
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, trocou mensagens com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes horas antes de ser preso no dia 17 de novembro de 2025. A conversa foi extraída pela Polícia Federal (PF) no celular apreendido do banqueiro. Os trechos estavam no bloco de notas do aparelho de Vorcaro e foram enviados pelo WhatsApp no modo visualização única, segundo informações da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
As respostas de Moraes não constam no material ao qual o Metrópoles também teve acesso. Em nota, o ministro nega que tenha trocado mensagens com o banqueiro.
Vorcaro escreveu a Moraes no dia em que foi preso, no Aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para Dubai. Às 7h19, ele enviou mensagem pelo WhatsApp afirmando que havia tentado agir para “salvar”, em uma referência à venda do Banco Master, e perguntando se o ministro tinha “alguma novidade”.
Vorcaro diz: “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. Moraes teria respondido logo em seguida. Porém, o conteúdo da resposta não pôde ser recuperado pelos investigadores.
Isso porque o ministro enviou três mensagens de visualização única, que desaparecem após serem abertas.
Veja as mensagens:
Em outro trecho, às 20h48 do mesmo dia, após uma suposta resposta de Moraes, Vorcaro fala sobre a negociação do Master, possivelmente com o Banco Fictor. “Foi. Seria melhor na sexta junto com os gringos mas foi o que deu pra fazer dentro da situação”. E acrescenta: “Acho que pode inibir”, sem entrar em detalhes do que seria.
Em nota, Moraes nega a existência da conversa. “O ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens referidas na matéria. Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal”.
A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, informou nesta sexta-feira (6/3) que solicitou ao STF a abertura de uma investigação para apurar a origem de supostos vazamentos de informações sigilosas extraídas dos celulares apreendidos pela Polícia Federal durante as investigações.
No mesmo dia em que teria enviado mensagens a Moraes, a PF afirma ter descoberto que Vorcaro já tinha conhecimento do inquérito que investigava fraudes envolvendo a venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília, o BRB.
De acordo com os investigadores, ele teria acessado ilegalmente sistemas da corporação para descobrir a existência da investigação.
A mesma estratégia, segundo a PF, também teria sido usada para consultar dois procedimentos do Ministério Público (MP) relacionados às fraudes.
Em mensagens interceptadas pela PF e noticiadas pelo Metrópoles, na coluna Tácio Lorran,Vorcaro, afirma ter se encontrado com uma pessoa chamada “alexandre moraes”. A conversa interceptada ocorreu entre Vorcaro e sua então noiva Martha Graeff em abril de 2025.
Uma das menções a “alexandre moraes” ocorreu às 17h22 do dia 19 de abril de 2025. Na ocasião, Vorcaro encaminha a seguinte mensagem: “To indo encontrar alexandre moraes aqui perto de casa”.
Em seguida, Martha Graeff diz: “Como assim amor / Ele está em Campos???? / Ou foi pra te ver?”
Vorcaro, então, responde: “Ele ta passando feriado”.
A segunda menção ocorre 10 dias depois. Vorcaro afirma, às 22h48 do dia 29/4, à então noiva que “to aqui nossa casa” e faz uma ligação de vídeo com a mulher. A chamada dura 2 minutos. Após o fim da ligação, Martha pergunta: “Quem era o primeiro cara?”
Vorcaro responde: “Alexandre moraes”.
A produção industrial avançou 1,8% em janeiro de 2026, segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (6/3).
De acordo com o órgão, esse foi o crescimento mais intenso desde junho de 2024, quando registrou alta de 4,4%. Em comparação com o mesmo mês do ano anterior, a indústria avançou 0,2% e interrompeu três meses consecutivos de queda na produção.
Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, o crescimento pode ser explicado pela queda intensa na produção no mês de dezembro, quando registrou -1,9%, sendo a queda mais elevada desde março de 2021 (-2,1%).
“Naquele mês, além do movimento de menor dinamismo que vinha caracterizando o setor industrial, observou-se também uma maior frequência de férias coletivas. Com a retomada das atividades produtivas no início do ano, ocorre uma recuperação de parte dessa perda”, disse.
O programa nuclear iraniano está no centro do conflito que eclodiu no último sábado (28) envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.
Por meio de ataques estratégicos, o governo americano, de Donald Trump, e o israelense, de Benjamin Netanyahu, tentam neutralizar as usinas de Teerã, alegando que o regime já deteria matéria-prima e tecnologia de mísseis suficientes para produzir e lançar uma bomba atômica.
A Defesa do Irã: O governo iraniano nega qualquer intenção militar, sustentando que suas pesquisas e instalações servem apenas para fins pacíficos, como a produção de energia e avanços na medicina.
O Risco Global: Analistas alertam que essa tensão pode gerar uma "corrida por armas" na região. Até agora, nenhum artefato nuclear foi de fato utilizado nos combates.
A bomba atômica "convencional" (como as lançadas em Hiroshima e Nagasaki, no Japão, na II Guerra Mundial) funciona a partir de um processo chamado fissão nuclear.
"O princípio é quebrar núcleos atômicos e usar a energia resultante dessa quebra para a explosão", explica Leandro Tessler, professor do Instituto de Física Gleb Wataghin, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
A bomba atômica está baseada em juntar tanto urânio-235 que essas reações ficam incontroláveis e geram muita energia", afirma Tessler.
Atenção: Na natureza, o U-235 sofre decaimento ao longo do tempo. Mas isso ocorre de forma lenta e não gera uma reação em cadeia.
235 é o número da massa do urânio. Vamos revisar alguns conceitos de química aprendidos na escola:
Por que é importante saber essa diferença? É que, para alimentar reatores nucleares ou fabricar bombas atômicas, o desafio dos cientistas é separar o urânio-235 do resto. Esse é um processo caro e demorado.
