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Um medicamento usado para reduzir o colesterol “ruim” (LDL) pode diminuir em até 31% o risco de infarto, AVC e morte cardiovascular em pacientes de alto risco.

A conclusão é de um estudo clínico publicado na revista científica JAMA no sábado (28/3), conduzido por pesquisadores do Mass General Brigham, nos Estados Unidos.

O fármaco avaliado foi o evolocumabe, indicado para reduzir níveis elevados de colesterol e prevenir complicações cardiovasculares. Ele pertence à classe dos inibidores de PCSK9, terapias mais potentes usadas quando o controle com estatinas não é suficiente.

O estudo, chamado VESALIUS-CV, incluiu milhares de pacientes com alto risco cardiovascular — muitos deles com a diabetes e sem histórico prévio de infarto ou AVC. Para o estudo, os participantes foram divididos em dois grupos:

Todos continuaram com o tratamento padrão para colesterol. Após cerca de cinco anos de acompanhamento, os pesquisadores observaram uma redução significativa nos eventos cardiovasculares no grupo tratado.

Na prática, isso se traduziu em uma redução de até 31% no risco de infarto, AVC ou morte por doença cardiovascular entre os pacientes que receberam o evolocumabe, em comparação ao grupo placebo.


Doenças cardiovasculares


Como o medicamento age no corpo

O evolocumabe atua bloqueando a proteína PCSK9, que reduz a capacidade do fígado de eliminar o colesterol LDL do sangue. Com esse bloqueio, o organismo consegue remover mais colesterol da circulação, o que diminui a formação de placas nas artérias — principal causa de infarto e AVC.

Os resultados indicam que reduzir o colesterol de forma mais agressiva, antes do primeiro evento cardíaco, pode salvar vidas. Até então, esse tipo de medicamento era mais utilizado em pacientes que já tinham doença cardiovascular estabelecida.

O estudo amplia esse entendimento ao demonstrar benefício também na chamada prevenção primária — ou seja, antes do primeiro infarto ou AVC — em pessoas com risco elevado, especialmente aquelas com diabetes e outros fatores associados.

Além disso, os dados reforçam que níveis mais baixos de colesterol LDL estão diretamente ligados a menor ocorrência de eventos cardiovasculares, sustentando a estratégia de intensificação do tratamento em perfis selecionados.

Apesar dos resultados positivos, os autores destacam que a indicação deve ser individualizada, levando em conta o risco de cada paciente e o custo da terapia, que ainda é mais elevado do que o tratamento convencional.

Com a proximidade da Páscoa, muitos trabalhadores brasileiros buscam clareza sobre o calendário de folgas de abril de 2026. Embora a Semana Santa seja um dos períodos religiosos mais tradicionais do país, o feriado nacional oficial restringe-se apenas à Sexta-Feira da Paixão, que este ano ocorre em 3 de abril. Dias como a Quinta-Feira Santa e o Sábado de Aleluia dependem de convenções coletivas ou decretos locais para a dispensa do expediente.

Fim de semana de Páscoa: o Sábado de Aleluia e o Domingo de Páscoa são dias úteis normais para quem possui escala de trabalho regular.

Calendário de abril: além da Páscoa, o mês conta com o feriado de Tiradentes (21), que cairá em uma terça-feira, permitindo “enforcamento”.

O artigo 2º da Lei 9.093/95 é claro ao estabelecer a Sexta-Feira Santa como a data magna religiosa. Para os demais dias da semana, a regra é de dia útil. No entanto, é comum que repartições públicas e algumas empresas adotem o ponto facultativo na quinta-feira, o que deve ser consultado individualmente em cada contrato ou acordo de categoria.

O domingo de Páscoa, celebrado em 5 de abril, é uma data comemorativa religiosa e não é classificada legalmente como feriado nacional

Feriados em abril

O mês de abril de 2026 será particularmente generoso com os períodos de descanso. Após o feriado da Paixão de Cristo em uma sexta-feira, o país terá a celebração de Tiradentes em 21 de abril, uma terça-feira.

Existem ainda variações regionais importantes que o trabalhador deve monitorar. No estado do Rio de Janeiro, por exemplo, 23 de abril (quinta-feira) é feriado estadual em homenagem a São Jorge. No Espírito Santo, o feriado de Nossa Senhora da Penha ocorre em 28 de abril, uma terça-feira.

Vale ressaltar que datas como o Dia dos Povos Indígenas (19/4) e o Descobrimento do Brasil (22/4) são consideradas datas comemorativas históricas, mas não preveem a suspensão do expediente de trabalho. Para quem atua em serviços essenciais durante os feriados nacionais de 3 e 21 de abril, a legislação prevê o pagamento de horas extras em dobro ou a compensação com folga posterior.

A obra da Via Sacra localizada na Serra do Goiti segue em ritmo avançado e já se consolida como um dos principais projetos de fortalecimento do turismo religioso em Palmeira dos Índios. Produzida pelo artista plástico Ranilson Viana, a iniciativa foi iniciada ainda na gestão do então prefeito Júlio Cezar e agora entra em fase final.

Com um trabalho minucioso e rico em detalhes, o percurso retrata os últimos momentos de Jesus Cristo até a crucificação no Calvário e forma o Caminho Sagrado da fé. A Via Sacra se integrará a outros importantes pontos religiosos da região, como os santuários do Cristo Redentor e da Mãe do Amparo e ampliará o potencial turístico e espiritual do local.

Nesta nova etapa, a obra foi enriquecida com a incorporação de novos elementos, que já chegaram ao município, e começaram a ser instalados desde a semana passada. As intervenções seguem em andamento e a previsão é de que todo o complexo seja concluído até agosto, mês da Emancipação Política da cidade.

Após a conclusão próxima da obra, a expectativa é de que o espaço se torne um dos principais destinos de peregrinação da região e atraia visitantes durante todo o ano, especialmente em períodos como a Semana Santa.

A prefeita Tia Júlia destacou a importância da obra para o município e para a valorização da fé e da cultura local. “Estamos finalizando um projeto que representa não apenas a religiosidade do nosso povo, mas também um grande impulso para o turismo de Palmeira dos Índios. A Via Sacra da Serra do Goiti será um espaço de reflexão, fé e visitação, fortalecendo a nossa identidade e movimentando a economia local”, afirmou a prefeita.

 

Daqui a quatro anos, em 2030, o governo brasileiro espera ter zerado o desmatamento ilegal no país. Uma meta ambiciosa, mas que mesmo assim pode ser insuficiente para zerar as emissões líquidas de gases do efeito estufa, alvo perseguido para 2050.

Para algumas organizações, não basta parar de desmatar – é necessário também reflorestar áreas desmatadas e degradadas. E não falta espaço para isso: segundo estimativas oficiais, o Brasil tem cerca de 100 milhões de hectares de pastos com algum grau de degradação que poderiam ser recuperados – cerca de 12% do território nacional.

O próprio governo estabeleceu como meta restaurar 12 milhões de hectares até 2030. A promessa surgiu em 2015, durante a Conferência do Clima da ONU em Paris, a COP21, que resultou no Acordo de Paris, e foi reafirmada em 2024 no Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa.

