
Os pesadelos estão entre os sintomas mais difíceis enfrentados por quem convive com o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Eles costumam fazer a pessoa reviver experiências traumáticas durante o sono, provocando despertares frequentes, medo e prejuízos à qualidade de vida.
Agora, um estudo publicado, nesta quarta-feira (5/8), na revista Nature Medicine, indica que um medicamento à base de THC, principal composto psicoativo da cannabis, pode ajudar a reduzir o problema.
A pesquisa avaliou o dronabinol, uma versão farmacêutica do THC administrada em doses controladas. Após 10 semanas de tratamento, os participantes que receberam o medicamento apresentaram uma redução maior na frequência e na intensidade dos pesadelos em comparação com quem tomou placebo.
O transtorno de estresse pós-traumático pode surgir após situações extremamente traumáticas, como violência, acidentes, guerras ou desastres naturais. Além dos pesadelos recorrentes, o transtorno pode causar lembranças involuntárias, sensação constante de perigo, ansiedade e dificuldade para dormir.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Charité – Universitätsmedizin Berlin, na Alemanha. Ao todo, 171 adultos participaram do ensaio clínico: 87 receberam dronabinol e 84 tomaram placebo.
Nem os pacientes nem os pesquisadores sabiam quem estava recebendo o medicamento verdadeiro durante o estudo, um modelo conhecido como ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, considerado um dos mais confiáveis para avaliar novos tratamentos.
Segundo os pesquisadores, o dronabinol atua no sistema endocanabinoide, responsável por participar da regulação do sono, da memória e das respostas ao estresse. A hipótese é que o medicamento ajude o cérebro a reduzir a repetição das lembranças traumáticas durante o sono.
Os autores destacam, porém, que o tratamento não corresponde ao uso da cannabis fumada ou de produtos vendidos sem controle de qualidade. Também não foram observados sinais de dependência ou sintomas de abstinência após a interrupção do tratamento. Apesar do resultado positivo, os pesquisadores ressaltam que novos estudos ainda são necessários.
