
Ao analisar o mecanismo das libélulas para detectar a luz vermelha, pesquisadores identificaram que o inseto possui uma proteína específica que responde a luminosidade avermelhada em um comprimento de onda mais escuro do que os humanos veem.
Alguns campos da medicina, como a optogenética, utilizam proteínas fotossensíveis para estudar tecidos vivos. A ideia dos cientistas é replicar a capacidade de visão das libélulas em novas tecnologias analíticas.
“Este é um dos pigmentos visuais mais sensíveis ao vermelho já descobertos. As libélulas provavelmente conseguem enxergar em tons de vermelho mais profundos do que a maioria dos insetos”, afirma um dos autores do estudo, Akihisa Terakita, em comunicado.
A descoberta liderada pela Universidade Metropolitana de Osaka (OMU, na sigla em inglês), no Japão, teve os resultados publicados na revista Cellular and Molecular Life Sciences em meados de janeiro.
Os pesquisadores identificaram a posição específica que a proteína responde à luz. Em seguida, eles a alteraram, deslocando a sensibilidade para comprimentos de onda mais longos, ficando mais perto da faixa do infravermelho, um tipo de radiação eletromagnética invisível ao olho humano.
Comprimentos de onda mais longos são ótimos para analisar tecidos vivos, pois conseguem penetrar o corpo de forma mais profunda e alcançar células com acesso mais complicado. Usar o mecanismo de visão das libélulas pode ser um caminho de avanço para a medicina futuramente.
Para nós enxergarmos, nossos olhos utilizam a proteína chamada opsina – a mesma usada pelas libélulas. Através delas, conseguimos ver cores de forma plena. A grande diferença entre os humanos e o inseto em específico, é que o vermelho é visto por ele uma forma mais profunda.
“Surpreendentemente, o mecanismo pelo qual a opsina vermelha da libélula detecta a luz vermelha é idêntico ao da opsina vermelha em mamíferos, incluindo humanos. Este é um resultado inesperado, sugerindo que o mesmo processo evolutivo ocorreu independentemente em linhagens distantemente relacionadas”, diz o primeiro autor do estudo, Ryu Sato.
As medições sobre o comprimento de onda do vermelho revelaram que há uma sensibilidade aguçada nas libélulas para enxergar tons avermelhados. Segundo os pesquisadores, os animais podem usar a função para localizar parceiros, já que machos e fêmeas refletem a cor de forma distinta.
