
A calcificação das artérias é a fase avançada da aterosclerose, que é a formação de placas de gordura no interior desses vasos sanguíneos, responsáveis por transportar sangue rico em oxigênio e nutrientes para todas as células. Em entrevista à coluna Claudia Meireles, o cirurgião vascular Alexandre Giovannini explica sobre o quadro.
Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) e integrante do corpo clínico do Hospital Santa Lúcia Sul, em Brasília (DF), o médico destaca sobre a calcificação das artérias ser, na maioria das vezes, uma doença silenciosa. “Este é o ponto mais crítico. Não dói enquanto está se formando”, frisa.
O especialista em angioradiologia e cirurgia endovascular enfatiza que o paciente costuma descobrir o problema quando já está avançado ou durante exames de rotina, como o ecodoppler ou a tomografia. De acordo com Alexandre, o corpo também dá sinais: “Geralmente, aparecem como cansaço excessivo, falta de ar ao fazer esforços pequenos e dor no peito.”
Outro sinal são as dores nas pernas ao caminhar que melhoram com o repouso. “Em casos avançados, pode haver diminuição de pulsos, feridas que não cicatrizam ou até gangrena [necrose]”, pontua o cirurgião vascular. Ele avisa: “O ideal é não esperar pelos sintomas para fazer uma avaliação médica.”
Alexandre Giovannini esclarece sobre como surge esse quadro: “Podemos comparar as artérias a mangueiras de borracha que, com o tempo, podem ficar rígidas. A calcificação ocorre quando o cálcio — que deveria estar nos ossos e dentes — acaba acumulando nas paredes dos vasos sanguíneos. Isso geralmente é resultado de um processo inflamatório crônico.”
Segundo o médico, fatores como o envelhecimento natural, genética, má alimentação, tabagismo, diabetes, pressão alta e até problemas renais aceleram esse depósito. “É como se o corpo tentasse ‘cicatrizar’ uma agressão nas artérias usando o cálcio, o que acaba endurecendo o vaso sanguíneo”, finaliza o especialista.

