A endometriose é uma doença ginecológica que afeta milhões de mulheres e pode causar dores intensas, alterações intestinais, desconforto durante a relação sexual e infertilidade.
Mesmo sendo relativamente comum, muitas pacientes levam anos para receber o diagnóstico correto.Entre os motivos estão sintomas que costumam ser confundidos com cólicas menstruais consideradas “normais”, além de dificuldades de acesso a exames especializados e a profissionais treinados para identificar a doença.
A condição ocorre quando células semelhantes às do endométrio, tecido que reveste o interior do útero, passam a crescer fora do órgão, podendo atingir ovários, intestino e outras estruturas da pelve. Esses focos reagem aos hormônios do ciclo menstrual e provocam inflamação e dor.
O ginecologista e obstetra Geraldo Caldeira, membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), explica que um dos fatores que atrasam o diagnóstico é o uso de anticoncepcionais, que podem amenizar os sintomas.
“Muitas pacientes usam pílula anticoncepcional para evitar gravidez e isso acaba mascarando os sintomas da endometriose. A cólica diminui, o fluxo menstrual fica menor e a paciente muitas vezes não percebe que há algo errado”, esclarece.
Segundo o especialista, a doença também está diretamente ligada à infertilidade feminina. “A endometriose é a maior causa de infertilidade feminina. Toda paciente que está tentando engravidar e não consegue precisa ser investigada para essa possibilidade”, diz.
Sintomas da endometriose
Cólica menstrual intensa que começa dias antes da menstruação e pode persistir durante todo o período de sangramento.
Dor profunda durante a relação sexual, que pode continuar como cólica mesmo após o ato.
Alterações intestinais ou urinárias que aparecem principalmente durante o período menstrual.
Sensação de distensão abdominal e desconforto digestivo.
Episódios de diarreia ou intestino solto durante a menstruação.
Dificuldade para engravidar ou infertilidade.
Exames que ajudam a identificar a doença
Depois da avaliação clínica, alguns exames são fundamentais para confirmar a suspeita de endometriose. O principal deles é o ultrassom transvaginal com preparo intestinal, que permite observar com mais precisão estruturas da pelve e possíveis focos da doença.
“O ultrassom transvaginal com preparo intestinal é o método de escolha para identificar a endometriose em diversas regiões da pelve, especialmente quando realizado por profissionais experientes”, explica o ginecologista Alexandre Pupo Nogueira, membro da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).
Outro exame frequentemente utilizado é a ressonância magnética pélvica, que também ajuda a identificar focos da doença, aderências e comprometimento de outros órgãos. Geraldo aponta, porém, que esses exames exigem experiência e preparo específico para detectar lesões menores.
“Não é o ultrassom ginecológico de rotina que vai diagnosticar a endometriose. É um exame com preparo intestinal e feito por profissionais acostumados a identificar a doença. Em muitas cidades ainda existem poucos locais com essa especialização”, afirma.
Quando há cistos ovarianos associados à endometriose, chamados de endometriomas, o diagnóstico costuma ser mais simples. Já os casos em que a doença se manifesta em pequenas lesões ou em áreas menos evidentes podem ser mais difíceis de identificar.
Em algumas situações, a confirmação definitiva ocorre apenas por meio de cirurgia, quando o médico consegue visualizar diretamente as lesões e realizar biópsias para análise laboratorial.
Barreiras no sistema de saúde
Além da dificuldade de reconhecer os sintomas, especialistas apontam que o próprio funcionamento do sistema de saúde pode contribuir para o atraso no diagnóstico. Segundo Alexandre, o primeiro obstáculo é o acesso à consulta médica e a profissionais com formação adequada.
“O acesso à saúde no Brasil é bastante desigual e a formação médica também é heterogênea. É fundamental que o médico esteja atualizado e investigue ativamente os sinais e sintomas da endometriose”, afirma.
Outro problema é o tempo reduzido de consulta, especialmente em atendimentos vinculados a planos de saúde.
“Muitas consultas ginecológicas são marcadas com apenas quinze minutos de duração. Nesse tempo é muito difícil realizar uma investigação completa dos sintomas e fazer um exame adequado”, diz.
A realização dos exames necessários também pode ser um desafio. A ressonância magnética, por exemplo, é um exame de alto custo e nem sempre está facilmente disponível na rede pública ou nos planos de saúde.
O ultrassom especializado também depende de profissionais com experiência específica na identificação da doença, o que ainda é considerado um gargalo em muitas regiões.
Caminhos para melhorar o diagnóstico
Os médicos defendem que ampliar o acesso à informação e criar centros especializados podem ajudar a reduzir o tempo até o diagnóstico da endometriose. Para Alexandre, o Brasil já avançou bastante nesse campo, mas ainda há espaço para melhorias.
“O país tem um papel importante na pesquisa e no tratamento da endometriose. Já conseguimos reduzir o tempo entre os primeiros sintomas e o diagnóstico, mas ainda precisamos ampliar o acesso à informação para pacientes e médicos”, destaca.
Uma das estratégias sugeridas é a criação de centros de referência dedicados ao diagnóstico e tratamento da doença, semelhante ao que já acontece em áreas como a oncologia.
“A endometriose é uma doença complexa e muitas vezes exige tratamento cirúrgico especializado. A primeira cirurgia é a mais importante e deve ser feita com o máximo de cuidado para evitar procedimentos incompletos ou repetidos”, explica.
Para os especialistas, ouvir com atenção as queixas das pacientes e ampliar o acesso a exames e profissionais especializados são passos fundamentais para que menos mulheres convivam durante anos com dor antes de receber o diagnóstico correto.