O reflorestamento é importante pois as matas absorvem de 25% a 30% das emissões globais – com mais florestas, mais perto ficamos da emissão líquida zero de gases do efeito estufa, passo necessário para reduzir os eventos climáticos extremos que provocam perda de biodiversidade, crise agrícola e deslocamentos forçados.

Um estudo do Instituto Escolhas, publicado em 2023, estimou que restaurar os 12 milhões de hectares removeria 4,3 bilhões de toneladas de CO2 da atmosfera – equivalente a dois anos do total de emissões de gases do efeito estufa pelo Brasil.

Custo alto, verbas insuficientes

O problema é que restaurar florestas é muito mais caro que protegê-las, e as verbas públicas para essa finalidade são escassas. Segundo o estudo do Instituto Escolhas, restaurar 12 milhões de hectares custaria R$ 228 bilhões, o que equivale ao orçamento federal de 2026 para ações e serviços de saúde.

Sem recursos suficientes, o reflorestamento engatinha. Uma estimativa do Observatório da Restauração e Reflorestamento da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura apontou que cerca de 150 mil hectares haviam sido incorporados em projetos de restauração florestal de 2022 a 2024, menos de 2% da meta nacional.

Governos, organizações civis e setor privado vêm tentando desenvolver modelos de reflorestamento economicamente viáveis, que envolvam, por exemplo, a venda de créditos de carbono, a comercialização de produtos extraídos da mata ou a combinação de restauro florestal com cultivo de árvores para a indústria papeleira.

Articulação de interesses

Uma iniciativa nesse sentido surgiu na cúpula do G20 realizada em novembro de 2024 no Rio de Janeiro, durante a presidência rotativa brasileira. Lá foi lançada a Coalizão Brasil para o Financiamento da Restauração e da Bioeconomia (BRBFC), que busca acelerar o reflorestamento por meio da articulação do poder público com o setor privado.

A ideia subjacente é que reflorestar pode ser uma atividade que gera recursos e empregos, se houver regras e ambiente institucional favoráveis. O estudo do Instituto Escolhas projeta, por exemplo, que restaurar 12 milhões de hectares poderia gerar uma receita de R$ 776,5 bilhões, de fontes variadas como créditos de carbono, venda de madeira e produção de alimentos.

Um dos membros do comitê diretor da BRBFC é Jack Hurd, diretor da agenda do sistema terrestre do Fórum Econômico Mundial e da Aliança para as Florestas Tropicais. Ele afirma à DW que há uma “oportunidade muito grande para restauração florestal no Brasil” e que o país tem “o conhecimento, as ferramentas e a base agrônoma para liderar nesse setor”.

Outra instituição que vem dando prioridade ao tema é o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A agenda de restauração florestal é um dos eixos da estratégia da entidade para o Brasil até 2027, diz à DW Katia Fenyves, especialista em mudança climática e sustentabilidade do BID.

“A redução do desmatamento é uma pauta necessária, mas a restauração também é algo indispensável – temos um cenário de emissões acumuladas historicamente e um contexto de degradação florestal”, afirma Fenyves. “Há uma necessidade de remoção adicional de carbono (da atmosfera), que só é possível com restauração da vegetação.”

Além de capturar carbono, restaurar florestas ajuda na segurança hídrica e na resiliência para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. “A escala é bastante grande e, para o tempo que temos para cumprir as metas, a mobilização do capital privado é fundamental”, diz Fenyves.

Modelos em desenvolvimento

Hurd, do BRBFC, vê três modelos possíveis para restaurar florestas com apoio de capital privado de forma economicamente sustentável. Uma forma é assumir uma área degradada, restaurá-la e depois vender os créditos de carbono das árvores que crescerem, de forma a cobrir os custos da restauração e eventualmente dar algum lucro à empresa ou organização envolvida no projeto.

Isso já vem sendo feito por algumas empresas brasileiras, como a Biomas, a Mercuria e a re.green – esta última foi um dos vencedores do Prêmio Earthshot Prize de 2025, concedido pelo príncipe britânico William.

Alinhado a isso, o governo brasileiro realizará nesta quarta-feira (25/03), na B3, seu primeiro leilão de concessão de uma floresta pública a ser restaurada pela empresa vencedora. Será a Floresta Nacional (Flona) do Bom Futuro, que fica no norte de Rondônia e margeia a Terra Indígena Karitiana.

A Flona tem 98 mil hectares, dos quais 14 mil sofreram desmatamento e deverão ser restaurados – os outros 84 mil deverão ser conservados. A concessão terá como prazo 40 anos, e a empresa vencedora poderá vender os créditos de carbono da atividade e promover o comércio sustentável de produtos da floresta.

Uma experiência semelhante já está em prática em nível estadual no Pará, que concedeu parte da Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu a uma empresa privada para restauração. O contrato foi assinado em julho de 2025, envolve uma área de 10,3 mil hectares e prazo de 40 anos. A empresa vencedora foi a Systemica, que poderá vender os créditos de carbono, e o projeto contou com uma garantia multilateral dada pelo BID.

No entanto, o mercado desses créditos de carbono sofre críticas sobre seus métodos de validação e abrangência e ainda está em consolidação – o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE) foi regulamentado apenas em 2024.

Outra forma de fazer restauração florestal e gerar receitas para sustentar a atividade é, além de vender os créditos de carbono, integrar uma atividade econômica sustentável à área, como plantações de cacau, café ou açaí.

Créditos de carbono para big techs?

Um terceiro modelo citado por Hurd é assumir grandes áreas degradadas, destinar parte delas ao plantio de árvores de rápido retorno comercial, como eucaliptos usados na indústria papeleira, e usar parte do lucro dessa atividade para cobrir o custo da restauração da outra parte da área e vender os créditos de carbono.

Um exemplo dessa abordagem está sendo colocado em prática pelo banco BTG Pactual em parceria com a ONG Conservation International, que busca proteger, restaurar e reflorestar áreas degradadas no Brasil – a iniciativa recebeu em dezembro de 2025 um aporte de R$ 300 milhões do BNDES.

Nesse modelo, metade de áreas degradadas adquiridas no Cerrado é destinada ao plantio de eucaliptos e a outra metade é restaurada, e os créditos de carbono são vendidos no mercado. Em 2024, o BTG Pactual anunciou grandes acordos para vender créditos de carbono à Meta, entregues até 2038, e à Microsoft, entregues até 2043.

Esse esquema é alvo de críticas de alguns ambientalistas, que apontam para os riscos da introdução no Cerrado de espécies exóticas como o eucalipto e a pressão sobre as bacias hidrográficas.

Viabilidade a ser comprovada

Apesar do otimismo com o potencial de o Brasil explorar os diferentes modelos para avançar no reflorestamento, Hurd ressalta que o país precisaria melhorar a segurança jurídica em questões fundiárias e que falta clareza sobre aspectos tributários da atividade.

Fenyves, do BID, também pondera que esses modelos são relativamente novos e que ainda é necessário provar a sua viabilidade. “Há uma percepção de risco relativamente alta para que esses investimentos ocorram para além de uma escala piloto, mas estamos num caminho de consolidação”, afirma.

