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Por muito tempo, a depressão foi tratada como um transtorno único, explicado principalmente por alterações em neurotransmissores como serotonina e dopamina. Essa abordagem segue relevante, mas já não dá conta de todos os quadros observados na prática clínica. Evidências acumuladas nos últimos anos indicam que, em uma parcela significativa dos casos, processos inflamatórios e metabólicos exercem papel central no desenvolvimento e na persistência dos sintomas.

Entre 20% e 30% das pessoas com depressão apresentam um perfil específico, marcado por inflamação de baixo grau e alterações metabólicas. Esse subtipo, descrito como depressão imunometabólica, ajuda a explicar por que parte dos pacientes não responde bem aos antidepressivos tradicionais e continua convivendo com sintomas persistentes, mesmo em tratamento.

Essa estimativa aparece em uma revisão publicada na Nature Mental Health, que reforça uma mudança importante na forma como a ciência tem compreendido a depressão.

Em vez de um transtorno homogêneo, o que se observa é a existência de quadros distintos, com bases biológicas diferentes e, consequentemente, necessidades terapêuticas também distintas.

O papel do metabolismo no cérebro

Nas últimas décadas, estudos vêm mostrando que processos inflamatórios, hormonais e metabólicos interferem diretamente no funcionamento do cérebro e no risco de transtornos do humor. A depressão imunometabólica se insere nesse contexto.

Ela se caracteriza por uma inflamação leve e persistente, associada a alterações no metabolismo da glicose, da insulina e da produção de energia celular. Os sintomas costumam fugir do padrão mais conhecido da depressão clássica e incluem fadiga intensa, sono excessivo, aumento do apetite e redução do prazer nas atividades do dia a dia.

A insulina é mais conhecida por regular a glicose no sangue, mas também exerce funções importantes no cérebro. Regiões envolvidas no controle do apetite, da motivação, da memória e do humor possuem receptores sensíveis a esse hormônio. Quando essa sinalização funciona de forma adequada, o cérebro recebe informações coerentes sobre a disponibilidade de energia e o equilíbrio metabólico.

Em situações de inflamação crônica, obesidade ou resistência periférica à insulina, esse sistema se desorganiza. A insulina chega em menor quantidade ao cérebro ou perde eficiência dentro das células nervosas. O resultado é um paradoxo: o organismo pode ter energia em excesso, enquanto o cérebro funciona como se estivesse em déficit energético.

Na prática clínica e na pesquisa, torna-se cada vez mais claro que a insulina não atua apenas no metabolismo periférico. Ela participa da regulação da energia cerebral, da motivação e da cognição. Quando essa sinalização falha, o cérebro passa a funcionar como se estivesse em falta de energia, mesmo em um organismo com excesso calórico. Esse descompasso afeta o humor e ajuda a explicar quadros de depressão mais resistentes.

Vale lembrar que o cérebro é um órgão com altíssima atividade metabólica e consome cerca de 25% da energia do organismo em repouso. Por essa razão, alterações nos mecanismos bioenergéticos cerebrais têm impacto direto sobre a formação de novos neurônios, as sinapses e a cognição.

Essa condição, conhecida como resistência à insulina cerebral, afeta circuitos ligados ao humor, à motivação e ao comportamento alimentar e pode aumentar de duas a três vezes o risco de depressão. Pesquisas também associam esse processo a maior fadiga, menor plasticidade neuronal e alterações na resposta ao estresse — fatores centrais para a saúde mental.

Mecanismos como esses ajudam a entender por que pessoas com depressão imunometabólica tendem a responder pior aos antidepressivos tradicionais. Quando a base do problema envolve inflamação e metabolismo, atuar apenas sobre neurotransmissores costuma produzir resultados limitados.

Esse grupo também apresenta maior risco de desenvolver doenças cardiometabólicas, como diabetes tipo 2, hipertensão e esteatose hepática. Um estudo publicado no The Lancet Regional Health – Europe mostra que depressão e alterações metabólicas frequentemente se retroalimentam.

Ignorar essa sobreposição significa perder oportunidades importantes de prevenção e de cuidado mais preciso.

Uma psiquiatria mais personalizada

Com o avanço das pesquisas, a psiquiatria passou a incorporar evidências de que fatores ligados ao estilo de vida, especialmente alimentação, atividade física, sono e manejo do estresse, influenciam diretamente processos cerebrais envolvidos no humor.

Estudos em nutrição aplicada à psiquiatria indicam que padrões alimentares pró-inflamatórios e pobres em nutrientes essenciais comprometem a comunicação entre cérebro e metabolismo. Em contrapartida, estratégias que favorecem a sensibilidade à insulina, reduzem inflamação e sustentam a função mitocondrial podem atuar como aliadas no tratamento, sobretudo em quadros mais resistentes.

Essas intervenções não substituem medicação ou psicoterapia. Elas ampliam o repertório terapêutico e auxiliam na abordagem de dimensões do problema que costumam ficar fora de modelos exclusivamente farmacológicos.

Reconhecer a depressão imunometabólica representa um avanço em direção a uma psiquiatria mais personalizada. Em vez de aplicar a mesma estratégia para todos, esse olhar permite identificar perfis biológicos distintos e combinar abordagens de forma mais eficaz.

Também aproxima a prática clínica da experiência real dos pacientes. Fadiga persistente, alterações de apetite e sensação de esgotamento não são apenas percepções subjetivas. Em muitos casos, refletem processos metabólicos mensuráveis que precisam ser considerados no cuidado.

Quando ciência e prática se encontram

A discussão apresentada neste artigo dialoga com temas do livro Alimente sua Mente, escrito por nós e lançado recentemente. O texto aborda a relação entre metabolismo, alimentação e saúde mental a partir da convergência entre ciência e prática.

A boa recepção da obra, que chegou à segunda edição, indica que esse debate já ultrapassou o meio acadêmico e responde a uma demanda concreta de profissionais e leitores. Parte desse interesse está em descobertas que ajudam a traduzir o que acontece no cérebro quando falamos de saúde mental.

O funcionamento cerebral depende de uma oferta contínua de energia, micronutrientes e compostos bioativos, essenciais para a produção de neurotransmissores, a comunicação entre neurônios e o controle da inflamação. Ainda assim, isso raramente entra na abordagem da depressão.

Entre os exemplos mais bem documentados estão as vitaminas do complexo B, em especial B6, B9 e B12. Elas participam diretamente da produção de neurotransmissores e do controle da homocisteína, um marcador inflamatório associado a maior risco de depressão e declínio cognitivo. Estudos populacionais mostram que níveis adequados dessas vitaminas estão associados a melhor desempenho cognitivo.

Pesquisas recentes também apontam relação com menor frequência de sintomas depressivos. A vitamina D também se destaca nesse contexto. Além de atuar no sistema imunológico, ela participa da regulação da serotonina e da proteção das células nervosas. Estudos observacionais associam níveis baixos de vitamina D a maior inflamação cerebral e maior risco de sintomas depressivos, especialmente em pessoas com pouca exposição ao sol.

Minerais como magnésio, zinco e selênio exercem papel central na saúde mental. Eles participam da regulação do sono, da plasticidade cerebral, da resposta ao estresse e dos sistemas antioxidantes que protegem o cérebro da inflamação. Revisões científicas associam a carência desses minerais a sintomas como fadiga persistente, irritabilidade e dificuldade de concentração.

As gorduras ômega-3 ilustram como alimentação e inflamação se conectam à saúde mental. Elas fazem parte da estrutura das membranas dos neurônios, influenciam a comunicação entre as células nervosas e apresentam efeito anti-inflamatório. Meta-análises indicam que sua ingestão adequada está associada à redução de sintomas depressivos em parte dos pacientes.