Ao contrário do que se pensa, a obesidade não está ligada apenas a doenças metabólicas e cardiovasculares — ela também pode criar um ambiente propício para o desenvolvimento de câncer.
Um novo estudo identificou um mecanismo biológico que ajuda a explicar essa relação: o crescimento anormal de células em tecidos do corpo, processo que pode abrir caminho para tumores.
A pesquisa foi publicada na última terça-feira (24/3) na revista científica American Association for Cancer Research. Os cientistas analisaram como o excesso de gordura corporal influencia diretamente o comportamento das células, especialmente em tecidos que passam por renovação constante.
Crescimento celular desregulado
Os pesquisadores observaram que a obesidade pode levar a um processo chamado hiperplasia — quando há aumento no número de células em um tecido. Esse crescimento, embora nem sempre seja cancerígeno por si só, cria um cenário mais favorável para o surgimento de alterações malignas.
Na prática, isso acontece porque o organismo, sob influência do excesso de nutrientes e de sinais inflamatórios, estimula a multiplicação celular de forma contínua. Esse ambiente aumenta as chances de erros durante a divisão das células, o que pode desencadear mutações associadas ao câncer.
Outro ponto importante destacado pelo estudo é o papel da inflamação crônica. Pessoas com obesidade frequentemente apresentam níveis elevados de inflamação no corpo, mesmo sem infecções aparentes. Esse estado inflamatório interfere no funcionamento normal dos tecidos e pode contribuir para:
Desequilíbrio nos sinais que controlam o crescimento celular;
Maior resistência à morte natural das células (apoptose);
Alterações no microambiente dos tecidos.
Com isso, o corpo passa a favorecer a sobrevivência de células que deveriam ser eliminadas — um dos passos importantes para o desenvolvimento de tumores.
Mais do que uma associação estatística, os pesquisadores mostram um possível caminho biológico que liga o excesso de peso ao câncer: a hiperplasia funcionando como uma ponte entre o acúmulo de gordura e o crescimento tumoral.
Entender esse mecanismo ajuda a reforçar a importância da prevenção. Controlar o peso corporal não é apenas uma questão estética — é uma estratégia concreta para reduzir riscos à saúde.
Embora o estudo aprofunde o entendimento sobre a relação entre obesidade e câncer, os autores destacam que a doença é multifatorial. Ou seja, diversos fatores — genéticos, ambientais e comportamentais — também influenciam o risco individual.
Em resumo, a obesidade não apenas aumenta o risco de câncer, mas pode alterar diretamente o funcionamento das células, criando condições favoráveis para o surgimento da doença.
A NASA anunciou novas iniciativas para levar humanos de volta à Lua e estabelecer uma presença permanente no satélite natural da Terra. O plano, alinhado à política espacial dos Estados Unidos, envolve não apenas missões tripuladas, mas também a construção de infraestrutura e o avanço de pesquisas em um ambiente ainda pouco compreendido — o que levanta preocupações sobre riscos à saúde e à segurança dos astronautas.
“A NASA está empenhada em alcançar o quase impossível mais uma vez: retornar à Lua antes do fim do mandato do presidente Trump, construir uma base lunar, estabelecer uma presença permanente e fazer tudo o que for necessário para garantir a liderança americana no espaço”, disse o administrador da NASA, Jared Isaacman, em um comunicado.
Mas, há cientistas que encararam o comunicado de forma diferente. “Os astronautas serão, sem dúvida, participantes de testes”, afirmou o bioeticista da Universidade da Pensilvânia, Ezekiel Emanuel, em análise publicada pela Live Science.
O que a NASA pretende fazer na Lua
Segundo o comunicado oficial da NASA, o objetivo vai além de simplesmente pousar novamente na superfície lunar. A proposta inclui o desenvolvimento de tecnologias para sustentar a vida fora da Terra, a criação de uma base lunar e a preparação para missões futuras a Marte.
Na prática, isso significa que astronautas passarão mais tempo em um ambiente extremo, com condições muito diferentes das encontradas na Terra. A Lua apresenta desafios significativos.
Não há atmosfera protetora, o que expõe os astronautas a altos níveis de radiação. Além disso, a gravidade é cerca de seis vezes menor que a da Terra, o que pode causar efeitos no corpo humano ainda não totalmente compreendidos.
Como as missões de longa duração ainda são limitadas, muitos desses impactos seguem em estudo — o que faz com que cada viagem também funcione como uma etapa de pesquisa.
Para o especialista em saúde e professor de fisiologia e genômica na Weill Cornell Medicine, Christopher Mason “O espaço profundo é um ambiente muito diferente de tudo o que conhecemos na Terra”, afirmou também à Live Science.
Principais riscos das missões à Lua
Exposição à radiação espacial sem proteção natural;
Gravidade reduzida, com impacto em ossos e músculos;
Poeira lunar tóxica e abrasiva;
Temperaturas extremas e instáveis;
Isolamento prolongado e efeitos psicológicos.
A nova estratégia da NASA não é apenas científica, mas também política e estratégica. O plano busca consolidar a presença dos Estados Unidos no espaço em um cenário de crescente competição internacional.
Ao mesmo tempo, a iniciativa levanta um debate relevante: até que ponto é aceitável expor seres humanos a riscos elevados em nome do avanço científico.
A exploração da Lua representa um passo importante para o futuro das missões espaciais. No entanto, o sucesso do programa dependerá da capacidade de equilibrar inovação com segurança, monitoramento constante da saúde dos astronautas e desenvolvimento de tecnologias mais seguras.