Mesmo assim, “muitas pessoas estão olhando para o Brasil indicar o caminho adiante”, afirma Hurd. Ele diz que o Fórum Econômico Mundial já teve conversas com interessados em montar uma coalizão semelhante à BRBFC na Indonésia – que também tem uma grande extensão de áreas florestais degradadas.

O Partido Liberal (PL) tenta atrair o senador Carlos Viana (Podemos-MG) para disputar o governo de Minas Gerais e ser o principal opositor ao senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que ainda não decidiu, ao menos publicamente, que concorrerá ao Executivo estadual.

Viana já foi líder do governo no Senado na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Deixou a sigla em 2023 para se filiar ao Podemos.

O movimento de troca de partido deve ocorrer nos próximos dias, já que a janela partidária, isto é, período previsto na legislação eleitoral que permite a parlamentares trocar de partido sem risco de perder o mandato por infidelidade partidária, começa no próximo domingo (5/4).

Pacheco ainda estuda qual partido deve ir, já que o PSD lançará Mateus Simões para tentar a reeleição no estado mineiro, deixando o senador preterido.

Nos bastidores, o ex-presidente do Congresso ainda avalia convites do MDBPSB e União Brasil.

dólar operava em alta, nesta segunda-feira (30/3), abrindo mais uma semana na qual os mercados acompanham o passo a passo da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio, que se reflete nos preços internacionais do petróleo.


Dólar


Ibovespa


Petróleo em alta e escalada da guerra

O principal fator de influência sobre a cotação do dólar e o movimento da Bolsa de Valores continua sendo o conflito entre EUA, Israel e Irã, que vem afetando os preços do petróleo no mercado internacional e causando uma onda de preocupação em todo o mundo.

Por volta das 9h10 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para maio do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) avançava 1,72% e era negociado a US$ 10,35.

No mesmo horário, o contrato futuro para junho do petróleo do tipo Brent (referência para o mercado internacional) subia 2,3%, também superando a marca dos US$ 100 (US$ 107,74).

Nesta segunda-feira, um ataque de mísseis iraniano atingiu uma refinaria de petróleo de Haifa, em Israel, causando um incêndio de grande proporção no local. Imagens divulgadas pela imprensa israelense mostraram uma grande fumaça no local após o impacto. Ainda não está claro se os danos foram causados pela colisão direta de um míssil ou pela queda de destroços.

Equipes de emergência foram acionadas para conter as chamas, enquanto sirenes de alerta soaram em diversas regiões do país. Até o momento, não há confirmação de vítimas.

Segundo o Corpo de Bombeiros de Israel, “13 equipes de bombeiros e resgate do Distrito Costeiro, Estação Kiryat, estão atuando no local das refinarias de Haifa, onde fragmentos de uma interceptação foram identificados após o último bombardeio”.

De acordo com as Forças de Defesa de Israel (IDF, sigla em inglês), mísseis vindos do território iraniano foram identificados. Os militares informaram ainda que “cinco mísseis antitanque, que seriam lançados contra o território israelense, foram destruídos”.

Ainda nesta segunda, a morte do comandante da Marinha da Guarda Revolucionária iraniana, Alireza Tangsiri, anunciada pelo governo norte-americano e pelo Exército de Israel, foi confirmada pelo Irã. Ele foi morto em bombardeios israelenses. Segundo comunicado da Guarda Revolucionária, Tangsiri não resistiu a ferimentos graves após o ataque de Israel.

A morte do comandante foi reivindicada por Israel em 26 de março. “Em uma operação precisa e letal, as Forças de Defesa de Israel eliminaram o comandante da Marinha da Guarda Revolucionária iraniana, Tangsiri, juntamente com altos oficiais do comando naval”, informou o ministro da Defesa israelense, Israel Katz.

Segundo o Exército israelense, o chefe de Inteligência da Marinha da Guarda iraniana também morreu no ataque. O Exército israelense detalhou, em comunicado, que Tangsiri era responsável por executar o fechamento do Estreito de Ormuz, importante via marítima por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial, “e supervisionou ações no domínio marítimo contra países do Oriente Médio”.

O canal está bloqueado há quase um mês por causa da guerra contra os EUA e Israel.

Galípolo em São Paulo

No cenario doméstico, as atenções dos investidores se voltam para a participação do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, em um seminário promovido pelo Banco Safra, em São Paulo. O mercado aguarda eventuais sinalizações a respeito da trajetória da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14,75% ao ano.

Em seu último comunicado, no dia 18, o Comitê de Política Monetária do BC (Copom) afirmou que o cenário criado pelo conflito no Oriente Médio resultou em “forte aumento da incerteza” na economia global. Com isso, a projeção de novos cortes da Selic fica comprometida.

“O comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, disse o órgão.

Ainda em função do conflito, o Copom afirmou que o ambiente externo se tornou mais incerto, com reflexos nas condições financeiras globais. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, apontou o texto.

Uma mulher de 24 anos foi presa por matar e depois decapitar o atual companheiro, de 32, no apartamento onde vivia com os filhos — de 3 e 6 anos —, em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. A própria acusada avisou os familiares, inclusive enviando fotos e vídeos do crime.

Paula Ellen Neves da Silva afirmou, em depoimento às polícias Civil e Militar, ter matado Daniel dos Santos por um suposto assédio a um dos filhos dela (veja fotos da acusada e vítima em destaque).

Além disso, ela confirmou que vinha se relacionando há dois meses com a vítima, e que ambos passaram a noite consumindo álcool e drogas, na companhia de um amigo da mulher, que foi embora 1h30 antes do assassinato.

Assédio ao filho

Segundo a polícia, Paula diz ter fingido que estava dormindo, no chão da sala, ao lado do sofá onde a vítima estava. Em dado momento, ela viu o companheiro abrir a fralda do filho dela. Ela declarou que reagiu imediatamente, pegando uma faca e golpeando o atual companheiro.

Durante o ataque, a vítima teria reagido e utilizado uma faca de serra para ferir a mão da acusada.

Paula contou que, após matar o companheiro, o decapitou. Ela arrastou o corpo do sofá para o banheiro. Em seguida, ligou para o ex-marido, pai das crianças, além da mãe e o irmão, para comunicar sobre o assassinato.

Quando os policiais militares (PMs) chegaram ao imóvel, o local do crime tinha sido parcialmente limpo – chão e o sofá, além da faca usada para a decapitação foram lavados. A cabeça da vítima foi encontrada dentro de uma mochila.

Mulher avisou os parentes

Em depoimento, o ex-marido disse que só acreditou no relato da mulher após ver fotos e um vídeo enviados por ela. Ele contou que os filhos estavam no apartamento, mas não esclareceu se as crianças presenciaram o crime.

A mãe de Paula afirmou à polícia que a acusada é “sempre mexeu com drogas”. Ela também mostrou à polícia os diálogos com a filha pelo celular.

O caso é investigado pela Polícia Civil como homicídio, fraude processual e destruição e/ou ocultação de cadáver. O delegado solicitou à Justiça conversão da prisão em flagrante para preventiva por não considerar elementos suficientes para uma suposta legítima defesa.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conta com aprovação de 44,6% e desaprovação de 52% dos eleitores, diz levantamento do Instituto Paraná Pesquisas divulgado nesta segunda-feira (30/3).