Esses exemplos evidenciam por que falar de depressão sem considerar metabolismo, alimentação e estilo de vida deixa lacunas importantes no cuidado. Não se trata de substituir medicamentos ou psicoterapia, mas de reconhecer que o cérebro é um órgão metabolicamente exigente e que falhas nesse suporte podem limitar a resposta ao tratamento.

A ciência vem mostrando, com clareza crescente, que corpo e mente funcionam de forma integrada. Incorporar essa visão amplia as possibilidades terapêuticas e contribui para abordagens mais ajustadas à complexidade da depressão, tanto na prevenção quanto no cuidado clínico.

O tempo parece ser a característica mais básica da realidade. Os segundos passam, os dias passam e tudo, desde o movimento dos planetas até a memória humana, parece se desenrolar em uma única direção irreversível. Nascemos e morremos, exatamente nessa ordem. Planejamos nossas vidas em torno do tempo, medimos sua passagem obsessivamente e o experimentamos como um fluxo ininterrupto do passado para o futuro. É tão óbvia nossa sensação que o tempo avança que questioná-lo parece quase inútil.

Mas há mais de um século a física tem se esforçado para definir o que realmente é o tempo. E esse esforço não é uma picuinha filosófica. Ele está no centro de alguns dos problemas mais profundos da ciência.

A física moderna se baseia em estruturas diferentes, mas igualmente importantes. Uma delas é a Teoria da Relatividade Geral, que descreve a gravidade e o movimento de grandes objetos, como planetas. Outra é a Mecânica Quântica, que rege o microcosmo dos átomos e partículas. E, em uma escala ainda maior, o Modelo Padrão da Cosmologia descreve o nascimento e a evolução do Universo como um todo. Todas dependem do tempo, mas o tratam de maneiras incompatíveis entre si.

Quando os físicos tentam combinar essas teorias em uma única estrutura, o tempo muitas vezes se comporta de maneiras inesperadas e perturbadoras. Às vezes, ele se estende. Às vezes, ele desacelera. Às vezes, ele desaparece completamente.

A Teoria da Relatividade de Einstein foi, na verdade, o primeiro grande golpe à nossa intuição cotidiana sobre o tempo. Einstein mostrou que o tempo não é universal. Ele passa em velocidades diferentes, dependendo da gravidade e do movimento. Dois observadores em movimento relativo um ao outro discordarão sobre quais eventos aconteceram simultaneamente. O tempo tornou-se algo elástico, entrelaçado com o espaço em um tecido quadridimensional chamado espaço-tempo.

Mecânica Quântica deixou essas coisas ainda mais estranhas. Na quântica, o tempo não é algo que a teoria tenta explicar. Ele é simplesmente admitido. As equações da Mecânica Quântica descrevem como os sistemas evoluem em relação ao tempo, mas o tempo em si permanece um parâmetro externo, um relógio de fundo que fica fora da teoria

Essa incompatibilidade se torna ainda maior quando os físicos tentam descrever a gravidade no nível quântico, o que é crucial para o desenvolvimento da tão cobiçada “Teoria de Tudo” – que unifica as principais teorias fundamentais da Física. Mas, em muitas das tentativas de criar tal teoria, o tempo desaparece completamente como parâmetro das equações fundamentais. O Universo parece congelado, descrito por equações que não fazem referência a mudanças.

Esse enigma é conhecido como “o problema do tempo” e continua sendo um dos obstáculos mais persistentes para uma teoria unificada da física. Apesar do enorme progresso na Cosmologia e na física de partículas, ainda não temos uma explicação clara para o motivo pelo qual o tempo flui.

Agora, uma abordagem relativamente nova da Física, baseada em uma estrutura matemática chamada Teoria da Informação, desenvolvida por Claude Shannon na década de 1940, começa a apresentar respostas surpreendentes.

Entropia e a flecha do tempo

Quando os físicos tentam explicar a direção do tempo, eles frequentemente recorrem a um conceito chamado entropia. A Segunda Lei da Termodinâmica afirma que a desordem de um sistema sempre tende a aumentar. Um copo pode cair e se estilhaçar, mas os cacos nunca se juntam espontaneamente para reformar o copo. Essa assimetria entre o passado e o futuro é frequentemente identificada com “a flecha do tempo”.

Essa ideia tem sido extremamente influente em nossa visão de mundo. Ela explica por que muitos processos são irreversíveis, incluindo por que nos lembramos do passado, mas não do futuro. Se o Universo começou em um estado de baixa entropia e está ficando mais desordenado à medida que evolui, isso parece explicar por que o tempo avança. Mas a entropia não resolve totalmente o problema do tempo.

As equações fundamentais da Mecânica Quântica, por exemplo, não distinguem entre passado e futuro. A flecha do tempo surge apenas quando consideramos um grande número de partículas e seu comportamento estatístico. Isso também levanta uma questão mais profunda: por que o Universo começou em um estado de entropia tão baixa? Estatisticamente, há mais maneiras de um Universo ter alta entropia do que baixa entropia, assim como há mais maneiras de um cômodo ficar bagunçado do que arrumado. Então, por que ele partiria de um estado tão improvável?

A revolução da informação

Nas últimas décadas, uma revolução silenciosa, mas de longo alcance, ocorreu na Física. A informação, antes tratada como uma ferramenta contábil abstrata usada para rastrear estados ou probabilidades, tem sido cada vez mais reconhecida como uma quantidade física por si só, assim como a matéria ou a radiação. Enquanto a entropia mede quantos estados microscópicos são possíveis, a informação mede como as interações físicas limitam e registram essas possibilidades.

Essa mudança não aconteceu da noite para o dia. Ela surgiu gradualmente, impulsionada por enigmas na interseção entre termodinâmica, Mecânica Quântica e gravidade, onde tratar a informação como meramente matemática começou a produzir contradições.

Uma das primeiras fissuras apareceu na física dos buracos negros. Quando Stephen Hawking mostrou que os buracos negros emitem radiação térmica, isso levantou uma possibilidade perturbadora: as informações sobre tudo o que cai em um buraco negro podem ser perdidas permanentemente como calor. Essa conclusão entrava em conflito com a Mecânica Quântica, que exige a preservação de todas as informações.

Resolver essa tensão forçou os físicos a confrontar uma verdade mais profunda. A informação não é opcional. Se quisermos uma descrição completa do Universo que inclua a Mecânica Quântica, a informação não pode simplesmente desaparecer sem minar os fundamentos da Física. Essa constatação teve consequências profundas. Ficou claro que a informação tem um custo termodinâmico, que apagá-la dissipa energia e que armazená-la requer recursos físicos.

Paralelamente, surgiram conexões surpreendentes entre a gravidade e a termodinâmica. Foi demonstrado que as equações de Einstein podem ser derivadas dos princípios termodinâmicos que ligam a geometria do espaço-tempo diretamente à entropia e à informação. Nessa visão, a gravidade não se comporta exatamente como uma força fundamental.

Em vez disso, a gravidade parece ser o que os físicos chamam de uma propriedade “emergente” – um fenômeno que descreve algo que é maior do que a soma de suas partes, surgindo de constituintes mais fundamentais. Veja a temperatura. Todos nós podemos senti-la, mas, em um nível fundamental, uma única partícula não pode ter temperatura. Não é uma característica fundamental. Em vez disso, ela só surge como resultado do movimento coletivo de muitas moléculas.

Da mesma forma, a gravidade pode ser descrita como um fenômeno emergente, resultante de processos estatísticos. Alguns físicos chegaram a sugerir que a própria gravidade pode emergir da informação, refletindo como a informação é distribuída, codificada e processada.

Essas ideias convidam a uma mudança radical de perspectiva. Em vez de tratar o espaço-tempo como primário e a informação como algo que vive dentro dele, a informação pode ser o ingrediente mais fundamental do qual o próprio espaço-tempo surge. Com base nessa pesquisa, meus colegas e eu exploramos uma estrutura na qual o próprio espaço-tempo atua como um meio de armazenamento de informações — e isso tem consequências importantes para a forma como vemos o tempo.

