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Cacipacoré: vírus brasileiro pouco conhecido pode infectar humanos

Em abril deste ano, um time de cientistas da China e do Reino Unido publicou, na revista Nature, um catálogo completo dos 239 vírus de RNA que podem infectar humanos. No meio da longa lista está o vírus Cacipacoré, um flavivírus brasileiro identificado na década de 1970 na Amazônia.

Outras pesquisas recentes sobre o patógeno ampliaram o conhecimento sobre sua circulação e chamaram atenção da comunidade científica. O Cacipacoré pertence à família Flaviviridae, a mesma da dengue, zika, febre amarela e vírus do Nilo Ocidental.

Apesar do interesse crescente, os especialistas reforçam que ainda existem poucos casos humanos documentados. Isso significa que muitas perguntas permanecem sem resposta, como a real frequência das infecções, a distribuição geográfica e o potencial de causar surtos.

O Cacipacoré é um arbovírus, ou seja, um vírus transmitido por artrópodes, como mosquitos, mas também já foi identificado em carrapatos associados a capivaras. Ele possui parentesco genético com outros flavivírus que podem provocar doenças neurológicas.

Estudos recentes sugerem que o agente pode estar circulando de forma mais ampla do que se imaginava, mas especialistas destacam que isso também pode ser consequência do avanço das técnicas laboratoriais, capazes de identificar infecções que antes passavam despercebidas.

Segundo o infectologista Edimilson Migowski, da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), ampliar a vigilância é essencial para entender o comportamento do agente.

“Quanto mais avançam os métodos diagnósticos, maior é a chance de identificarmos vírus que antes passavam despercebidos nos casos de febre sem causa definida”, afirma.

Transmissão e sintomas ainda levantam dúvidas

A forma de transmissão ainda não foi completamente esclarecida. A principal hipótese é que o vírus seja mantido em um ciclo silvestre envolvendo aves e mosquitos.

Há indícios de que o mosquito Aedes aegypti possa atuar como vetor, já que pesquisadores encontraram material genético do vírus na espécie. No entanto, essa relação ainda precisa ser confirmada por novos estudos.

Os poucos casos descritos em humanos apontam sintomas semelhantes aos de outras arboviroses, como febre, dor de cabeça, dores musculares, fadiga e mal-estar. Até o momento, não há evidências de que o Cacipacoré provoque quadros graves com frequência comparável à dengue grave.

Para a infectologista Gabriele Leite de Camargo, do Hospital Pró-Cardíaco, da Rede Américas, o principal desafio ainda é compreender melhor o comportamento da infecção.

“O Cacipacoré merece acompanhamento científico porque ainda existem muitas lacunas sobre sua circulação e impacto na saúde humana, mas isso não significa que represente uma ameaça semelhante à dengue neste momento”, diz.

Como se proteger contra o vírus Cacipacoré

Não existe vacina nem tratamento antiviral específico contra o vírus Cacipacoré. Caso ocorram infecções sintomáticas, o tratamento é baseado em suporte clínico para aliviar os sintomas.

Como a transmissão ainda está sendo investigada, as medidas preventivas seguem as mesmas recomendadas para outras arboviroses: uso de repelentes, instalação de telas e mosquiteiros, eliminação de criadouros de mosquitos e utilização de roupas compridas em áreas de mata ou com grande presença de insetos.

Especialistas também recomendam atenção em ambientes silvestres, especialmente locais com capivaras e carrapatos, além de reforçar a importância da vigilância epidemiológica para identificar rapidamente possíveis novos casos e ampliar o conhecimento sobre esse vírus ainda pouco conhecido.

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