
Diversas pesquisas mostram que mulheres convivem mais frequentemente com dor crônica e doenças autoimunes do que os homens. Condições como lúpus, artrite reumatoide, fibromialgia e síndrome de Sjögren são exemplos em que a presença feminina é predominante.
A explicação, segundo especialistas ouvidos pelo Metrópoles, envolve uma combinação de fatores biológicos, hormonais e até sociais.
O reumatologista Henrique Dalmolin, chefe da equipe de reumatologia do Hospital Samaritano de Higienópolis, em São Paulo, explica que o sistema imunológico feminino tende a ser naturalmente mais reativo.
“Isso é uma vantagem porque elas respondem melhor a infecções e vacinas. Mas essa mesma característica aumenta o risco de o organismo acabar atacando os próprios tecidos”, esclarece.
O mecanismo ajuda a entender por que doenças autoimunes aparecem com mais frequência entre mulheres. Nesses quadros, o sistema imunológico passa a reconhecer partes do próprio corpo como se fossem ameaças.
Além disso, a forma como o sistema nervoso processa os sinais de dor também pode ser diferente nelas.
“Em média, as mulheres apresentam uma sensibilização central mais acentuada, o que significa que o cérebro pode interpretar os estímulos dolorosos de forma mais intensa”, destaca Henrique.
Os hormônios também têm papel importante. O endocrinologista Ricardo Barroso, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) de São Paulo, explica que o estrogênio influencia diretamente o funcionamento do sistema imunológico.
“A presença do estrogênio favorece uma resposta imunológica mais forte, que em alguns casos pode se tornar exagerada e contribuir para o surgimento de doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide”, afirma.
Segundo ele, a testosterona parece exercer efeito oposto, oferecendo certa proteção contra essas condições.
As variações hormonais ao longo da vida também interferem na percepção da dor. Oscilações nos níveis de estrogênio podem alterar substâncias do cérebro responsáveis por modular a dor e a inflamação.
Durante a menopausa, por exemplo, a queda do estradiol pode favorecer o aumento de dores crônicas.
“A redução desse hormônio pode intensificar quadros como fibromialgia e enxaqueca, além de contribuir para alterações na composição corporal, com aumento de gordura e perda de massa muscular, fatores que também influenciam processos inflamatórios”, explica Ricardo.
A reumatologista Sandra Maria Andrade, da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), afirma que as doenças autoimunes também têm relação com os genes.
“As pessoas podem nascer com uma predisposição genética que, dependendo de fatores externos e hábitos de vida, pode ativar esses genes e desencadear a doença”, informa.
Mesmo assim, a genética não explica tudo. Fatores ambientais, estilo de vida e aspectos emocionais também podem influenciar o desenvolvimento dessas condições. O estresse crônico, por exemplo, pode desregular o sistema imunológico e favorecer processos inflamatórios no organismo.
Outro ponto importante é o histórico. Durante décadas, sintomas relatados por mulheres foram frequentemente subestimados na prática médica.
“A dor feminina muitas vezes foi atribuída a causas emocionais. Doenças como fibromialgia, endometriose e lúpus têm um histórico de diagnóstico tardio porque os sintomas foram ignorados ou mal interpretados”, ressalta o reumatologista Henrique.
Para os especialistas, melhorar o diagnóstico dessas condições passa por mudanças na forma como os sintomas são investigados e interpretados. Para Henrique, um dos principais pontos é valorizar o relato das pacientes.
“Muitas vezes o diagnóstico não demora por falta de exames, mas por falta de atenção ao que a paciente está relatando. Escutar com cuidado, sem minimizar os sintomas, é frequentemente o primeiro passo para o tratamento”, aponta.
Ele acrescenta que também é importante ampliar a formação dos profissionais de saúde para reconhecer que diversas doenças podem se manifestar de forma diferente em homens e mulheres.
Os natufianos foram um dos primeiros povos precursores da agricultura e da transição do estilo de vida nômade para o sedentário – ou seja, que vive em uma moradia fixa. No entanto, antes das “inovações” da época, eles já produziam deliberadamente objetos simbólicos feitos de argila. Algumas das peças eram feitas até por crianças.
Os ornamentos datados de 15 mil anos pertenciam ao povo pré-histórico que viveu no Levante, atual região de Israel. Os 142 achados encontrados em sítios arqueológicos no norte israelense são as peças de argila mais antigas já identificadas do Sudoeste Asiático.
“Essa descoberta muda completamente a forma como entendemos a relação entre argila, simbolismo e o surgimento da vida sedentária”, aponta o autor principal do estudo, Laurent Davin, em comunicado.
O estudo liderado por Davin, do Instituto de Arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, teve os resultados publicados na revista Science Advances nessa quarta-feira (18/3).
Os ornamentos eram pequenos e muitos foram produzidos com ocre vermelho. A grande quantidade e diversidade das contas de argila, um tipo de peça feito pelo material, indicava que o artesanato era uma forma de comunicação visual entre os natufianos.
Entre os 19 tipos de contas identificados, a maioria era uma reprodução do formato das plantas que o antigo povo colhia e consumia, sugerindo um papel simbólico à natureza e não apenas de fonte de alimento.
Ao analisar as impressões digitais nos objetos, foi descoberto que elas pertenciam a adultos, adolescentes e até crianças. O achado alimenta a hipótese de que a produção dos objetos era uma atividade com função educacional, passando valores sociais de geração para geração.