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Os resultados mostram estabilidade na opinião do leitor em relação à gestão petista no comparativo com a última pesquisa, divulgada em fevereiro, quando o governo Lula registrou 45% de aprovação e os mesmos 52% de desaprovação.

O levantamento também mostrou a impressão do eleitor sobre o governo. Para a maior parte dos entrevistados (37%), a gestão petista é considerada “péssima”, enquanto para 14,8% o trabalho do atual mandatário é “ótimo”. Veja:

A pesquisa também revela que o governo Lula é mais aprovado entre mulheres (48,2 %) do que entre homens (40,6 %). Quanto à desaprovação, atingiu o percentual de 47,6% entre as eleitoras e de 56,9% entre o eleitorado masculino.

Para a pesquisa, foram entrevistados 2.080 eleitores entre 25 e 28 de março, por meio de entrevistas pessoais e domiciliares. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

Oscilações na aprovação de Lula

Desde fevereiro do ano passado, a aprovação do governo do petista tem sofrido oscilações. Os maiores índices de aprovação foram registrados em outubro do ano passado (47,9%), chegando ao índice mais baixo em abril do ano passado (39,2%).

Já a desaprovação atingiu o maior percentual em abril de 2025 (57,4%), enquanto a menor se deu em outubro de 2025 (49,2%).

Veja o gráfico da aprovação ao governo ao longo dos meses:

Aprovação do governo Lula ao longo dos mesesAprovação do governo Lula ao longo dos meses

Com o passar dos anos, é normal perceber que nosso sono muda. Dormimos menos horas, acordamos mais vezes durante a noite e temos mais dificuldade para pegar no sono. Na verdade, existe uma ideia generalizada de que os idosos precisam de menos descanso noturno.

Mas as evidências científicas sugerem que o problema não é uma menor necessidade, mas uma menor capacidade de gerar um sono profundo e contínuo. O cérebro envelhecido continua precisando descansar, mas tem mais dificuldade para fazê-lo bem. Ele continua “dormindo”, mas de forma mais superficial. É como se o interruptor que mantém o sono estável perdesse firmeza com o passar do tempo.

O que ocorre no cérebro

Um dos principais fatores para o pior descanso com o avanço da idade é a perda de estabilidade do sistema que regula o sono e a vigília. No cérebro jovem, esse sistema funciona como um interruptor firme: ou estamos acordados ou estamos dormindo. À medida que envelhecemos, alguns neurônios responsáveis por promover e manter o sono vão se perdendo, e outros que sustentam a vigília também se enfraquecem. Como consequência, o cérebro muda de estado com maior facilidade, o que favorece um sono mais leve e fragmentado.

A isso se soma o envelhecimento do relógio biológico. O núcleo supraquiasmático, um grupo de neurônios que coordena os ritmos circadianos de todo o organismo, continua funcionando, mas o dia se torna mais curto e seu “fim” se antecipa. Além disso, seu sinal se torna menos intenso. Isso faz com que os idosos tendam a adormecer e acordar mais cedo, e explica por que o sono noturno é menos consolidado e mais sensível a estímulos externos, ao mesmo tempo em que aumenta a sonolência durante o dia. O cérebro recebe um sinal menos claro de quando deve dormir e quando deve permanecer acordado.

Outra mudança importante afeta a chamada pressão do sono, que se acumula ao longo do dia e nos leva a dormir à noite, e que depende em parte de uma substância conhecida como adenosina. Com o envelhecimento, o cérebro continua acumulando cansaço, mas responde pior a esse sinal. Embora a necessidade de dormir continue existindo, é mais difícil traduzi-la em um sono profundo e contínuo.

Além disso, esse sono profundo, fundamental para a recuperação cerebral, também é diretamente afetado pelas mudanças estruturais do cérebro. Essa fase do sono é gerada principalmente nas regiões frontais, que com a idade perdem espessura e conexões. Como resultado, as ondas cerebrais lentas que caracterizam o sono profundo tornam-se mais fracas e menos frequentes — especialmente no início da noite —, quando antes eram mais abundantes.

Durante o sono, o cérebro também emite sinais breves que ajudam a consolidar as memórias do dia. Com o envelhecimento, esses sinais diminuem e se coordenam pior com o sono profundo. Isso contribui para que a aprendizagem e a memória se tornem menos eficientes, mesmo em idosos saudáveis.

Por fim, o envelhecimento afeta as conexões que permitem que as diferentes regiões do cérebro trabalhem de forma sincronizada durante a noite. Embora os neurônios que geram o sono continuem presentes, seus sinais se propagam com menos eficácia. O resultado é um sono menos profundo, mais fragmentado e menos reparador.

É importante destacar que, embora o sono do idoso saudável seja mais frágil, essas mudanças não implicam necessariamente em problemas cognitivos, mas são consideradas parte natural do envelhecimento fisiológico do cérebro.

Nem tudo é biologia

A essas mudanças biológicas somam-se fatores não estritamente cerebrais que influenciam de forma decisiva o sono do idoso e que, muitas vezes, interagem com os mecanismos neurobiológicos já descritos. A perda de rotinas diárias, como horários de trabalho regulares, atividade física estruturada ou exposição constante à luz natural, enfraquece os sinais externos que ajudam a sincronizar o relógio biológico, ampliando a fragmentação do sono.

Nesta fase da vida, são mais frequentes distúrbios do sono como a insônia e a apneia obstrutiva do sono, que vão fragmentá-lo. Ao mesmo tempo, uma maior incidência de doenças crônicas, como dor persistente, doenças cardiovasculares ou respiratórias e distúrbios do humor, provoca despertares noturnos adicionais e reduz a continuidade do descanso.

A isso se soma o uso frequente de medicamentos que, embora necessários, podem alterar a arquitetura do sono: desde hipnóticos e ansiolíticos que modificam o sono profundo, até antidepressivos, betabloqueadores ou diuréticos que interferem no início, na estabilidade ou na continuidade do sono.

Em conjunto, esses fatores atuam como moduladores que, por si sós, não explicam o envelhecimento do sono, mas podem intensificá-lo e torná-lo clinicamente relevante quando se sobrepõem a um cérebro já mais vulnerável.

Quando o sono deixa de ser “normal”: deterioração cognitiva e demência

Nos últimos anos, tem-se acumulado evidências crescentes sobre os efeitos nocivos da privação do sono e dos distúrbios do sono na saúde cerebral. Dormir mal não está associado apenas a um pior desempenho cognitivo a curto prazo, mas também a um maior risco de deterioração cognitiva e demência a longo prazo.

Esse interesse crescente colocou em foco o sono dos idosos, uma fase da vida em que o descanso muda de forma quase universal. Mas um dos maiores desafios atuais é traçar uma linha clara entre as alterações do sono que fazem parte do envelhecimento normal, sem consequências físicas ou mentais negativas, e aquelas que podem constituir uma manifestação precoce de processos neurodegenerativos ainda subclínicos. Diante de uma pessoa que, com a idade, começa a perceber uma piora nas características do seu sono (mais despertares, sono mais superficial, etc.), não existem biomarcadores que permitam determinar se essas são mudanças normais e esperadas com a idade ou se, de fato, trata-se de uma manifestação de processos neurodegenerativos.

