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O Tribunal do Júri da 4ª Vara Criminal de Palmeira dos Índios condenou, nesta terça-feira (11), Talisson Romero França, conhecido como “Nesquita”, e Matheus Guilherme Leite a 19 anos e 3 meses de prisão em regime fechado pelo assassinato de Marcos Henrique de Barros, de 27 anos, o “Orelha” ou “Louco”. O julgamento foi presidido pelo juiz Christiano Sibaldo.

O crime ocorreu em 11 de janeiro de 2023, em frente ao Hospital Regional Santa Rita, e chocou a população pela frieza e audácia da execução em plena via pública, à luz do dia.

De acordo com a sentença, ficou comprovado que “Nesquita” foi o executor dos disparos que vitimaram Marcos Henrique, contando com a participação direta de Matheus Leite, responsável por conduzir a motocicleta usada na fuga.

Ambos foram considerados culpados por homicídio qualificado por motivo torpe e emboscada, atendendo à tese apresentada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL), representado pelo promotor João de Sá Bomfim.

O júri rejeitou, porém, a acusação de tentativa de homicídio, ocorrida em 30 de dezembro de 2022, apenas 12 dias antes do assassinato de Marcos Henrique, por falta de provas, conforme recomendação do próprio MP.

Durante o julgamento, “Nesquita” compareceu presencialmente ao Fórum de Palmeira dos Índios, enquanto Matheus Leite participou por videoconferência.
Segundo informações apuradas, Matheus reside atualmente no Paraná e foi comunicado da condenação de forma remota.

Com a voz trêmula durante o interrogatório no júri, Talisson Romero França, o “Nesquita”, negou ser o autor dos disparos, afirmando que, na data do crime, estava trabalhando em um comércio de Maceió.

Já Matheus Guilherme Leite negou conhecer “Nesquita” e declarou que a motocicleta usada no dia do crime havia sido vendida meses antes a uma terceira pessoa, residente no Distrito de Rainha Isabel, em Bom Conselho (PE).

A mãe de Talisson, ao Portal Todo Segundo, relatou que já perdeu três filhos assassinados, entre eles uma adolescente de 13 anos e outro que foi encontrado morto dentro de uma cela no Presídio do Agreste, em Girau do Ponciano.

“A justiça da Terra é falha, mas a de Deus é perfeita. Que seja feita a vontade de Deus”, disse ela, minutos antes da sentença, afirmando ser evangélica.

As defesas de Talisson Romero França e Matheus Leite, representadas respectivamente pelos advogados Thais Martins e Raimundo Pereira, alegaram falta de provas da materialidade do crime e pediram a absolvição dos réus, mas os jurados acolheram a tese do Ministério Público.

Segundo o processo, Talisson aguardou a saída de Marcos Henrique do hospital — onde ele estava internado para retirar uma bala alojada no corpo após uma troca de tiros 12 dias antes — e disparou várias vezes contra a vítima logo após sua alta médica.

Os tiros atingiram as paredes e a porta do hospital, gerando pânico entre pacientes e funcionários, mas ninguém além da vítima foi ferido.

Imagens do sistema de videomonitoramento da cidade flagraram a fuga dos assassinos e foram fundamentais para identificar “Nesquita” como o autor dos disparos. Ele foi capturado cinco meses depois, em Maceió, no bairro Cidade Universitária, onde se escondia na casa de familiares.

A denúncia do Ministério Público apontou que o homicídio foi motivado por disputas ligadas ao tráfico de drogas em Palmeira dos Índios.

Segundo a investigação, “Nesquita” teria agido a mando de Alex Tavares Jacinto, o “Barão do Tráfico”, então considerado líder de uma organização criminosa atuante na região.

Meses depois, em outubro de 2023, Alex Tavares foi executado a tiros no bairro Vila Maria, em um episódio que a polícia acredita estar relacionado à mesma guerra entre grupos criminosos.

A decisão foi recebida com alívio e sensação de justiça entre familiares da vítima e moradores da cidade, que acompanharam o caso desde o início.

A Polícia Civil já identificou suspeitos de participação no ataque a tiros contra a Escola Estadual Indígena Pajé Miguel Selestino, localizada no território Xukuru-Kariri, em Palmeira dos Índios. O crime ocorreu na noite do último domingo (9) e deixou marcas de disparos em portões e paredes da unidade escolar.

De acordo com o chefe de operações da 5ª Delegacia Regional de Polícia (DRP), Diogo Martins, o caso foi percebido por um vigilante que estava de serviço no momento do ataque, mas ninguém ficou ferido. “Ele ouviu os disparos e constatou os pontos em que a escola foi atingida”, informou o policial.

A polícia trabalha com diferentes linhas de investigação e já recolheu imagens de câmeras de segurança, que devem ajudar a confirmar a autoria do crime. Até o momento, os investigadores descartam relação entre o ataque e o processo de demarcação de terras da comunidade indígena Xukuru-Kariri.

O delegado responsável pelo caso destacou que o foco agora é aprofundar a qualificação dos suspeitos e identificar a motivação do ataque, para concluir o inquérito e encaminhá-lo à Justiça.