Anteriormente, acreditava-se que o uso simbólico da argila tinha vindo apenas com o surgimento da agricultura. No entanto, o mais novo achado rebate a teoria. “Esses objetos mostram que profundas mudanças sociais e cognitivas já estavam em curso [entre os natufianos]”, diz um dos autores do estudo, Leore Grosman.
Um homem foi preso suspeito de espancar a ex-companheira com diversos socos após ela cobrar uma dívida de R$ 3 mil nessa quinta-feira (19), no bairro Tabuleiro do Martins, na parte alta de Maceió.
A vítima relatou que o suposto autor lhe deve R$ 5 mil e foi cobrar uma parte desse valor. Ao chegar na residência dele, ela foi espancada com socos na cabeça e ameaçada com arma de fogo.
Os militares foram acionados e encontraram o suspeito com uma arma de choque na cintura. Ele informou ainda que tinha uma arma de fogo no quarto e que seria CAC (Caçador, Atirador OU Colecionador).
A mulher foi encaminhada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Santa Lúcia, onde recebeu atendimento médico. O estado de saúde não foi atualizado.
O suspeito foi encaminhado para a Central de Flagrantes, onde foi autuado e preso e por posse ilegal de arma de fogo, violência doméstica e lesão corporal dolosa.
O presidente Lula almoçou na quarta-feira (18/3) com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Casa, Otto Alencar (PSD-BA).
Segundo apurou a coluna, um dos principais temas do encontro foi o aumento do diesel. O chefe do Palácio do Planalto teria afirmado aos parlamentares que está em busca de uma solução para resolver o impasse.
Lula também teria sinalizado a intenção de realizar viagens à América Latina nos próximos meses, incluindo países como a Bolívia. O petista esteve com o presidente local, Rodrigo Paz, na segunda-feira (16/3).
A reunião com os senadores ocorre em meio à tentativa de emplacar o ministro da AGU, Jorge Messias, no STF.
Apesar de já ter feito a indicação, o envio da mensagem ao Senado Federal ainda não ocorreu, devido à resistência do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), ao nome de Messias.
Alcolumbre e o chefe do Planalto, inclusive, mantêm uma relação desgastada desde o fim do ano passado.
A reunião acontece dois dias após a coluna revelar que a empresa da nora de Jaques Wagner teria prestado serviços ao Banco Master, comandado por Daniel Vorcaro.
Um levantamento da Real Time Big Data indica que a maioria dos brasileiros rejeita a indicação da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados. Segundo a pesquisa, 84% dos brasileiros são contra a gestão dela no colegiado.
O estudo também mostra que apenas 16% concordam com a indicação da parlamentar, enquanto 84% discordam. O nível de conhecimento sobre o caso é elevado: 82% dos entrevistados afirmaram já ter tomado conhecimento da nomeação, contra 18% que disseram não conhecer o tema.
O levantamento ouviu 1.200 eleitores em todo o país, entre os dias 17 e 18 de março de 2026. A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Quando segmentado por perfil, o apoio à deputada é maior entre os mais jovens: 25% das pessoas de 16 a 34 anos concordam com a indicação, ante 14% entre 35 e 59 anos e apenas 8% entre os com mais de 60 anos. Entre homens, 20% apoiam a indicação, enquanto entre mulheres o índice é de 12%.
Nesta quarta-feira (19), Erika Hilton presidiu sua primeira reunião da Comissão das Mulheres. A sessão foi marcada por conflitos com deputadas de direita.
Por renda, o maior apoio aparece entre os que recebem mais de cinco salários mínimos (27%), contra 15% entre os que ganham até dois salários mínimos e 11% na faixa de dois a cinco salários mínimos. Já no recorte religioso, 23% dos católicos concordam com a indicação, ante apenas 5% dos evangélicos.
A pesquisa também mediu a repercussão da fala do apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, sobre o caso. Para 61% dos entrevistados, a declaração foi correta e eles afirmam que diriam o mesmo. Outros 20% consideram que a fala foi correta, mas exagerada, enquanto 19% avaliam que foi preconceituosa.
“Ela é trans. Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias. Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher”, disse Ratinho, ao vivo em seu programa no SBT.
A capacidade de silenciar o próprio ego para dar lugar à voz do outro tem se revelado mais do que uma virtude de etiqueta; é um indicador de alta performance cognitiva e social. Segundo a psicologia moderna, indivíduos que priorizam a escuta em detrimento da fala tendem a navegar com maior facilidade em ambientes complexos, desde mesas de negociação até círculos íntimos.
A psicóloga Cibele Santos explica que essa postura não é passiva, mas sim uma estratégia ativa de processamento de informações. “Quem ouve mais, coleta dados que quem fala muito acaba ignorando”, afirma a especialista.
De acordo com Cibele, um dos maiores diferenciais de quem possui inteligência social é o domínio da pausa. Em uma sociedade pautada pela pressa, o hábito de refletir sobre o que foi dito antes de emitir uma opinião é uma ferramenta de poder.
“Ao processar a informação antes de reagir, o indivíduo demonstra controle emocional e pensamento crítico, o que valida a fala do outro e evita conflitos desnecessários”, pontua a psicóloga.

Para além do som, a inteligência social se manifesta na capacidade de ler o que não é dito. O observador atento consegue identificar sinais corporais e hesitações que mudam completamente o contexto de um diálogo. Essa sensibilidade permite antecipar necessidades e ajustar o discurso de forma estratégica, tornando a comunicação muito mais assertiva.