O retorno à Lua pode abrir caminho para novas descobertas — mas também exigirá decisões cuidadosas sobre os limites da presença humana fora da Terra.
O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), foi aplaudido pelos integrantes do colegiado nesta sexta-feira (27/3). O parlamentar apresentará o relatório final após o Supremo Tribunal Federal (STF) barrar a prorrogação dos trabalhos do grupo.
Os parlamentares se colocam contra a decisão da Corte e criticaram as falas do ministro Gilmar Mendes, que apontou que o vazamento de mensagens do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi “criminoso” e “abominável”.
O deputado Luiz Lima (Novo-RJ) parabenizou Viana e o relator Alfredo Gaspar (União-AL) pela condução dos trabalhos.
“Eu nunca me senti tão útil como deputado como eu me senti útil fazendo parte da CMPI. Obrigado pela oportunidade”, disse o parlamentar.
“Essa CPMI recebeu personagens que fizeram parte do roubo dos aposentados. Operadores financeiros, recebedores de propinas e sindicatos de fachada”, acrescentou o parlamentar.
Depois da fala, Viana e Gaspar foram aplaudidos de pé e se abraçaram na comissão.
O presidente do colegiado afirmou que fará a leitura integral do documento nesta sexta-feira e, depois disso, os parlamentares irão votar o documento. Ele disse que irá procurar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-PP) para tentar a prorrogação dos trabalhos.
“O ideal, eu volto a dizer, é que nós tenhamos um relatório aprovado. E aí eu vou buscar com o presidente (Davi Alcolumbre) o equilíbrio e o diálogo com o interesse na investigação. Vamos fazer isso no relatório. Vamos fazer isso no relatório. Se for possível bem. Se não for possível, vamos para o voto”, declarou Viana.
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), disse que houve uma tentativa de “boicotar” os trabalhos do grupo.
“Apesar de todas as tentativas de tentar boicotar o trabalho dessa comissão, vossa excelência (Viana) tem sido firme. Não há acordo quanto aos destaques no relatório. Ou votamos o relatório da maneira que está colocado — ou o governo está blindando de forma deliberada roubar os aposentados do INSS”, disse.
O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), deflagrou, nesta sexta-feira (27), a Operação Leito de Procusto com o objetivo de apurar a existência de um suposto esquema criminoso envolvendo a realização de cirurgias ortopédicas custeadas pelo Estado a partir de decisões judiciais.
A investigação aponta indícios de superfaturamento de cerca de R$ 10 milhões por parte de advogados, profissionais da saúde e empresas, além de possíveis irregularidades no fornecimento de órteses, próteses e materiais cirúrgicos.
De acordo com o MP-AL, nesta primeira fase da operação, estão sendo cumpridos três mandados de busca e apreensão em unidades hospitalares localizadas nas partes alta e baixa de Maceió, onde parte dos procedimentos foi realizada de 2023 até agora. As diligências têm como finalidade a coleta de documentos, prontuários médicos e registros administrativos que possam comprovar irregularidades em procedimentos já pagos com recursos públicos, além de subsidiar o aprofundamento das investigações.
As apurações tiveram início há cerca de um ano, após provocação da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que identificou um aumento significativo e atípico nos valores relacionados a demandas judiciais para realização de cirurgias ortopédicas. A partir dessa constatação, o Ministério Público passou a investigar a regularidade dos procedimentos, dos custos apresentados e dos materiais efetivamente utilizados.
De acordo com os elementos já reunidos, cerca de 50 prontuários médicos estão sob análise. Os procedimentos envolvem, principalmente, cirurgias de tornozelo, joelho e coluna, com fornecimento de órteses e próteses adquiridas por força de decisões judiciais.
O suposto esquema
Os primeiros núcleos investigados são formados, em tese, por advogados, médicos cirurgiões ortopédicos e anestesistas. A suspeita é de que esses grupos tenha participado de um esquema que pode ter gerado um superfaturamento estimado em aproximadamente R$ 10 milhões.
De acordo com os elementos já levantados, o suposto esquema funcionaria a partir da atuação desses advogados, que identificavam pacientes com necessidade de procedimentos cirúrgicos e ingressavam com ações judiciais para garantir o custeio pelo Estado. Após o deferimento das demandas, o poder público era obrigado a arcar com as cirurgias. O ponto central sob investigação é que há indícios de que os valores apresentados nesses processos seriam significativamente superiores aos praticados no mercado e que os custos de órteses e próteses eram inflados, resultando em cobranças muito acima do valor real dos procedimentos.
Vítimas ouvidas
Durante o curso das investigações, o GAECO já colheu depoimentos de pacientes submetidos a alguns dos procedimentos investigados. Alguns confirmaram a realização das cirurgias, enquanto outros relataram resultados insatisfatórios, incluindo casos em que os procedimentos não tiveram êxito e sequer foram refeitos. Há, inclusive, relatos de vítimas que permaneceram com sequelas, o que amplia a gravidade dos fatos apurados, por envolver não apenas possível prejuízo ao erário, mas também impactos diretos na saúde e na qualidade de vida dessas pessoas.
Além das diligências já realizadas, outras medidas investigativas seguem em execução, com o objetivo de robustecer o conjunto probatório.
Três anos de cirurgias sob suspeita
As investigações indicam que tal prática pode estar ocorrendo há pelo menos três anos, revelando a possível existência de uma estrutura organizada que envolveria profissionais da saúde, unidades hospitalares e empresas fornecedoras, formando uma teia articulada para obtenção de vantagens indevidas.