Mesmo após o episódio, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) informou que as aulas ocorreram normalmente na segunda-feira (10), com acompanhamento das autoridades locais.

A Polícia Civil segue com diligências e deve ouvir novas testemunhas nos próximos dias.

 

 

O ministro da Educação, Camilo Santana, anunciou que o gabarito oficial do primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 será divulgado na próxima quinta-feira, 13 de novembro. As provas foram aplicadas em 1.805 municípios de todo o país e contaram com a participação de milhões de estudantes.

De acordo com o MEC, o exame ocorreu dentro da normalidade e envolveu mais de 300 mil colaboradores em sua logística e aplicação.

No primeiro dia, os participantes responderam a 90 questões de múltipla escolha nas áreas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, que incluem Língua Portuguesa e Literatura, Língua Estrangeira (Inglês ou Espanhol), Artes, Educação Física e Tecnologias da Informação e Comunicação, além de Ciências Humanas, com História, Geografia, Filosofia e Sociologia.

Além das questões objetivas, os estudantes também produziram a redação, considerada uma das etapas mais esperadas do Enem. O tema escolhido neste ano foi “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, proposta que gerou grande repercussão nas redes sociais.

Camilo Santana elogiou a escolha do tema e ressaltou sua importância no contexto atual do país.

“O tema da redação dialoga com uma realidade que o Brasil já vive e que exige políticas públicas voltadas à população idosa”, afirmou o ministro.

O segundo dia de provas do Enem 2025 está marcado para o próximo domingo, 16 de novembro, com questões de Matemática e Ciências da Natureza — que englobam Física, Química e Biologia.

O resultado oficial do exame será divulgado em janeiro de 2026, servindo como principal meio de ingresso para programas de acesso ao ensino superior, como Sisu, Prouni e Fies.

 

Os cartórios alagoanos já emitiram 2.089 novas carteiras de identidade (CIN) somente em outubro, o primeiro mês da parceria entre a Arpen Alagoas (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais), o Governo do Estado, por meio do Instituto de Identificação, e o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL).

A nova CIN começou a ser emitida pelas serventias extrajudiciais no dia 1º de outubro e o trabalho segue, até então, em 17 associados que são conveniados para o serviço. O número deve aumentar nos próximos meses. O modelo atual unifica o número de identificação ao CPF, e conta com duas versões: a física e a digital, ambas com o mesmo layout e segurança.

O documento virtual é obtido por meio do aplicativo GOV.BR, mas somente após a emissão da carteira física. A CIN tem um QR Code, que pode ser lido por qualquer cidadão e permite checar se a identidade é autêntica e se foi furtada ou extraviada. A validade continua sendo de 10 anos. A transição para o novo modelo segue gradualmente até 2032.

Seguindo padrões internacionais, a CIN possui o código MRZ, permitindo assim a entrada em países do Mercosul com facilidade. No entanto, para os demais, ainda é necessário a apresentação do passaporte. Vale ressaltar que também é possível incluir outros documentos na identidade, como a CNH, Título de Eleitor, PIS/PASEP, certificado militar, Cartão Nacional de Saúde e Carteira de Trabalho.

Veja como emitir a nova identidade 

Em Alagoas, a implementação por meio dos cartórios visa desafogar as filas para a emissão no serviço público. Os interessados podem ir a um dos lugares listados ao final da matéria e solicitar o documento, levando apenas a certidão de nascimento ou casamento (original), além do CPF. A foto é tirada na hora da solicitação.

Nos cartórios é necessário pagar uma taxa de conveniência no valor de R$ 40 para a 1ª via. Já para a emissão da 2ª via é necessário pagar mais R$ 36 da taxa cobrada pelo Instituto de Identificação, totalizando R$ 76. A 1ª via da nova CIN também pode ser emitida gratuitamente no Instituto de Identificação de Alagoas.

A Arpen Alagoas faz as seguintes recomendações aos que vão tirar o documento:

Não existe tempo médio de atendimento: cada emissão é única, uma vez que é necessário tirar a foto, coletar a digital e assinatura. Depois, a documentação será escaneada e digitalizada. Cada cartório tem autonomia para optar ou não pelo regime de agendamento.

O Tribunal do Júri da 4ª Vara Criminal de Palmeira dos Índios julga nesta terça-feira (11) Talisson Romero França, conhecido como “Nesquita”, acusado de assassinar Marcos Henrique de Barros, de 27 anos, o “Orelha”. O crime ocorreu em 11 de janeiro de 2023, na porta do Hospital Regional Santa Rita, em Palmeira dos Índios, no Agreste de Alagoas, e causou grande repercussão pela audácia da execução na frente de uma unidade de saúde e em plena via pública.

O julgamento será presidido pelo juiz Christiano Sibaldo. O Ministério Público de Alagoas (MPAL) deve pedir a condenação do réu por homicídio qualificado, com base em motivo torpe e execução relacionada ao tráfico de drogas.

