
O crescimento do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais, aliado ao aumento da rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem provocado um debate reservado dentro do Partido dos Trabalhadores (PT) e também no Palácio do Planalto.
Nos bastidores, já se considera a possibilidade de Lula não disputar a eleição presidencial de 2026. A hipótese, antes vista como remota, passou a ser tratada com mais seriedade diante do cenário político atual.
Durante o programa Ponto de Vista, o colunista Robson Bonin e o cientista político Marco Antonio Teixeira analisaram o momento e indicaram que a sucessão no campo governista já está em curso, ainda que de maneira não oficial.
Segundo Bonin, há uma percepção crescente dentro do partido de que Lula enfrenta desgaste político relevante, o que pode impactar diretamente sua viabilidade eleitoral.
“Há muita gente que acredita dentro do PT que ele deveria se preocupar com o fato de poder terminar a biografia perdendo para o filho do Bolsonaro”, afirmou.
Entre os possíveis substitutos, o ministro da Educação Camilo Santana aparece como uma aposta com potencial de crescimento dentro do partido. De acordo com Bonin, seu nome já foi testado em pesquisas internas.
Por outro lado, o ex-ministro e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad surge como alternativa mais imediata.
Para Marco Antonio Teixeira, Haddad apresenta condições mais concretas para assumir a candidatura em curto prazo.
“Haddad já tem praticamente a mesma intenção de voto que o Lula, com algo em torno de 10% a menos de rejeição”, disse.
Apesar de aparecer como opção viável, Haddad não reúne consenso dentro do PT. Segundo Bonin, há setores do partido que questionam seu perfil político e sua postura em campanhas eleitorais.
A avaliação é de que a legenda precisaria de um candidato com postura mais combativa para enfrentar uma disputa nacional acirrada.
O debate também expõe um desafio mais amplo: a renovação de lideranças dentro do PT.
Para Teixeira, o partido ainda depende fortemente de nomes tradicionais e encontra dificuldades para formar novas lideranças com projeção nacional.
“Há uma incapacidade do PT de se renovar, de produzir lideranças novas”, afirmou.
Nesse cenário, Camilo Santana é visto como um projeto de médio prazo, enquanto Haddad aparece como solução mais imediata caso Lula decida não concorrer.
Na análise dos especialistas, o avanço de Flávio Bolsonaro está mais ligado ao desgaste do governo do que a fatores individuais.
“Esse crescimento do Flávio é muito mais uma negação ao Lula e ao PT do que méritos do próprio Flávio”, avaliou Teixeira.
Os analistas também consideram improvável o surgimento de uma terceira via competitiva nas eleições de 2026.
A tendência, segundo eles, é de manutenção da polarização entre os campos ligados ao lulismo e ao bolsonarismo.
“Dificilmente teremos um processo propositivo”, disse Teixeira, ao destacar que o cenário aponta para um confronto direto entre os dois grupos políticos.