Significado de Leito de Procusto
Assim como na mitologia grega, em que o personagem Procusto submetia suas vítimas a um leito que não respeitava suas características, moldando-as à força a um padrão arbitrário, o esquema investigado pelo MPAL teria transformado a necessidade real de pacientes em um modelo distorcido de atendimento.
Em vez de a medicina se adaptar às necessidades do paciente, seriam os pacientes que, na prática, acabavam inseridos em um “leito” previamente ajustado a interesses econômicos, com procedimentos potencialmente superfaturados, uso de materiais de qualidade inferior e resultados, em alguns casos, insatisfatórios ou até danosos.
“O Ministério Público reforça que as medidas adotadas nesta fase têm caráter investigativo e que a apuração seguirá de forma rigorosa, com o objetivo de identificar todos os envolvidos, delimitar responsabilidades e assegurar a correta aplicação dos recursos públicos, especialmente em uma área sensível como a saúde”, explicou o coordenador do GAECO, Napoleão Amaral.
“Outras frentes investigativas também estão em andamento, diante da possibilidade de existência de novos núcleos envolvidos”, acrescentou o promotor de Justiça Jorge Bezerra, também integrante do GAECO.
O GAECO
O GAECO é o núcleo especializado do Ministério Público voltado ao enfrentamento de organizações criminosas, atuando de forma estratégica, integrada e com técnicas investigativas avançadas para desarticular esquemas complexos que causam prejuízos à administração pública e à sociedade. Em Alagoas, o grupo é composto pelos promotores de Justiça Napoleão Amaral, Hamílton Carneiro, Jorge Bezerra, Elísio Maia e Ilda Regina e Martha Bueno.
A reportagem não conseguiu contato com os envolvidos citados na matéria, e o espaço segue aberto para posicionamento.
Diante de um novo impasse e da incerteza envolvendo as negociações entre Estados Unidos e Irã em torno de um possível cessar-fogo no Oriente Médio, os preços internacionais do petróleo voltaram a registrar forte alta na manhã desta sexta-feira (27/3).
O que aconteceu
Por volta das 9h50 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para maio do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) avançava 2,53% e era negociado a US$ 96,87.
No mesmo horário, o contrato futuro para junho do petróleo do tipo Brent (referência para o mercado internacional) subia 2,25%, superando a marca dos US$ 100 (US$ 104,18).
Mais cedo, os preços do petróleo chegaram a avançar ainda mais, com o barril do WTI cravando US$ 96,94 (alta de 2,65%) e o Brent cotado a US$ 111,05 (+2,81%).
Na véspera, o petróleo do tipo WTI fechou em alta de 4,61%, a US$ 94,48 o barril, enquanto o Brent também subiu 4,61%, a US$ 101,89.
Horas antes da decisão, em reunião de gabinete, Trump adotou um tom menos confiante do que em dias anteriores. “Não sei se seremos capazes de fazer isso. Não sei se estamos dispostos a fazer isso”, afirmou, ao comentar a possibilidade de um acordo de paz.
Ainda assim, voltou a pressionar Teerã: “Eles estão implorando para chegar a um acordo”. Inclusive, ao ampliar a trégua, o presidente norte-americano indicou que a decisão atende a um pedido do governo iraniano.
“Desde o início desta guerra, soldados americanos fugiram de bases militares nos países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) para se esconderem em hotéis e escritórios. Eles usam cidadãos dos países do CCG como escudos humanos”, afirmou em publicação no X nessa quinta-feira (26/3).
Ele sugeriu que os hotéis desses países não deveriam aceitar fazer reservas para militares. “Hotéis nos EUA negam reservas a oficiais que possam colocar os clientes em perigo. Os hotéis dos países do CCG deveriam fazer o mesmo”, disse. O Irã tem respondido aos ataques dos EUA e de Israel com ofensivas a bases militares norte-americanas em países do Golfo Pérsico.
“Segundo minhas informações, houve contatos indiretos e preparativos foram feitos para um encontro direto. Aparentemente, isso ocorrerá muito em breve no Paquistão”, afirmou à Rádio Deutschlandfunk.
Três adolescentes de 13, 14 e 15 anos foram apreendidos por policiais civis da Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (Deaai), nessa quinta-feira (26/03), por ato infracional análogo ao crime de estupro coletivo de vulnerável. A vítima é uma adolescente de 13 anos.
Conforme investigado, a agressão sexual ocorreu no dia 3 de março deste ano, no bairro Jorge Teixeira, zona leste de Manaus.
Segundo o delegado Luiz Rocha, a vítima relatou que, no dia do crime, se dirigiu até a casa de um dos suspeitos, de 14 anos, que é seu vizinho, para beber água.
“No momento em que ela entrou na casa, ele a trancou e cometeu o ato infracional. Em seguida, chegaram os outros dois autores, amigos dele, de 13 e 15 anos, que também obrigaram a vítima a manter relação sexual com eles. A vítima também relatou agressões físicas durante o ato”, detalhou o delegado.
Ainda segundo a autoridade policial, todo o ato infracional foi filmado pelos autores e, posteriormente, divulgado em redes sociais.
“Logo após a denúncia, realizamos diligências e conseguimos identificar os autores. Representei à Justiça pelos mandados de busca e apreensão cumulados com internação provisória dos três envolvidos, sendo estes decretados pelo Poder Judiciário”, relatou.
Os adolescentes foram apreendidos nessa quinta (26). Eles passarão por audiência junto ao Ministério Público do Amazonas (MPAM) e serão encaminhados à Unidade de Internação Provisória (UIP), onde ficarão à disposição do Juizado da Infância e Juventude Infracional do Tribunal de Justiça do Amazonas (Jiji/TJAM).
