
O câncer de intestino diagnosticado antes dos 50 anos apresenta diferenças em relação aos casos em pessoas mais velhas. Um novo estudo publicado no Medical Journal of Australia em 18 de agosto analisou pacientes com a doença em estágio avançado e identificou variações na biologia do tumor, no perfil dos casos e na sobrevida.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade Flinders e do Flinders Medical Centre, na Austrália, com dados de 1.691 pacientes com câncer que havia se espalhado para o fígado.
Os resultados mostram que os pacientes mais jovens tinham maior probabilidade de serem mulheres e de apresentar tumores no lado esquerdo do intestino. Também foi mais frequente a presença de determinadas mutações genéticas. Além disso, esse grupo, em média, viveu mais tempo após a disseminação da doença para o fígado quando comparado aos pacientes mais velhos.
“Nosso estudo ajuda a construir uma imagem mais clara da doença e sugere que pacientes mais jovens podem apresentar características tumorais distintas que devem ser consideradas na tomada de decisões sobre o tratamento”, afirmou o pesquisador Sávio Barreto, da Universidade Flinders, em comunicado.
A análise também mostrou que mutações específicas, como BRAF e KRAS, genes responsáveis por regular o crescimento das células do organismo, estiveram associadas a piores resultados em pacientes de diferentes idades. Segundo os autores, isso reforça a importância dos testes genéticos na avaliação do câncer.
O fígado é o local mais comum de disseminação do câncer de intestino, o que torna o tratamento mais complexo nessa fase da doença.
Os pesquisadores observaram que pacientes submetidos à retirada dos tumores no fígado, seguida de terapias medicamentosas, tiveram melhores resultados em comparação com outras abordagens.
Ainda assim, os autores destacam que o estudo foi baseado em dados da prática clínica e não permite afirmar que um tratamento específico seja responsável pela maior sobrevida.
Para a equipe, compreender essas diferenças pode ajudar a orientar decisões clínicas e aprofundar a investigação sobre o aumento de casos em adultos mais jovens.