Nessa abordagem, o espaço-tempo não é perfeitamente suave, como sugere a Relatividade, mas composto por elementos discretos, cada um com uma capacidade finita de registrar informações quânticas de partículas e campos que passam. Esses elementos não são bits no sentido digital, mas portadores físicos de informações quânticas, capazes de reter a memória de interações passadas.

Uma maneira útil de imaginá-los é pensar no espaço-tempo como um material feito de minúsculas células portadoras de memória. Assim como uma rede cristalina pode armazenar defeitos que apareceram anteriormente no tempo, esses elementos microscópicos do espaço-tempo podem reter traços das interações que passaram por eles. Eles não são partículas no sentido usual descrito pelo Modelo Padrão da física de partículas, mas uma camada mais fundamental da estrutura física na qual a física de partículas opera, em vez de explicar.

Isso tem uma implicação importante. Se o espaço-tempo registra informações, então seu estado atual reflete não apenas o que existe agora, mas tudo o que aconteceu antes. Regiões que passaram por mais interações carregam uma impressão diferente de informações do que regiões que passaram por menos. O Universo, nessa visão, não evolui meramente de acordo com leis atemporais aplicadas a estados em mudança. Ele se lembra.

Um “gravador” cósmico

Essa memória não é metafórica. Toda interação física deixa um rastro informacional. Embora as equações básicas da Mecânica Quântica possam ser executadas para frente ou para trás no tempo, as interações reais nunca acontecem isoladamente. Elas inevitavelmente envolvem o ambiente, vazam informações para fora e deixam registros duradouros do que ocorreu. Uma vez que essas informações se espalham para o ambiente mais amplo, recuperá-las exigiria desfazer não apenas um único evento, mas todas as mudanças físicas que ele provocou ao longo do caminho. Na prática, isso é impossível.

É por isso que as informações não podem ser apagadas e copos quebrados não podem ser remontados. Mas a implicação é mais profunda. Cada interação grava algo permanente na estrutura do Universo, seja na escala de colisões de átomos ou na formação de galáxias.

A geometria e a informação acabam por estar profundamente ligadas nesta visão. No nosso trabalho, mostramos que a forma como o espaço-tempo se curva depende não só da massa e da energia, como Einstein nos ensinou, mas também da forma como a informação quântica, particularmente o entrelaçamento, é distribuída. O entrelaçamento é um processo quântico que liga misteriosamente partículas em regiões distantes do espaço – ele permite que elas compartilhem informações apesar da distância. E essas ligações informacionais contribuem para a geometria efetiva experimentada pela matéria e pela radiação.

A partir dessa perspectiva, a geometria do espaço-tempo não é apenas uma resposta ao que existe em um determinado momento, mas ao que aconteceu. Regiões que registraram muitas interações tendem, em média, a se comportar como se tivessem uma curvatura mais forte e uma gravidade mais intensa do que regiões que registraram menos interações.

Essa reformulação muda sutilmente o papel do espaço-tempo. Em vez de ser uma arena neutra na qual os eventos se desenrolam, o espaço-tempo se torna um participante ativo. Ele armazena informações, restringe a dinâmica futura e molda como novas interações podem ocorrer. Isso naturalmente levanta uma questão mais profunda. Se o espaço-tempo registra informações, o tempo poderia emergir desse processo de registro, em vez de ser assumido desde o início?

O tempo surge da informação

Recentemente, estendemos essa perspectiva informacional ao próprio tempo. Em vez de tratar o tempo como um parâmetro fundamental de fundo, mostramos que a ordem temporal surge desta impressão irreversível de informações. Nessa visão, o tempo não é algo adicionado à física manualmente. Ele surge porque as informações são gravadas em processos físicos e, de acordo com as leis conhecidas da termodinâmica e da física quântica, não podem ser globalmente apagadas novamente. A ideia é simples, mas de longo alcance.

Cada interação, como a colisão de duas partículas, grava informações no Universo. Essas impressões se acumulam. Como não podem ser apagadas, elas definem uma ordem natural dos eventos. Os estados anteriores são aqueles com menos registros informacionais. Os estados posteriores são aqueles com mais registros.

As equações quânticas não preferem uma direção do tempo, mas o processo de disseminação da informação sim. Uma vez que a informação foi disseminada, não há caminho físico de volta ao estado em que estava localizada. A ordem temporal está, portanto, ancorada nessa irreversibilidade, não nas equações em si.

O tempo, nessa visão, não é algo que existe independentemente dos processos físicos. É o registro cumulativo do que aconteceu. Cada interação adiciona uma nova entrada, e a flecha do tempo reflete o fato de que esse registro só cresce.

O futuro difere do passado porque o Universo contém mais informações sobre o passado do que jamais poderá ter sobre o futuro. Isso explica por que o tempo tem uma direção sem depender de condições iniciais especiais de baixa entropia ou argumentos puramente estatísticos. Enquanto houver interações e as informações forem registradas de forma irreversível, o tempo avança.

Curiosamente, essa impressão acumulada de informações pode ter consequências observáveis. Em escalas galáticas, a impressão de informação residual comporta-se como um componente gravitacional adicional, moldando a forma como as galáxias giram sem invocar novas partículas. De fato, a misteriosa substância que chamamos de “matéria escura” foi introduzida para explicar por que as galáxias e os aglomerados de galáxias giram mais rápido do que sua massa visível permitiria.

No quadro informacional, essa atração gravitacional extra não vem de uma matéria escura invisível, mas do fato de que o próprio espaço-tempo registrou uma longa história de interações. As regiões que acumularam mais impressões informacionais respondem mais fortemente ao movimento e à curvatura, aumentando efetivamente sua gravidade. As estrelas orbitam mais rápido não porque há mais massa presente, mas porque o espaço-tempo pelo qual se movem carrega uma memória informacional mais “pesada” das interações passadas.

Desse ponto de vista, a matéria escura, a energia escura e a flecha do tempo podem emergir de um único processo subjacente: o acúmulo irreversível de informações.

Testando o tempo

Mas será que poderíamos testar essa teoria? As ideias sobre o tempo são frequentemente acusadas de serem filosóficas, em vez de científicas. Como o tempo está tão profundamente entrelaçado na forma como descrevemos a mudança, é fácil supor que qualquer tentativa de repensá-lo deve permanecer abstrata. Uma abordagem informacional, no entanto, faz previsões concretas e se conecta diretamente a sistemas que podemos observar, modelar e, em alguns casos, investigar experimentalmente.

Os buracos negros fornecem um campo de teste natural, pois parecem sugerir que as informações são apagadas. Na estrutura informacional, esse conflito é resolvido ao reconhecer que as informações não são destruídas mas impressas no espaço-tempo antes de cruzar o horizonte de eventos. O buraco negro as registra.

Isso tem uma implicação importante para o tempo. À medida que a matéria cai em direção a um buraco negro, as interações se intensificam e a impressão de informações se acelera. O tempo continua a avançar localmente porque as informações continuam a ser gravadas, mesmo quando as noções clássicas de espaço e tempo se desintegram perto do horizonte de eventos e parecem desacelerar ou congelar para observadores distantes.

À medida que o buraco negro evapora por meio da radiação de Hawking, o registro informacional acumulado não desaparece. Em vez disso, ele afeta a forma como a radiação é emitida. A radiação deve carregar sinais sutis que refletem a história do buraco negro. Em outras palavras, a radiação emitida não é perfeitamente aleatória. Sua estrutura é moldada pelas informações previamente registradas no espaço-tempo. Detectar tais sinais ainda está além da tecnologia atual, mas eles fornecem um alvo claro para trabalhos teóricos e observacionais futuros.