No entanto, praticar a escuta ativa não é uma tarefa simples. O cérebro humano muitas vezes luta contra a ansiedade de validar os próprios sentimentos, gerando interrupções que bloqueiam o fluxo de informação. “É um exercício constante de autoconsciência”, alerta Santos.
No mundo corporativo, essa habilidade é o que define líderes de alto impacto. Pesquisas indicam que gestores que cultivam a arte de ouvir promovem equipes mais engajadas e tomam decisões mais fundamentadas. Ao valorizar a voz do time, o líder não apenas absorve conhecimento técnico, mas constrói uma cultura de pertencimento e inovação.
Uma bactéria resistente a antibióticos, antes associada principalmente a hospitais, está se espalhando também fora dessas unidades em São Paulo. O alerta vem de um estudo conduzido pela Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa (Afip) em parceria com a Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), publicado em 19 de fevereiro de 2026 na revista científica Research Connections, da Oxford University Press.
A pesquisa analisou 51.532 casos únicos da bactéria Staphylococcus aureus registrados entre 2011 e 2021 e identificou uma mudança importante no padrão de transmissão.
Ao longo desse período, os casos ligados a hospitais diminuíram, enquanto as infecções associadas à comunidade aumentaram — indicando que a bactéria já não está restrita ao ambiente hospitalar.
O estudo mostra que o Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), uma das formas mais difíceis de tratar da bactéria, está cada vez mais presente fora dos hospitais.
Esse tipo de microrganismo costuma ser associado a infecções hospitalares, mas os dados indicam que ele passou a circular também entre pessoas que não foram internadas recentemente.
Segundo os pesquisadores, a MRSA associada a hospitais apresentou queda ao longo dos anos, com redução média anual de 2,48%. Em contrapartida, a MRSA associada à comunidade cresceu, com aumento médio de 3,61% ao ano.
Essa inversão indica uma mudança epidemiológica relevante, já que a transmissão deixa de ocorrer majoritariamente em ambientes controlados e passa a acontecer também no cotidiano da população.
Entre todos os casos analisados, as taxas de MRSA foram de 42,6% entre pacientes com infecção ativa e de 37,4% entre pessoas colonizadas — quando a bactéria está presente no organismo, mas sem causar sintomas.
A prevalência foi maior em dois grupos específicos: crianças menores de 3 anos e idosos com 65 anos ou mais, o que indica maior vulnerabilidade nessas faixas etárias.
Os pesquisadores também observaram um aumento mais acentuado de um tipo de MRSA associado à comunidade e sensível à clindamicina, um antibiótico utilizado em alguns tratamentos. Esse grupo apresentou crescimento médio anual de 8,77%, reforçando a expansão da bactéria fora dos hospitais.
Para chegar a esses resultados, os cientistas analisaram dados de uma rede com mais de 600 unidades de saúde na região metropolitana de São Paulo. Os casos foram classificados de acordo com o tipo — infecção ou colonização — e com o local de origem, se hospitalar ou comunitário.
A resistência da bactéria foi identificada por meio de testes laboratoriais específicos, e a evolução ao longo do tempo foi avaliada com métodos estatísticos.
Além disso, os pesquisadores mapearam a distribuição geográfica dos casos, o que permitiu identificar áreas com maior concentração da bactéria. Esse mapeamento revelou a existência de regiões com taxas de MRSA superiores a 20% na comunidade, indicando focos importantes de disseminação.
O Staphylococcus aureus é uma bactéria comum, que pode viver na pele e nas vias respiratórias sem causar sintomas. No entanto, quando entra no organismo, pode provocar infecções que variam de leves a graves, como pneumonia e infecção generalizada.
O problema se torna mais sério quando a bactéria é resistente a antibióticos, como no caso do MRSA, já que isso dificulta o tratamento e pode limitar as opções terapêuticas.
Com o avanço fora do ambiente hospitalar, o risco deixa de estar restrito a pacientes internados e passa a atingir também pessoas na comunidade, o que torna o controle mais complexo. Os autores concluem que houve uma mudança significativa no perfil da bactéria ao longo da última década.
Este é um dos maiores estudos já realizados em países de baixa e média renda com análise ao longo do tempo e distribuição geográfica e reforça a necessidade de estratégias de saúde pública mais amplas, que considerem não apenas hospitais, mas também a circulação da bactéria na população.
Na prática, isso significa que o combate à resistência bacteriana precisa ir além dos ambientes hospitalares e envolver medidas no dia a dia, como o uso correto de antibióticos e a atenção a sinais de infecção.
Através de um dos dispositivos do Rover Perseverance, da Nasa, pesquisadores detectaram a presença de um delta mais antigo enterrado abaixo do que era explorado anteriormente pelo robô em Marte. O delta é um sistema fluvial que ocorre quando um rio deságua e começa a depositar sedimentos que ele carregou em outra região.
Além dessa pista, cientistas já encontraram outros diversos indícios de que a água já esteve em abundância no planeta, como a presença de paisagens e minerais formados através da água líquida. No entanto, o novo achado evidencia que o planeta era “molhado” antes do que se imaginava preliminarmente.
A descoberta veio por meio do radar do Perseverance chamado Rimfax. Basicamente, o apetrecho a bordo do robô funciona como um “ultrassom” do solo. Para medir o que está embaixo, ele envia ondas para o subsolo. Assim, revela camadas de rocha, antigos depósitos de sedimentos e estruturas ocultas, como no caso do delta.
O trabalho liderado pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, em parceria com cientistas internacionais, teve os resultados publicados na revista Science Advances.