“Os picos de glicose são mais perigosos do que muitas pessoas imaginam”, destaca o endocrinologista Nemer Finotelo, de Florianópolis (SC). Segundo o médico, a hiperglicemia não se trata apenas de “açúcar alto” na corrente sanguínea em um momento isolado, mas de um padrão que, quando se repete, favorece inflamação, aumento da fome, maior acúmulo de gordura abdominal e piora progressiva do metabolismo, além de prejudicar determinados órgãos, como o pâncreas.
O metabologista explica que os picos de glicêmicos, quando persistentes, sobrecarregam o pâncreas: “Inicialmente, o órgão tenta compensar produzindo mais insulina para controlar a glicose no sangue”. O médico expert em saúde hormonal complementa: “O problema é que essa exigência constante pode desgastar as células beta-pancreáticas, que são justamente as responsáveis por essa síntese.”
“A glucotoxicidade gera três efeitos principais, sendo a hiperestimulação das células beta, exaustão pancreática e inflamação das ilhotas pancreáticas [células endócrinas no órgão]”, menciona o especialista, que atende em Balneário Camboriú (SC). Conforme o especialista, os picos de glicose provocam um fluxo que afeta o funcionamento da glândula.
Quando os picos de glicose são persistentes, o pâncreas tende a ficar sobrecarregado
O relatório final da CPMI do INSS foi concluído na madrugada de ontem e está pronto para ser lido na sessão desta sexta-feira (27). O documento tem 4.400 páginas e pede o indiciamento de 218 pessoas.
O comando da CPMI do INSS, liderado pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG) e pelo relator Alfredo Gaspar (PL-AL), pretende votar o relatório ainda nesta sexta. A base do governo pretende obstruir. É possível que a votação fique para sábado (28). Mesmo assim, não há garantia de aprovação.
Enquanto isso, a base governista na CPMI, que hoje tem maioria no colegiado, preparou um relatório alternativo. A peça enfatiza a atuação de nomes do governo Bolsonaro no escândalo da Farra do INSS.
O consumo de energético se tornou comum entre jovens e adultos que buscam mais disposição para estudar, trabalhar ou sair à noite. No entanto, especialistas alertam que ingerir esse tipo de bebida todos os dias pode trazer riscos ao sistema cardiovascular, especialmente quando o consumo é frequente ou em grandes quantidades.
De acordo com a cardiologista Déborah Fernandes, que atende na Clínica Maxicor, o principal problema está no efeito estimulante dessas bebidas no organismo. “Os energéticos podem aumentar a pressão arterial, acelerar os batimentos cardíacos e sobrecarregar o sistema cardiovascular. Em longo prazo, isso pode elevar o risco de complicações, principalmente em pessoas mais sensíveis”, explica.
Déborah Fernandes reforça que o risco aumenta justamente pela combinação desses ingredientes.
“O energético não é uma bebida inocente. Ele pode ser um gatilho para alterações cardiovasculares importantes, especialmente quando usado de forma frequente ou sem orientação”, afirma.
Quantidade de cafeína pode ser alta
O cardiologista Felix Ramires, do Hospital Samaritano Paulista, explica que uma única lata de energético pode conter uma dose significativa de cafeína.
“Uma latinha pode equivaler a cerca de quatro cafés expressos. Se a pessoa consome duas latas em pouco tempo, é como ingerir oito cafés em um intervalo curto”, afirma.
Essa carga estimulante aumenta o chamado tônus adrenérgico do organismo, mecanismo ligado à liberação de adrenalina, que acelera os batimentos cardíacos e eleva a pressão arterial.
Energético pode causar arritmia?
Sim. Em algumas pessoas, o consumo frequente de energético pode provocar palpitações ou até desencadear arritmias.
Especialistas reforçam que o consumo ocasional pode ser tolerado por adultos saudáveis, mas o uso diário e sem controle aumenta os riscos para o coração.
Responsáveis por filtrar toxinas do sangue, regular a pressão arterial e controlar o balanço de líquidos no corpo, os rins são órgãos essenciais para o equilíbrio do organismo. Por conta disso, é preciso estar atento aos diversos hábitos do dia a dia, os quais podem prejudicar o funcionamento desses órgãos.
Segundo a nefrologista Daphnne Camaroske Lopes, da clínica Fenix Nefrologia, o problema é que os danos costumam se desenvolver de forma silenciosa. “Os rins são órgãos silenciosos, e por isso muitos hábitos prejudiciais passam despercebidos por anos. O problema não está em um único hábito isolado, mas na repetição diária de pequenas agressões que, ao longo do tempo, podem levar à perda progressiva da função renal”, explica.
A seguir, especialistas apontam cinco comportamentos comuns que podem prejudicar a saúde dos rins.
De acordo com o urologista Douglas de Pádua Rodrigues, do Hospital Mater Dei Goiânia, isso pode favorecer problemas urinários e renais. “A baixa ingestão hídrica reduz o volume urinário e aumenta a concentração de substâncias na urina, o que favorece a formação de cálculos renais e infecções”, diz.
Além disso, a urina mais concentrada também pode facilitar o acúmulo de minerais, aumentando o risco de pedras nos rins.
Segundo Daphnne Camaroske Lopes, alimentos ultraprocessados costumam concentrar grandes quantidades de sódio e aditivos químicos. “Esses produtos podem sobrecarregar os rins de forma contínua e, com o tempo, contribuir para alterações na função renal”, afirma.
