
O Nacional conseguiu somar os quatro pontos que tem no Grupo F da Libertadores em solo brasileiro. Causou problemas a Internacional e Bahia da mesma forma. Bem fechado na defesa e potente em contragolpes. Na noite desta quinta-feira, o Colorado não foi necessariamente um time reativo o tempo inteiro, mas construiu os gols da vitória e outras jogadas importantes em contra-ataques.
Os três pontos dão ao Inter a segunda colocação no Grupo F, além da vantagem de dois resultados contra o Bahia, na última rodada, em Porto Alegre. Se não perder, disputará as oitavas de final. Ricardo Mathias abriu o placar no fim do 1º tempo, mas Aguirre foi o melhor em campo. Começou o contragolpe no primeiro tento, deu assistência, e ainda marcou o segundo gol aos 51' da 2ª etapa.
Pablo Peirano abriu mão do esquema com três zagueiros diante da torcida tricolor. Montou um 4-1-4-1. O meia Maurício Pereyra entrou e o zagueiro Calione saiu. Jeremia Recoba perdeu espaço para Diego Romero.
Já Roger Machado optou novamente por três volantes de ofício. Desta vez, porém, o ''falso ponta'' foi Thiago Maia, que recompôs auxiliando Bernabei pela esquerda e em fase ofensiva se convertia em mais um elemento do meio-campo. Bruno Tabata ficou no banco. Ricardo Mathias foi o centroavante.
O jogo
O primeiro minuto no Parque Central passou a sensação equivocada do que poderia ser a 1ª etapa. O Nacional iniciou de maneira agressiva e chegou com perigo duas vezes. Nico López chegou a ter um gol anulado por impedimento. O que veio na sequência, porém, mostrou um cenário diferente de quando os Albos surpreenderam o Colorado e o Bahia em jogos no território brasileiro.
Diante de sua torcida, não dava para passar o tempo inteiro recuado para explorar contragolpes. O time da casa não deixou de fazer isso, mas precisou passar mais tempo com a bola nos pés do que esteve habituado nesta Libertadores. E aí se revelou a limitação uruguaia para produzir algo diante de uma defesa postada e sem grandes espaços.
O Nacional não produziu mais nada ao longo de todo o 1º tempo. Conseguiu um bom contragolpe com Villalba, sempre a força motriz da equipe pela direita, mas a jogada não pôde ser terminada por novo impedimento de Nico López. O Inter não correu mais riscos. Se postava em duas linhas de quatro por trás de Alan Patrick e Ricardo Mathias. Protegia os setores e evitava subir muito a marcação.
Com a bola, poderia ter sido um time mais insinuante. Talvez tenha tomado cuidados para não ceder contragolpes em campo aberto ao Nacional. Thiago Maia flutuava para o centro, tentava jogar perto de Fernando, Bruno Henrique e Alan Patrick. Bernabei e Aguirre aos poucos ocupavam os flancos, mas evitavam se lançar muito a frente. Wesley traçava diagonais para se aproximar de Ricardo Mathias.
O Colorado conseguiu um bom contra-ataque antes dos 15 minutos. Mejía voou para impedir o gol de Alan Patrick, após transição iniciada por Wesley. O atacante se mexia com desenvoltura e ganhava duelos contra os rivais. Foi dele o cruzamento para o gol anulado de Thiago Maia de cabeça, que estava impedido. Na parte final do 1º tempo os gaúchos foram um pouco mais agressivos.
Antes era um time estático. Trocava passes de forma burocrática ao se instalar no campo adversário. Conseguiu construir o gol em ataque rápido pela direita. Aguirre foi esperto e não demorou a cobrar um lateral que pegou o lateral Báez muito longe do seu setor. Alan Patrick esperou a aproximação de Bruno Henrique e Thiago Maia, e o próprio Aguirre cruzou para Ricardo Mathias abrir o placar.
O jovem centroavante se antecipou a Calione, que havia acabado de entrar na vaga do experiente Coates. Impressionante como a proteção de área dos donos da casa caiu após a lesão de Coates. É a referência defensiva e grande liderança dos Albos.
Isso ficou ainda mais nítido no início do 2º tempo. Ricardo Mathias teve liberdade para finalizar duas vezes diante de Mejía em menos de dois minutos, mas desperdiçou. Bruno Henrique entrava livre e sem goleiro na pequena área em um deles.
Apesar de quase sofrer dois gols relâmpagos depois do intervalo, o Nacional mostrou mais poderio ofensivo. O atacante Petit e o meia-atacante Jeremia Recoba substituíram Diego Romero e Pereyra. A equipe ganhou agressividade e Nico López chegou muito perto de empatar em grande jogada na entrada da área. Mandou uma bomba no travessão de Anthoni, que nada poderia fazer.
Thiago Maia sentiu antes dos dez minutos e deu lugar a Ronaldo. Wesley passou a jogar pela esquerda, e Bruno Henrique fez o papel que Thiago Maia cumpriu na 1ª etapa, mas a partir do lado direito. Ronaldo fez dupla com Fernando na frente da área. A equipe não reagiu bem às transformações. Teve dificuldades para segurar a bola e a pressão do Nacional se formou.
Roger não demorou a mexer. Sacou o amarelado Victor Gabriel para a entrada de Juninho na zaga. Ricardo Mathias e Bruno Henrique também saíram. Gustavo Prado e Bruno Tabata entraram para atuar pelos lados. Wesley foi adiantado para o centro do ataque, mas o Colorado seguia sem reter a posse para desafogar a defesa. Tão pouco roubava bolas que possibilitassem contragolpes.
A tentativa da vez foi renovar o fôlego no ataque. Lucca substituiu Wesley. Pablo Peirano abdicou da defesa ao sacar o lateral-esquerdo Báez e colocar o centroavante Herazo. Depois tirou o volante Boggio e botou o ex-Santos e Galo Otero. A equipe passava a ter quatro atacantes e três meias de ofício. Naturalmente cedeu espaços, e o Inter quase ampliou em chutes de Bernabei e Gustavo Prado.
A pressão dos donos da casa não tinha cessado. O Inter deu alguns vacilos em saídas de bola que quase causaram gols ao Nacional, mas ao menos conseguia respirar um pouco mais com a posse no campo de ataque. Otero bateu uma falta no travessão nos acréscimos, Gustavo Prado havia desperdiçado grande chance um pouco antes.
Bastante criticado em jogos recentes, Anthoni mostrou velocidade de reação em intervenções importantes. Outro jogador que não goza de tanto prestígio assim com a torcida colorada, o lateral-direito Aguirre deu números finais ao placar já aos 51 minutos do 2º tempo. Disparou sozinho em contragolpe após Tabata ganhar uma dividida e driblou Mejía para ampliar.
Depois de três derrotas seguidas e atuações ruins, nada como superar um desafio deste tamanho com um triunfo merecido. O Colorado não foi melhor o jogo inteiro, mas soube lidar com as dificuldades de um cenário bem adverso em determinados momentos.