Foram realizadas quase 80 travessias entre setembro de 2023 e fevereiro de 2024 na cratera Jazero. O radar conseguiu coletar informações em uma extensão de cerca de 6,1 km e a profundidades maiores a 35 metros.
Ao analisar os dados extraídos pelo Rimfax, foi detectada a presença de um delta oculto. Eles mostravam camadas inclinadas e estruturas específicas, que só aparecem quando sedimentos são carregados por rios e se acumulam no fundo de lagos ou mares. Os atributos caracterizavam um sistema fluvial.
A detecção também indica que a água não existiu por pouco tempo em Marte. Na verdade, a existência de mais um delta no planeta mostra que a água fluiu por milhões de anos e de diferentes maneiras, criando até dois sistemas fluviais.
“O projeto Rimfax revelou um ambiente deltaico subterrâneo anterior sob o delta atual, estendendo assim o período de potencial habitabilidade de Jezero para um passado ainda mais remoto”, diz a autora principal do estudo, Emily Cardarelli, em entrevista ao portal ScienceAlert.
Como os deltas preservam potenciais bioassinaturas, como restos de bactérias e moléculas orgânicas, o próximo passo deverá ser estudá-los para descobrir mais detalhes sobre o passado “aquático” de Marte.
Um homem de 36 anos foi preso após tentar matar o dono da casa onde vivia para não pagar aluguéis atrasados em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo.
O caso foi nessa quarta-feira (18/3), no bairro Alvarenga. Segundo a Polícia Militar (PM), Joel Batista dos Santos ligou para o proprietário da residência para combinar de entregar as chaves do imóvel. No local, porém, ele retirou uma faca da cintura e golpeou a vítima, de 72 anos.
Joel fugiu depois do crime, mas foi preso logo depois, na mesma região.
A vítima atingida no antebraço foi levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Alves Dias, onde foi atendida e liberada.
Em depoimento à Polícia Civil, o dono do imóvel contou que vinha cobrando o acusado há dias, em função do atraso de aluguéis, e que não acreditava que o inquilino pudesse estar planejando o ataque. O valor da dívida chegava a R$ 6 mil.
O Metrópoles apurou que o acusado já responde a 11 processos relacionados a dívidas com imóveis, no interior paulista. Entre eles, há cobrança de valores que ultrapassam R$ 50 mil.
Quando falamos em desmatamento na Amazônia, quase sempre pensamos na paisagem terrestre: grandes árvores derrubadas, expansão agropecuária, incêndios e perda de biodiversidade. Mas boa parte dos impactos do desmatamento ocorre fora do campo de visão. Eles acontecem dentro da água.
A Amazônia abriga milhares de igarapés — pequenos cursos d’água que drenam a floresta e alimentam rios maiores. Esses ambientes sustentam alta diversidade de insetos, peixes e microrganismos. Também desempenham papel central na manutenção da qualidade da água e na ciclagem de nutrientes, que é o transporte de matéria orgânica e nutrientes (por exemplo, nitrogênio, fósforo, potássio) da floresta para o meio aquático.
Diferentemente de grandes rios, a maioria dos igarapés amazônicos são fortemente dependentes da floresta ao seu redor. A copa das árvores reduz a entrada de luz solar. Por isso, a produção de algas dentro da água é limitada.
A principal fonte de energia desses ecossistemas vem de fora. Folhas, galhos e outros materiais orgânicos caem na água e formam a base da cadeia alimentar. Esse material é colonizado por microrganismos e consumido por insetos aquáticos. Esses insetos, por sua vez, alimentam predadores, como insetos maiores e peixes. A floresta, portanto, sustenta diretamente a vida dentro do igarapé.
Mas o que acontece quando essa floresta é removida? Foi essa a pergunta que orientou nosso estudo, publicado na revista Freshwater Biology.
Ao comparar igarapés preservados com igarapés em áreas desmatadas, observamos uma mudança clara na base alimentar do sistema.
A retirada da vegetação ciliar reduz a entrada de folhas e matéria orgânica nos corpos d’água. Com menos recurso disponível, os insetos que dependem da decomposição desse material para sobreviver tornam-se menos abundantes.
Em seu lugar, aumentam organismos associados a ambientes mais abertos e com maior incidência de luz. A cadeia alimentar passa a depender mais de produção primária interna do que de insumos da floresta. Essa mudança pode parecer sutil. Mas ela reorganiza toda a estrutura trófica – que é a organização alimentar de um ecossistema e que define a transferência de energia e nutrientes entre os organismos produtores, consumidores e decompositores.
Com a redução na abundância de insetos associados a matéria orgânica, predadores passam a consumir presas diferentes. A diversidade funcional se altera. A rede alimentar tende a se simplificar. Redes mais simples costumam ser menos resilientes a novas perturbações. Secas mais intensas, aumento de temperatura ou poluição podem gerar impactos mais fortes em sistemas já empobrecidos estruturalmente.
Os dados mais recentes de uso e cobertura da terra no Brasil mostram que o desmatamento segue transformando paisagens amazônicas. Informações do projeto MapBiomas indicam a expansão de áreas convertidas para agropecuária nas últimas décadas. Enquanto algumas regiões na Amazônia seguem relativamente menos desmatadas, outras áreas já apresentam menos de 30% de sua cobertura florestal original.
Grande parte dessa conversão ocorre próxima a cursos d’água. Embora a legislação brasileira determine a manutenção de faixas de vegetação ao redor de rios e igarapés, a implementação nem sempre é efetiva. Em muitos casos, a vegetação ciliar é reduzida ou eliminada.