Enriquecer urânio é aumentar a proporção do urânio-235 em relação ao urânio-238.
Para isso, é necessário separar o 235 do restante.
O processo costuma ocorrer de forma mais eficiente nas chamadas ultracentrífugas.
Como isso acontece?
André Scarpinati Luchetti, do Instituto de Química da Unesp Araraquara, faz uma comparação com as centrífugas de laboratórios médicos, que giram tubos de ensaio com amostras de sangue.
"Essas máquinas separam o nosso sangue: os glóbulos vermelhos, que são mais densos, vão para o fundo, enquanto o plasma, menos denso, fica por cima. O enriquecimento em ultracentrífugas segue esse princípio, mas em uma versão muito mais potente.”
Importante: O “esforço” necessário para enriquecer o urânio-235 de 0,72% para 20% é muito maior do que o exigido para elevar de 20% para 90%. Por isso, há o temor de que países com estoque dessa substância atinjam muito rapidamente o potencial necessário para criar a bomba. Veja o infográfico abaixo.
Ambos são materiais físseis. Outros núcleos até podem sofrer fissão, mas não têm a disponibilidade, a estabilidade e/ou as propriedades nucleares adequadas.
Um material físsil é aquele que:
Os dois principais materiais físseis viáveis para armas são:
Apesar de o plutônio ser mais eficiente na fissão nuclear e exigir uma quantidade menor de material para fabricar uma bomba, ele oferece mais riscos de acidentes.
Como apresenta uma maior taxa de fissão espontânea, exige um sistema de implosão muito mais sofisticado, com sincronização extremamente precisa, para que a reação ocorra no momento planejado, e não “sem querer”.
Exemplos: A bomba de Hiroshima era de urânio-235, e a de Nagasaki, de plutônio-239.
Para se ter uma ideia do poder de uma bomba, veja a comparação a seguir:
Conclusão: o urânio gera 20 bilhões de vezes mais energia que uma dinamite por quilo.
A bomba lançada sobre Hiroshima, por exemplo, teve potência equivalente a cerca de 15 mil toneladas de TNT.
Os estragos são gigantescos, porque:
Resultados:
➡️Forma-se uma onda de choque devastadora, capaz de destruir prédios e pontes, “empurrando” tudo o que existe pela frente.
➡️A radiação térmica (o tipo de calor que sentimos ao aproximar a mão de uma churrasqueira ligada, por exemplo, mas em proporções bem maiores) mata quem estiver por perto e causa queimaduras (internas, de órgãos que ficam superaquecidos e param de funcionar, e externas) em quem estiver distante.
➡️A radiação ionizante pode alterar o DNA dos seres vivos e gerar câncer (os efeitos permanecem também a longo prazo na região).
“O que acontece é uma grande onda de choque quente que incendeia e esparrama tudo. Pedaços dos tecidos biológicos (queimados) puderam ser encontrados nas regiões mais próximas dos epicentros de Hiroshima e Nagasaki”, conta Luchetti.
Não. A chamada bomba de hidrogênio (ou bomba termonuclear) é mais potente.
Enquanto a bomba atômica tradicional funciona por fissão (quebra de núcleos pesados), a bomba termonuclear combina fissão e fusão (união de núcleos leves para formar um núcleo mais pesado).
“Normalmente, envolve isótopos [átomos com o mesmo número de prótons e diferente número de nêutrons] do hidrogênio que se fundem para formar hélio. É um processo semelhante ao que ocorre no interior do Sol”, explica André Luchetti.
Como a fusão libera ainda mais energia do que a fissão, essas bombas de hidrogênio são significativamente mais destrutivas.
Não basta dispor de urânio-235 ou de plutônio-239. Um país necessita de:
É importante lembrar que é uma decisão política de altíssimo risco, que representa o rompimento de tratados internacionais. Ou seja: além da tragédia humanitária de enorme proporção, ainda leva a sanções econômicas e a isolamento diplomático.
Uma conta oficial ligada a Ali Khamenei, líder supremo do Irã morto durante ataques dos exércitos norte-americano e israelense a Teerã no último sábado (28/2), publicou nas redes sociais, na tarde desta quinta (5/3), uma imagem de propaganda militar com ameaça direta a Israel. Confira:
Reprodução/ Redes sociais
A postagem mostra um cartaz que faz referência ao desenvolvimento de mísseis balísticos iranianos. Na parte superior da arte, um míssil aparece atingindo uma cidade, identificada com a bandeira de Israel. No centro da imagem, o armamento surge instalado em uma plataforma móvel de lançamento, com a bandeira do Irã ao fundo.
Já na parte inferior, a ilustração mostra um ambiente industrial de alta tecnologia, com técnicos trabalhando na montagem do armamento, em uma representação do desenvolvimento científico e militar do país.
Escrita em persa, a arte apresenta a frase: “Os ‘Khorramshahr’ estão a caminho”. O termo se refere a uma linhagem de mísseis balísticos desenvolvidos pelo Irã, batizada em homenagem à cidade iraniana de Khorramshahr, símbolo nacional após ter sido retomada durante a guerra entre Irã e Iraque na década de 1980.
O cartaz também inclui um texto que atribui o desenvolvimento dos armamentos à juventude iraniana. Em tradução livre, o trecho afirma que a criação das “mãos da juventude iraniana” seria capaz de penetrar em centros importantes do “regime sionista” e destruí-los. A expressão é usada por autoridades iranianas para se referir a Israel.
