
Um estudo publicado em 29 janeiro de 2026 na revista científica PLOS One analisou a origem do queixo humano e concluiu que ele pode ser um “acidente evolutivo”. A pesquisa foi feita por cientistas do Laboratório de Morfologia Evolutiva Humana de Buffalo, Estados Unidos.
Segundo o estudo, o queixo é uma das marcas mais exclusivas do Homo sapiens. Nenhum outro primata vivo, nem mesmo espécies humanas extintas como os neandertais, apresenta a projeção óssea na parte frontal da mandíbula da mesma forma.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram 46 características do crânio e da mandíbula em 15 grupos de hominídeos (que incluem humanos e grandes mamíferos como os primatas). O objetivo era descobrir se o queixo surgiu por:
Segundo o estudo, de nove características relacionadas ao queixo, apenas três mostraram sinais de seleção direta. As demais parecem ter evoluído de forma indireta ou sem pressão seletiva específica.
A pesquisa aponta que transformações importantes no crânio humano — como o aumento do cérebro, a flexão da base do crânio e a redução do rosto inferior — tiveram forte influência evolutiva.
Essas mudanças alteraram o formato da face ao longo do tempo. Com o rosto mais retraído e os dentes menores, a mandíbula ficou menos robusta. Esse rearranjo estrutural pode ter deixado o queixo mais evidente, mesmo que ele não tenha sido “selecionado” por uma função própria.
Por isso, os autores defendem que o queixo pode ser um subproduto dessas transformações maiores, e não uma adaptação com propósito específico, como melhorar a mastigação ou a fala.
A conclusão do estudo reforça que nem tudo no corpo humano existe porque foi diretamente “escolhido” pela seleção natural. Algumas características surgem como consequência inevitável de outras mudanças.
No caso do queixo, ele pode ser apenas o resultado visível de milhões de anos de remodelação do crânio humano — um traço marcante da nossa espécie que talvez nunca tenha tido uma função própria.
