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Todo mundo tem neurodivergência? Entenda o que o termo significa

Nem todo cérebro funciona da mesma forma. Nos últimos anos, o conceito de neurodiversidade ganhou espaço nas redes sociais e no debate público, trazendo novas formas de entender diferenças no comportamento, na atenção e na aprendizagem.

Mas afinal, o que significa ser neurodivergente? E será que todo mundo se encaixa nesse termo?

Segundo o psiquiatra André Botelho, do Hospital Sírio-Libanês, a ideia de neurodivergência surgiu justamente para ampliar o olhar sobre essas diferenças, sem reduzi-las automaticamente a doenças.

“Neurodivergência é um termo amplo, usado para descrever pessoas cujo modo de pensar, aprender, perceber o mundo ou se comunicar foge do padrão mais comum, chamado de neurotípico”, explica.

Ele ressalta que o conceito não é, por si só, um diagnóstico médico, mas uma forma de descrever diferentes maneiras de funcionamento do cérebro.

O que entra no conceito de neurodivergência?

No uso mais comum, o termo costuma englobar condições relacionadas ao neurodesenvolvimento, como autismo, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e dislexia. No entanto, não há uma lista única e oficial do que pode ou não ser considerado neurodivergente.

“De forma mais ampla, algumas pessoas também incluem condições como discalculia, dispraxia e até altas habilidades dentro desse conceito”, afirma André.

A neuropsicóloga Nárrina Ramos, do Grupo Reinserir, em São Paulo, destaca que esse campo ainda está em construção e vai além de uma visão puramente médica.

“Discutir diversidade apenas pelo ponto de vista biomédico empobrece o debate. O conceito de neurodiversidade ainda está sendo construído e envolve diferentes formas de compreender o funcionamento humano”, pontua.

Para ela, esse olhar mais amplo também ajuda a incluir outras condições que podem impactar o funcionamento cognitivo, embora nem sempre sejam tradicionalmente associadas ao termo.

Uso nas redes e risco de banalização

Com a popularização do tema, especialmente nas redes sociais, o termo passou a ser utilizado com mais frequência no dia a dia, o que, segundo especialistas, pode gerar confusão. André alerta que nem todo comportamento fora do padrão indica uma neurodivergência.

“Quando qualquer timidez, distração ou dificuldade cotidiana passa a ser chamada de neurodivergência, o termo perde precisão, o que pode levar a autodiagnósticos e até atrasar o cuidado adequado”, afirma.

Ele explica que sintomas semelhantes podem ter origens diferentes, como estresse, ansiedade, privação de sono ou outras condições de saúde.

Nárrina também chama atenção para o risco de transformar diagnósticos em rótulos fixos. “Muitas vezes o diagnóstico limita a discussão em vez de ampliá-la. A gente precisa lembrar que a experiência humana não é algo imutável”, diz.

Diagnóstico exige avaliação cuidadosa

Outro ponto importante é que identificar condições relacionadas à neurodivergência exige avaliação clínica adequada. Isso porque os sinais podem variar bastante de pessoa para pessoa.

Segundo André, o processo não se baseia apenas em listas de sintomas ou conteúdos vistos na internet.

“Uma boa avaliação considera a história do desenvolvimento, a intensidade dos sinais, o impacto na vida da pessoa e o funcionamento em diferentes contextos, como casa, escola e trabalho”, explica.

Ele reforça que a principal diferença entre traços de personalidade e um transtorno está no impacto causado no dia a dia do indivíduo.

“Todo mundo pode ser distraído, tímido ou inquieto em algum momento. Mas isso só é considerado um transtorno quando é persistente, aparece em diferentes situações e traz prejuízo importante para a vida da pessoa”, finaliza.

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