A publicação ocorre em meio à escalada de tensões na região após ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã no sábado, seguidos por ações de retaliação de Teerã em diferentes países do Oriente Médio.
O feijão é um alimento indispensável na mesa dos brasileiros. As opções para variar o grão nas receitas são diversas, com mais de uma dezena de tipos disponíveis. Em meio a essa rica variedade, a coluna Claudia Meireles destaca a potência nutricional de dois “campeões” do consumo: o preto e o vermelho.
Para ajudar os leitores a entender as diferenças nutricionais dos dois, a nutricionista Sabina Donadelli, criadora do método Viver Mais, Viver Bem, apontou quais são as verdadeiras vantagens de cada feijão. Segundo ela, ambos são excelentes fontes de fibras, proteínas vegetais, ferro, potássio, magnésio e uma série de compostos antioxidantes importantes para a saúde.
“Existem pequenas diferenças, mas nada que torne um muito superior ao outro. Por exemplo, o feijão vermelho costuma apresentar um pouco mais de ferro e proteína, enquanto o feijão preto se destaca pela presença de antioxidantes ligados à coloração escura da casca”, explica a especialista.

Embora os dois tipos sejam extremamente nutritivos e possam fazer parte da alimentação com tranquilidade, a especialista desvenda algumas particularidades que podem garantir mais estratégia na hora de implementar uma alimentação mais consciente.
“Os dois oferecem uma quantidade muito interessante de fibras alimentares, que ajudam no funcionamento do intestino, no controle da glicemia e na saciedade. Contudo, o feijão vermelho pode apresentar uma quantidade ligeiramente maior de fibras totais, mas a diferença é pequena“, salienta Sabina Donadelli.

Em relação à proteína, a nutricionista esclarece que a diferença entre as duas é mínima.”Tanto o feijão preto quanto o vermelho oferecem proteínas vegetais importantes, especialmente quando consumidos em combinação com cereais, como o arroz“, explica.
Segundo ela, a dupla favorita dos brasileiros forma um perfil de aminoácidos bastante interessante do ponto de vista nutricional. “Um simples prato de arroz e feijão é muito mais completo do que parece”, enfatiza.
Quando questionada sobre qual escolha ela priorizaria consumir diariamente, Sabina foi enfática: o ideal é buscar a variedade. “Cada tipo de feijão tem pequenas diferenças no perfil de nutrientes e compostos bioativos. Recentemente, por exemplo, almocei em um restaurante que servia um prato com três tipos de feijão: preto, vermelho e branco. Achei a ideia ótima”, confidenciou a especialista.
Ela conta que, para além do sabor, a junção de “espécies” diferentes torna a refeição naturalmente rica. “A diversidade alimentar é uma estratégia simples e muito poderosa para ampliar a oferta de nutrientes no dia a dia, como proteínas vegetais, fibras e minerais”, garante Sabina Donadelli.
Quando se trata dos impactos do feijão para a saúde, Sabina Donadelli destaca que incluir o ingrediente diariamente na dieta pode ajudar em diversos índices de saúde. “Ele ajuda a regular o intestino, contribui para o controle da glicemia, favorece a saciedade e ainda participa da saúde cardiovascular“, reforça.
Cada componente presente no alimento possui uma função específica para o organismo. “As fibras presentes no feijão, por exemplo, auxiliam na redução do colesterol e alimentam bactérias benéficas do intestino. Costumo dizer algo que repito bastante no consultório: quando um alimento simples atravessa gerações na cultura alimentar de um país, normalmente existe um bom motivo para isso”, brinca a especialista.

De forma geral, Sabina garante que o feijão é muito bem tolerado pela maioria das pessoas. Contudo, algumas podem sentir mais gases ou desconforto intestinal, especialmente se não estão acostumadas a consumir fibras regularmente.
“Uma prática tradicional que ajuda bastante é deixar o feijão de molho antes do preparo e descartar essa água antes do cozimento. Isso facilita a digestão”, recomenda a especialista.
Além da sensação de estufamento, a nutricionista chama a atenção para a inclusão do alimento no dia a dia de indivíduos com condições de saúde específicas. “Pessoas com doença nos rins avançada ou dietas com restrições minerais devem sempre seguir orientação individualizada”, alerta.
O tempo de socorro é um dos fatores determinantes para a sobrevivência após um infarto. Quanto mais rápido o paciente recebe atendimento médico, maiores são as chances de evitar danos permanentes ao coração.
Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) indicam que o atendimento nas primeiras duas horas após o início dos sintomas pode elevar a chance de sobrevivência para algo entre 80% e 90%.
Segundo o cardiologista Luiz Antônio Machado César, diretor da Unidade de Coronariopatia Crônica do InCor, em São Paulo, a rapidez no atendimento reduz significativamente o impacto do evento na vida do paciente. Quando o tratamento é iniciado cedo, o dano ao funcionamento do coração pode ser mínimo e o indivíduo tende a ter menos limitações depois do episódio.
O infarto ocorre quando uma artéria coronária fica obstruída e impede a chegada de sangue ao músculo cardíaco. Sem oxigênio, as células do coração começam a morrer.
De acordo com a cardiologista Deborah Fernandes, que atende na Clínica Maxicor, em Brasília, o tempo entre o início dos sintomas e o atendimento é decisivo para preservar o músculo cardíaco.
Na cardiologia, existe uma expressão bastante usada: “Tempo é músculo”. Quanto mais rápido o atendimento, maior a quantidade de tecido cardíaco que pode ser preservada.
A especialista explica que o ideal é que o paciente receba atendimento preferencialmente nas primeiras duas horas após o início dos sintomas. Quanto mais cedo a artéria entupida é reaberta, menores são os danos ao coração e melhores são as chances de recuperação.