De acordo com os autos do processo, aos quais o Portal Todo Segundo teve acesso, Talisson Romero França, o “Nesquita”, é apontado como o autor dos disparos que mataram Marcos Henrique de Barros na saída do hospital. À época, o acusado aguardou o paciente deixar a unidade de saúde após receber alta médica e o surpreendeu com uma sequência de tiros, fugindo logo em seguida.

Durante o ataque, paredes e uma porta do hospital foram atingidas pelos disparos, o que provocou pânico entre pacientes e funcionários, mas não houve registro de outras pessoas feridas.

Ainda conforme o processo, Marcos Henrique estava internado no hospital após ser baleado em uma troca de tiros com outro homem. Ele teria dado entrada na unidade para retirar uma bala que permanecia alojada em seu corpo, quando acabou sendo executado.

Na época do crime, “Nesquita” foi filmado em fuga pelo sistema de videomonitoramento do município, e as imagens foram divulgadas publicamente, ajudando a identificar ele como o autor da execução. Após mais de cinco meses foragido, ele foi preso no bairro Cidade Universitária, em Maceió, onde se escondia na casa de familiares. Desde então, permanece detido preventivamente pelo homicídio de Marcos Henrique, o “Orelha”.

A denúncia do Ministério Público aponta que “Nesquita” teria agido a mando de Alex Tavares Jacinto, de 25 anos, conhecido como “Barão do Tráfico”, considerado líder de uma organização criminosa que atuava na região. O homicídio teria sido motivado por disputa pelo controle do tráfico de drogas em Palmeira dos Índios.

Também foi denunciado Matheus Guilherme Leite, cunhado de Talisson, que pilotava a motocicleta usada no crime e auxiliou na fuga. No entanto, apenas Talisson permanece preso preventivamente.

Meses após o assassinato de “Orelha”, o suposto mandante, Alex Tavares, o “Barão”, foi executado a tiros em outubro de 2023, no bairro Vila Maria, em Palmeira dos Índios, em um episódio possivelmente ligado ao mesmo contexto criminoso.

O caso ganhou destaque em todo o Agreste de Alagoas pela ousadia da ação, o local da execução e as conexões com o tráfico local. O julgamento desta terça-feira deve encerrar um dos episódios mais violentos e simbólicos dos últimos anos no município.

O veredito do júri popular é aguardado com expectativa, já que o crime expôs a presença e a rivalidade de facções criminosas atuando no interior do estado.

 

 

 

 

O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) decidiu, por 4 votos a 3, cassar o mandato do deputado federal Paulão (PT) após anular os 24.754 votos obtidos pelo suplente João Catunda (PP) nas eleições de 2022. O julgamento ocorreu na tarde desta segunda-feira (10), e pode alterar a composição da bancada alagoana na Câmara dos Deputados.

Com a decisão, Nivaldo Albuquerque (Republicanos) — filho do deputado estadual Antonio Albuquerque — passa a ser o próximo da fila para ocupar a vaga deixada por Paulão, caso o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mantenha o entendimento do TRE-AL.

A defesa do parlamentar petista informou que vai recorrer ao TSE. Até o julgamento do recurso, Paulão permanece no exercício do mandato normalmente, já que a decisão não tem efeito imediato. O processo, que tramitava em segredo de justiça desde 2023, foi movido pelo partido Republicanos.

A ação pedia a anulação dos votos de João Catunda (PP), acusado de captação ilícita de recursos. Segundo a denúncia, ele teria se beneficiado de material gráfico de campanha financiado com recursos do Sindicato de Saúde do Município de Maceió (Sindsaúde), o que configuraria uso indevido de estrutura sindical em benefício eleitoral.

De acordo com o processo, o caso ocorreu em 31 de agosto de 2022, durante uma manifestação de servidores municipais na Secretaria de Economia de Maceió. Panfletos distribuídos no ato traziam críticas à Prefeitura e exibiam, por engano, o CNPJ de João Catunda.

Em depoimento à relatora do processo, desembargadora Silvana Lessa Omena, o dono da gráfica responsável pela confecção do material, Eraldo de Alcântara Filho, afirmou que o número do CNPJ foi impresso equivocadamente e que não houve qualquer financiamento irregular.

Mesmo com a explicação, a maioria dos desembargadores entendeu que houve irregularidade e decidiu pela anulação dos votos de Catunda, o que impacta diretamente no quociente eleitoral e, consequentemente, no mandato de Paulão.

A decisão será comunicada ao TSE, responsável por avaliar o recurso e definir se o deputado petista permanece ou não no cargo.

A Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas (ALE) realizará, no dia 24 deste mês, uma audiência pública para discutir a demarcação de terras indígenas no município de Palmeira dos Índios. A sessão especial está marcada para as 9h, no plenário da Casa, e tem como objetivo ouvir a população atingida e os órgãos responsáveis pelo processo.

O debate deve reunir representantes da Funai, do Incra, do Ministério Público Federal, lideranças indígenas, autoridades municipais e moradores da região. A expectativa é de que o encontro proporcione diálogo e transparência em torno de um tema que tem gerado forte repercussão no Agreste alagoano.

