
Aumentar o número de passos ao longo do dia pode ajudar no controle da asma tanto quanto a prática regular de exercício. A conclusão é de um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), que acompanhou pacientes com formas moderadas a graves da doença.
Os resultados, publicados na revista Pulmonology em 31 de maio, mostram que caminhar mais e praticar treino aeróbico regular levaram a efeitos semelhantes. Em ambos os casos, houve melhora no controle da asma, na qualidade de vida e nos sintomas de ansiedade e depressão.
A pesquisa acompanhou 52 adultos com asma moderada a grave não controlada. Todos eram fisicamente inativos e já faziam tratamento médico regular.
Os participantes foram divididos em dois grupos. Um deles realizou treino aeróbico supervisionado em esteira, duas vezes por semana, por 45 minutos. O outro recebeu orientações para aumentar a atividade física no dia a dia, com foco em caminhadas e metas semanais de passos.
O segundo grupo utilizou relógios para monitorar a quantidade de passos. As intervenções duraram oito semanas, com nova avaliação quatro meses depois.
Ao final do período, os dois grupos apresentaram melhora no controle da asma e redução de sintomas respiratórios. Esses efeitos se mantiveram meses após o fim do acompanhamento direto.
“Ambas as intervenções são benéficas para o paciente e proporcionam melhor controle da doença. Em nosso resultado, nenhuma das estratégias se sobressaiu à outra”, afirmou o pesquisador David Halen Araújo Pinheiro, autor do estudo, à Fapesp.
O aumento no número de passos também foi observado nos dois grupos. Mesmo com uma leve queda após quatro meses, os níveis se mantiveram acima do registrado antes do início do estudo.
Os pesquisadores destacam que o treino aeróbico exige estrutura e acompanhamento profissional, o que pode limitar o acesso. Já a caminhada pode ser incorporada com mais facilidade à rotina. “Com uma simples caminhada, ao aumentar o número diário de passos, o paciente tende a controlar a doença e obter outros benefícios”, disse Pinheiro.
Apesar dos resultados, os autores reforçam que a atividade física não substitui o tratamento medicamentoso. O uso contínuo das medicações segue sendo parte essencial do controle da asma. A proposta, segundo a equipe, é oferecer mais uma opção para pacientes que têm dificuldade em manter uma rotina de exercícios estruturados.