Quando o tempo de socorro é prolongado, a área do coração afetada tende a ser maior. Isso ocorre porque o músculo cardíaco permanece sem oxigênio por mais tempo.
Em casos de dano extenso, a parte do músculo que morreu pode ser substituída por tecido cicatricial. A região perde a capacidade de se contrair, obrigando o restante do coração a se adaptar para manter o bombeamento de sangue.
Esse processo, conhecido como remodelamento cardíaco, pode reduzir a capacidade de bombeamento e aumentar o risco de complicações como insuficiência cardíaca, arritmias e até morte súbita.
Na prática, o paciente pode passar a sentir mais cansaço em atividades cotidianas, como caminhar, subir escadas ou realizar tarefas que exigem esforço físico.
O tempo de socorro também pode determinar qual tratamento será realizado. Hoje, o procedimento mais indicado é a angioplastia primária, feita por meio de cateterismo para desobstruir a artéria.
Durante o procedimento, um cateter é introduzido até o vaso bloqueado e pode ser colocado um stent para restabelecer o fluxo de sangue ao coração.
Quando o paciente não consegue chegar rapidamente a um hospital que realiza esse procedimento, outra alternativa é o uso de medicamentos trombolíticos, que ajudam a dissolver o coágulo responsável pela obstrução.
Um dos principais motivos para o atraso no atendimento é a dificuldade de reconhecer os sinais do infarto.
Muitas pessoas interpretam os sintomas como problemas digestivos, ansiedade ou dor muscular e acabam esperando que o desconforto passe. Entre os sinais mais comuns estão dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, náuseas e dor que pode irradiar para braço, mandíbula ou costas.
Em mulheres e idosos, os sintomas podem ser mais discretos, o que aumenta o risco de demora no diagnóstico.
Por isso, especialistas reforçam que qualquer suspeita deve ser tratada como emergência. Procurar atendimento imediato continua sendo a forma mais eficaz de reduzir os danos causados pelo infarto.
A possibilidade de coletar em casa amostras de urina e material vaginal para a detecção do papilomavírus humano (HPV) pode se tornar uma estratégia importante na prevenção do câncer de colo do útero. Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e publicado no periódico Clinics indica que essas formas de autocoleta são viáveis, confiáveis e apresentam desempenho muito semelhante ao da coleta cervical feita por profissionais de saúde.
Embora seja altamente prevenível por meio da vacinação contra o HPV e da realização de exames de rastreamento, o câncer de colo do útero ainda causa milhares de mortes no país. Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a cada minuto uma pessoa é diagnosticada no mundo com um câncer associado a esse vírus. No Brasil, cerca de 19 mulheres morrem por dia em razão da doença, sendo o câncer que mais mata mulheres de até 36 anos no país.
Para avaliar alternativas que ampliem o acesso ao rastreamento, a pesquisadora Lara Termini, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), em parceria com o ginecologista Gustavo Maciel, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), recrutou 100 mulheres com mais de 21 anos. A maioria tinha entre 30 e 39 anos e havia sido encaminhada por Unidades Básicas de Saúde (UBS) para a realização de colposcopia, devido à presença de lesões de alto risco ou já identificadas como câncer.
No total, foram realizadas três coletas sequenciais: a de urina e a de material vaginal, feitas pelas próprias participantes, e a coleta cervical, conduzida por um médico. Antes do procedimento, todas assistiram a um vídeo educativo com orientações detalhadas e responderam a um questionário para garantir a compreensão das etapas e aumentar a adesão ao estudo.
As amostras obtidas foram analisadas para a detecção do HPV de alto risco oncogênico. Os resultados mostram que tanto a autocoleta de urina quanto a vaginal apresentaram concordância muito alta com a coleta tradicional realizada pelos médicos, inclusive para a identificação do HPV16, um dos tipos mais associados ao câncer de colo do útero.
“Nossos achados indicam que a autocoleta representa uma estratégia mais inclusiva e acessível, pois permite que qualquer pessoa com útero realize a coleta de forma autônoma, fora do ambiente clínico”, afirma Lara Termini. Fatores como medo, dificuldade em acessar os sistemas de saúde, falta de tempo, aspectos culturais e religiosos estão entre os que impedem muitas pessoas de fazerem o exame.
Entre as participantes, a coleta de urina foi a metodologia melhor aceita, associada a maior conforto e menor constrangimento. Ainda assim, ambos os métodos de autocoleta tiveram alta aceitabilidade quando comparados ao exame ginecológico convencional, reforçando o potencial dessas estratégias para alcançar pessoas que hoje não realizam o rastreamento regularmente.
A autocoleta vaginal, em especial, já vem sendo utilizada de forma estruturada em diversos países com programas organizados de rastreamento. Holanda, Austrália, Suécia e Dinamarca estão entre as nações que incorporaram a estratégia aos sistemas nacionais de saúde, com impacto positivo comprovado na ampliação da cobertura populacional. Ainda não há previsão de quando estará disponível no Brasil.
“Esse tipo de iniciativa é muito relevante, pois há um movimento da Organização Mundial da Saúde [OMS] e de outras instituições que visam a erradicação do câncer do câncer de colo de útero até 2030 a partir de alta cobertura vacinal, capacidade de diagnóstico e tratamento”, ressalta o ginecologista Renato Moretti, do Einstein Hospital Israelita.
Em agosto de 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a incorporar o teste molecular para detecção do HPV como estratégia de rastreamento do câncer de colo do útero. Segundo o Ministério da Saúde, essa tecnologia é considerada inovadora por permitir a identificação de alterações precursoras até dez anos antes do que o exame de papanicolau. A nova metodologia está sendo implantada de forma gradual e, no futuro, deverá substituir o exame citopatológico tradicional.