Nos últimos meses, moradores e pequenos produtores rurais têm demonstrado preocupação e insegurança diante do avanço dos estudos de demarcação. Muitos afirmam temer perder investimentos feitos ao longo de várias décadas, como, benfeitorias e propriedades erguidas por gerações de trabalho.

A audiência busca aprofundar o debate e esclarecer dúvidas sobre o processo de demarcação, conciliando o direito das comunidades com a segurança jurídica. O encontro será aberto ao público, e a participação popular é considerada fundamental para a construção de soluções equilibradas e sustentáveis.

O debate foi marcado após uma reunião de moradores com o Cabo Bebeto, realizada recentemente no próprio município, onde foram relatadas dúvidas, apreensão e pedidos de esclarecimento sobre os estudos de demarcação em andamento das Terras Indígenas Xukuru-Kariri.

O CSE segue fortalecendo seu elenco para a temporada 2026. No fim da tarde desta segunda-feira (3), a diretoria do clube de Palmeira dos Índios confirmou mais quatro nomes que integrarão o elenco tricolor. Apesar do avanço nas contratações, o comando técnico da equipe ainda não foi definido.

Entre os reforços anunciados estão jogadores com passagem por clubes do Nordeste e do exterior. Confira a lista dos novos contratados:

Aos 24 anos, Diego chega após defender o Visão Celeste e o Globo, ambos do Rio Grande do Norte. O jogador também soma passagens por Treze, Campinense e Alecrim.

Com 25 anos, Carlos Henrique retorna ao futebol brasileiro após atuar no FK Babrungas Plunge, da Lituânia. No país, ele também vestiu as camisas do Imperatriz (MA), Jacuipense (BA) e Inhumas (GO).

Experiente, o meia de 29 anos vem do Serra (ES), mas também atuou nesta temporada pelo Colo-Colo (BA). Revelado nas categorias de base do Sport, Fábio tem passagens por Náutico (PE), Paysandu (PA), Juventude (RS), Londrina (PR) e Jacuipense (BA).

Natural de Delmiro Gouveia, o atacante de 31 anos estava no ITZ Sport, de Imperatriz (MA). Em Alagoas, já defendeu o CEO e o Murici, e agora volta a atuar em seu estado natal.

Esses nomes se somam aos jogadores já anunciados anteriormente pela diretoria tricolor:

Volante: Claudevan (ex-América/SE)

Meias: Pedro Augusto (ex-Desportiva Guarabira/PB), Sapé (ex-Confiança/PB), Keyllo (ex-Canindé/SE) e Edvélton (ex-Frei Paulistano/SE)

Enquanto reforça o elenco, o CSE ainda trabalha para definir o técnico que comandará o time na próxima temporada — uma das decisões mais aguardadas pela torcida.

As obras de implantação do sistema de esgotamento sanitário em Palmeira dos Índios continuam provocando insatisfação, transtornos e protestos em diferentes regiões da cidade. Na manhã desta quinta-feira (23), comerciantes realizaram uma manifestação pacífica e tentaram impedir a execução dos serviços na Travessa Miguel Monteiro, no Centro do município.

Paralelamente, os trabalhos também avançam pela Rua Antônio Matias, outra via importante da área central. Os manifestantes alegam falta de planejamento por parte da Águas do Sertão/Conasa e afirmam que o baixo movimento comercial é consequência direta das interdições e escavações realizadas sem diálogo prévio com os lojistas.

Durante o protesto — acompanhado pela Polícia Militar, Guarda Civil Municipal e e pela Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) — os comerciantes cobraram mais organização e sensibilidade por parte da empresa e das autoridades locais.

Em um dos momentos do ato, um dos representantes da categoria discursou em defesa dos pequenos empreendedores locais: “Nós, que somos comerciantes, sabemos o que estamos passando. O movimento está fraco, o acesso às lojas está difícil e as vendas despencaram. Não estamos contra a obra, sabemos que ela é importante para o desenvolvimento da cidade, mas é preciso mais planejamento e respeito com quem trabalha e depende do comércio para viver”, disse a proprietária de uma das lojas.

Os lojistas pedem que as obras sejam melhor coordenadas, especialmente nos dias e horários de maior fluxo de clientes, e que as vias não fiquem bloqueadas por longos períodos, prejudicando o funcionamento das lojas.

Mesmo após o fim do período chuvoso, as obras continuam causando transtornos em praticamente todos os bairros do município. Executadas por empresas contratadas pela concessionária Águas do Sertão, as intervenções, que deveriam melhorar a infraestrutura urbana e a qualidade de vida da população, têm deixado um rastro de buracos, lama e prejuízos.

Diversos moradores relatam que as ruas permanecem esburacadas por meses e, quando são recuperadas, o serviço é mal executado, se deteriorando poucos dias depois. Uma das situações mais críticas é registrada na Rua Valdemar Holanda Cavalcante, no loteamento José Maia Costa, onde o cenário é de completo abandono.

Empresas terceirizadas, segundo os moradores, acabam rompendo canos de abastecimento durante a escavação e deixam a água jorrando por dias, transformando a rua em um verdadeiro lamaçal. “A gente não consegue nem entrar com o carro na garagem, e quando tenta passar a pé, afunda na lama”, relatou indignada a moradora Francisca de Araújo.