Os mesmos princípios podem ser explorados em sistemas controlados muito menores. Em experimentos de laboratório com computadores quânticos, os qubits (o equivalente quântico dos bits) podem ser tratados como células de informação de capacidade finita, assim como as do espaço-tempo. Pesquisadores demonstraram que, mesmo quando as equações quânticas subjacentes são reversíveis, a maneira como as informações são gravadas, disseminadas e recuperadas pode gerar uma seta do tempo efetiva no laboratório. Essas experiências permitem que os físicos testem como os limites de armazenamento de informação afetam a reversibilidade, sem a necessidade de sistemas cosmológicos ou astrofísicos.

Extensões da mesma estrutura sugerem que a impressão informacional não se limita à gravidade. Ela pode desempenhar um papel em todas as forças fundamentais da natureza, incluindo o eletromagnetismo e as forças nucleares. Se isso estiver correto, então a flecha do tempo deve, em última análise, ser rastreável à forma como todas as interações registram informações, não apenas as gravitacionais. Testar isso envolveria procurar limites de reversibilidade ou recuperação de informação em diferentes processos físicos.

Em conjunto, esses exemplos mostram que o tempo informacional não é uma reinterpretação abstrata. Ele liga buracos negros, experimentos quânticos e interações fundamentais por meio de um mecanismo físico compartilhado, que pode ser explorado, restringido e potencialmente falseado à medida que nosso alcance experimental continua a crescer.

O que realmente é o tempo

As ideias sobre informação não substituem a Relatividade ou a Mecânica Quântica. Em condições cotidianas, o tempo informacional acompanha de perto o tempo medido pelos relógios. Para a maioria dos fins práticos, a imagem familiar do tempo funciona extremamente bem. A diferença aparece em regimes onde as descrições convencionais enfrentam dificuldades.

Perto dos horizontes de eventos dos buracos negros ou durante os primeiros momentos do Universo, a noção usual de tempo como uma coordenada externa suave torna-se ambígua. O tempo informacional, por outro lado, permanece bem definido, desde que ocorram interações e as informações sejam registradas de forma irreversível.

Tudo isso pode deixar você se perguntando o que realmente é o tempo. Essa mudança reformula este debate de longa data. A questão não é mais se o tempo deve ser assumido como um ingrediente fundamental do Universo, mas se ele reflete um processo subjacente mais profundo.

Nessa visão, a flecha do tempo pode surgir naturalmente de interações físicas que registram informações e não podem ser desfeitas. O tempo, então, não é um parâmetro misterioso em segundo plano, separado da física. É algo que o Universo gera internamente por meio de sua própria dinâmica. Não é, em última análise, uma parte fundamental da realidade, mas surge de constituintes mais básicos, como a informação.

Ainda não se sabe se essa estrutura será a resposta definitiva para a natureza do tempo ou apenas um trampolim. Como muitas ideias na física fundamental, ela ficará de pé ou cairá com base em quão bem conectar a teoria à observação. Mas ela já sugere uma mudança impressionante de perspectiva.

O Universo não existe simplesmente no tempo. O tempo é algo que o Universo escreve continuamente em si mesmo.

Dois ex-servidores do alto escalão do INSS estão em processo avançado de delação premiada.

A coluna apurou que o ex-procurador do INSS Virgílio Oliveira Filho e o ex-diretor de Benefícios da autarquia, André Fidelis, entregaram o filho mais velho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, e detalharam o envolvimento de políticos no esquema.

Entre os políticos citados pelos delatores está Flávia Péres (ex-Flávia Arruda). Ela foi ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) do governo Jair Bolsonaro. É a primeira vez que o nome dela aparece associado ao esquema. Flávia é mulher do economista Augusto Lima, ex-CEO do Banco Master e ex-sócio do empresário mineiro Daniel Vorcaro.

Os dois delatores estão presos desde 13 de novembro.

Virgílio Filho é acusado pela PF de receber R$ 11,9 milhões de empresas ligadas às entidades que faziam os descontos ilegais nas aposentadorias. Desse total, R$ 7,5 milhões teriam vindo de empresas de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

Os repasses teriam sido enviados a empresas e contas bancárias da esposa do ex-procurador, a médica Thaisa Hoffmann Jonasson.

Já André Fidelis teria recebido R$ 3,4 milhões em propina entre 2023 e 2024, segundo os investigadores.

Como mostrou a coluna de Andreza Matais no Metrópoles, o próprio Careca do INSS também prepara uma proposta de delação premiada. A disposição dele em delatar cresceu após familiares do empresário virarem alvo das investigações, como o filho Romeu Carvalho Antunes e a esposa, Tânia Carvalho dos Santos.

Eric Fidelis, filho do ex-diretor do INSS, também foi preso.

A advogada Izabella Borges, que representa Virgílio Oliveira Filho, negou que exista delação em andamento. A reportagem tenta contato com a defesa de André Fidelis.

Quem são Virgílio Filho e André Fidelis na Farra do INSS

Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho era servidor de carreira da Advocacia-Geral da União (AGU) e exerceu o cargo de procurador do INSS — ou seja, atuava como principal consultor jurídico do órgão.

Em novembro passado, ele se entregou à Polícia Federal em Curitiba (PR), após ter um mandado de prisão expedido contra si na 4ª fase da Operação Sem Desconto, que investiga a chamada Farra do INSS. A mulher dele, a médica Thaisa Hoffmann Jonasson, também foi presa.

Em outubro de 2023, quando ainda estava no INSS, Virgílio Filho se manifestou favoravelmente aos descontos nos benefícios de 34.487 aposentados, em favor da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).

A Polícia Federal acusa Virgílio de receber R$ 11,9 milhões de empresas ligadas às entidades que fraudaram o INSS. Desse montante, pelo menos R$ 7,5 milhões vieram de firmas do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. A PF também identificou um aumento patrimonial de Virgílio da ordem de R$ 18,3 milhões.

Como mostrou a coluna, as aquisições do procurador e de sua mulher incluíram um apartamento de R$ 5,3 milhões em Curitiba (PR), comprado após ele se tornar alvo da PF. A mulher dele chegou a reservar um apartamento de R$ 28 milhões na Senna Tower, em Balneário Camboriú (SC).

Já André Fidelis foi diretor de Benefícios do INSS em 2023 e 2024. Ele é acusado de receber pagamentos das entidades para permitir os descontos automáticos na folha dos aposentados.

Segundo o relator da CPMI do INSS, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), André Fidelis foi o diretor que mais “concedeu acordo de cooperação técnica (ACT) da história do INSS”. Na gestão dele, foram habilitadas 14 entidades, que descontaram R$ 1,6 bilhão dos aposentados.

primeiro eclipse solar de 2026 aconteceu em 17 de fevereiro e, para quem gosta de eventos astronômicos, o próximo da lista é a Lua de Sangue, que marcará o eclipse lunar pioneiro do ano. O fenômeno que deixa o satélite natural com cor avermelhada ocorrerá em 3 de março.

O evento será visível em todo lado noturno da Terra, com as melhores observações ficando em localidades da América do Norte, Austrália e Oceano Pacífico. No Brasil, a Lua de Sangue será vista parcialmente, em especial por pessoas da região Norte do país.

A previsão é que o fenômeno dure 58 minutos, o tempo completo para que a Lua fique totalmente imersa pela sombra terrestre. A fase parcial do evento deve começar às 4h50 (horário de Brasília). Já a etapa completa se iniciará às 8h04 e terminará às 9h02.

Imagem colorida mostra Lua de Sangue no Rio de Janeiro - Metrópoles
Imagem mostra Lua de Sangue registrada no Rio de Janeiro em 2018

Como ocorre uma Lua de Sangue

O fenômeno acontece quando a Terra se posiciona entre a Lua e o Sol. Assim, o satélite natural fica na sombra terrestre e a única luz que atinge a superfície lunar é filtrada pela nossa atmosfera. Como resultado, o brilho refletido fica avermelhado e deixa a Lua com cor de sangue.

