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Obesidade pode estimular crescimento celular ligado ao câncer

Ao contrário do que se pensa, a obesidade não está ligada apenas a doenças metabólicas e cardiovasculares — ela também pode criar um ambiente propício para o desenvolvimento de câncer.

Um novo estudo identificou um mecanismo biológico que ajuda a explicar essa relação: o crescimento anormal de células em tecidos do corpo, processo que pode abrir caminho para tumores.

A pesquisa foi publicada na última terça-feira (24/3) na revista científica American Association for Cancer Research. Os cientistas analisaram como o excesso de gordura corporal influencia diretamente o comportamento das células, especialmente em tecidos que passam por renovação constante.

Crescimento celular desregulado

Os pesquisadores observaram que a obesidade pode levar a um processo chamado hiperplasia — quando há aumento no número de células em um tecido. Esse crescimento, embora nem sempre seja cancerígeno por si só, cria um cenário mais favorável para o surgimento de alterações malignas.

Na prática, isso acontece porque o organismo, sob influência do excesso de nutrientes e de sinais inflamatórios, estimula a multiplicação celular de forma contínua. Esse ambiente aumenta as chances de erros durante a divisão das células, o que pode desencadear mutações associadas ao câncer.

Outro ponto importante destacado pelo estudo é o papel da inflamação crônica. Pessoas com obesidade frequentemente apresentam níveis elevados de inflamação no corpo, mesmo sem infecções aparentes. Esse estado inflamatório interfere no funcionamento normal dos tecidos e pode contribuir para:

  • Desequilíbrio nos sinais que controlam o crescimento celular;
  • Maior resistência à morte natural das células (apoptose);
  • Alterações no microambiente dos tecidos.

Com isso, o corpo passa a favorecer a sobrevivência de células que deveriam ser eliminadas — um dos passos importantes para o desenvolvimento de tumores.

O trabalho contribui para esclarecer por que a obesidade já é considerada um fator de risco para diversos tipos de câncer, como os de mama, intestino e fígado.

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Sintomas da obesidade clínica que vão além do IMC

Além das doenças, pessoas com obesidade precisam lidar com estigmas sociais associados à doença, que envolvem preconceito, estereótipos desrespeitosos, falta de entendimento, levando os pacientes a condições de baixa autoestima, vergonha e culpa pela condição de saúde e pelo peso
A causa fundamental da obesidade e do sobrepeso é o desequilíbrio energético entre a quantidade de calorias ingeridas e a quantidade de calorias utilizadas pelo indivíduo para realização de suas atividades diárias. O excesso de calorias não consumidas se acumula em forma de gordura corporal
Segundo um levantamentos da OMS, as taxas de obesidade em adultos praticamente triplicaram desde 1975 e se elevaram em cinco vezes em crianças e adolescentes. No Brasil, segundo o IBGE, a condição deve atingir quase 30% da população adulta do país em 2030
Essa condição médica se refere ao aumento da gordura corporal e que provoca uma série de doenças associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão, problemas de coração, dislipidemia (colesterol alto), esteatose (gordura no fígado) e outras comorbidades causadas pelo excesso de peso

Mais do que uma associação estatística, os pesquisadores mostram um possível caminho biológico que liga o excesso de peso ao câncer: a hiperplasia funcionando como uma ponte entre o acúmulo de gordura e o crescimento tumoral.

Entender esse mecanismo ajuda a reforçar a importância da prevenção. Controlar o peso corporal não é apenas uma questão estética — é uma estratégia concreta para reduzir riscos à saúde.

Além disso, os achados podem orientar futuras pesquisas e até o desenvolvimento de terapias que atuem nesses processos celulares alterados, interrompendo a progressão para o câncer.

Embora o estudo aprofunde o entendimento sobre a relação entre obesidade e câncer, os autores destacam que a doença é multifatorial. Ou seja, diversos fatores — genéticos, ambientais e comportamentais — também influenciam o risco individual.

Em resumo, a obesidade não apenas aumenta o risco de câncer, mas pode alterar diretamente o funcionamento das células, criando condições favoráveis para o surgimento da doença.

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