
Segundo um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Genebra, na Suíça, um exame de fezes baseado na análise de bactérias do intestino pode identificar cerca de 90% dos casos de câncer colorretal. A proposta é oferecer uma forma mais simples e menos invasiva de rastrear a doença, que hoje é diagnosticada principalmente por meio da colonoscopia.
Este câncer é o tipo que mais causa mortes no mundo. Apesar de ser altamente tratável quando detectado cedo, muitos casos ainda são diagnosticados em estágios avançados, em parte porque a colonoscopia pode ser cara e desconfortável, o que leva muitas pessoas a adiar o exame.
No novo estudo, publicado na revista Cell Host & Microbe em agosto de 2025, os cientistas utilizaram aprendizado de máquina para analisar a microbiota intestinal humana. A equipe criou um catálogo detalhado das bactérias presentes no intestino e identificou padrões associados ao câncer colorretal.
Para o pesquisador Mirko Trajkovski, que liderou o estudo, o diferencial da pesquisa foi olhar para um nível mais específico da microbiota.
“Em vez de analisar apenas as espécies bacterianas, focamos nas subespécies. Esse nível intermediário permite captar diferenças importantes no funcionamento das bactérias e na sua relação com doenças”, explica, em comunicado.
A partir desse catálogo microbiano, os pesquisadores desenvolveram um modelo capaz de detectar sinais da doença analisando bactérias presentes em amostras de fezes.
O método foi testado com dados clínicos já disponíveis e conseguiu identificar cerca de 90% dos casos de câncer colorretal. A taxa é próxima à observada em colonoscopias, que detectam aproximadamente 94% dos casos, e superior à de outros testes não invasivos atualmente disponíveis.
“Embora estivéssemos confiantes na abordagem, os resultados foram impressionantes”, afirmou o pesquisador Matija Trickovic, primeiro autor do estudo.
Segundo os cientistas, o teste poderia ser usado como ferramenta de rastreamento inicial. Pessoas com resultado positivo seriam então encaminhadas para colonoscopia, exame que confirmaria o diagnóstico.
A equipe agora prepara um ensaio clínico em parceria com os Hospitais Universitários de Genebra para avaliar melhor quais estágios da doença podem ser identificados com o método.
Os pesquisadores também acreditam que a estratégia pode ser aplicada a outras doenças. Ao analisar com mais precisão as bactérias do intestino, o mesmo tipo de teste pode ajudar a desenvolver ferramentas de diagnóstico baseadas na microbiota.
“O mesmo método poderá ser usado para criar testes não invasivos para várias doenças, todos baseados em uma única análise da microbiota intestinal”, afirma Trajkovski.