Embora seja normal que o sono se torne mais leve com a idade, algumas alterações vão além do esperado e podem indicar um envelhecimento cerebral não saudável. Um dos principais sinais de alerta é uma fragmentação acentuada e progressiva do sono, com múltiplos despertares noturnos prolongados e uma sensação persistente de descanso não reparador, mesmo quando o tempo total na cama é adequado. Ao contrário do envelhecimento normal, nesses casos o sono perde estabilidade e continuidade.

Outro sinal relevante é o aparecimento ou o agravamento rápido da sonolência diurna excessiva, especialmente quando interfere nas atividades cotidianas ou surge de forma desproporcional em relação às horas dormidas. Esse padrão sugere uma perda da capacidade do sono de cumprir sua função restauradora.

Do ponto de vista neurocognitivo, é especialmente preocupante a coexistência de distúrbios do sono com alterações cognitivas sutis, como dificuldades recentes de memória, atenção ou aprendizagem, mesmo que ainda não atendam aos critérios de deterioração cognitiva. Estudos indicam que essa combinação pode refletir processos neurodegenerativos incipientes.

Também são considerados sinais de alarme alterações qualitativas do sono, mais do que seu simples encurtamento: desaparecimento quase completo do sono profundo, redução clara do sono REM ou uma inversão progressiva do ritmo sono-vigília, com maior atividade noturna e sonolência diurna. Esses padrões não são típicos do envelhecimento saudável.

Por fim, merece atenção a necessidade crescente de uso de hipnóticos ou sedativos para dormir, bem como a perda brusca de eficácia de tratamentos que antes funcionavam. Nesses casos, o problema geralmente não é apenas de insônia, mas de uma alteração subjacente dos mecanismos cerebrais do sono. Todos esses sinais, por si sós, não permitem diagnosticar uma doença neurodegenerativa, mas indicam a conveniência de avaliar o sono como um possível marcador precoce de risco, especialmente quando as mudanças são recentes, progressivas e associadas a alterações cognitivas.

Os picos glicêmicos — ou seja, de açúcar no sangue, — não prejudicam apenas o cérebro e o pâncreas, conforme já foi abordado pela coluna Claudia MeirelesA hiperglicemia também afeta o funcionamento da tireoide. De acordo com o endocrinologista Nemer Finotelo, a glicose elevada não costuma causar uma lesão na glândula fixada no pescoço de forma direta. “Mas, indiretamente, pode haver prejuízo do equilíbrio hormonal”, reforça o médico.

O especialista de Florianópolis (SC) detalha que a resistência à insulina, a inflamação e o excesso de gordura corporal decorrentes dos picos de glicose criam um “ambiente metabólico desfavorável”. “Isso pode interferir no funcionamento global do organismo, incluindo o eixo hormonal”, frisa. O metabologista pontua que alterações metabólicas e hormonais frequentemente “caminham juntas”, especialmente em pacientes com obesidade, fadiga e dificuldade para emagrecer.

Endocrinologista explica o que picos de glicose provocam na tireoide - destaque galeria

Episódios de hiperglicemia afetam o funcionamento dos órgãos

Glândula é pequena, mas pode ter impactos enormes no corpo inteiro
A glicose oferece energia para as células
Manter hábitos saudáveis favorece o bom funcionamento da tireoide

Pós-graduado em endocrinologia e fisiologia, o médico Wandyk Allison esclarece que a glicose elevada tende a afetar a função tireoidiana por vários mecanismos metabólicos, sendo um dos principais efeitos a redução da conversão do hormônio tiroxina (T4) em triiodotironina (T3).

“A resistência à insulina e a inflamação metabólica diminuem a atividade da enzima deiodinase tipo 1, responsável por converter T4 em T3 ativo”, ressalta.

Segundo o especialista, que atende em Balneário Camboriú (SC), essa ação nos hormônios da tireoide tem por consequência menor metabolismo basal. Outro efeito da hiperglicemia na glândula é o aumento do rT3, também chamado de T3 reverso. O médico sustenta: “O organismo passa a produzir mais triiodotironina reversa, uma forma inativa da substância, gerando fadiga, metabolismo lento e dificuldade para emagrecer.”

Wandyk Allison argumenta que os picos de glicose causam interferência no eixo hipotálamo-hipófise-tireoide. “A instabilidade altera o cortisol, leptina e insulina”, lista o médico atuante em metabologia e nutrição clínica. Ele atesta sobre esses hormônios mencionados influenciarem diretamente a regulação do hormônio tireoestimulante, produzido pela hipófise e regulado pela tireoide.

Ilustração colorida de tireoide - Metrópoles

Imagine que seu corpo é uma grande empresa e cada órgão tem uma ocupação determinada para que tudo funcione. Nesse exemplo, é consenso que o cérebro teria uma posição de liderança. Responsável por ser o nosso centro de comando, ele processa informações sensoriais, controla as ações voluntárias e involuntárias e ainda cuida da inteligência, emoção e memória dos seres humanos.

Em outras palavras, o cérebro é o chefe da empresa “chamada” corpo. Por isso, qualquer intercorrência nele costuma provocar consequências. Os acidentes cerebrais podem ser classificados em:

Seja qual for o caso, o cérebro não funciona como o fígado, por exemplo, que tem capacidade de se regenerar, mesmo após perdas significativas. Para a recuperação cerebral, o sistema nervoso reorganiza sua estrutura para cumprir a função da região afetada. O processo é chamado de neuroplasticidade.

“O cérebro tem uma capacidade limitada de regeneração, mas uma grande capacidade de adaptação. Muitas vezes, ele não ‘reconstitui’ totalmente a área lesada, mas consegue reorganizar circuitos e recuperar funções de forma parcial ou até bastante significativa”, explica o neurologista Mario Peres, do Einstein Hospital Israelita, em São Paulo.

Mas até que ponto o cérebro pode se recuperar?

De acordo com a neurologista Natalia Nasser Ximenes, a recuperação dependerá da extensão, localização e a gravidade da lesão, além do tempo até o atendimento médico após a lesão. Outros fatores também influenciam a neuroplasticidade, como o estilo de vida e a idade – jovens costumam se recuperar melhor.

“O cérebro tem uma capacidade limitada de regeneração estrutural — ou seja, neurônios mortos geralmente não são substituídos de forma significativa. No entanto, ele possui uma impressionante capacidade de reorganização funcional. Isso significa que outras áreas podem assumir funções das regiões lesionadas, parcial ou até amplamente, dependendo do caso”, conta a especialista do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, e membro da Academia Americana de Neurologia.

Por outro lado, é importante ressaltar que nem toda lesão é reversível. Em alguns casos, a recuperação pode levar anos para ocorrer, além de ter risco de deixar sequelas permanentes. Se muito grave, o acidente cerebral também pode levar à morte.

Como a reabilitação é importante na recuperação

Realizar terapias de reabilitação é essencial para a recuperação cerebral. O tratamento é feito através de uma abordagem multidisciplinar, que envolve fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, reabilitação cognitiva e acompanhamento neuropsicológico.