Imagens feitas no local mostram um caminhão atolado, o desperdício de água e o estado precário da via, com barro, poças e calçadas destruídas. As cenas, registradas por moradores e enviadas à redação, reforçam o clima de revolta na comunidade, que diz se sentir abandonada e sem respostas concretas da empresa.

Além dos danos à rede de abastecimento, há inúmeras reclamações sobre calçadas e pavimentações. Segundo relatos, as obras danificaram revestimentos de cimento, cerâmica e pedra, que até o momento não foram recompostos. “Eles quebram tudo e vão embora, deixam o prejuízo para a gente consertar”, afirmou José de Melo, outro morador.

Apesar da importância do projeto de saneamento para o futuro da cidade, a execução tem sido alvo de críticas pela falta de planejamento e cuidado com o patrimônio público e privado. Moradores e comerciantes cobram fiscalização do poder público, além de um posicionamento oficial da empresa sobre os problemas recorrentes.

Até o fechamento desta matéria, a Águas do Sertão não havia se manifestado sobre as denúncias.

A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de Alagoas (Arsal), responsável pela fiscalização das ações da concessionária, também não se pronunciou sobre o assunto.

 

Em entrevista ao Todo Segundo, na manhã desta sexta-feira (10), o advogado de assistência de acusação Lutero Gomes Beleza afirmou que o fazendeiro Fernando Carlos Medeiros, condenado a 18 anos e 26 dias de prisão pelo assassinato do empresário Jair Gomes de Oliveira, o Grilo, é considerado foragido da Justiça.

O fazendeiro foi condenado nesta quinta-feira (9) pelo Tribunal do Júri, em sessão presidida pelo juiz José Eduardo Nobre Carlos, no Fórum do Barro Duro, em Maceió. A sentença encerra uma longa espera da família da vítima por justiça, quase 15 anos após o crime.

Segundo Lutero Beleza, a prisão é automática após condenação pelo Tribunal do Júri em crimes dolosos contra a vida, conforme entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) — no Tema 1068.

“A partir do momento em que o Tribunal do Júri profere a sentença condenatória, a prisão é imediata. É o entendimento firme do STF e do STJ. Como ele não se apresentou após a condenação, Fernando Medeiros é considerado foragido da Justiça”, afirmou Beleza ao Todo Segundo.

Durante o julgamento, o fazendeiro deveria participar por videoconferência, mas não compareceu. A defesa apresentou atestado médico, informando que o réu estaria com forte dengue em uma propriedade no interior de Pernambuco.

Devido a problemas de conexão, a sessão prosseguiu sem o interrogatório do acusado, após o advogado Raimundo Palmeira solicitar a dispensa, o que foi acatado pelo magistrado.

“O interrogatório é um meio de defesa, e o acusado pode, por estratégia, abrir mão desse recurso”, explicou Lutero, reforçando que a ausência não impede o cumprimento da pena: “Ele escolheu não comparecer, o que é um direito, mas a lei é clara: condenado pelo Júri, o réu deve ser preso imediatamente.”

O Tema 1068 do STF estabelece que toda condenação proferida pelo Tribunal do Júri em crimes dolosos contra a vida — tentados ou consumados — implica execução imediata da pena, mesmo que ainda caibam recursos.

“Se ele tivesse comparecido, teria sido preso ao final da sessão”, destacou Lutero Beleza.

Condenações anteriores e reviravoltas

Fernando Medeiros foi condenado três vezes pelo mesmo crime:

• 2020 – condenado a 18 anos e 9 meses de prisão; julgamento anulado por questões formais.

• 2023 – nova condenação, também anulada por decisão de instância superior.

• 2025 – condenado pela terceira vez, agora a 18 anos e 26 dias de reclusão.

O Ministério Público de Alagoas sustentou que Medeiros mandou matar Jair “Grilo” por motivações pessoais.

Dois executores já foram condenados em 2014: os irmãos Josival e José Rosendo, que confessaram ter recebido dinheiro do fazendeiro Fernando Medeiros para executar o empresário.

Segundo o Ministério Público, também participaram do crime Manoel Araújo (“Mané”) e Gilberto Bispo (“Beto”), apontados como pivôs da execução e responsáveis pelo apoio logístico e operacional do homicídio.

O crime

O assassinato aconteceu em novembro de 2010, em frente ao Colégio Cristo Redentor, no centro de Palmeira dos Índios.

“Grilo” foi surpreendido por dois homens em uma motocicleta e atingido com quatro tiros na cabeça.

O crime provocou comoção na cidade, paralisou o comércio local e se tornou um dos casos criminais mais emblemáticos do Agreste de Alagoas.

Na entrevista, Lutero Beleza fez um apelo às autoridades para que a prisão de Fernando Medeiros seja efetivada imediatamente.

Todo Segundo tenta contato com o advogado Raimundo Palmeira, responsável pela defesa de Fernando Medeiros, para saber se o fazendeiro pretende se apresentar espontaneamente à Justiça após a condenação.

