
O Catar pode se juntar a Irã e Omã na operação para criar um canal de navegação temporário e remover as minas subaquáticas no Estreito de Ormuz – principal rota marítima de comércio do Oriente Médio.
Nesta quinta-feira (27/8), o ministro das Relações Exteriores catari, Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani, foi a Teerã e se debateu a proposta com o homólogo iraniano, Abbas Araghchi.
Irã e o Omã são os dois países costeiros do Estreito de Ormuz e discutem há semanas uma futura administração da hidrovia – fechada pela Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) desde fevereiro, começo da guerra contra Israel e Estados Unidos.
A chancelaria do Catar divulgou um texto sobre a reunião e afirmou que as discussões abordaram “esforços para reduzir as tensões” e garantir estabilidade.
“O encontro também tratou das discussões em andamento sobre o quadro provisório proposto, que inclui o estabelecimento de um corredor marítimo conjunto temporário através do Estreito de Ormuz e um acordo para implementar um projeto conjunto de desminagem do estreito”, disse o ministério.
Nessa quarta-feira (26/8), Irã e Omã chegaram a um acordo sobre a passagem temporária no Estreito de Ormuz, segundo os iranianos.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, anunciou na televisão estatal do país que a rota aprovada com o Omã começará em águas territoriais iranianas, asssim como parte da rota de saída. Segundo ele, o corredor marítimo deve ter 11,3 km de largura.
Um porta-voz da Guarda Revolucionária disse que iniciaram “negociações com Omã há cerca de um mês e chegamos a resultados que foram aceitos por ambas as partes. Acordos foram firmados sobre a participação de cada país nas águas do estreito e sobre a participação do Irã e de Omã nas receitas provenientes dele”, citado pelo jornal Al Jazeera.
Não foram divulgados detalhes sobre divisão de receitas ou águas.
A intenção de cobrar pedágio para navegação no Estreito de Ormuz é uma das divergências que impede um acordo pelo fim da guerra entre Estados Unidos e Irã. O presidente americano, Donald Trump, quando fala sobre o assunto, diz repetidamente que os EUA têm o controle da hidrovia.