A ideia é que a autocoleta vaginal também seja uma ferramenta para ampliar o acesso e a cobertura dos exames no país. A estratégia pode beneficiar mulheres com menor acesso aos serviços de saúde, desde que seja acompanhada de fluxos bem definidos para o cuidado das pacientes com resultados alterados.
“Esse estudo dá abertura para novas investigações feitas em ambientes adequados e abre espaço para mulheres com menos acesso aos métodos de rastreamento do câncer do colo uterino”, comenta Moretti.
A OMS estima que, sem ações preventivas, o câncer de colo do útero pode se tornar responsável por cerca de 411 mil mortes no mundo até 2030. O tumor costuma evoluir de forma silenciosa em seus estágios iniciais, o que faz com que muitas mulheres não procurem atendimento médico precocemente. Por isso, a prevenção é fundamental e passa por diferentes estratégias.
A principal delas é a vacinação contra o HPV, oferecida gratuitamente pelo SUS para meninas e meninos de 9 a 19 anos. O uso de preservativos nas relações sexuais, a adoção de hábitos de vida saudáveis, como evitar o tabagismo e o consumo de álcool, e a realização regular de exames ginecológicos também ajudam a reduzir o risco da doença. Mesmo mulheres vacinadas devem manter o acompanhamento periódico com ginecologista, já que o rastreamento é essencial para identificar alterações precocemente e garantir tratamento adequado.
Em um mundo onde a exaustão é quase um estilo de vida, distinguir o cansaço comum de um distúrbio hormonal tornou-se um desafio clínico. O hipotireoidismo — a baixa produção de hormônios pela glândula tireoide — costuma agir de forma silenciosa, mimetizando os efeitos do envelhecimento ou do ritmo acelerado do cotidiano.
Segundo a endocrinologista Verônica El Afiouni, a falta de especificidade dos sinais faz com que muitos pacientes demorem anos para buscar ajuda, atribuindo falhas de memória e ganho de peso a fatores externos.
Diferente de uma noite mal dormida, a exaustão causada pela tireoide é profunda. De acordo com Verônica El Afiouni, esse é o sintoma campeão de negligência.
“Essa exaustão não melhora com o repouso e afeta as atividades diárias, mas é comumente atribuída ao estresse”, explica.
Além do corpo pesado, a mente também sofre. Segundo a médica, muitos pacientes relatam uma “névoa cerebral” — dificuldade de concentração e lapsos de memória — que interfere diretamente no desempenho profissional.
Outros sinais físicos, como pele excessivamente seca, constipação intestinal e alterações no ciclo menstrual, completam o quadro de alerta que muitas vezes passa batido.

A prevalência do hipotireoidismo não é uniforme. “O sexo feminino é o mais atingido, com incidência crescente após os 35 anos e um salto estatístico após os 60”, diz a especialista.
Segundo Verônica, o risco é acentuado para portadores de condições como diabetes tipo 1, lúpus e síndrome de Down, além de pacientes que utilizam medicamentos específicos, como o lítio e a amiodarona.
“Gestantes com histórico de abortos de repetição ou anticorpos antitireoidianos positivos representam um grupo de alto risco, exigindo vigilância para evitar complicações no parto”, alerta a endocrinologista.
Embora a vontade de “checar tudo” seja comum em check-ups, a endocrinologista ressalta que a ciência médica brasileira não recomenda a triagem universal para adultos sem sintomas. A lógica é evitar o sobre-diagnóstico e tratamentos desnecessários em casos leves que poderiam nunca evoluir para uma doença real.
A investigação deve ser proativa e estratégica. “Mulheres acima de 35 anos, por exemplo, devem realizar a triagem a cada cinco anos. Para os demais, a regra é clara: se houver ganho de peso sem mudança na dieta, alteração constante no humor ou cansaço inexplicável, é hora de procurar um especialista.”
O diagnóstico precoce evita que a “lentidão” do metabolismo se transforme em prejuízos graves à qualidade de vida, alerta a especialista.
Britney Spears foi presa na noite de quarta-feira (4/3), na Califórnia, nos Estados Unidos e desativou o Instagram. Ela utilizava a rede social, com milhões de seguidores, para fazer desabafos pessoais.
A artista foi presa por dirigir sob influência de álcool, segundo o TMZ. Britney foi liberada ainda na noite de quarta-feira e decidiu restringir o Instagram. Esta, entretanto, não é a primeira vez que a diva pop toma essa atitude.
Em outras oportunidades, desde o fim da tutela em 2021, a cantora optou por se ausentar da rede social com o objetivo de se esquivar de críticas e comentários indesejados. Os fãs da artista, entretanto, se sentem afastados dela com a decisão, visto que Britney não utiliza o X (antigo Twitter) com frequência desde 2025.
Luana Piovani esquentou as redes sociais nesta quinta-feira (5/3) ao publicar fotos em que aparece nua. As imagens fazem parte do ensaio da atriz para a Playboy, que completa 10 anos em 2026.
“Há 10 anos eu realizei um sonho que não era meu, mas fiz como se fosse. E fiz direitinho”, escreveu na legenda.
Veja as fotos:
Nas imagens, Luana aparece sensualizando e vestindo uma lingerie preta. Em um dos cliques, a loira está totalmente nua, em uma varanda, atrás de cortinas transparentes.
O ensaio foi feito pouco tempo após Luana Piovani dar à luz aos gêmeos Bem e Liz, frutos do relacionamento dela com Pedro Scooby.