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) deu um passo importante no processo de regularização fundiária da Terra Indígena Xukuru-Kariri, em Palmeira dos Índios. Foi publicada no Diário Oficial da União da última quinta-feira (18), a Resolução nº 2/2025 da Comissão Permanente de Análise de Benfeitorias (CPAB), que estabelece novos critérios para avaliação de ocupações não-indígenas no território.

O documento define parâmetros para diferenciar situações de boa-fé e má-fé, assegurando indenização às famílias que se instalaram antes da demarcação oficial e restringindo compensações a ocupações posteriores, consideradas irregulares.

De acordo com a resolução, o marco temporal para reconhecimento de posse de boa-fé é a Portaria Declaratória nº 4.033, de 14 de dezembro de 2010. Apenas benfeitorias existentes antes dessa data poderão ser indenizadas, desde que ainda estejam preservadas no momento do pagamento. Ocupações posteriores a 2010 serão classificadas como de má-fé, conforme a Instrução Normativa nº 002/2012 da Funai.

A decisão atinge 39 ocupações vistoriadas por grupo técnico da Funai, criado em 2019. Entre os beneficiados estão famílias que vivem há décadas no território, com casas, plantações e outras benfeitorias. A lista de ocupantes contemplados foi publicada oficialmente e inclui nomes conhecidos da comunidade local, como Paulo Antônio da Silva, José Renato da Silva, Josimário Gomes da Silva, Valdenice dos Santos Vitorino e Bráulio Pinto da Silva, entre outros.

Nem todos os casos foram resolvidos. Algumas ocupações ficaram de fora por falta de informações completas, já que os levantamentos foram baseados em declarações de terceiros. Em situações como as de Nilton Jorge Souza da Silva e Antônio Ferreira França, será necessário apresentar documentação adicional — como contas de energia, contratos de compra e venda ou termos de doação — comprovando posse anterior a 2010 em condição de boa-fé.

A resolução também garante o direito a recurso administrativo. Quem discordar da decisão poderá apresentar pedido em até 30 dias, via protocolo digital da Funai, direcionado à Diretoria de Proteção Territorial.

Reconhecida como uma das terras indígenas mais importantes de Alagoas, a Xukuru-Kariri possui forte valor cultural e histórico. A medida busca equilibrar direitos: de um lado, a garantia territorial ao povo indígena; de outro, a compensação financeira a famílias não-indígenas de boa-fé, reduzindo riscos de conflito e assegurando segurança jurídica.

Para a presidenta da CPAB, Maria Janete Albuquerque de Carvalho, a resolução representa um avanço civilizatório: “Não se trata de privilégio, mas de um mecanismo de justiça social e respeito aos direitos constitucionais dos povos indígenas, corrigindo distorções históricas e garantindo paz no território.”

A Funai ressalta que o processo não está concluído. Um novo grupo técnico será constituído para dar continuidade ao cadastramento e análise de outras ocupações ainda não vistoriadas na região.

A Resolução nº 2/2025 vai além de um ato administrativo: simboliza um marco para Palmeira dos Índios, abrindo espaço para o diálogo e para a convivência pacífica entre indígenas e não-indígenas que compartilham o mesmo território há gerações.

 

Cabrini deve mostrar detalhes inéditos do caso Gabriel Lincoln no Domingo Espetacular - Foto: Todo Segundo

A morte do adolescente Gabriel Lincoln Pereira da Silva, de 16 anos, durante uma perseguição da Polícia Militar, em Palmeira dos Índios, Agreste de Alagoas, em maio deste ano, ganhará repercussão nacional mais uma vez. O episódio será tema de reportagem no "Domingo Espetacular", da Rede Record, apresentado por Roberto Cabrini e Camila Busnello, e deve ir ao ar já neste domingo (21), a partir das 19h30, logo após o programa “Acerte ou Caia!”.

O Todo Segundo  apurou que a equipe da emissora paulista esteve em Palmeira dos Índios nesta quinta-feira (18), realizando entrevistas exclusivas, inclusive com os pais de Gabriel, e registrando depoimentos que detalham os momentos que antecederam a tragédia. A reportagem promete mostrar detalhes inéditos e levantar questionamentos sobre conduta policial, justiça e direitos humanos, colocando mais uma vez Alagoas no centro das discussões nacionais.

Investigação e denúncias

O caso ganhou grande destaque no estado e repercussão nacional. O Ministério Público Estadual de Alagoas (MPE/AL), denunciou três policiais militares, pedindo a reclassificação do crime de homicídio culposo para homicídio doloso — quando há intenção de matar. O sargento acusado do disparo fatal pode responder por homicídio e fraude processual, enquanto os outros dois militares respondem por adulteração da cena do crime, caracterizando fraude processual.

O exame residuográfico, peça-chave da investigação, deu resultado negativo, afastando a versão de que Gabriel havia disparado uma arma. Análises avançadas de DNA reforçaram que o material genético encontrado no revólver não pertencia ao adolescente, enquanto a perícia balística constatou que a arma estava em plenas condições de uso, mas não havia indícios de que tivesse sido manuseada por Gabriel. O revólver atribuído ao jovem pelos policiais foi plantado para simular um confronto inexistente, conforme constatou a Polícia Civil na conclusão do inquérito.