Para observá-lo, não é necessário o uso de equipamentos especiais para proteção. O fenômeno pode ser visto a olho nu, sem risco algum. Contar com boas condições climáticas do dia e estar em lugar escuro, sem muitas luzes artificiais, também são medidas essenciais para ter uma visão melhor do evento.

Escavações realizadas em um cemitério de 2 mil anos no Vietnã revelaram crânios com dentes definitivamente escurecidos. A prática de deixar o esmalte dentário preto e brilhante é feita até hoje e é considerada um sinônimo de alto padrão de beleza. No entanto, a descoberta evidencia que o método era mais antigo do que se imaginava.

O achado ocorreu no sítio arqueológico de Dong Xa, no norte do país, em um assentamento ocupado durante a Idade do Ferro. No local, havia vários esqueletos com dentes escurecidos.

Após o achado, os pesquisadores utilizaram técnicas para descobrir como os indivíduos alteravam a coloração dos dentes. O estudo liderado pela arqueóloga Yue Zhang, da Universidade Nacional da Austrália, teve os resultados publicados na revista Archaeological and Anthropological Sciences em meados de janeiro.

Técnica antiga para deixar os dentes pretos

Entre os métodos utilizados para a análise, os cientistas utilizaram técnicas não invasivas para não destruir os fragmentos encontrados. Os resultados mostraram que as amostras tinham níveis consideráveis de ferro e enxofre.

“Acreditamos que a presença combinada de sinais de ferro e enxofre seja um forte indicador do envolvimento de sais de ferro. Atualmente, materiais botânicos também são usados ​​no processo de escurecimento dos dentes, então é provável que a descoberta de vestígios desses materiais também indique a prática”, aponta Yue, em entrevista ao portal Live Science.

A prática a que a pesquisadora se refere é a técnica utilizada para escurecer os dentes atualmente. No método, o indivíduo mistura uma substância à base de ferro com materiais vegetais ricos em taninos, como a noz de betel. Quando se misturam e são expostas no ar, as substâncias criam uma coloração preta intensa.

Informações dos cientistas indicam que o processo demorava dias ou semanas para ficar totalmente escuro, mas que permanecia pela vida toda. “A prática ainda é observada hoje em dia, não apenas no Vietnã, mas também em outras partes do Sudeste Asiático”, afirma Yue.

Por outro lado, ainda não se sabe o motivo exato pelo qual os dentes pretos serviam para as populações antigas. Entre as principais hipóteses, estão:

Novos estudos sobre a técnica poderão trazer uma resposta definitiva. Por outro lado, a descoberta esclarece que a prática se tornou comum por volta da Idade do Ferro.

Uma vala comum com 77 corpos, composta majoritariamente por mulheres e crianças, está ajudando pesquisadores a compreender como massacres violentos eram usados como estratégia de poder na Europa há cerca de 2,8 mil anos.

O achado foi feito no sítio arqueológico de Gomolava, no norte da Sérvia, e indica um episódio de violência classificado como “brutal, deliberado e eficiente”. O estudo foi publicado nessa segunda-feira (23/2) na revista científica Nature Human Behaviour.

Descoberta de massacre na Gomolava

A vala foi encontrada em Gomolava, próximo à atual cidade de Hrtkovci, às margens do rio Sava, na Sérvia. O local era ocupado desde o sexto milênio antes de Cristo e, no século 9 a.C., estava situado em uma região marcada por muitas transformações sociais.

Naquele período, grupos semissedentários — comunidades da Idade do Ferro — começaram a se consolidar na Bacia dos Cárpatos, o que gerou disputas por território e poder. Segundo os pesquisadores, Gomolava ocupava um ponto considerado crítico, tanto do ponto de vista físico quanto político.

Predominância de mulheres e crianças no massacre

A cova tem cerca de 2,9 metros de diâmetro e meio metro de profundidade. Dentro dela, arqueólogos encontraram 77 esqueletos humanos. O dado que mais chamou atenção foi o perfil das vítimas: mais de 70% eram mulheres e quase 69% eram crianças.

Para os pesquisadores, essa predominância é incomum na pré-história europeia e sugere que o grupo foi alvo de um ataque específico.

Além dos corpos, também foram encontrados objetos de cerâmica, pequenos adornos de bronze e ossos de quase 100 animais — entre eles, o esqueleto completo de uma vaca jovem. Buracos de postes ao redor da vala indicam que o local pode ter sido marcado ou transformado em algum tipo de memorial.

Marcas claras de execução violenta

A análise dos esqueletos mostrou indícios fortes de traumatismo craniano causado por golpes intencionais e letais. As fraturas indicam um contato próximo entre agressor e vítima e uso de força contundente, possivelmente com armas ou instrumentos pesados.

A posição dos ferimentos sugere que os agressores poderiam estar a cavalo ou ser fisicamente mais altos que as vítimas. O padrão geral, segundo os autores do estudo, aponta para uma ação organizada, programada e bem eficiente.

Para entender quem eram as vítimas, os cientistas analisaram o DNA dos indivíduos. O resultado mostrou que poucos tinham laços familiares próximos entre si, afastando a hipótese de que se tratava de um único grupo familiar.

A análise de isótopos de estrôncio — substância que fica no esmalte do dente e que ajuda a identificar a origem geográfica — revelou ainda que mais de um terço das pessoas não havia crescido na região de Gomolava. Ou seja, o grupo era diverso e reunia indivíduos de lugares diferentes.

Conflitos por terra e poder

Embora a causa exata do massacre permaneça desconhecida, o contexto histórico oferece pistas. O século 9 a.C. foi marcado por deslocamentos populacionais e tensões entre modos de vida nômade e sedentário.

Nesse contexto, disputas pelo uso e posse da terra podem ter provocado massacres violentos, migrações forçadas e até a eliminação estratégica de determinados grupos.

Os pesquisadores sugerem que mulheres e crianças — fundamentais para a continuidade genealógica e social das comunidades — podem ter sido alvo para enfraquecer ou desestruturar grupos rivais.

Não é a primeira vez que indícios parecidos são encontrados no local. Em 1954, outra vala comum foi descoberta em Gomolava, também com predominância de esqueletos femininos e objetos associados à mesma época.

Para os autores, o conjunto de evidências indica que o massacre pode ter sido utilizado como ferramenta de reorganização de poder.

O caso de Gomolava revela que a violência em massa já era empregada de forma estratégica na Europa pré-histórica — não só como uma consequência do massacre, mas também como instrumento para impor controle e redefinir estruturas sociais.

 

O DIU é um dos métodos contraceptivos mais eficazes disponíveis. Ainda assim, casos raros de falha acabam gerando dúvidas.

Recentemente, histórias de gravidez com DIU chamaram atenção nas redes, mas especialistas reforçam que essas situações são exceções.

Quais são as chances de o DIU falhar?

As taxas de falha do DIU variam conforme o modelo utilizado.

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Isso significa que, em média, menos de 1 mulher a cada 100 engravida em um ano de uso.

Segundo a obstetra Dra. Dúnia Poli do Valle, métodos com taxa inferior a 1% são considerados altamente eficazes.

Ela explica que, em números práticos, cerca de 6 em cada 1000 mulheres podem engravidar em um ano usando DIU de cobre.

Por que casos de falha viralizam?

Quando um método muito eficaz falha, o caso vira notícia.

A especialista alerta para o chamado “viés de confirmação”. Como os relatos de falha ganham destaque, pode surgir a impressão de que o método falha com frequência.

Na prática, a grande maioria das usuárias utiliza o DIU sem intercorrências. Esses casos não costumam repercutir, justamente por serem comuns e esperados.

