
Os recentes e devastadores terremotos que aconteceram na Venezuela mobilizaram autoridades em diferentes partes do mundo. A tragédia lembra que, mesmo com o avanço da tecnologia, ainda não é possível prever quando e onde o chão vai tremer.
Hoje, a ciência consegue detectar um tremor assim que ele começa e, em alguns países, emitir alertas antes da chegada das ondas mais destrutivas. O que ainda não é possível é prever o local, a data, o horário e a magnitude de um terremoto.
Segundo o sismólogo Giuliano Sant’ana Marotta, chefe do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), a detecção é feita por sismômetros, equipamentos que monitoram continuamente as vibrações do solo. Com os registros, os especialistas identificam onde ocorreu o tremor e o momento exato em que aconteceu.
“Detectar um terremoto significa identificar e registrar sua ocorrência. A análise dos registros permite determinar a localização, a profundidade, a magnitude e o instante em que o tremor aconteceu”, explica.
Os sistemas de alerta entram em ação quando o terremoto já começou. Segundo José Alexandre Araujo Nogueira, analista do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), a tecnologia identifica primeiro as chamadas ondas P, que chegam antes e costumam causar menos danos.
“Quando elas são registradas, é possível enviar um alerta para áreas que ainda serão atingidas pelas ondas mais destrutivas”, afirma.
Como elas viajam mais rápido do que as ondas mais destrutivas, o sistema consegue avisar cidades que ainda serão atingidas. Em países como Japão e México, o alerta pode chegar com até dezenas de segundos de antecedência.
O tempo é suficiente para que pessoas procurem proteção e para que metrôs, trens, elevadores e redes de gás adotem medidas de segurança automaticamente.

A ciência ainda não consegue prever terremotos porque as falhas geológicas ficam em grandes profundidades e o acúmulo de tensão nas rochas pode levar décadas ou até séculos para ser liberado.
Hoje, os pesquisadores conseguem apenas identificar regiões com maior probabilidade de registrar terremotos no futuro, mas não determinar exatamente quando eles ocorrerão.
“Uma previsão científica exigiria antecipar com precisão a data, a hora, o epicentro e a magnitude de um terremoto. A ciência consegue apenas estimar áreas de maior risco e a probabilidade de eventos futuros”, explica Nogueira.
O Brasil possui monitoramento sísmico, mas ainda não conta com um sistema de alerta precoce. Segundo Nogueira, a Rede Sismográfica Brasileira reúne cerca de 100 estações distribuídas pelo país, número considerado pequeno para um território continental.
Marotta explica que implantar um sistema de alerta exigiria uma rede muito mais densa, com transmissão de dados em tempo real e processamento automatizado.
“Como a maioria dos terremotos registrados no Brasil apresenta baixa magnitude e raramente provoca danos significativos, a prioridade é o monitoramento contínuo dos eventos e a rápida divulgação de informações à Defesa Civil e à população”, diz o especialista.
Mesmo localizado no interior da Placa Sul-Americana, o Brasil registra tremores porque tensões geradas nas bordas da placa podem reativar antigas falhas geológicas.
As áreas com maior atividade sísmica ficam em partes do Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Amazônia. Ainda assim, a maioria dos terremotos brasileiros tem baixa magnitude e raramente provoca danos significativos.
A recomendação é manter a calma, afastar-se de janelas, estantes e objetos que possam cair. Se estiver dentro de um imóvel, procure abrigo sob uma mesa resistente ou próximo a uma parede estrutural e evite usar elevadores durante o tremor.
Caso haja sinais de danos na construção, deixe o local com segurança, siga as orientações da Defesa Civil e acompanhe apenas informações divulgadas por órgãos oficiais.
Também é importante comunicar o ocorrido aos observatórios sismológicos brasileiros, já que os relatos da população ajudam na análise dos eventos sísmicos