Histórico do caso

Gabriel Lincoln foi morto na noite de 3 de maio, durante uma perseguição policial pelas ruas de Palmeira dos Índios. Segundo a versão inicial da Polícia Militar, o adolescente teria sacado um revólver calibre .38 e disparado contra a viatura, motivando a reação dos policiais. Um único disparo nas costas atingiu Gabriel, perfurando pulmão e coração, e ele não resistiu aos ferimentos, mesmo após ser socorrido e levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

A família contestou desde o início a versão apresentada pela PM, afirmando que Gabriel estava desarmado e havia apenas saído de casa para comprar alface, enquanto ajudava no quiosque de lanches dos pais. O caso provocou comoção em Palmeira dos Índios e reacendeu o debate sobre abuso de autoridade e conduta policial em Alagoas.

“A internet deixou de ser um luxo e se tornou uma necessidade básica para todos. Com esses pontos de Wi-Fi gratuito, a gestão municipal garante inclusão digital, oportunidades de aprendizado e facilita a vida das pessoas que dependem da tecnologia para estudar, trabalhar e se comunicar. É um passo fundamental para reduzir desigualdades e aproximar ainda mais a população dos serviços públicos”, destacou Flávio.

A democratização da comunicação e o acesso à tecnologia estão no centro das prioridades da Prefeitura de Palmeira dos Índios. Como parte desse compromisso, a gestão municipal implantou pontos de internet gratuita em diversa

s praças e espaços públicos da cidade, garantindo à população acesso de qualidade à rede, de forma totalmente gratuita.

Segundo o diretor de Tecnologia da Informação da Prefeitura, Flávio Caetano, atualmente o município conta com pontos de Wi-Fi público distribuídos em diferentes bairros, praças e equipamentos coletivos. Entre os locais beneficiados estão a Biblioteca/Estação, a Praça da Independência e o Cristo Redentor do Goiti.

Para os moradores, a iniciativa representa um ganho significativo na rotina. A dona de casa Maria Berenice reforçou a importância da conectividade para a comunidade. “Na maioria das vezes, isso se torna nosso único ponto de diversão, porque os créditos do celular acabam. A gente consegue acessar informações, se comunicar e até se distrair nesses espaços”, contou.

A prefeita Tia Júlia ressaltou que o incentivo ao desenvolvimento tecnológico está diretamente ligado ao compromisso da gestão com a educação e a inclusão digital. “É uma honra poder ofertar este conforto à nossa população. Garantir acesso gratuito à internet é também abrir portas para conhecimento, oportunidades e desenvolvimento”, afirmou.

Pontos de internet gratuita em Palmeira dos Índios:

Cristo do Goiti (Serra do Goiti)

Praça da Independência

Praça do Rosário / Museu Xucurus

Praça Monsenhor Macedo / Catedral

Praça das Casuarinas

Praça do Skate

Biblioteca/Estação

Praça São Pedro

Praça do Açude

Ilha do Açude

Praça do Queijeiro

Praça da Lili Barros

Com essa ação, Palmeira dos Índios se insere no cenário de cidades que investem em tecnologia como ferramenta de inclusão social e cidadania, fortalecendo o vínculo entre gestão pública e população.

A conclusão do inquérito sobre a morte de Gabriel Lincoln Pereira da Silva, de 16 anos, trouxe novas luzes ao debate sobre a letalidade policial em Alagoas e a forma como são conduzidas as abordagens pela Polícia Militar. O adolescente foi baleado em 3 de maio deste ano, durante uma perseguição em Palmeira dos Índios, e, segundo a Polícia Civil, não estava armado no momento do disparo.

O inquérito, finalizado no último dia 22, revelou que os três policiais envolvidos tentaram alterar a cena do crime. De acordo com os laudos periciais, os agentes plantaram uma arma de fogo para sustentar a versão de que Gabriel teria reagido à abordagem, disparando contra a guarnição — algo que nunca ocorreu.

Os policiais registraram nos depoimentos uma narrativa falsa de confronto, alegando que Gabriel estaria armado. A manobra, além de configurar fraude processual especial, tinha o objetivo de justificar o disparo que matou o adolescente e proteger os envolvidos de responsabilização criminal.

O PM que efetuou o disparo foi indiciado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar). No entanto, o advogado da família de Gabriel, Gilmar Menino, contesta a conclusão da Polícia Civil. Segundo ele, não se tratou de tiro acidental, mas de um homicídio doloso, quando há intenção de matar.

Os três policiais já foram denunciados por fraude processual especial, crime previsto na Lei de Abuso de Autoridade. O advogado Gilmar Menino também pleiteia que os três sejam responsabilizados por denunciação caluniosa.

O caso já foi remetido ao Ministério Público Estadual (MPE), responsável por avaliar se oferecerá denúncia formal contra os policiais, o que poderá levá-los a julgamento. A investigação provocou forte reação nas redes sociais, onde manifestações de indignação se multiplicaram diante da tentativa de forjar um confronto inexistente.