Ilustração colorida feita com IA de neurônios cerebrais - Cientistas identificam nova célula guardiã capaz de proteger o cérebro - Metrópoles

Quanto mais rápido for iniciado, mais chances de melhora existem. Isso porque as primeiras semanas são a fase de maior ganho funcional do cérebro. “Até seis meses a recuperação significativa ainda é comum. Após um ano, o progresso continua, mas tende a ser mais lento”, afirma Natalia.

Para Mario, o importante é não tratar a reabilitação como um processo de “tudo ou nada”. “Mesmo quando não há retorno completo ao estado anterior, muitas pessoas conseguem recuperar autonomia e qualidade de vida com tratamento adequado”, completa o especialista.

Quase 40 anos depois de se desprender da Antártica, o mega iceberg A23a está chegando ao fim de sua longa trajetória. Considerado por anos um dos maiores icebergs do planeta, o enorme bloco de gelo começou a se desintegrar e pode desaparecer completamente nas próximas semanas.

Quando ainda estava intacto, o A23a impressionava pelo tamanho. No início de 2025, ele pesava cerca de um trilhão de toneladas e tinha aproximadamente 3.672 quilômetros quadrados, uma área quase duas vezes e meia maior que a cidade de São Paulo.

Nos últimos meses, grandes pedaços se desprenderam da estrutura principal. Alguns fragmentos chegaram a ter cerca de 400 quilômetros quadrados. À medida que o iceberg se desloca por águas mais quentes, novos pedaços continuam se separando, o que também pode representar riscos para embarcações que cruzam a região.

Um dos maiores do planeta

O iceberg A23a tem uma história incomum. Ele se desprendeu da plataforma de gelo Filchner-Ronne, na Antártica, em 1986. Apesar do tamanho gigantesco, o bloco permaneceu praticamente imóvel por cerca de três décadas no mar de Weddell, encalhado no fundo do oceano.

Segundo o professor Gustavo Baptista, do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB), as dimensões do iceberg ajudaram a transformá-lo em um dos mais observados pelos cientistas ao longo das últimas décadas.

“Durante esse período ele pesava cerca de um trilhão de toneladas e tinha aproximadamente 4 mil quilômetros quadrados. Para se ter uma ideia, isso representa quase três vezes o tamanho da cidade de São Paulo”, explica.

A situação começou a mudar apenas recentemente. A partir de 2020, o bloco começou a se deslocar lentamente em direção ao norte, carregado pelas correntes oceânicas.

Por que o iceberg está se desintegrando?

À medida que avançou para regiões mais quentes do oceano, o A23a passou a sofrer processos naturais de fragmentação e derretimento.

Em 2024, por exemplo, o iceberg chegou a girar sobre si mesmo sem sair do lugar devido a um fenômeno conhecido como Coluna de Taylor, causado por correntes marítimas que giram ao redor de uma massa submersa.

Gustavo diz que o aquecimento global pode ter contribuído para acelerar esse processo.

“A década entre 2015 e 2025 foi considerada a mais quente da história, e 2024 foi o ano mais quente dessa série histórica. Tivemos ainda a influência de um El Niño muito forte e um aquecimento anômalo no oceano Atlântico. Esse conjunto de fatores provavelmente reduziu a massa do iceberg e facilitou seu deslocamento e posterior derretimento”, afirma.

Ele também chama atenção para a velocidade com que o gigante de gelo perdeu volume nos últimos anos.

“Uma massa desse tamanho que ficou mais de 30 anos parada e que até o ano passado era considerada o maior iceberg do mundo perder cerca de 80% da sua massa em pouco tempo não é algo considerado normal”, diz.

De acordo com o pesquisador, imagens recentes da Nasa mostraram que o iceberg chegou a apresentar coloração azul em algumas áreas, sinal de acúmulo de água de degelo em sua superfície.

Impactos no oceano

O deslocamento de icebergs gigantes também pode gerar impactos locais no ambiente marinho. No entanto, esses efeitos costumam fazer parte da dinâmica natural do oceano.

Segundo o glaciologista Jefferson Simões, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a fragmentação de icebergs ocorre regularmente à medida que essas massas de gelo se deslocam para latitudes mais baixas.

“Conforme o iceberg se move para o norte, a água ao redor fica mais quente e ele começa a se quebrar e mudar de forma. Esse é um processo natural que acontece com todos os icebergs”, afirma o pesquisador membro da Academia Brasileira de Ciências.

Ele explica que os efeitos ambientais costumam ser localizados. “O impacto das massas de gelo ocorre principalmente nas áreas próximas onde elas estão derretendo. Existe uma diferença de temperatura na água ao redor, mas os ecossistemas marinhos evoluíram adaptados a esse tipo de fenômeno”, diz.

O pesquisador destaca que problemas maiores poderiam surgir caso a frequência de desprendimento de grandes icebergs aumente significativamente.

“Se começarmos a observar um aumento muito grande na formação de icebergs, isso pode indicar que o manto de gelo da Antártica está perdendo mais massa e liberando mais gelo no oceano”, explica.

Mudanças climáticas

Entre os cientistas, ainda existe debate sobre o quanto eventos como esse estão diretamente ligados às mudanças climáticas.

Para Gustavo Baptista, o processo atual tem relação com o aquecimento global. Ele reforça que relatórios recentes apontam que vários dos limites ambientais do planeta já foram ultrapassados, incluindo a acidificação dos oceanos provocada pelo aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera.

Já Jefferson afirma que ainda é difícil estabelecer uma relação direta entre a fragmentação de um iceberg específico e as mudanças do clima.

“Em algumas regiões da Antártica Ocidental existem evidências de aumento na formação de icebergs, principalmente em áreas onde as plataformas de gelo estão recuando. Mas isso acontece em regiões específicas que estão aquecendo mais do que a média do continente”, esclarece.

O Brasil vive um cenário de aumento preocupante da incidência de câncer de cólon e reto, mais conhecido como câncer colorretal. Estimativas epidemiológicas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), descritas em fevereiro na Revista Brasileira de Cancerologia, projetam que 53.810 pessoas desenvolverão a doença a cada ano entre 2026 e 2028. Isso significa que esse tipo de tumor representará cerca de 10,4% de todos os novos diagnósticos de neoplasias no país.

Esse fenômeno não se reflete apenas em um maior número de casos, mas também em mais internações e óbitos. Em um artigo publicado em março no ANZ Journal of Surgery, uma equipe de pesquisadores do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde (CEPPS), do Einstein Hospital Israelita, analisou os dados de internações em hospitais públicos do estado de São Paulo entre 2000 e 2023. Uma das conclusões é que, conforme a faixa etária avança, a probabilidade de óbito após a cirurgia para retirar o tecido tumoral no cólon e reto aumenta de forma consistente.

Outro achado importante diz respeito ao tipo de internação. Pacientes submetidos a cirurgias de urgência apresentam risco significativamente maior de morte em comparação aos operados de forma eletiva. Isso sugere que o diagnóstico tardio e a necessidade de intervenção em situações críticas contribuem para piores desfechos clínicos.

