
O aumento no número de ataques de tubarão no Havaí, especialmente no mês de outubro, não está ligado ao crescimento no número de pessoas no mar nem a mudanças recentes no turismo.
A explicação mais provável, segundo um estudo publicado em 5 de janeiro na revista Frontiers in Marine Science, está no comportamento natural dos próprios animais — em especial do tubarão-tigre.
A pesquisa analisou 30 anos de registros de mordidas não provocadas, entre 1995 e 2024, e identificou um padrão claro: 20% de todos os ataques ocorreram em outubro, um número duas a quatro vezes maior do que o registrado em qualquer outro mês do ano. O fenômeno ficou conhecido entre os pesquisadores como “sharktober”.
Ao todo, o estudo contabilizou 165 ataques não provocados nas águas havaianas nesse período. Quase metade deles — 77 casos, ou 47% — foi atribuída ao tubarão-tigre, a espécie mais frequentemente envolvida nesses incidentes.
Os pesquisadores não encontraram evidências de que outubro seja um mês com mais pessoas praticando atividades no mar, como surfe e natação. Isso indica que o aumento dos ataques não acontece porque há mais humanos na água, mas porque há mais tubarões-tigre em áreas costeiras nesse período.
A principal hipótese levantada no estudo é que fêmeas adultas de tubarão-tigre migram para as ilhas principais do Havaí no fim do verão e início do outono, justamente para dar à luz seus filhotes. Esse movimento faz com que os animais se aproximem da costa, onde também estão banhistas e surfistas.
Além disso, após o período de gestação, essas fêmeas tendem a se alimentar com mais intensidade, o que pode aumentar a chance de encontros acidentais com humanos. Segundo os autores, isso não significa que os tubarões estejam “caçando” pessoas, mas sim que há mais sobreposição entre áreas usadas por humanos e por grandes predadores marinhos.
Em outubro, os tubarões-tigre foram responsáveis por 63% dos ataques registrados, uma proporção bem maior do que nos demais meses. A maioria dos animais envolvidos era de grande porte, com comprimentos entre 2,4 e 4,6 metros, e tamanho médio estimado em 3,2 metros.
Esses dados reforçam que o aumento sazonal está ligado à presença temporária de tubarões maiores e mais ativos próximos à costa, e não a mudanças no comportamento humano.
Apesar do pico sazonal, os pesquisadores destacam que o risco geral de um ataque de tubarão no Havaí continua sendo muito baixo. Em décadas de registros, o número de ataques fatais é pequeno quando comparado à enorme quantidade de pessoas que entram no mar todos os anos no arquipélago.
Os autores ressaltam ainda que tubarões desempenham um papel essencial no equilíbrio dos ecossistemas marinhos e que entender seus padrões de comportamento é fundamental para reduzir riscos sem gerar medo ou desinformação.