A nefrologista explica que medicamentos como anti-inflamatórios podem reduzir o fluxo de sangue que chega aos rins, prejudicando a capacidade de filtração. Mesmo em pessoas saudáveis, o uso frequente e sem orientação pode causar lesão renal aguda ou contribuir para perda de função ao longo do tempo.
4. Dietas com excesso de proteína
Dietas hiperproteicas, comuns em programas de emagrecimento ou ganho de massa muscular, também exigem atenção.
Segundo Douglas, o excesso de proteína pode aumentar a carga de trabalho dos rins. “Esse tipo de alimentação eleva a taxa de filtração renal. Em pessoas saudáveis, geralmente é tolerado, mas em indivíduos com predisposição ou doença renal pode acelerar a perda de função”, explica.
Por isso, o especialista recomenda avaliação médica antes de iniciar dietas muito restritivas ou com alto teor de proteínas.
5. Ignorar sinais do corpo
Um dos maiores desafios no diagnóstico de problemas renais é que os sintomas costumam surgir apenas em fases mais avançadas da doença.
O urologista Rodrigo Arbex Chaves, do Hospital Mantevida, diz que alguns sinais podem indicar alterações nos rins. “Inchaço nas pernas ou no rosto ao acordar, pressão alta, diminuição do volume de urina, dor nas costas e presença de sangue na urina são sinais de alerta importantes”, explica.
Exames simples ajudam na prevenção
Mesmo sem sintomas, especialistas recomendam acompanhamento médico e exames de rotina para avaliar a saúde renal.
Daphnne Lopes ressalta que exames simples podem identificar alterações precocemente. “A dosagem de creatinina no sangue e a análise de proteína na urina são fundamentais para detectar problemas renais ainda no início. O ideal é realizar esses exames pelo menos uma vez por ano”, orienta.
O cuidado com a hidratação, a alimentação equilibrada e o uso responsável de medicamentos são medidas importantes para preservar a saúde renal e evitar complicações futuras.
Ficar 12 horas sem comer, algo que pode acontecer naturalmente entre o jantar e o café da manhã, é um hábito simples para a maioria das pessoas e que melhora a saúde metabólica. Diferente de protocolos mais restritivos, o chamado jejum de 12 horas é considerado mais fácil de manter e pode trazer benefícios quando incorporado à rotina.
A proposta é organizar a alimentação dentro de uma janela de aproximadamente 12 horas e permitir que o corpo passe o restante do tempo em um estado de descanso digestivo. Por exemplo, jantar às 19h e voltar a comer às 7h do dia seguinte.
Estudos recentes publicados em periódicos, como Cell Metabolism, mostram que o intervalo alimentar pode influenciar o metabolismo independentemente da quantidade de calorias consumidas.
Pesquisas sobre alimentação com tempo restrito indicam melhora na sensibilidade à insulina, controle glicêmico e até no peso corporal em alguns grupos.
Os benefícios
Um dos mecanismos por trás desse efeito está na chamada “flexibilidade metabólica”, a capacidade do corpo de alternar entre usar glicose e gordura como fonte de energia. Durante o período de jejum, há maior mobilização de gordura e redução dos níveis de insulina, hormônio ligado ao armazenamento energético.
Outro ponto importante é o alinhamento com o ritmo circadiano. Comer em horários mais organizados e evitar ingestão alimentar muito tarde da noite pode favorecer a regulação hormonal e melhorar a qualidade do sono. Isso porque processos metabólicos e digestivos seguem um relógio biológico que tende a funcionar melhor durante o dia.
Além disso, o jejum de 12 horas pode contribuir para a saúde digestiva. Dar intervalos maiores entre as refeições permite que o sistema gastrointestinal complete processos como o “complexo motor migratório”, responsável por limpar resíduos e reduzir a fermentação intestinal — fator que pode impactar sintomas como estufamento.
Contraindicação
Por ser menos restritiva, a conduta também costuma ser mais sustentável. Diferente de jejuns prolongados, ele pode ser incorporado sem grandes mudanças na rotina e sem comprometer a ingestão adequada de nutrientes.
No entanto, a estratégia não é indicada para todos. Gestantes, pessoas com histórico de transtornos alimentares, baixo peso ou necessidades específicas devem ter acompanhamento profissional antes de adotar qualquer tipo de jejum.
Na prática, o jejum de 12 horas não é uma solução isolada, mas pode ser um ponto de partida interessante dentro de um estilo de vida equilibrado, especialmente quando combinado com alimentação de qualidade, atividade física e bons hábitos de sono.
A Seleção Brasileira está escalada para o amistoso contra a França.Carlo Ancelotti apostou em Léo Pereira e Bremer na zaga, no lugar de Gabriel Magalhães, e quatro atacantes. O italiano optou por testar muitos dos convocados para a partida, de olho na lista final para a Copa do Mundo. O jogo também marcará a estreia da camisa 2.
Assim, o comandante da Amarelinha escolheu ir a campo com: Éderson; Wesley, Bremer, Léo Pereira e Douglas Santos; Casemiro, Andrey Santos, Raphinha, Matheus Cunha, Vini Jr. e Gabriel Martinelli.
Vale lembrar que a Amarelinha ainda enfrenta a Croácia na próxima terça-feira (31/3), em Orlando, nos Estados Unidos. A convocação de Ancelotti, marcada para o dia 18 de maio, será a lista final para a Copa do Mundo. O Brasil disputará outras duas partidas antes do Mundial: contra o Panamá, no Maracanã, e contra o Egito.