“A cicatriz estava bem visivel e os seios sem volume nenhum depois de alimentar dois. Tenho muito orgulho dessas fotos e estou com saudade”, completou.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de um novo medicamento para o tratamento da hemofilia. O produto, chamado Qfitlia e desenvolvido pela farmacêutica Sanofi Medley, poderá ser utilizado por adultos e adolescentes a partir de 12 anos diagnosticados com hemofilia A ou B.
Segundo a Anvisa, o remédio é indicado tanto para pacientes que possuem inibidores dos fatores de coagulação quanto para aqueles que não apresentam essa condição e poderá ajudar na prevenção de episódios de sangramento. A avaliação do pedido recebeu prioridade da agência porque a hemofilia é considerada uma doença rara, conforme previsto nas regras regulatórias para esse tipo de medicamento.
A hemofilia é um distúrbio genético que compromete o processo de coagulação do sangue. Pessoas com a doença apresentam deficiência em proteínas responsáveis por formar coágulos, o que dificulta a interrupção de sangramentos após ferimentos ou procedimentos médicos.
Dependendo do grau da doença, os episódios de hemorragia podem surgir apenas após traumas ou ocorrer de forma espontânea. As articulações e os músculos costumam ser as áreas mais afetadas, o que pode levar a dores recorrentes e danos progressivos quando o quadro não é tratado de forma adequada.
A condição está ligada a alterações genéticas associadas ao cromossomo X, razão pela qual aparece com muito mais frequência em homens.
Existem duas formas principais da doença. Na hemofilia A, o organismo produz pouca ou nenhuma quantidade do fator VIII, uma proteína essencial para a coagulação do sangue. Já na hemofilia B, o problema está na deficiência do fator IX, outra proteína que participa do mesmo processo. A gravidade varia de acordo com a quantidade desses fatores presentes no sangue.
Dados do Ministério da Saúde indicam que o Brasil tem mais de 14 mil pessoas diagnosticadas com hemofilia. A maior parte dos casos corresponde à hemofilia A, que atinge cerca de 11,8 mil pacientes, enquanto pouco mais de 2,3 mil convivem com a hemofilia B.
O acompanhamento médico contínuo é fundamental para reduzir complicações e preservar a mobilidade e a qualidade de vida dessas pessoas.
O presidente do Progressistas, Ciro Nogueira (PP-PI), mnimizou a relação que teria com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master preso na quarta-feira (04/03). Em mensagens encontradas no celular, o banqueiro chama o senador de “grande amigo”, enquanto o parlamentar afirma que “mantém diálogos por mensagens com centenas de pessoas” por mensagem.
“É um senador. Muito amigo meu”, escreveu o ex-banqueiro, em conversa com a ex-noiva Martha Graeff, ao explicar quem era Ciro Nogueira. “Quero te apresentar. Um dos meus grandes amigos de vida”, completou.
Por meio da sua assessoria de imprensa, Ciro Nogueira disse que manter diálogos com um número significativo de pessoas “não o torna próximo apenas por, eventualmente, interagir com elas”. O presidente do PP ainda nega ter “qualquer conduta inadequada” relacionada ao caso Master.
Na conversa, obtida pelo colunista Tácio Lorran, do Metrópoles, Vorcaro celebra uma emenda que Ciro Nogueira apresentou à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de autonomia do Banco Central para aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito.
“Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica no mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Está todo mundo louco”, escreveu. “Se fosse filme, não teria tantos desdobramentos loucos”, completou.
Daniel Vorcaro voltou a ser preso no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero. A prisão preventiva foi determinada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
O banqueiro já cumpria medidas restritivas em São Paulo, inclusive com o uso de tornozeleira eletrônica.
A Operação Compliance Zero apura supostas irregularidades na gestão do Banco Master, em um esquema que teria provocado um rombo de quase R$ 40 bilhões no mercado financeiro.
Vorcaro é investigado pelos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas da PF e até de organismos internacionais, como FBI e Interpol. A defesa dele nega as acusações e diz que o banqueiro não tentou obstruir as investigações.
O presidente Lula (PT) transferiu R$ 721,3 mil para o filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em três transações. Dois desses pagamentos — um de R$ 244,8 mil e outro de R$ 92,4 mil — foram feitos no dia 27 de dezembro de 2023.
Um outro pagamento, de R$ 384 mil, foi feito por Lula a Lulinha em 22 de julho de 2022. Os depósitos partiram de uma conta de Lula na agência do Banco do Brasil de São Bernardo do Campo (SP).
Na mesma data de julho de 2022, o petista Paulo Okamotto, então presidente da Fundação Perseu Abramo, o “think tank” do PT, transferiu R$ 152.488,39 para Lulinha. O depósito aparece acompanhado da anotação “Depósito cheque BB liquidado”. Paulo Okamotto também é diretor do Instituto Lula.
Não há qualquer indicação do motivo do pagamento.
Dois dias depois desse pagamento de R$ 384 mil, em 25 de julho, Lulinha investiu R$ 386 mil em um fundo de investimentos do Banco do Brasil, o BB Renda Fixa Longo Prazo High. Trata-se de um fundo voltado para títulos públicos e privados, visando rentabilidade acima do CDI.
Antes da transferência de Lula, o saldo da conta era de R$ 12.031,92. Após o depósito do então presidenciável do PT e da aplicação no fundo, o montante ficou em R$ 10.199,12.
A mesma coisa aconteceu com os pagamentos de dezembro de 2023. Antes dos depósitos de Lula e Okamotto, o saldo da conta era de R$ 5.196,55. Após os depósitos dos dois, que somaram R$ 489 mil, Lulinha investiu o equivalente a R$ 299,2 mil em fundos do Banco do Brasil. Além do BB Renda Fixa Longo Prazo High, aplicou em outro fundo de renda fixa, o BB Referenciado DI Plus Estilo.
