
A operação mais letal da história do Rio de Janeiro segue repercutindo na imprensa internacional. Com o número de mortos atualizado para 119 nesta quarta-feira (29/10), veículos de diversos países destacaram o choque mundial com a ação das forças de segurança nos complexos do Alemão e da Penha, que deixou também quatro policiais entre as vítimas.
Desde terça-feira (28/10), a mídia estrangeira acompanha de perto a megaoperação, que o governo do estado classificou como um “sucesso” contra o Comando Vermelho, enquanto organizações de direitos humanos e veículos internacionais apontam para o elevado número de mortos e a falta de transparência nas informações oficiais.
O jornal Süddeutsche Zeitung (SZ), um dos principais da Alemanha, descreveu que o Rio de Janeiro vive uma “situação semelhante a uma guerra civil”.
“Trata-se do confronto mais sangrento entre a polícia e grupos criminais da história da cidade”, escreveu o SZ.
Já o portal argentino Clarín mantém cobertura ao vivo sobre o caso e classificou a operação como um “massacre”. O jornal relatou que moradores encontraram dezenas de corpos em áreas de mata e praças da Penha e do Alemão, muitos ainda sem identificação.
Nesta quarta, o Ministério da Segurança argentino colocou as fronteiras em “alerta máximo” para monitorar eventuais deslocamentos de criminosos, segundo a ministra Patricia Bullrich. “Vamos observar com atenção todos os brasileiros que cruzem a fronteira, sem confundir turistas com membros do Comando Vermelho”, disse ao Clarín.
Na mesma reportagem, o jornal repercutiu as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, segundo o ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, ficou “estarrecido” com o número de mortos.
O espanhol El País destacou que o número de mortos subiu após moradores localizarem corpos não incluídos no balanço oficial. “Os vizinhos encontraram cerca de 60 corpos adicionais em uma floresta próxima”, escreveu o jornal, informando que a operação “se tornou a mais sangrenta da história do Brasil”.
O diário descreveu um “Rio silencioso e esvaziado”, com ruas desertas e moradores aterrorizados após o dia de confrontos.
A agência TASS, da Rússia, informou que “as vítimas incluíam não apenas membros de grupos criminosos e policiais mortos em serviço, mas também civis”.
O francês Le Monde noticiou o número de 2,5 mil policiais envolvidos e ressaltou a reação da ONU, que se disse “horrorizada” e pediu investigação rápida sobre as mortes. O jornal mencionou relatos de corpos com tiros na nuca e facadas, citando advogados e organizações locais de direitos humanos.
Já o colombiano El Tiempo afirmou que as operações “se tornaram rotina nas favelas cariocas, onde agentes e traficantes se enfrentam e a população fica presa no fogo cruzado”.