Mas essa remoção não é apenas uma alteração visual na paisagem. Nosso estudo mostra que ela compromete processos ecológicos fundamentais. A vegetação ciliar regula a entrada de matéria orgânica, controla a temperatura da água, estabiliza margens e reduz o carreamento de sedimentos. Ela funciona como zona de amortecimento entre atividades humanas e o ecossistema aquático. Ignorar essas funções significa comprometer a toda a integridade do sistema.
Os resultados do nosso estudo comprovam que a conservação de matas ciliares deve ser tratada como prioridade em políticas públicas e estratégias de manejo. Não se trata apenas de cumprir uma exigência legal. Trata-se de manter o funcionamento ecológico dos igarapés. Programas de restauração florestal precisam considerar a largura e a qualidade da vegetação ciliar. A simples presença de uma faixa estreita de árvores pode não ser suficiente para restabelecer processos ecológicos complexos.
Além disso, estratégias de uso do solo devem integrar a dimensão aquática. Muitas vezes, o planejamento territorial foca apenas na produção agrícola ou na cobertura terrestre, sem considerar impactos hidrológicos e ecológicos. Os igarapés conectam paisagens. Eles transportam matéria, energia e organismos. Alterações locais podem se propagar para sistemas maiores.
A Amazônia é frequentemente discutida em termos de carbono, clima e biodiversidade terrestre. Esses temas são centrais. Mas os ecossistemas aquáticos também merecem atenção. Mudanças na base da cadeia alimentar podem afetar comunidades de peixes e a disponibilidade de recursos para populações humanas. Podem alterar a decomposição de matéria orgânica e a dinâmica de nutrientes.
São processos menos visíveis, mas essenciais. Proteger a vegetação ciliar é uma medida concreta e baseada em evidências para reduzir impactos do desmatamento sobre sistemas aquáticos.
A floresta não sustenta apenas o que está acima do solo. Ela também alimenta o que corre dentro da água. Reconhecer essa conexão é um passo importante para um manejo mais integrado e sustentável da Amazônia.
Os rins operam como os filtros vitais do corpo humano, mas possuem uma característica implacável: não se regeneram. Uma vez que os néfrons — suas unidades funcionais — são destruídos, o dano é permanente. Diante de um cenário onde mais de 170 mil brasileiros dependem de diálise, especialistas reforçam que a prevenção, baseada no controle rígido da pressão arterial e do diabetes, é a única barreira eficaz contra a falência renal e o avanço silencioso de tumores.
O crescimento da Doença Renal Crônica (DRC) no Brasil é alarmante. Dados da Associação Brasileira de Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) indicam que o número de pacientes em diálise saltou de 156 mil para mais de 170 mil em apenas um ano. Segundo o nefrologista Pedro Aparecido Dotto Júnior, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, o segredo da saúde renal reside no equilíbrio metabólico.
“O controle do sódio e do açúcar é vital. O excesso de sal eleva a pressão arterial, que castiga os vasos sanguíneos renais por serem muito delicados. Já o açúcar elevado compromete a capacidade de filtragem do órgão”, explica o médico.
O nefrologista destaca ainda que a hidratação deve ser personalizada: a cor da urina (idealmente amarelo claro ou palha) é um termômetro mais preciso do que a regra fixa de dois litros de água por dia.
A projeção da Organização Mundial da Saúde (OMS) para 2050 é preocupante: os casos de câncer nos rins devem subir 79,5% no Brasil. O grande desafio é que a doença raramente apresenta sintomas em estágios iniciais, sendo frequentemente descoberta em exames de rotina para outras finalidades.
Dotto Júnior ressalta que sinais como sangue na urina (mesmo um episódio isolado), dor lombar persistente que não melhora com repouso e a percepção de massas ou caroços no abdômen são alertas críticos. Sintomas sistêmicos, como fadiga extrema, perda de peso sem motivo e febre baixa constante, também não devem ser ignorados.
Para garantir a longevidade dos rins, o especialista recomenda um protocolo simples de monitoramento. “O exame de creatinina no sangue, que mede a taxa de filtração, e um exame de urina comum são suficientes para detectar a maioria das anomalias antes que se tornem críticas”, conclui. Manter o peso, não fumar e praticar atividades físicas completam o “pacote de sobrevivência” desses filtros essenciais.
A bilhões de anos-luz de distância, em uma parte remota do Universo, duas estrelas de nêutrons – os remanescentes ultradensos de estrelas mortas – colidiram. O evento cósmico catastrófico lançou luz e partículas, incluindo um flash repentino de raios gama, Universo afora. Esses raios gama viajaram por 8,5 bilhões de anos antes de chegar à Terra.
Em um novo estudo, nossa equipe de astrofísicos analisou esse sinal de raios gama. Descobrimos que a colisão estelar de onde ele se originou foi provavelmente causada por um encontro ainda mais catastrófico: a fusão entre duas galáxias.
Esta é a primeira vez que os astrônomos associam esse tipo de sinal a uma interação galáctica em tão grande escala. Nossa descoberta oferece uma nova visão sobre como as colisões estelares espalham metais pelo Universo.
Quando duas estrelas de nêutrons orbitam uma à outra e finalmente colidem – uma chamada fusão de estrelas de nêutrons binárias –, elas produzem algumas das explosões mais poderosas do Universo. Estes eventos liberam intensos flashes de raios gama, que os astrônomos chamam de “explosões curtas de raios gama”. Estas explosões podem liberar tanta energia quanto o nosso Sol produzirá ao longo de toda a sua vida em menos de dois segundos.