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O DIU é seguro?

Sim. O DIU é considerado seguro e confiável.

Além dele, outros métodos com alta eficácia incluem:

Todos apresentam taxas de falha inferiores a 1% quando corretamente indicados e acompanhados.

Quando procurar avaliação médica?

Alguns sinais exigem atenção:

Nessas situações, é importante procurar um ginecologista.

Apesar de a possibilidade de falha existir, o DIU segue entre os métodos mais eficazes da medicina reprodutiva.

Informação correta e acompanhamento médico são fundamentais para uma escolha segura.

 

dólar iniciou o pregão desta terça-feira (24/2) em leve alta frente ao real. Às 10h15, a moeda americana avançava 0,20%, cotada 5,17%. Na véspera, ela registrou queda de 0,14%, a R$ 5,16, mesmo patamar de maio de 2024.

Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), começou o pregão em alta. Às 10h20, subia 0,64%, aos 190.059,23 pontos. No dia anterior, o indicador caiu 0,88%, a 188.853,49.

Nesta quarta-feira, o Ibovespa pode ser favorecido pela volta da China do feriado do Ano Novo Lunar. A perspectiva é de que o preço de commodities, como o minério de ferro, avance, favorecendo, assim, empresas brasileiras do setor.

O tom geral dos mercados, porém, deve continuar sendo dado pelas incertezas que se propagam em várias frentes. Elas incluem o início da vigência das novas tarifas globais de 15% anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a tensão entre Washington e Teerã, além dos temores relação aos investimentos em inteligência artificial (IA) por parte das “big techs”, o que provocado fortes oscilações nas bolsas americanas.

Nesta terça-feira, alguns desses temas devem ser tratados por Trump no discurso do “Estado da União”. A cerimônia é uma tradição da política americana, na qual o presidente apresenta ao Congresso um balanço do governo e as prioridades para o ano.

Órgão com funções endócrina e exócrina, o pâncreas produz os hormônios glucacon e insulina, além das enzimas pancreáticas consideradas primordiais para a digestão. À coluna, a gastroenterologista Elaine Moreira aponta os primeiros sinais que podem indicar um futuro comprometimento da glândula.

A especialista em medicina integrativa ressalta que os indícios de que o pâncreas pode estar adoecido são “muito inespecíficos”. A médica, que atende em São Paulo (SP), menciona os sintomas: “Sensação de má digestão, dor abdominal geralmente no andar superior do abdômen e pico de glicose, com glicemia elevada de uma hora para outra.”

Gastroenterologista cita sinais quando o pâncreas está comprometido - destaque galeria

A dor abdominal em barra é um dos sinais de comprometimento do pâncreas

O pâncreas também produz as enzimas pancreáticas
Alguns indícios demonstram que a glândula está adoecida

Quando o pâncreas já está comprometidoos sinais tendem a ser fezes amareladas e oleosas, condição chamada de esteatorreia. “A dor abdominal em barra acontece no andar superior do abdômen, de forte intensidade e que pode ou não ir para as costas”, destaca a gastroenterologista a respeito dos indícios.

De acordo com Elaine, outro sinal muito comum e importante de insuficiência pancreática é a perda de peso de início súbito. “Isso ocorre sem nenhum histórico do paciente estar fazendo dieta ou atividade física. Não há ação que justifique o emagrecimento, o indivíduo começa a perder peso bem rápido“, pontua a médica.

Com relação aos grupos com maior risco de desenvolver alguma doença no pâncreas, a especialista cita pessoas acima de 60 anos, tabagistas, obesos, indivíduos com triglicerídeos elevados, diagnosticados com cálculo na vesícula e etilistas pesados, ou seja, com alto consumo de álcool.

Ilustração colorida de pâncreas em esqueleto humano - Metrópoles

O ex-presidente Jair Bolsonaro escolheu a esposa, Michelle, e a deputada federal Bia Kicis, ambas do PL, como candidatas ao Senado pelo Distrito Federal nas eleições de 2026.

A informação foi divulgada inicialmente pelo deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS), após visitar Bolsonaro no sábado, e confirmada por Bia Kicis ao Metrópoles nessa segunda-feira (23/2).

A dupla do PL deve apoiar Celina Leão (PP) como candidata a governadora do DF. Celina também terá no palanque o atual governador Ibaneis Rocha (MDB), que mantém candidatura a senador.

Ibaneis disse que continuará articulando para haver apenas um palanque de centro-direita no DF. “Afinal, nossos inimigos são outros. Entendo a fidelidade dos Bolsonaros à Bia, afinal, ela é uma das maiores escudeira deles”, comentou o governador, que citou ter o apoio da maioria dos partidos dessa ala política.

Um dos dinossauros mais famosos da pré-história, o Triceratops — conhecido pelos três chifres e por ter uma cabeça enorme — pode ter usado o próprio nariz como uma espécie de sistema de resfriamento natural.

Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Tóquio, publicado em 7 de fevereiro na revista American Association for Anatomy, analisou fósseis do animal e concluiu que as cavidades nasais eram muito maiores e mais complexas do que se pensava.

Segundo os cientistas, a estrutura pode ter ajudado a regular a temperatura e a umidade do corpo, principalmente por causa do tamanho da cabeça do dinossauro, que podia medir entre 2 e 3 metros de comprimento. O crânio representa aproximadamente um terço do tamanho total do corpo do animal.

Nariz pode ter funcionado como regulador térmico

Os pesquisadores identificaram que o interior do nariz do Triceratops não servia só para o olfato. As cavidades nasais grandes provavelmente aumentavam a área de contato entre o ar e os vasos sanguíneos, facilitando a troca de calor.

A hipótese é que esse mecanismo ajudava a evitar o superaquecimento, algo especialmente importante em um animal com uma cabeça tão grande e pesada.

Além disso, há indícios de que o dinossauro possuía estruturas chamadas cornetos respiratórios — formações ósseas pequenas que ajudam a conservar umidade e a controlar a temperatura do ar inspirado pelo animal.

Os cornetos são estruturas comuns em aves (descendentes dos dinossauros), e em mamíferos, mas raramente deixam vestígios claros no fóssil. No caso do Triceratops, os pesquisadores identificaram uma crista óssea parecida com a que serve de base para esses cornetos em aves atuais, o que sustenta a hipótese de que eles também estariam presentes no dinossauro.

Como o estudo foi feito

Os cientistas já sabiam que os dinossauros com chifres, grupo conhecido como Ceratopsia, possuíam cavidades nasais grandes. O que ainda era pouco entendido era como nervos, vasos sanguíneos e vias aéreas se organizavam dentro desse espaço.

Para chegar às conclusões, os cientistas usaram tomografias computadorizadas de crânios fossilizados. A tecnologia permitiu observar detalhes de dentro do animal que não são visíveis a olho nu.

Com base nas imagens, a equipe reconstruiu virtualmente o caminho de nervos, vasos sanguíneos e vias aéreas dentro do crânio. Os dados também foram comparados com a anatomia de animais atuais, como aves e crocodilos, para estimar como seriam os tecidos moles que não se preservaram ao longo de milhões de anos.

A análise revelou uma organização interna diferente da observada na maioria dos répteis, sugerindo que o sistema nasal do Triceratops passou por adaptações específicas para sustentar o seu tamanho fora do comum.

Na maioria dos répteis, os nervos e os vasos sanguíneos chegam às narinas por meio da mandíbula e do focinho. Porém, no caso do Triceratops, o próprio formato do crânio bloqueava esse caminho tradicional. Por isso, como uma nova alternativa, as estruturas passavam pela região nasal.

Embora não haja consenso de que o Triceratops fosse completamente de sangue quente, o tamanho da sua cabeça já representava um desafio térmico para o animal. É exatamente por isso que o sistema nasal do dinossauro ajudou a estabilizar a temperatura interna e evitar superaquecimento.