Após esses investimentos, o Banco do Brasil debitou pouco menos de R$ 180 mil a título de “taxa de custódia”, levando o saldo da conta para R$ 2 mil negativos.
Essas informações constam da quebra de sigilo de uma das contas bancárias de Lulinha. Como revelou a coluna, o filho do presidente da República movimentou cerca de R$ 19,3 milhões nessa conta bancária em quatro anos, de 2022 a 2025.
À coluna de Igor Gadelha no Metrópoles aliados de Lulinha disseram que parte do valor movimentado por ele na conta era de uma herança.
Nos últimos dias, a defesa de Lulinha tem negado qualquer envolvimento dele com o Careca do INSS ou com os descontos indevidos nas aposentadorias. A defesa afirma que o filho do presidente prestará os devidos esclarecimentos ao Supremo Tribunal Federal, que é o foro adequado para a investigação.
O transtorno do espectro autista (TEA) foi descrito, por décadas, com base em estudos feitos principalmente com meninos. Hoje, a medicina já sabe que meninas e mulheres também apresentam o mesmo núcleo do transtorno — dificuldades na comunicação social e padrões restritos de comportamento —, mas esses sinais podem surgir de forma mais sutil e menos reconhecida.
Dados indicam que um terço das mulheres recebe o diagnóstico só depois dos 20 anos, enquanto isso ocorre com 9% dos homens. Na primeira infância, entre 0 e 4 anos, o reconhecimento do autismo acontece em 61,6% dos meninos, mas só em 37,2% das meninas.
Ou seja, não se trata da ausência de características e sintomas, mas de uma manifestação que muitas vezes passa despercebida ou é confundida com traços de personalidade. Essa diferença na apresentação pode ajudar a entender o atraso no diagnóstico feminino.
Os critérios para diagnosticar o transtorno do espectro autista são iguais para homens e mulheres. O que muda é a forma como os sinais se expressam no dia a dia. Nas meninas, é mais comum existir o desejo de fazer parte de grupos e manter amizades.
Para isso, elas observam os amigos com atenção, analisam expressões faciais, decoram respostas e aprendem regras sociais para se encaixar. Já nos meninos, os comportamentos atípicos costumam ser mais evidentes.
Com meninas e mulheres, em vez de atitudes que chamam atenção, podem surgir ansiedade frequente, sensação persistente de inadequação e exaustão depois de interações sociais.
“Durante décadas, a maior parte das pesquisas e dos critérios diagnósticos foi baseada principalmente em meninos. Isso criou uma espécie de molde clínico masculino do autismo. Por isso, quando a apresentação foge desse molde, o reconhecimento se torna mais difícil. Além disso, comportamentos de retraimento em meninas podem ser interpretados como timidez ou sensibilidade”, explica o médico psiquiatra Adiel Rios, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).
Um dos fatores que mais contribuem para o diagnóstico tardio em mulheres é a chamada camuflagem social, também conhecida como masking. Na prática, significa esconder ou compensar dificuldades para se adequar ao ambiente.
Isso pode incluir copiar gestos e expressões, ensaiar previamente o que será dito, manter contato visual mesmo com desconforto e conter movimentos repetitivos. Como muitos instrumentos de avaliação foram construídos para identificar sinais mais evidentes, essa adaptação pode dificultar a identificação do transtorno.
“Muitas mulheres só recebem diagnóstico quando o mecanismo de compensação entra em colapso — frequentemente em fases de maior exigência, como universidade, mercado de trabalho ou maternidade. O que parecia ‘funcionamento adequado’ era, na verdade, esforço contínuo”, ressalta a neuropsicóloga Leninha Wagner, de Florianópolis.
Os interesses restritos, característicos do espectro autista, também aparecem em meninas e mulheres. A diferença é que, muitas vezes, eles recaem sobre temas considerados comuns para a idade, como livros, animais, artistas ou assuntos escolares. Por serem socialmente aceitos, não costumam despertar suspeita.
O que distingue esses interesses é a intensidade e a rigidez. Pode haver dedicação excessiva a um único tema, necessidade de falar repetidamente sobre o assunto e dificuldade para mudar o foco. Além disso, comportamentos repetitivos tendem a ser mais sutis, como mexer discretamente nas mãos, contrair músculos ou manipular objetos pequenos.

Na infância, características do espectro em meninas costumam ser interpretadas como timidez, sensibilidade ou maturidade precoce. Brincadeiras repetitivas e muito organizadas, dificuldade em lidar com mudanças, incômodo com sons e texturas e amizades intensas, porém desequilibradas, raramente são investigadas como possíveis sinais de TEA.
Anos depois, já adultas, essas mulheres procuram atendimento por ansiedade, depressão ou conflitos nos relacionamentos. Sem analisar a trajetória desde a infância, o diagnóstico tende a focar só nesses problemas. Nesse contexto, o aumento recente de casos de autismo entre mulheres reflete maior atenção aos sinais que antes eram confundidos ou ignorados.
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), disse à coluna que pediu uma audiência com o ministro do STF André Mendonça para tratar sobre a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Viana quer conversar com Mendonça mesmo após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), manter a votação da comissão que quebrou os sigilos do filho do presidente Lula e de outros alvos do colegiado.
O objetivo do presidente da CPMI será tentar entender por que Mendonça atendeu ao pedido da Polícia Federal (PF) e autorizou a quebra dos sigilos de Lulinha antes mesmo da comissão parlamentar de inquérito.