Essas colisões também podem ejetar detritos para o espaço, que podem criar novos elementos radioativos quando colidem. Muitos elementos valiosos, incluindo ouro e platina, são forjados nessas fusões.
O que torna esse evento específico, conhecido como GRB 230906A, extraordinário é o local onde ocorreu. Usando o Observatório de Raios X Chandra e o Telescópio Espacial Hubble, localizamos com precisão o local da explosão e identificamos sua galáxia hospedeira como uma das galáxias de brilho mais tênue já associadas a um GRB curto.
Observações obtidas pelo Very Large Telescope, no Chile, revelaram que a explosão ocorreu dentro de um sistema de emaranhadas galáxias em interação. Correntes de estrelas e gás, arrancadas por encontros galácticos passados, se estendem por toda a região.
A explosão de raios gama está localizada diretamente dentro de uma dessas correntes de maré, sugerindo que ocorreu dentro de uma pequena galáxia anã formada a partir do material arrancado de sua galáxia hospedeira durante uma colisão galáctica.
Esta é a primeira vez que uma fusão de estrelas de nêutrons binárias foi associada a tal ambiente. Esta descoberta revela novos locais onde estas colisões cósmicas podem acontecer e mostra que elas não ocorrem apenas em grandes galáxias. E também aponta um novo caminho para a disseminação de metais pesados pelo Universo onde menos esperamos.
Nosso estudo traça a origem dessas fusões de estrelas de nêutrons até a atração lenta e de longo alcance da gravidade entre galáxias. Ele nos diz mais sobre onde esses eventos extraordinários podem ocorrer e, mais importante, como os elementos que compõem nosso mundo surgiram.
Como essa explosão ocorreu longe, nossos instrumentos não conseguiram medir quais elementos foram forjados na colisão. Explosões brilhantes semelhantes podem ser produzidas não apenas por fusões de estrelas de nêutrons binárias, mas também por fusões envolvendo estrelas de nêutrons e buracos negros, ou mesmo outros tipos de remanescentes estelares compactos, como anãs brancas, os núcleos remanescentes de estrelas semelhantes ao Sol.
Novos observatórios poderosos, como o Telescópio Espacial James Webb e o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, permitirão a descoberta e o estudo detalhado de fusões distantes responsáveis pela produção de elementos pesados.
Futuras missões avançadas de raios X, como o NewAthena e o AXIS, aumentarão nossa capacidade de identificar esses tipos de explosões.
Essas novas capacidades de observação avançarão lado a lado com o desenvolvimento da próxima geração de detectores de ondas gravitacionais: o Einstein Telescope e o Cosmic Explorer.
Isso nos permitirá decifrar a natureza dessas fusões, marcando uma nova era para a astronomia multimensageira. Juntos, esses telescópios serão essenciais para compreender como os elementos que compõem nosso mundo são formados.
A gordura no fígado, conhecida na medicina como doença hepática gordurosa ou esteatose, tem se tornado cada vez mais comum no mundo. O problema acontece quando há acúmulo excessivo de gordura dentro das células do fígado, o que pode prejudicar o funcionamento do órgão e evoluir para quadros graves.
Segundo a hepatologista Vivianne Melo, da clínica AMO, em Salvador, a condição está principalmente associada a alterações metabólicas.
“A doença gordurosa do fígado é a infiltração de gordura nas células hepáticas e está principalmente associada a fatores metabólicos, como obesidade, diabetes e alterações no colesterol e triglicérides”, explica.
De acordo com a especialista, o aumento da obesidade na população fez a doença se tornar mais frequente. O problema preocupa porque pode evoluir para inflamação do fígado, formação de cicatrizes no órgão, chamadas de fibrose, e, em casos mais graves, cirrose ou câncer.
O hepatologista Adriano Moraes, do Hospital Santa Lúcia Sul, afirma que o excesso de peso é um dos principais fatores ligados ao acúmulo de gordura no fígado. “O excesso de peso está extremamente relacionado à gordura no fígado, principalmente quando existe uma condição metabólica chamada resistência à insulina, que facilita o acúmulo de gordura no órgão”, afirma.
Segundo ele, doenças como diabetes, colesterol alto e hipertensão, que fazem parte da chamada síndrome metabólica, também aumentam o risco de desenvolver o problema.
Além disso, hábitos de vida influenciam diretamente. Dietas ricas em açúcar, carboidratos refinados e gorduras saturadas, combinadas com sedentarismo, favorecem o acúmulo de gordura no fígado.
Embora muitas pessoas associem o problema apenas ao consumo de bebidas alcoólicas, especialistas alertam que a gordura no fígado também pode surgir em pessoas que não bebem.
Mesmo assim, o álcool continua sendo um fator importante. Vivianne Melo explica que o consumo frequente pode aumentar ainda mais o risco de complicações.
“O álcool por si só pode causar gordura no fígado e é comum que ele esteja associado a fatores metabólicos. Essa combinação aumenta o risco de evolução para cirrose e câncer de fígado”, afirma.
Um dos maiores desafios da doença é que ela costuma não apresentar sintomas nas fases iniciais. Muitas vezes, o diagnóstico acontece por acaso durante exames de rotina.
Segundo Adriano Moraes, quando os sintomas aparecem geralmente indicam estágios mais avançados da doença. “Na maioria das vezes, a gordura no fígado é silenciosa e aparece como achado em exames. Os sintomas costumam surgir apenas nas fases mais avançadas”, explica.
Entre os sinais que podem surgir em estágios tardios estão cansaço, perda de apetite, náuseas e, nos casos mais graves, pele e olhos amarelados.