O caso de Gabriel ocorre em um contexto mais amplo. Embora Alagoas não figure entre os dez estados com maiores índices de letalidade policial, o cenário preocupa. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 mostram que o estado registrou 2,3 mortes por policiais a cada 100 mil habitantes em 2024, número próximo da média nacional de 2,9.

Em todo o Brasil, foram contabilizadas 6.243 mortes decorrentes de intervenções policiais no mesmo período — uma média de mais de 17 por dia. Apesar da queda de 2,7% em relação a 2023, o recorte racial permanece gritante: 78,4% das vítimas eram pessoas negras.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma pessoa negra tem 3,5 vezes mais chances de morrer em uma ação policial do que uma pessoa branca. Em Alagoas, o perfil das vítimas reflete a mesma realidade: jovens negros de periferia concentram os casos de violência letal.

Próximos passos

Com a conclusão do inquérito, cresce a expectativa em torno do posicionamento do Ministério Público, que terá a responsabilidade de decidir se os policiais serão denunciados formalmente.

Enquanto isso, a repercussão do caso mantém viva a pressão por esclarecimentos. Para muitos, a morte de Gabriel pode se tornar um marco na luta contra a violência policial em Alagoas, reforçando a necessidade de protocolos que privilegiem a preservação da vida e a transparência na atuação das forças de segurança.

O advogado Gilmar Menino, que representa a família de Gabriel Lincoln Pereira da Silva, de 16 anos, manifestou veemente sua discordância em relação a pontos centrais do inquérito policial sobre a morte do adolescente, ocorrida em 3 de maio, durante perseguição policial em Palmeira dos Índios.

Em entrevista ao Portal Todo Segundo, Menino afirmou: “Discordo veementemente de alguns pontos elencados no referido inquérito policial, sobretudo de que o tiro que ceifou a vida do menor se deu de forma acidental, de que estamos tratando de um homicídio culposo. Não houve tiro acidental! Houve o dolo, o intento de matar, o animus necandi! Portanto, estamos sim tratando de um homicídio doloso.”

O advogado ressaltou ainda que o inquérito deixou de considerar o crime de denunciação caluniosa. Segundo os militares, Gabriel estaria de posse de uma arma de fogo e teria disparado contra a guarnição, versão que foi descartada pelas investigações, confirmando que o adolescente não estava armado. “Além do homicídio doloso, é preciso reconhecer que houve uma falsa imputação de crime ao menor. Ele foi caluniado”, concluiu Menino.

A família de Gabriel e sua defesa seguem acompanhando o caso de perto, cobrando responsabilização dos envolvidos e a completa apuração de todos os fatos que cercam a morte do adolescente.

Familiares do adolescente Gabriel Lincoln, de 16 anos, que morreu em maio deste ano após uma abordagem da Polícia Militar em Palmeira dos Índios, no Agreste de Alagoas, se reuniram nesta segunda-feira (18), com os secretários executivos da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), coronel Patrick Madeiro e coronel Jairison Melo, em Maceió. O encontro foi articulado pelo deputado federal Paulão (PT), que acompanhou os parentes do adolescente.

Durante a reunião, os gestores da SSP/AL apresentaram atualizações sobre o inquérito policial que apura a morte do menor e informaram que o procedimento está em fase final, recebendo prioridade máxima dentro da pasta.

A perita-geral Rosana Coutinho também participou do encontro e explicou que a máquina responsável pela análise do exame residuográfico — considerado peça-chave para a investigação — apresentou um defeito técnico. O equipamento, de tecnologia avançada e importado, já está em manutenção realizada pela própria fabricante. Segundo ela, todas as provas permanecem preservadas e não haverá qualquer prejuízo para o processo.

Paralelamente, a família do jovem tem buscado medidas na Justiça para garantir a conclusão das perícias. Na última sexta-feira (15), o advogado Gilmar Menino, que representa os parentes de Gabriel, ingressou com um pedido de liminar para que o exame residuográfico seja realizado pela Polícia Federal, diante do impasse técnico enfrentado pela Perícia Oficial de Alagoas.

O deputado Paulão destacou que a reunião foi uma forma de garantir que a família tivesse acesso direto às informações oficiais e reforçou a importância de celeridade na apuração. “Já se passaram três meses da morte de Gabriel. Viemos aqui em busca de respostas, para acompanhar os encaminhamentos e reforçar a importância de que a apuração seja concluída de forma célere, garantindo justiça para a família”, afirmou.

O secretário executivo coronel Patrick Madeiro assegurou que a investigação segue com independência e rigor. “Essa investigação está sendo conduzida com imparcialidade, sem qualquer interferência. Nosso compromisso é com a verdade e com a transparência, assegurando que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos. A Polícia Militar de Alagoas não tolera desvios de conduta, e esta gestão tem sido a que mais expulsou militares comprovadamente envolvidos em práticas irregulares”, destacou.

Participaram da reunião o pai de Gabriel Lincoln, Cícero Bezerra; a mãe, Fernanda Ferreira; e a tia, Flávia Ferreira, além do deputado Paulão e da vice-prefeita de Palmeira dos Índios, Sheila Duarte (PT).

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