“Ele [André Mendonça] precisa dizer para mim: ele mandou a Polícia Federal fazer isso ou não? Porque se a Polícia Federal fez isso de ofício, eu vou querer uma explicação do diretor”, afirmou Viana à coluna.
Além do filho do presidente Lula, Mendonça também autorizou a quebra dos sigilos da empresária paulista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, conforme a coluna revelou na quarta-feira (4/3).
O ministro Flávio Dino, contudo, concedeu um habeas corpus suspendendo a quebra de sigilo da empresa. Após o despacho, a defesa do filho do presidente acionou o magistrado e pediu que a decisão também beneficie Lulinha.
Os primeiros anos de vida são decisivos para o desenvolvimento do cérebro humano. Nesse período, conexões neurais se formam em ritmo acelerado e moldam como aprendemos, nos comunicamos e nos relacionamos ao longo da vida. Mas a ciência ainda investiga como esses mecanismos se desenvolvem e impactam no crescimento de uma criança.
Foi o que fizeram pesquisadores do Brasil, da África do Sul e dos Estados Unidos, em um estudo publicado na revista Imaging Neuroscience.
A equipe monitorou a atividade cerebral de mais de 800 crianças por meio de um eletroencefalograma (EEG), o que os permitiu acompanhar a organização neural em uma escala de tempo inferior a um segundo, enquanto os pequenos brincavam ou assistiam a vídeos. Os resultados apontam que bebês com idades entre 3 meses e 2 anos têm redes neurais semelhantes às de adultos.
“Isso sugere que as arquiteturas funcionais básicas do cérebro em grande escala já estão presentes no início da vida, embora sejam refinadas e ajustadas ao longo do desenvolvimento”, explica a neurocientista Priyanka Ghosh, autora-correspondente do estudo, em entrevista por e-mail à Agência Einstein.
Nos pequenos, porém, os mecanismos cerebrais se alternam rapidamente entre diferentes “modos de funcionamento”, mesmo em repouso. Esses instantes foram nomeados no artigo como “microestados”.
“Acreditamos que cada configuração de microestado do EEG represente uma rede global do cérebro, potencialmente ligada a um tipo específico de processamento funcional (auditivo, visual, atencional etc.)”, relata Ghosh, que atua como pesquisadora de pós-doutorado na Universidade Northeastern, nos Estados Unidos.
“A rápida sucessão e mudança entre os estados cerebrais dominantes refletem a capacidade do cérebro de alternar entre redes funcionais de grande escala a cada momento”.
Na prática, isso significa que o vaivém de uma função para a outra é o que provavelmente permite às crianças perceberem o ambiente em que estão, reagirem a estímulos e aprenderem funções novas continuamente.
Compreender como o cérebro se organiza nos primeiros anos de vida é mais do que uma curiosidade científica: esse conhecimento pode ajudar profissionais de saúde e de educação, por exemplo, a identificarem precocemente sinais de que algo não está dentro do esperado. Quanto mais cedo essas diferenças são percebidas, maiores são as chances de oferecer apoio e tratamento eficientes.
“Os resultados são interessantes porque nos permitem distinguir nos exames o que faz parte do processo de maturação esperado para a criança, em uma curva típica de desenvolvimento cerebral daquilo que pode ser um sinal de desvio”, analisa a neurologista pediátrica Leticia Soster, do Einstein Hospital Israelita. “Trajetórias fora desse intervalo esperado podem acabar funcionando como um marcador de atipia do neurodesenvolvimento”.
Alterações pontuais fazem parte do crescimento infantil, e existe uma amplitude da variação daquilo que é considerado “típico” no desenvolvimento neural. Mas quando essas ocorrências são persistentes, elas devem ser tratadas como pontos de atenção. Esse tipo de referência pode ajudar a tornar os diagnósticos mais precisos, evitando alardes desnecessários e perda de sinais precoces de alterações no desenvolvimento cerebral.
Contudo, apenas olhar para os resultados do EEG não basta para chegar a um diagnóstico de problema no neurodesenvolvimento. Outros exames neurológicos devem ser considerados, além do acompanhamento regular de cada caso.
“Os sinais clínicos iniciais de alterações são extremamente sutis, e existe um grupo dessas características cognitivas que está muito associado ao contexto”, observa Soster. Isso significa que uma criança que está sempre irritada, por exemplo, pode não estar dormindo bem ou ter outros fatores que expliquem seu comportamento, e não necessariamente alguma condição neuroatípica.
Ao classificar os microestados do EEG como representações de diferentes redes cerebrais, os autores ressaltam que cada dimensão funcional segue um ritmo próprio de maturação, com padrões específicos de mudança ao longo dos primeiros dois anos de vida. Essa diferenciação permite pensar o desenvolvimento cerebral como um conjunto de trajetórias parcialmente independentes, em vez de um único eixo de “atraso” ou “normalidade”.
Por meio dessa lógica, o estudo sugere que intervenções poderiam ser pensadas de forma mais direcionada, levando em conta quais sistemas ou funções estão seguindo trajetórias atípicas. Em vez de estratégias genéricas, o mapeamento das dinâmicas cerebrais abre espaço para ações mais precisas, focadas em dimensões específicas do desenvolvimento que apresentem maior vulnerabilidade.
Embora os autores não defendam aplicações clínicas imediatas, o trabalho aponta para um futuro em que classificações funcionais do desenvolvimento cerebral podem ajudar a orientar intervenções mais ajustadas à diversidade. “Isso poderia facilitar a identificação de bebês com trajetórias cerebrais atípicas, estratificar riscos e monitorar se uma intervenção está ou não mudando a trajetória do paciente”, avalia a médica do Einstein.
