Segundo a decisão judicial à qual o CORREIO teve acesso, a vítima teve necessidade de ser encaminhada para cirurgia bucomaxilofacial devido às lesões que sofreu.
De acordo com a Polícia Civil, Ferrari, que é dono do bar Escritório da Gadhega, no bairro da Saúde, foi preso pela Delegacia Especial de Atendimento À Mulher Casa da Mulher Brasileira (DEAM/CMB). Policiais da 2ª CIPM foram acionados para atender à ocorrência e, de acordo com o Departamento de Comunicação Social da Polícia Militar, a mulher foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento dos Barris. Lá, ela recebeu atendimento médico. O homem, por sua vez, foi conduzido à CMB.
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Já na audiência de custódia na segunda-feira (13), a prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva. A decisão assinada pelo juiz Horácio Moraes Pinheiro, da 3ª Vara de Garantias de Salvador, aponta que a agressão ocorreu por volta da 1h do domingo, na Rua Góes Calmon, na Saúde.
"Constam nos autos, ainda, as advertências legais quanto aos direitos do Flagranteado, bem como o registro fotográfico das lesões sofridas pela vítima, que documenta extenso sangramento e lesões na região do rosto, além de prontuário médico da UPA dos Barris e do Hospital Geral do Estado, que atestam edema e desvio de osso nasal, com necessidade de encaminhamento para redução cirúrgica bucomaxilofacial", diz o magistrado.
Na sentença, Pinheiro destaca que a prova do crime foi demonstrada na documentação do auto de prisão em flagrante. Além disso, ele considerou que as declarações da vítima eram "detalhadas, coerentes e harmônicas".
Ferrari e a vítima mantinham um relacionamento desde abril de 2024. Ela relatou à Justiça que esse período foi marcado por ciúmes e violência verbal por parte do acusado. Segundo a vítima, o empresário a diminuía com ofensas e já teria partido para agressões físicas. Na ocasião anterior, ela chegou a solicitar uma medida protetiva de urgência.
"Narrou que, na madrugada dos fatos, após discussão motivada por ciúmes envolvendo uma vizinha, o Flagranteado desferiu diversos socos em seu rosto, causando-lhe fratura no osso nasal e a necessidade de encaminhamento para cirurgia bucomaxilofacial".
Defesa
No interrogatório, ainda de acordo com a sentença, o preso disse ter agido em legítima defesa e não se lembrar das circunstâncias em que a vítima se feriu.
"Registre-se que, embora tenham sido juntados aos autos vídeos extraídos do sistema de segurança, nos quais a vítima aparece portando uma faca em determinado momento, tal circunstância, por si só, não é apta a afastar os indícios de autoria e a materialidade das graves lesões sofridas por [nome da vítima suprimido aqui]. Da análise perfunctória das imagens, não se extrai, de forma inequívoca, contexto de efetiva agressão ou iminente risco à integridade do investigado que justificasse a reação despendida, sendo certo que a própria dinâmica dos fatos depende de exame acurado do conteúdo integral da gravação, cotejado com os demais elementos de prova, notadamente os depoimentos e o laudo pericial. Tal aferição é providência afeta à instrução criminal, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, não competindo a este Juízo, em sede de audiência de custódia, antecipar juízo de mérito sobre a ocorrência de legítima defesa", escreveu o juiz.
Para o juiz, o fato de Ferrari ter negado o crime e alegado legítima defesa no interrogatório não seria suficiente para afastar os indícios de autoria. Ele cita, inclusive, o depoimento de policiais militares que confirmaram ter encontrado a vítima com o rosto coberto de sangue. "O contexto fático narrado nos autos revela um cenário de violência doméstica de acentuada gravidade", acrescentou o magistrado. "No caso concreto, a gravidade das lesões, aliada ao histórico de ordem protetiva anterior, com a reiteração delitiva, reforça com especial vigor a conclusão de que a liberdade do Flagranteado representa risco real, atual e concreto para a integridade física e a vida da vítima", completa, em outro trecho.
O magistrado negou o pedido de prisão domiciliar e apontou que o laudo de exames corporais indicou apenas escoriações e um edema discreto em Ferrari. Não haveria, na avaliação do juiz, indicativo de gravidade que demande cuidados incompatíveis com o ambiente prisional.
O juiz deferiu, ainda, medidas protetivas de urgência em favor da vítima, de sua família e de eventuais testemunhas, por qualquer meio de comunicação. Luan Ferrari também está proibido de frequentar locais habitualmente frequentados pela vítima e, quando posto em liberdade, deverá ser monitorado por tornozeleira eletrônica.
Investigação
Ao CORREIO, a Polícia Civil informou, ainda, que guias para perícia foram expedidas e que está fazendo oitivas para esclarecer o fato.
Um cliente do local contou à reportagem que chegou a presenciar uma situação de agressividade entre o empresário e a namorada. "Já mandei você calar a boca", teria dito Ferrari, à vítima, na frente de outros frequentadores.

Outras pessoas intervieram na situação. "Nunca mais voltamos lá. Ele não a agrediu fisicamente, mas queria controlar como ela se portava", contou o cliente, sob anonimato, por medo de represálias.
Em seu perfil no Instagram, Ferrari tem uma foto usando uma roupa dos Legendários, grupo cristão focado em homens. O grupo se define como um "movimento que busca a transformação de homens e famílias". Criado em 2015, chegou ao Brasil dois anos depois e ganhou popularidade ao atrair famosos. O movimento enfrenta críticas pela forma como prega a masculinidade e a hierarquia entre gêneros.
No perfil na rede social, Ferrari se apresenta como engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal da Bahia e como empreendedor investidor.
Ainda no Instagram, o perfil do bar Escritório da Gadhega, que tem 127 mil seguidores, teve os posts fechados para comentários.