Quando não tratada, a esteatose pode evoluir para inflamação do fígado, fibrose e cirrose. A doença também é considerada uma das principais causas de câncer hepático e de transplante de fígado.
Além disso, pessoas com gordura no fígado apresentam maior risco cardiovascular devido às alterações metabólicas associadas, como diabetes e colesterol elevado.
Os especialistas destacam que mudanças no estilo de vida são fundamentais para prevenir e controlar o problema.
Entre as principais recomendações estão:
Embora muitas vezes passe despercebida, a gordura no fígado pode trazer consequências sérias quando não tratada. Por isso, especialistas recomendam atenção aos fatores de risco e acompanhamento médico regular.
Imagine o seu intestino como uma floresta tropical densa e vibrante, e não apenas como um tubo para digestão e absorção. Trilhões de microrganismos (vírus, fungos e bactérias) habitam essa floresta, formando a chamada microbiota intestinal, que funciona como um órgão extra. Ela ajuda na digestão, produz vitaminas e, o mais importante hoje, de acordo com a ciência: treina o sistema imunológico. Há mais bactérias no intestino do que células humanas no corpo todo.
Com o advento da imunoterapia, uma revolução recente no tratamento do câncer, o intestino e sua microbiota surgem como uma peça-chave. Ao contrário da quimioterapia (drogas que atacam células que se multiplicam rápido), a imunoterapia não age diretamente sobre o tumor. Ela remove o freio que trava o sistema imunológico e permite que o próprio organismo reconheça e ataque as células tumorais. Alguns pacientes obtêm respostas impressionantes e duradouras, chegando à remissão completa do câncer mesmo em casos avançados. Outros, infelizmente, não respondem bem e não têm benefícios significativos.
Estima-se que entre 70% e 80% das células do sistema imunológico estejam localizadas na parede intestinal, onde são constantemente expostas aos microrganismos da microbiota. Estudos mais recentes identificaram que a presença de determinadas bactérias está associada a um microambiente tumoral mais favorável à ativação do sistema imune, enquanto estados de disbiose, frequentemente relacionados a inflamações crônicas, podem contribuir para a resistência ao tratamento. Desse modo, perfis específicos da microbiota, as Gut OncoMicrobiome Signatures (GOMS), funcionam como biomarcadores capazes de prever a resposta à imunoterapia.
O impacto da microbiota também ajuda a explicar por que o uso de antibióticos merece atenção especial. Uma grande meta-análise com mais de 46 mil pacientes mostrou que o uso desses medicamentos pouco antes ou no início da imunoterapia está associado a piores desfechos clínicos. Ao eliminar bactérias patogênicas, os antibióticos também reduzem bactérias benéficas, alterando o equilíbrio intestinal e comprometendo a resposta imunológica ao tratamento.
Mais um campo que tem despertado interesse é o transplante de microbiota fecal. Apesar de ainda causar estranhamento, essa técnica já é utilizada com sucesso no tratamento de infecções graves por Clostridium difficile. Em estudos com pacientes com melanoma avançado que não respondiam à imunoterapia, a transferência da microbiota de pacientes respondedores levou parte deles a passar a responder ao tratamento. A hipótese é que as novas bactérias sejam capazes de “reprogramar” o sistema imunológico, tornando-o mais eficiente no combate ao câncer. Atualmente, centenas de estudos clínicos avaliam essa abordagem em diferentes tipos de tumores.
Diferentemente da genética, a microbiota intestinal é altamente modulável, e a alimentação exerce papel central nesse processo. Dietas ricas em fibras, com consumo regular de frutas, verduras, legumes, grãos integrais e sementes, favorecem o crescimento de bactérias benéficas. A variedade alimentar também é determinante: quanto mais variado e colorido o prato, maior tende a ser a diversidade da microbiota. Alimentos fermentados, como iogurtes naturais, kefir e kombucha, podem contribuir para esse equilíbrio quando consumidos de forma adequada.
Por outro lado, alguns hábitos podem comprometer esse ecossistema. O uso indiscriminado de antibióticos, especialmente os de amplo espectro, deve ser evitado e sempre realizado com orientação médica. O consumo frequente de alimentos ultraprocessados, ricos em conservantes, açúcares e adoçantes artificiais, favorece bactérias prejudiciais. Além disso, o uso de probióticos sem indicação adequada pode não trazer benefícios e, em alguns casos, até interferir negativamente na resposta à imunoterapia.
Medicamentos como inibidores de bomba de prótons (usados para proteção estomacal) e laxativos, quando utilizados de forma abusiva ou sem necessidade, também podem contribuir para o desequilíbrio da flora intestinal.
Diversas drogas para tratamento do câncer que agem sobre o sistema imunológico já chegaram e estão disponíveis. Muitas outras irão chegar. Atualmente, a imunoterapia é utilizada em diferentes tipos de tumores, às vezes concomitante à quimioterapia, terapias-alvo e conjugados anticorpo-droga. O futuro do tratamento do câncer será cada vez mais integrado e sistêmico. Não olharemos apenas para o tipo do tumor, mas para todo o ecossistema do organismo do paciente.
É provável, no futuro, que antes de começar a imunoterapia, você faça um exame de fezes para analisar sua microbiota. Com base nisso, o médico poderá prescrever uma dieta de precisão ou um “coquetel de bactérias” específico para garantir que seu corpo responda melhor ao tratamento, com força máxima.