A Canarinho está no Grupo C do Mundial, ao lado de Marrocos, Escócia e Haiti. A estreia está marcada para o dia 13 de junho, às 19h, no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey.
Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, questiona as orientações tradicionais da Organização Mundial da Saúde (OMS) ao indicar que a ejaculação mais frequente pode melhorar a qualidade do esperma e, potencialmente, aumentar as chances de fertilização. As conclusões foram descritas em um artigo publicado nesta quarta-feira (25) na revista Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences.
Atualmente, a OMS recomenda entre dois e sete dias de abstinência antes da coleta de sêmen para exames ou procedimentos de reprodução assistida. Segundo a autoridade de saúde, esse intervalo maximizaria a contagem de espermatozoides. No entanto, a nova pesquisa sugere que tal janela pode ser excessiva quando o objetivo é priorizar a qualidade do esperma, e não apenas a sua quantidade.
Para chegar aos seus resultados, o grupo analisou dados de 115 estudos com 54.889 homens, além de 56 pesquisas envolvendo 30 espécies animais. Assim, verificou-se um padrão consistente: o esperma armazenado no organismo tende a se deteriorar com o tempo, em um fenômeno conhecido como senescência espermática pós-meiótica. Isso está associado a danos ao DNA, aumento do estresse oxidativo e redução da motilidade e viabilidade dos espermatozoides.
"Como os espermatozoides são altamente móveis e possuem pouco citoplasma, eles esgotam rapidamente suas reservas de energia e têm capacidade limitada de reparo”, explica Rebecca Dean, pesquisadora da Universidade de Oxford e coautora do artigo, em comunicado à imprensa. “Nosso estudo destaca como a ejaculação regular pode proporcionar um pequeno, porém significativo, aumento na fertilidade masculina.”
Os dados analisados reforçam que períodos prolongados sem ejaculação tendem a agravar esses efeitos. “Nos homens, os efeitos negativos que encontramos sobre os danos ao DNA dos espermatozoides e os danos oxidativos foram consideráveis. Então, estamos confiantes de que este é um efeito biologicamente significativo e importante”, destaca Krish Sanghvi, principal autor do estudo, em entrevista ao jornal The Guardian.
Qualidade versus quantidade
Historicamente, as diretrizes médicas priorizaram a concentração de espermatozoides nas amostras, o que favorece períodos mais longos de abstinência. No entanto, essa lógica pode não refletir o cenário mais relevante para a fertilização.
“Se a quantidade de espermatozoides for o único fator relevante, então a abstinência sexual não é necessariamente algo ruim”, afirma Sanghvi. “Mas, geralmente, o sucesso da fertilização é determinado não apenas pela quantidade, mas também pela qualidade deles.”
Essa distinção ganha importância especialmente em técnicas como a fertilização in vitro (FIV), nas quais a integridade genética e a motilidade dos espermatozoides desempenham papel central. Evidências recentes indicam que a coleta de sêmen após menos de 48 horas de abstinência pode melhorar significativamente os resultados desses procedimentos.
Um ensaio clínico, cujos resultados foram antecipados em um pré-print publicado em dezembro de 2025 na revista The Lancet, reforça essa hipótese ao indicar que, entre 453 casais submetidos à FIV, a taxa de gravidez foi de 46% quando os homens se abstiveram por menos de dois dias, contra 36% entre aqueles que seguiram o intervalo tradicional de dois a sete dias.
Implicações evolutivas
O estudo também amplia a compreensão sobre como o armazenamento de espermatozoides varia entre os sexos. Em diversas espécies, as fêmeas apresentam maior capacidade de preservar a viabilidade espermática ao longo do tempo, graças a adaptações evolutivas específicas.
“Isso provavelmente reflete a evolução de adaptações específicas do sexo feminino, como órgãos de armazenamento especializados que fornecem antioxidantes”, aponta a pesquisadora Irem Sepil, também no comunicado. Esses mecanismos podem, inclusive, inspirar avanços tecnológicos no armazenamento artificial de sêmen.
Já nos machos, o acúmulo prolongado de espermatozoides tende a resultar em uma população celular mais envelhecida e suscetível a danos. “Os ejaculados devem ser vistos como populações de espermatozoides individuais que passam por nascimento, morte, envelhecimento e mortalidade seletiva”, avalia Sanghvi.
Impacto clínico
Embora o estudo não proponha uma mudança imediata e universal nas diretrizes, ele levanta questionamentos relevantes para a prática médica. Os especialistas sugerem que médicos e pacientes reconsiderem a ideia de que a abstinência prolongada é sempre benéfica.
Para casais tentando engravidar naturalmente, um equilíbrio continua sendo necessário: intervalos muito curtos podem reduzir a contagem espermática, enquanto períodos longos podem comprometer a qualidade. Já em contextos clínicos, especialmente na reprodução assistida, a tendência é valorizar cada vez mais amostras de esperma coletadas mais recentemente.
Como resume Sanghvi: “A abstinência prolongada nem sempre é benéfica e é preciso encontrar um equilíbrio entre quantidade e qualidade”. As descobertas também podem influenciar não apenas a medicina reprodutiva humana, mas programas de conservação de espécies ameaçadas, ao oferecer novas estratégias para otimizar o uso de material genético.
O câncer de intestino está entre os tumores mais frequentes no mundo e tem chamado a atenção de especialistas pelo aumento de diagnósticos em pessoas mais jovens. A doença, também conhecida como câncer colorretal, está associada a diversos fatores, entre eles hábitos de vida, alimentação e condições metabólicas.