O tempo de internação e a presença de comorbidades também influenciam o risco de mortalidade. Hospitalizações mais longas e pacientes com outras doenças associadas tendem a apresentar maior probabilidade de morrer, o que indica quadros clínicos mais complexos e maior gravidade.

“Com base nesses achados, treinamos alguns modelos de inteligência artificial utilizando dados clínicos dos pacientes e variáveis socioeconômicas, como índice de desenvolvimento humano (IDH) do município, escolaridade, sexo e idade. Ao combinar todos esses preditores, conseguimos desenvolver um modelo com boa capacidade de previsão de mortalidade por câncer colorretal”, explica o cientista de dados Felipe Delpino, coautor da pesquisa e membro do CEPPS.

A equipe espera que ferramentas desse tipo possam ser integradas a hospitais no futuro, de maneira a contribuir para direcionar recursos, ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento em áreas mais vulneráveis e reduzir desigualdades socioeconômicas.

Tratamento do câncer colorretal

A tendência de crescimento no número de casos de câncer no cólon e reto é observada há, pelo menos, quatro décadas e não afeta apenas os brasileiros. De acordo com um estudo publicado em fevereiro no periódico Nature Medicine pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), da Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 1,9 milhão de casos de tumores colorretais foram identificados globalmente durante 2022.

“Não sabemos exatamente a causa desse fenômeno, mas ele parece estar mais relacionado a fatores comportamentais do que puramente genéticos”, analisa o coloproctologista Sergio Eduardo Araujo, diretor médico da Rede Cirúrgica do Einstein. “O sedentarismo e a adoção de uma dieta rica em ultraprocessados, com alto teor de gordura animal e pobre em fibras, contribuem diretamente para o aumento da incidência da doença.” O tabagismo e o consumo exagerado de álcool também figuram como fatores de risco para essa e outras neoplasias.

O tumor colorretal é caracterizado pelo crescimento anormal de células no cólon, um tubo muscular que corresponde à maior parte do intestino grosso, e no reto, câmara que liga o final do intestino grosso ao ânus.

Seus sintomas típicos incluem episódios persistentes de sangramento retal, alterações nos hábitos intestinais, sensação de evacuação incompleta, perda de peso sem razão aparente e dor abdominal que não responde a medicamentos comuns. “De forma geral, sintomas que duram mais de uma semana já merecem atenção”, orienta Araujo.

O diagnóstico costuma ser feito por meio de colonoscopia com biópsia. Esse exame permite visualizar o interior do intestino grosso, identificar eventuais lesões e coletar uma amostra desses tecidos.

No laboratório, o material é analisado em um exame anatomopatológico, que verifica suas particularidades. Com isso, é possível confirmar sua natureza benigna ou maligna, bem como estabelecer seu estadiamento, ou seja, o grau de infiltração do tumor na parede intestinal e arredores.

Quando se trata de câncer no cólon, o tratamento tende a ser essencialmente cirúrgico. “Existem alguns poucos casos de tumores muito iniciais que podem ser tratados endoscopicamente durante a colonoscopia, com a retirada de um pólipo que posteriormente se descobre ser maligno”, observa Sergio Araujo.

Dependendo dos achados no exame anatomopatológico, o paciente pode precisar passar por sessões de quimioterapia adjuvante, a fim de eliminar células tumorais que possam estar circulando no organismo e evitar o surgimento de metástases.

Quando os tumores apresentam determinadas características biológicas, é possível recomendar a imunoterapia, uma forma de tratamento relativamente recente que emprega medicamentos para tentar ativar o próprio sistema imunológico do paciente. “Mesmo que nem todo mundo responda à abordagem, no Einstein, temos obtido bons resultados com nossos pacientes”, relata Araujo.

Já quando o tumor está localizado no reto, o tratamento inicial tende a envolver quimioterapia e radioterapia. “Na maioria das vezes, após esse tratamento inicial, o paciente ainda precisa passar por cirurgia. Contudo, em cerca de 20% a 30% das vezes, ele pode apresentar uma resposta completa ao tratamento, o que permite evitar a cirurgia”, lembra o coloproctologista.

Nos casos em que há metástase, o cuidado primário costuma ter abordagem sistêmica, com encaminhamento para a quimioterapia. Outro avanço é o uso de robôs no procedimento cirúrgico. Essa abordagem oferece algumas vantagens importantes, como maior precisão e recuperação pós-operatória mais rápida. Como consequência, o paciente consegue prosseguir mais cedo com seu tratamento oncológico e ter maior chance de cura.

Cuidados preventivos

Há evidências de que o câncer de intestino pode estar relacionado a fatores comportamentais. Adotar boas práticas de saúde, como exercícios físicos regulares, alimentação equilibrada e rica em fibras, além de boa ingestão de água, é importante para a boa saúde intestinal.

Uma segunda frente de prevenção ao câncer colorretal é o diagnóstico precoce. Ao detectar as lesões tumorais em estágio inicial, o tratamento tende a ser facilitado e dá mais chances de cura.

“Sabemos que o câncer de cólon e reto ocorre principalmente a partir dos 45 ou 50 anos de idade. Por isso, a partir dessa faixa etária, são recomendadas estratégias de rastreamento”, indica o médico do Einstein.

Há dois métodos principais de rastreamento: o teste de sangue oculto nas fezes, que deve ser realizado anualmente, e a colonoscopia, que costuma ser realizada a cada dez anos. Para pessoas sem histórico familiar da doença, essas estratégias devem começar aos 45 anos.

Quando esse tipo de câncer já atingiu algum parente de primeiro grau, a recomendação é que o rastreamento seja iniciado cerca de dez anos antes da idade na qual o familiar recebeu seu diagnóstico.

Por exemplo, se o tumor do pai foi identificado aos 50 anos, os filhos devem começar a ficar mais atentos aos exames de rastreamento quando completarem 40 anos. Combinadas, essas estratégias podem ajudar a reduzir a incidência da doença e otimizar o tratamento em boa parte dos casos.

Uma dúvida comum entre quem frequenta academia é: afinal, o que deve vir primeiro no treino, cardio ou musculação? A resposta não é tão simples quanto parece e depende, principalmente, do objetivo de cada pessoa.

De acordo com especialistas, a ordem entre cardio e musculação pode influenciar no desempenho do treino, mas nem sempre altera os benefícios para a saúde do coração.

O cardiologista Antonio Carlos Avanza Junior, presidente do Departamento de Ergometria, Exercício, Cardiologia Nuclear e Reabilitação Cardiovascular (DERC), explica que quando o foco é a saúde cardiovascular, a sequência das atividades não é o fator mais importante.

“Para quem está visando apenas saúde cardiovascular e prevenção de doenças cardíacas, a ordem entre aeróbico e musculação não tem tanto significado. Inclusive, os exercícios podem ser realizados em dias diferentes”, explica.

Quando a ordem do treino faz diferença

A situação muda quando o objetivo envolve desempenho físico, ganho de força ou hipertrofia. Nesses casos, começar pelo exercício aeróbico pode comprometer o rendimento no treino de força.

Segundo Avanza Junior, isso ocorre porque o cardio consome parte das reservas de energia do corpo.