Um grupo de arqueólogos descobriu na Turquia vestígios de excremento em um pequeno frasco de 1,9 mil anos de antiguidade. Esta seria a primeira evidência direta de que os romanos usavam fezes com fins medicinais, detalha um estudo publicado na revista Journal of Archaeological Science: Reports.
Até agora, a prática de aplicar excremento com fins curativos era conhecida apenas por meio de textos da Roma Antiga.
O Museu de Bergama, perto das ruínas da antiga cidade de Pérgamo, na província turca de Esmirna, conserva centenas de unguentários — recipientes pequenos, alongados e de gargalo estreito — usados para conter óleos, perfumes ou elixires.
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Cenker Atila, arqueólogo especializado em perfumes antigos da Universidade Republicana de Sivas, e sua equipe analisaram “um total de sete recipientes diferentes, mas apenas um apresentou resultados conclusivos”, ele contou ao veículo especializado Live Science.
Com óleo de tomilho
A análise química revelou que o conteúdo era uma mistura de fezes, provavelmente humanas, e óleo de tomilho. A garrafa estava selada com argila antiga e teria sido retirada por saqueadores de uma tumba, razão pela qual sua origem exata é desconhecida.
Atila lembra que, quando o frasco foi aberto, “não havia nenhum odor desagradável“. No entanto, durante o período em que ficou armazenado, “ninguém prestou atenção aos resíduos que havia em seu interior.”
“Eu percebi isso e imediatamente iniciei o processo de análise”, relatou. “A descoberta surpreendeu os pesquisadores: “Encontramos um medicamento que sobreviveu da Antiguidade até o presente. Encontramos excremento quando esperávamos um perfume.”
Os autores identificaram os compostos coprostanol e 24-etilcoprostanol, biomarcadores presentes com frequência no trato digestivo de animais que metabolizam colesterol. Segundo os autores, a proporção dos compostos sugere que as fezes eram de origem humana.
Da teoria à prática
Pérgamo, cidade de origem grega integrada ao Império Romano, abrigou um reconhecido hospital e foi o lar do médico Galeno, que documentou o uso de excremento na medicina greco-romana. O design do frasco também aponta para a região.
“Como conhecemos bem as fontes textuais antigas, reconhecemos imediatamente que se tratava de uma preparação medicinal utilizada pelo famoso médico romano Galeno”, explica Atila.
Na medicina romana, há relatos de que havia diversos remédios à base de fezes para tratar enfermidades que variavam de inflamações ou infecções a transtornos reprodutivos, segundo o relatório.
Os médicos da época tinham consciência do repúdio que isso podia causar. Por isso recomendavam misturar a substância com um aroma agradável. Daí a presença do óleo de tomilho.
A nova descoberta dos pesquisadores seria também a primeira evidência direta de que o mau cheiro era mascarado com ervas.
“Esses achados coincidem amplamente com as fórmulas descritas por Galeno e outros autores clássicos, o que sugere que tais remédios eram aplicados na prática e não se limitavam a ser meras teorias escritas”, concluíram os pesquisadores.
Na Arena Fonte Nova, o Bahia recebeu o Red Bull Bragantino e venceu por 2 x 0. A partida, válida pela 7ª rodada do Campeonato Brasileiro, foi disputada na noite desta quarta-feira (18/3). Os gols da vitória foram marcados por Luciano Juba e Erick.
Com o resultado, o Bahia pegou o elevador e assumiu temporariamente a 3ª colocação do Brasileirão, com 14 pontos conquistados. O clube segue invicto no certame. O Red Bull Bragantino está em 10º lugar, com oito, e pode ser ultrapassado até o fim da rodada.
O Bahia começou tendo mais posse de bola diante de sua torcida. Aos 11 minutos, quase o Tricolor abriu o marcador. Após cruzamento rasteiro na área, Willian José chutou da altura da marca da cal e a bola tirou tinta da trave esquerda de Thiago Volpi.
O Red Bull Bragantino respondeu logo em seguida. Após bola alçada na área, Eduardo Santos testou firme e a bola explodiu no travessão. Aos 16 minutos o Bahia abriu o placar. Jean Lucas tocou de calcanhar para Luciano Juba. Ele arrematou de primeira e a pelota entrou no ângulo: 1 x 0.
O confronto permaneceu movimentado na Arena Fonte Nova, com as duas equipes em busca do gol. Quem conseguiu marcar foi o Bahia, aos 39 minutos. Luciano Juba avançou pelo lado esquerdo e cruzou na área. A zaga do Red Bull Bragantino tentou tirar, mas a bola explodiu em Erick e entrou no cantinho: 2 x 0.
O Red Bull Bragantino cresceu na volta dos vestiários e levou perigo ao gol de Ronaldo logo nos minutos iniciais do 2º tempo, com Mosquera. Aos 22, Pitta teve uma boa oportunidade de diminuir o marcador, mas acabou mandando por cima da baliza do Bahia.
O Tricolor de Aço respondeu instantes depois, mas viu Thiago Volpi salvar. A etapa final teve poucas oportunidades. Com o 2 x 0 no placar, o Bahia torcia para o jogo ser encerrado o mais rápido possível. No fim da partida, Ronaldo, goleiro dos donos da casa, defendeu duas finalizações do Bragantino e garantiu o triunfo baiano.
As duas equipes voltam a entrar em campo pela Série A do Brasileirão no fim de semana. No sábado (21/3), o Red Bull Bragantino recebe o Botafogo às 16h. No dia seguinte, o Bahia visita o Remo no Estádio Mangueirão, também às 16h. Os jogos são válidos pela 8ª rodada