Descoberta ajuda a entender melhor o dinossauro

Embora seja um dos dinossauros mais populares do mundo, ainda se sabe pouco sobre como era a parte interna da cabeça do Triceratops. Os ossos se preservaram, mas estruturas como vasos sanguíneos, nervos e cartilagens desapareceram com o tempo.

Ao reconstruir como funcionava o nariz do animal, o estudo ajuda a esclarecer como os tecidos internos se organizavam dentro de um crânio tão grande. Agora, os pesquisadores querem avançar para outras regiões da cabeça, como a grande gola óssea na parte de trás do crânio.

A ideia dos pesquisadores é entender melhor como essas estruturas influenciavam a sobrevivência do animal e sua adaptação ao ambiente há cerca de 66 milhões de anos atrás.

O uso das canetas emagrecedoras é um assunto em alta não só no Brasil como no mundo todo. Os medicamentos à base de GLP-1 têm a finalidade de tratar obesidade e diabetes tipo 2.

Nos últimos dias, foram emitidos alertas por autoridades de saúde do Reino Unido e do Brasil por uma possível associação entre os remédios e casos de pancreatite aguda, uma inflamação do pâncreas que, em situações graves, pode levar à morte.

Apesar do sinal de alerta, os especialistas ressaltam que, até o momento, não há comprovação de relação causal direta entre os remédios e a doença.

Alertas após registros de mortes

No mês passado, o Reino Unido divulgou um comunicado reforçando a vigilância sobre medicamentos que imitam o hormônio GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon-1). Desde 2007, foram notificadas 19 mortes por pancreatite em pessoas que utilizavam esse tipo de tratamento. No mesmo período, quase 1,3 mil casos de inflamação foram relatados às autoridades britânicas.

No Brasil, dados oficiais apontam seis mortes entre 2020 e dezembro de 2025, além de 145 notificações de pancreatite em usuários desses medicamentos. O uso em larga escala para obesidade começou em 2021, o que ampliou significativamente o número de pacientes expostos.

As agências sanitárias reforçam que a notificação não significa necessariamente que o medicamento tenha sido o causador direto do problema.

Risco é considerado raro

Embora os números possam chamar atenção, o número de usuários desses medicamentos é muito maior. Só na Grã-Bretanha, estima-se que cerca de 1,6 milhão de adultos tenham usado medicamentos com GLP-1 entre o início de 2024 e o começo de 2025.

Os especialistas destacam que o risco parece baixo quando comparado ao total de pacientes tratados. Além disso, obesidade e diabetes tipo 2 — condições frequentemente tratadas com esses remédios — já são, por si só, fatores de risco para a pancreatite.

Outro ponto importante é que os bancos de dados de farmacovigilância recebem notificações voluntárias, o que pode dificultar a distinção entre coincidência e efeito real do medicamento.

O que os estudos mostram?

As pesquisas científicas apresentam resultados variados. Uma metanálise publicada em 2025, que reuniu 62 ensaios clínicos randomizados, apontou um aumento pequeno no risco de pancreatite entre usuários de GLP-1 em comparação com placebo.

Por outro lado, outras revisões não identificaram associação significativa. Em um grande estudo com quase 164 mil pessoas com diabetes tipo 2, não houve diferença nas taxas de pancreatite entre quem usava os medicamentos e quem não usava.

Para os especialistas e pesquisadores, o conjunto das evidências disponíveis é, em grande parte, tranquilizador, mas ainda precisa de um acompanhamento mais de perto.

Hipóteses para casos de pancreatite e genética

Entre as possíveis explicações para os casos de pancreatite registrados está a perda de peso acelerada, que pode favorecer a formação de cálculos biliares. Os depósitos na vesícula são uma das principais causas de pancreatite aguda.

No Reino Unido, as autoridades também investigam se fatores genéticos podem fazer com que alguns pacientes fiquem mais suscetíveis à inflamação pancreática durante o uso dos medicamentos. A intenção é, no futuro, identificar perfis de maior risco antes da prescrição.

O câncer de colo de útero é um câncer totalmente prevenível, que pode ser diagnosticado em fases precoces por meio do exame preventivo. Nos estágios iniciais, geralmente não apresenta sintomas, o que reforça a importância de realizar o rastreamento regularmente.

De acordo com a ginecologista Giani Cezimbra, o sintoma que mais deve chamar a atenção é o sangramento anormal.

“Se eu tivesse que orientar as mulheres em uma frase, seria: atenção ao sangramento fora da menstruação ou após a relação sexual”, afirma.

Nas fases iniciais, o câncer pode causar sangramento vaginal fora do período menstrual, após a relação sexual ou mesmo pequenos escapes inesperados. Também podem surgir corrimento com odor desagradável, presença de sangue e coloração mais escura ou amarronzada. Tudo isso precisa ser investigado.

O sangramento fora do ciclo pode estar relacionado a alterações hormonais e até ocorrer durante a ovulação. No entanto, quando foge do padrão habitual da mulher — por exemplo, se o ciclo é regular a cada 28 ou 30 dias e passam a ocorrer episódios fora desse intervalo –, é fundamental buscar avaliação.

Médica explicando o modelo anatômico do útero e do câncer de colo de útero - MetrópolesMédica explicando o modelo anatômico do útero e do câncer de colo de útero - Metrópoles
Mudanças no ciclo menstrual merecem avaliação médica, pois podem estar relacionadas ao câncer de colo de útero

Segundo a especialista, o câncer de colo de útero costuma estar associado a lesões precursoras com aumento da vascularização, o que facilita o sangramento, especialmente durante a relação sexual, devido ao contato direto com o colo do útero.

A dor na relação sexual também pode surgir, principalmente em estágios mais avançados. Embora ela possa estar relacionada a inflamações ou outras alterações uterinas e pélvicas, não deve ser considerada normal e exige investigação.

Nos quadros mais avançados, podem aparecer dor lombar, inchaço nas pernas, dificuldade para urinar ou evacuar e presença de sangue na urina ou nas fezes, sinais que indicam possível invasão de órgãos próximos. Cansaço excessivo, perda de peso e redução da disposição também podem ocorrer.

HPV e risco de câncer

A infecção pelo papilomavírus humano (HPV) é o principal fator de risco para o câncer de colo de útero. A infectologista Sylvia Freire, do Sabin Diagnóstico e Saúde, explica que a maioria das infecções é assintomática e pode ser eliminada espontaneamente pelo organismo em até 24 meses.

Existem mais de 200 tipos de HPV identificados. Alguns são responsáveis por verrugas genitais, enquanto outros estão associados a tumores malignos, como os de colo do útero, ânus, pênis, boca e garganta.

Dados do Ministério da Saúde indicam que 54,4% das mulheres brasileiras apresentam infecção genital por HPV. O câncer de colo de útero mata, em média, 19 mulheres por dia no país.

A genotipagem do HPV passou a ser recomendada pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) para mulheres entre 25 e 64 anos, especialmente a partir dos 30. O exame permite identificar os tipos de maior risco e direcionar o acompanhamento.

“O teste possibilita detectar genótipos de alto risco e ajustar a conduta médica conforme cada caso”, explica Sylvia.

Prevenção e rastreamento

A única forma eficaz de prevenir ou identificar precocemente o câncer de colo de útero é por meio do exame preventivo, além da vacinação contra o HPV, disponível no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos.

A ginecologista Sophie Françoise Mauricette Derchain, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), reforça que o acompanhamento regular é essencial.

“Consultas periódicas e exames como o Papanicolau e o teste de HPV são fundamentais para reduzir a mortalidade”, destaca.

Mesmo sendo altamente prevenível, o câncer de colo de útero ainda é o que mais mata mulheres até os 36 anos no Brasil. O dado reforça a necessidade de atenção aos sintomas, especialmente ao sangramento anormal, e a realização regular dos exames de rastreamento.

