
O número de contas vazadas tem crescido globalmente, mas o Brasil se destaca pela redução da violação de dados
Mais de 421 milhões de pessoas sofreram vazamentos de dados em 2022, de acordo com levantamento mundial do Centro de Recursos contra Roubo de Identidade (ITRC). A violação de dados de grandes empresas cresceu 42% em comparação ao ano anterior, com o Twitter sendo responsável pela exposição de informações de mais de 221 milhões de usuários.
No Brasil, houve uma melhoria significativa para evitar esses ataques, possivelmente refletindo o amadurecimento da implantação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A empresa SurfShark identificou o vazamento de dados de 8,7 milhões de contas no ano passado, número quatro vezes inferior ao de 2021, quando registrou 33 milhões de contas violadas. Ainda assim, o país ocupa a 12a posição entre os países mais atingidos.
Os casos têm alarmado a população sobre a segurança de seus dados pessoais, como senhas, endereços, telefones, dados bancários e até mesmo localizações registradas por GPS. Esses dados podem ser usados de forma maliciosa e ainda gerar multas para as empresas que apresentam vulnerabilidades.
Os ataques maliciosos são a principal causa de vazamento de dados, segundo uma pesquisa da IBM que envolveu 524 empresas em 17 países. No entanto, outras vulnerabilidades, como erro humano ou falhas do desenvolvimento de software, podem ser a origem da divulgação de informações sigilosas.
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entrou em vigor em setembro de 2020 e tem como objetivo proteger a privacidade e os dados pessoais dos cidadãos. A legislação estabelece que as empresas são responsáveis pela proteção dos dados pessoais que coletam, armazenam e utilizam, garantindo a privacidade e a segurança das informações.
A LGPD prevê multas que podem chegar a até 2% do faturamento para as organizações que permitem o vazamento de dados, limitado a R$ 50 milhões por infração. A legislação também prevê sanções como a publicização da infração, bloqueio ou eliminação dos dados relacionados à infração e suspensão parcial do funcionamento do banco de dados.
As medidas são aplicadas pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), responsável por fiscalizar o cumprimento da LGPD. O órgão tem o poder de realizar investigações e inspeções em empresas e realizar acordos e cooperações com outras autoridades de proteção de dados nacionais e internacionais.
O profissional de segurança cibernética é o principal responsável por evitar o vazamento de dados de uma organização, e deve conscientizar todos os colaboradores das medidas necessárias para proteger o negócio de uma possível divulgação de dados sigilosos.
Entre as ações que devem ser realizadas para evitar a violação de dados, estão:
Para identificar possíveis violações de dados em sua organização, é necessário estar atento a alguns sinais de alerta. É importante verificar a atividade de login e acesso aos sistemas para detectar atividades incomuns, como tentativas malsucedidas de acessar os dados fora do horário de trabalho.
Configurar alertas de atividade incomum, como o download de grandes quantidades de dados, também pode ajudar a detectar possíveis violações. Além disso, é importante implementar ferramentas de proteção e incentivar os funcionários a seguir as políticas de segurança aplicadas pela empresa.