“Para quem tem foco em força e hipertrofia, o ideal é realizar a musculação antes do exercício aeróbico, pois o cardio pode desgastar as reservas de glicogênio”, afirma.

O cardiologista recomenda uma estrutura simples de treino:

Essa sequência permite aproveitar melhor a energia disponível para o treino de força.

Consistência é mais importante do que a ordem

O cardiologista Carlos Nascimento, do Hospital Brasília Águas Claras, reforça que muitas pessoas se preocupam excessivamente com a ordem das atividades e acabam ignorando o principal fator para a saúde.

Para o coração, o mais importante não é a ordem, e sim a consistência. Tanto o exercício aeróbico quanto o treino de força trazem benefícios cardiovasculares importantes e complementares”, explica.

Segundo ele, quando bem combinados, cardio e musculação funcionam quase como um tratamento completo para o organismo, ajudando no controle do peso, na melhora da circulação e na prevenção de doenças cardiovasculares.

Objetivo define a estratégia do treino

A ordem ideal entre cardio e musculação pode variar conforme o objetivo principal da pessoa.

Nascimento explica que iniciar o treino cansado pode comprometer o desempenho.

“Se você começa já fadigado, naturalmente seu desempenho cai. Por isso, eu sempre oriento começar pelo que é prioridade no treino”, diz.

Combinar cardio e musculação é seguro?

Para pessoas saudáveis, combinar cardio e musculação no mesmo treino é considerado seguro e altamente recomendado.

A prática regular de exercícios é um dos pilares mais importantes para a prevenção de doenças cardiovasculares.

No entanto, especialistas alertam que pessoas com doenças cardíacas ou fatores de risco devem passar por avaliação médica antes de iniciar ou intensificar os treinos.

“Pessoas com cardiopatias ou fatores de risco devem ser avaliadas individualmente e liberadas para atividade física seguindo as diretrizes médicas”, destaca Avanza Junior.

Além disso, os cardiologistas recomendam uma avaliação cardiológica pré-participação, especialmente para quem pretende iniciar uma rotina de exercícios ou aumentar a intensidade das atividades.

O que realmente importa no treino

Embora a dúvida sobre cardio e musculação seja comum, os especialistas reforçam que o fator mais importante continua sendo a regularidade.

Treinar de forma consistente, respeitar os limites do corpo e manter orientação profissional são atitudes que fazem mais diferença do que a ordem dos exercícios.

No fim das contas, mais importante do que decidir o que vem primeiro é garantir que cardio e musculação façam parte da rotina. Isso já é suficiente para trazer benefícios importantes para a saúde e a qualidade de vida.

Após retornar dos Estados Unidos, o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) irá retomar o seu giro de viagens pelo país.

Segundo apurou a coluna, desta vez o parlamentar tem como destino um estado da região Sudeste: São Paulo. Na semana passada, Flávio esteve no Nordeste, em cidades como João Pessoa e Natal.

Senador Flávio Bolsonaro
Flavio se manifesta após transferência de Bolsonaro para domiciliar

O senador também cumpriu agenda no estado de Santa Catarina.

De acordo com integrantes da campanha de Flávio, a previsão é que ele cumpra ao menos três agendas, que ainda não estão definidas, na capital paulista no próximo dia 6 de abril.

Flávio na CPAC

Conforme mostrou o Metrópoles, na coluna de Igor Gadelha, Flávio Bolsonaro embarcou para os Estados Unidos na quinta-feira (26/3).

O senador participará da CPAC, evento que reúne lideranças conservadoras de vários países, onde fará um discurso.

Nem todo cérebro funciona da mesma forma. Nos últimos anos, o conceito de neurodiversidade ganhou espaço nas redes sociais e no debate público, trazendo novas formas de entender diferenças no comportamento, na atenção e na aprendizagem.

Mas afinal, o que significa ser neurodivergente? E será que todo mundo se encaixa nesse termo?

Segundo o psiquiatra André Botelho, do Hospital Sírio-Libanês, a ideia de neurodivergência surgiu justamente para ampliar o olhar sobre essas diferenças, sem reduzi-las automaticamente a doenças.

“Neurodivergência é um termo amplo, usado para descrever pessoas cujo modo de pensar, aprender, perceber o mundo ou se comunicar foge do padrão mais comum, chamado de neurotípico”, explica.

Ele ressalta que o conceito não é, por si só, um diagnóstico médico, mas uma forma de descrever diferentes maneiras de funcionamento do cérebro.

O que entra no conceito de neurodivergência?

No uso mais comum, o termo costuma englobar condições relacionadas ao neurodesenvolvimento, como autismo, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e dislexia. No entanto, não há uma lista única e oficial do que pode ou não ser considerado neurodivergente.

“De forma mais ampla, algumas pessoas também incluem condições como discalculia, dispraxia e até altas habilidades dentro desse conceito”, afirma André.

A neuropsicóloga Nárrina Ramos, do Grupo Reinserir, em São Paulo, destaca que esse campo ainda está em construção e vai além de uma visão puramente médica.

“Discutir diversidade apenas pelo ponto de vista biomédico empobrece o debate. O conceito de neurodiversidade ainda está sendo construído e envolve diferentes formas de compreender o funcionamento humano”, pontua.

Para ela, esse olhar mais amplo também ajuda a incluir outras condições que podem impactar o funcionamento cognitivo, embora nem sempre sejam tradicionalmente associadas ao termo.

Uso nas redes e risco de banalização

Com a popularização do tema, especialmente nas redes sociais, o termo passou a ser utilizado com mais frequência no dia a dia, o que, segundo especialistas, pode gerar confusão. André alerta que nem todo comportamento fora do padrão indica uma neurodivergência.

“Quando qualquer timidez, distração ou dificuldade cotidiana passa a ser chamada de neurodivergência, o termo perde precisão, o que pode levar a autodiagnósticos e até atrasar o cuidado adequado”, afirma.

Ele explica que sintomas semelhantes podem ter origens diferentes, como estresse, ansiedade, privação de sono ou outras condições de saúde.

Nárrina também chama atenção para o risco de transformar diagnósticos em rótulos fixos. “Muitas vezes o diagnóstico limita a discussão em vez de ampliá-la. A gente precisa lembrar que a experiência humana não é algo imutável”, diz.

Diagnóstico exige avaliação cuidadosa

Outro ponto importante é que identificar condições relacionadas à neurodivergência exige avaliação clínica adequada. Isso porque os sinais podem variar bastante de pessoa para pessoa.

Segundo André, o processo não se baseia apenas em listas de sintomas ou conteúdos vistos na internet.

“Uma boa avaliação considera a história do desenvolvimento, a intensidade dos sinais, o impacto na vida da pessoa e o funcionamento em diferentes contextos, como casa, escola e trabalho”, explica.

Ele reforça que a principal diferença entre traços de personalidade e um transtorno está no impacto causado no dia a dia do indivíduo.

“Todo mundo pode ser distraído, tímido ou inquieto em algum momento. Mas isso só é considerado um transtorno quando é persistente, aparece em diferentes situações e traz prejuízo importante para a vida da pessoa”, finaliza.

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