 

 

Montagem com fotos colorida de cães em ônibus escolar

Que os cães são animais extremamente inteligentes muita gente já sabe. Mas já imaginou um cachorro frequentando a escola? Pois é, no Canadá, essa é uma rotina comum em todo o país: durante o dia, alguns pets frequentam os espaços enquanto seus tutores passam o dia longe de casa.

Reprodução/InstagramMontagem de cães em ônibus escolar no Canadá
Cães frequentam a escola no Canadá

Entenda

  • No Canadá, escolas para cães são uma opção para tutores que ficam muito tempo fora de casa;
  • O objetivo é garantir acompanhamento e cuidado integral para os pets;
  • Fotos de cães em um “ônibus escolar” viralizaram nas redes sociais;
  • Muitos tutores relatam comportamento mais calmo e equilibrado de seus cachorros

Os programas têm o objetivo de garantir acompanhamento e ambiente seguro para animais que passariam longos períodos sozinhos. Nas escolas, eles têm acesso a treinamento básico, socialização com outros pets e até horários para descanso. Além disso, estímulos físicos e mentais são oferecidos para manter o bem-estar geral.

 

Com a mudança no tratamento dos animais de estimação, alternativas como essa estão cada vez mais populares entre os donos. No país, existe, inclusive, uma empresa de “ônibus escolar” que faz o transporte dos caninos — assim como vemos com as crianças.

Passou de ano?

Apesar de parecer exagero para algumas pessoas, tutores relataram melhora significativa no comportamento de seus pets, especialmente daqueles muito agitados e ansiosos. Sem dúvidas, ter um gasto energético adequado, enriquecimento ambiental e socialização faz qualquer canino conseguir tirar nota dez.

O uso contínuo de ácido acetilsalicílico em baixa dose, que por muitos anos foi visto como um possível aliado na prevenção do câncer colorretalnão demonstrou esse benefício em idosos saudáveis. Essa é a principal conclusão do estudo ASPREE, publicado em janeiro na revista Jama Oncology, que acompanhou mais de 19 mil pessoas na Austrália e nos Estados Unidos por até nove anos.

Durante décadas, acreditou-se que a medicação, mais conhecida pelo nome comercial Aspirina ou pela sigla AAS, poderia exercer um efeito protetor contra o câncer, especialmente o colorretal. A hipótese ganhou força a partir do início dos anos 2000, quando estudos observacionais, muitos deles derivados de pesquisas em cardiologia, sugeriram que pessoas que faziam uso regular do fármaco apresentavam menor risco de desenvolver esse tipo de tumor.

“Essas hipóteses surgiram a partir de estudos não randomizados, nos quais se observava que pacientes em uso de aspirina tinham menos câncer de cólon. Isso acabou sendo aceito pela comunidade científica por um período, mas nunca houve estudos de fase 3 desenhados especificamente para esse objetivo”, explica o oncologista clínico Rodrigo Fogace, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia.


Como fazer a detecção precoce do câncer de intestino?


A estudo ASPREE foi desenvolvido para preencher a essa lacuna. O ensaio clínico incluiu 19.114 idosos, com idade média superior a 75 anos, todos saudáveis no início das análises, sem histórico de doenças cardiovasculares, demência ou limitações físicas importantes. Os participantes foram divididos em dois grupos: um recebeu 100 mg de AAS por dia, durante aproximadamente quatro anos e meio, e o outro recebeu um placebo.

Ao longo do acompanhamento, os resultados não confirmaram os benefícios esperados: não houve diferença na incidência global de câncer entre os grupos, nem quando os tumores foram analisados por tipo ou estágio, incluindo o câncer colorretal. Além disso, durante os anos de uso da medicação, houve um aumento de 15% na mortalidade por câncer. Após a interrupção do fármaco, esse risco aumentado não persistiu, o que sugere ausência de um efeito duradouro.

“Alguns estudos anteriores demonstravam redução de 20% a 30% no risco de desenvolver câncer colorretal. Esse foi o maior estudo voltado exclusivamente para a pergunta se o uso da aspirina reduziria ou não o risco de câncer colorretal em idosos”, destaca Fogace.

“A resposta foi clara: não houve redução do risco e, para nossa surpresa, durante o período de uso, houve um pequeno aumento na incidência do mesmo tipo de câncer”.

Uso diário de AAS não previne câncer colorretal em idosos, diz estudo - destaque galeria
De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a estimativa é de que o problema tenha provocado o óbito de cerca de 20 mil pessoas no Brasil apenas em 2019
O mês de março é dedicado à divulgação de informações sobre a doença. Se detectado precocemente, o câncer de intestino é tratável e o paciente pode ser curado
Os principais fatores relacionados ao maior risco de desenvolver câncer do intestino são: idade igual ou acima de 50 anos, excesso de peso corporal e alimentação pobre em frutas, vegetais e fibras
Doenças inflamatórias do intestino, como retocolite ulcerativa crônica e doença de Crohn, também aumentam o risco de câncer do intestino, bem como doenças hereditárias, como polipose adenomatosa familiar (FAP) e câncer colorretal hereditário sem polipose (HNPCC)
Doses de café pode reduzir em 30% risco de câncer de intestino

As razões para esse achado ainda não são totalmente compreendidas. Entre as hipóteses levantadas estão mudanças no microambiente intestinal associadas ao envelhecimento, alterações na resposta imunológica e a possibilidade de que alguns participantes já tivessem tumores microscópicos no início do estudo.

“São explicações possíveis, mas é importante deixar claro que não podemos afirmar que a aspirina cause câncer. O estudo não foi desenhado para responder a essa pergunta”, ressalta o oncologista.

A nova pesquisa tampouco responde se há benefício em usar o ácido acetilsalicílico em pessoas mais jovens como forma de evitar o câncer. “Uma grande diferença dos estudos de pacientes mais jovens é que esses utilizavam a aspirina por muito mais tempo do que esse estudo em idosos propôs. Será que esse é um dos fatores que influenciou nos achados? Infelizmente, não conseguimos afirmar”, observa Fogace.

Para o especialista, os resultados reforçam os limites da extrapolação científica. “Não podemos assumir que estratégias que funcionam em pessoas mais jovens terão o mesmo efeito em idosos. O estudo deixa claro que a aspirina não é uma estratégia universal de prevenção do câncer colorretal e que seu uso deve ser feito com muita cautela e apenas em situações muito específicas”, afirma o oncologista do Einstein Goiânia.

Entre esses casos com indicação estão pessoas com síndrome de Lynch, com histórico de múltiplos adenomas ressecados e pacientes que já utilizam aspirina para prevenção de eventos cardiovasculares. Na dúvida, converse com seu médico para entender a conduta ideal ao seu perfil.

A influenciadora e criadora de conteúdo adulto Bonnie Blue está grávida. Ela anunciou a novidade duas semanas depois de bater o recorde mundial do maior número de parceiros sexuais sem proteção em um dia. Foram 400 homens em um período de apenas sete horas.

Em seu canal no YouTube, Bonnie mostrou o momento em que faz um exame de ultrassom em uma clínica e descobre o bebê. "Que loucura", exclama a britânica, de 26 anos.

No dia 7 de fevereiro, Bonnie enfileirou 400 homens em frente a uma mansão em Londres e fez sexo com todos eles sem camisinha. "Eu queria os homens que mais quisessem ser pais, com os 'nadadores' mais velozes", disse ela à revista americana US Weekly.

Em 2025, porém, ela havia dito à revista que não podia engravidar naturalmente. "Tentei engravidar por anos com meu ex-namorado e até cheguei a fazer um ciclo de FIV", falou.

"Gostaria de dizer que vou sair grávida dessa experiência, mas pode ser que não aconteça."

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