
Malhar diariamente vai muito além da estética ou do condicionamento físico. Evidências científicas recentes e especialistas em neurologia reforçam que o movimento é um dos principais aliados do cérebro, ajudando a prevenir doenças neurológicas, reduzir hospitalizações e preservar funções como memória, concentração e raciocínio ao longo dos anos.

Um estudo recente publicado na JAMA, uma das revistas científicas mais importantes do mundo, reforçou algo que a medicina já observa há décadas: a atividade física regular é fundamental para a prevenção de diversas doenças crônicas e para a saúde global do organismo.
Segundo o neurocirurgião Victor Hugo Espíndola, o exercício atua diretamente na redução de fatores de risco como diabetes, hipertensão, obesidade e colesterol elevado. “Ao diminuir esses fatores, conseguimos reduzir a incidência de AVC e infarto, que hoje estão entre as principais causas de mortalidade no mundo”, explica.
Além disso, a prática regular melhora o sono, reduz processos inflamatórios, beneficia o sistema cardiovascular e pulmonar e diminui significativamente as taxas de hospitalização por diversas doenças.
Para o neurocirurgião Renato Chaves, pensar em atividade física apenas como algo voltado ao corpo é um erro. “O cérebro é um órgão que depende diretamente do movimento para funcionar bem. Quando a pessoa se movimenta todos os dias, ela está literalmente alimentando o cérebro”, afirma.
A atividade física diária melhora a circulação sanguínea cerebral, aumenta a oxigenação e estimula substâncias que mantêm os neurônios ativos e protegidos. Esse processo ajuda a reduzir o risco de declínio cognitivo ao longo da vida.

Os benefícios neurológicos vão além da prevenção. O exercício estimula a liberação de neurotransmissores como serotonina, dopamina e endorfina, responsáveis pela sensação de bem-estar e pela proteção contra depressão e ansiedade. Também favorece a neuroplasticidade, capacidade do cérebro de criar novas conexões, essencial para aprendizado e memória.
De acordo com Renato Chaves, a prática regular ajuda, sim, a prevenir doenças como Alzheimer, Parkinson e AVC. “O exercício reduz inflamações, melhora o controle da pressão arterial, da glicose e do colesterol, fatores diretamente ligados ao risco dessas doenças”, explica.
A recomendação é combinar atividades aeróbicas — como caminhada, corrida, bicicleta ou natação — com exercícios que desafiem coordenação, força e equilíbrio, como musculação, dança ou esportes. Ainda assim, os especialistas reforçam que qualquer movimento regular já traz benefícios.
“De 30 a 40 minutos por dia são suficientes para obter efeitos importantes. Não precisa ser intenso todos os dias; a regularidade é mais importante do que a intensidade”, orienta Chaves.
A ausência de atividade física está associada a maior risco de perda de memória, lentificação do raciocínio, alterações de humor e envelhecimento cerebral precoce. Com o tempo, o cérebro se torna menos estimulado, menos irrigado e mais vulnerável a doenças neurológicas.
Por isso, os especialistas são categóricos: com orientação adequada, pessoas sedentárias e mais velhas podem — e devem — se movimentar diariamente. “O exercício é um verdadeiro remédio natural para o cérebro, sem efeitos colaterais quando bem orientado”, conclui Renato Chaves.