Apesar da alta incidência, um dos principais desafios no combate ao câncer de intestino é que ele pode evoluir por muito tempo sem provocar sinais claros. Isso faz com que muitos casos sejam descobertos apenas em fases mais avançadas da doença.
“Ele é silencioso. Nas fases mais avançadas, surgem os sintomas alteração do ritmo intestinal, mudança no padrão das evacuações, afilamento das fezes, presença de muco ou sangue nas fezes, anemia sem causa definida, perda de peso sem explicação e dores abdominais recorrentes”, explica a coloproctologista Geanna Resende, do Instituto Órion do Aparelho Digestivo.
Esses sinais podem ser confundidos com outros problemas gastrointestinais, o que reforça a importância de procurar avaliação médica sempre que houver mudanças persistentes no funcionamento do intestino.
Sintomas do câncer de intestino
O câncer colorretal não apresenta sintomas em seu estágio inicial e, quando os sinais começam a surgir, em geral são inespecíficos.
Quando o tumor causa sintomas, muitas vezes, já está em uma fase mais avançada.
Os sintomas mais comuns incluem alteração do ritmo intestinal, presença de sangue nas fezes, cólicas ou desconforto abdominal, sensação de empachamento, perda de peso e anemia.
Rastreamento é fundamental
A prevenção e o diagnóstico precoce são considerados as estratégias mais eficazes para reduzir a mortalidade associada à doença. Isso porque a maioria dos cânceres de intestino se desenvolve lentamente, a partir de pólipos, que são tumores inicialmente benignos.
Com o passar dos anos, essas lesões podem sofrer alterações celulares e se transformar em tumores malignos.
Nesse cenário, a colonoscopia desempenha um papel essencial, pois permite identificar e retirar esses pólipos antes que evoluam para câncer.
“Caso você não apresente nenhum sintoma e não tenha histórico familiar de câncer ou pólipos intestinais, o consenso é iniciar o rastreamento por meio da colonoscopia aos 45 anos, independentemente do sexo. Quando há casos na família, o exame pode precisar ser feito mais cedo”, explica Geanna Resende.
Como reduzir o risco da doença?
Obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada, consumo excessivo de álcool e tabagismo estão entre os principais fatores associados à doença. Por isso, além do rastreamento, mudanças no estilo de vida são importantes para reduzir o risco de desenvolvimento do câncer de intestino.
Adotar uma alimentação rica em fibras, manter uma rotina de atividade física, evitar o cigarro e reduzir o consumo de bebidas alcoólicas são medidas que ajudam a proteger a saúde intestinal.
A oncologista Daiana Ferraz, da Cetus Oncologia, destaca que a combinação entre prevenção e atenção aos sintomas pode fazer diferença no prognóstico da doença.
“É fundamental realizar exames de rastreamento, como a colonoscopia, especialmente a partir dos 45 anos ou antes quando há histórico familiar. Também é importante ficar atento a qualquer sinal suspeito e procurar avaliação médica. O diagnóstico precoce e a prevenção podem salvar vidas”, finaliza.
Ao analisar o fêmur de um macaco primitivo encontrado na Bulgária, pesquisadores revelaram que o animal de 7 milhões de anos pode ter sido o primeiro ancestral primordial dos humanos. A afirmativa tem relação com as evidências achadas nas investigações. Todas elas apontam que o macaco tem características ligadas ao andar bípede – semelhante ao nosso atual.
Conforme a pesquisa relata, o osso pertencia a uma fêmea da espécie Graecopithecus freybergi, com peso estimado em aproximadamente 24 kg.
Apesar dos especialistas afirmarem que os primeiros humanos surgiram na África e que o andar bípede começou há cerca de seis milhões de anos, o novo estudo vai de encontro com a teoria.
“Com 7,2 milhões de anos, esse ancestral, que classificamos como pertencente ao gênero Graecopithecus, pode ser o humano mais antigo conhecido”, afirma o coautor do estudo, David Begun, em comunicado.
O trabalho liderado pelo Museu Nacional de História Natural, na Bulgária, em parceria com outras instituições internacionais, foi publicado na revista Paleobiodiversity & Paleoenvironments no início de março.
Evidências mostram macaco com andar bípede
O fêmur da primata foi achado no sítio arqueológico de Azmaka. A macaca adulta tinha tamanho semelhante a um chimpanzé atual pequeno. A análise da morfologia do osso mostra que o colo femoral do animal era mais longo, uma característica facilitadora do movimento da perna e, consequentemente, do bipedalismo.
Alguns pontos dos músculos glúteos também indicavam serem mais voltados para o andar sobre duas pernas. A espessura da camada externa óssea apresentava tensões causadas pela locomoção em pé.
A região onde o osso foi encontrado era uma savana pouca florestada, com muitas pastagens, o que aumenta ainda mais as chances de evolução do andar quadrúpede para o bípede.
“Análises morfológicas qualitativas e quantitativas demonstram que o fêmur de Azmaka combina certos atributos de quadrúpedes e bípedes terrestres, agrupando-se principalmente com bípedes primitivos e parcialmente com grandes símios africanos”, escrevem os autores no artigo.
Por outro lado, também haviam atributos mais ligados a seres quadrúpedes. Segundo os pesquisadores, os macacos andavam sobre dois membros inferiores quando era conveniente, seja para localizar predadores, conseguir alimentos ou carregar os filhotes mais facilmente.
Apesar das descobertas, outros pesquisadores que não participaram do estudo são céticos quanto à conclusão da nova pesquisa. O achado de novos fósseis mostrará qual lado está certo em relação ao ser que foi o primeiro ancestral humano.