
O Ministério das Relações Exteriores brasileiro avalia que a situação na Venezuela é de estabilidade no momento. Para o Itamaraty, é natural que o novo governo chefiado pela presidente interina, Delcy Rodríguez, mantenha um "diálogo mais próximo" com os Estados Unidos.
"Nossa fronteira está tranquila, está normal e também não vemos uma situação de instabilidade no país", declarou a secretária de América Latina e Caribe, embaixadora Gisela Padovan. "O que tem na Venezuela nesse momento é uma certa estabilidade, e ao Brasil interessa uma certa estabilidade", continuou ela.
A declaração se deu a jornalistas enquanto Padovan divulgava os detalhes da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Panamá, para participar do Foro Econômico Internacional da América Latina e Caribe, que será realizado na quarta-feira (28).
Lula deve realizar um discurso durante a sua participação no foro. No entanto, segundo a diplomata, o foco será na integração econômica e comercial da região e não é esperado que o chefe do Executivo brasileiro mencione a Venezuela.
Padovan reiterou que a posição do Brasil acerca da situação que culminou na captura do ditador venezuelano, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos se mantém a mesma.
Tanto na reunião do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) quanto no encontro do Conselho Permanente da OEA (Organização dos Estados Americanos), o Brasil condenou a operação militar norte-americana.
A embaixadora disse ainda que é "natural" que o tema seja abordado durante a visita de Lula. Presidentes de outros países da América Latina e do Caribe como Equador, Bolívia, Chile, Guatemala e Jamaica, também já têm presença confirmada.
"Mesmo que haja uma pequena discordância [sobre a Venezuela], nós continuaremos dialogando com tranquilidade sobre o tema. É natural que seja parte, mas não é central", disse Padovan.
Na última semana, Lula conversou por telefone com o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, quando trataram da questão venezuelana. De acordo com o Planalto, os dois concordaram quanto à "necessidade de preservar a paz e a estabilidade" na região.
Viagem ao Panamá
Segundo o Itamaraty, Lula deve chegar ao Panamá no final da tarde de terça-feira (27) e volta no dia seguinte, quarta-feira (28), para o Brasil, ao final das atividades.
No evento, o petista participará da abertura do Foro, onde será o segundo a discursar. É esperado ainda que converse com Raúl Mulino. Também há a possibilidade de o chefe do Executivo brasileiro ter reuniões bilaterais com os demais presidentes.
O encontro terá como foco o desenvolvimento econômico da América Latina e do Caribe. Os líderes devem tratar de temas centrais da região, como perspectivas econômicas e o papel do setor privado.
Também há a expectativa da assinatura de um acordo de facilitação de investimentos entre Panamá e Brasil, com o objetivo de estabelecer regras e facilitar a circulação de capital e investimento produtivo nos dois países.
O evento é comumente chamado de “Davos Latino-Americana”, em referência ao Fórum Econômico de Davos, que reuniu lideranças políticas e econômicas mundiais nesta semana, na Suíça.
Lula não foi ao evento por ter optado prestigiar o Foro. Segundo Padovan, o encontro no Panamá não é uma "alternativa" à Davos, mas uma "complementação importante".
