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Pesquisadores descobriram que células cancerígenas conseguem usar um antioxidante produzido pelo próprio organismo como fonte de energia para crescer. A descoberta ajuda a explicar como os tumores obtêm nutrientes e pode orientar o desenvolvimento de terapias que bloqueiem esse processo.

O estudo foi conduzido por cientistas do Instituto de Câncer Wilmot, da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica Nature em 18 de março. A pesquisa investigou o papel da glutationa, uma molécula conhecida principalmente por proteger as células contra danos.

Como o tumor utiliza a substância

A glutationa é um antioxidante produzido naturalmente pelo corpo e também vendido como suplemento alimentar. Durante anos, os estudos se concentraram principalmente em seu papel na proteção contra danos celulares.

A nova pesquisa indica que, dentro do ambiente do tumor, a molécula pode desempenhar outra função. Ao analisar o líquido presente em tumores de mama doados para pesquisa, os cientistas encontraram grandes quantidades de glutationa, o que sugeriu que o composto estava sendo consumido ativamente pelas células cancerígenas.

Para confirmar essa hipótese, a equipe utilizou modelos experimentais de câncer de mama e observou que os tumores cresciam mais lentamente quando a capacidade de utilizar a glutationa era bloqueada.

“Talvez precisemos reexaminar a despensa da qual o câncer depende e analisar substâncias que nunca imaginamos que pudessem servir de alimento para tumores”, afirmou Harris.

Possível estratégia para novos tratamentos

A descoberta abre novas possibilidades para o desenvolvimento de terapias que impeçam os tumores de acessar esse tipo de combustível. Os pesquisadores já identificaram um medicamento candidato que pode interferir no processo e agora investigam maneiras de aprimorar o composto.

O objetivo é encontrar formas de bloquear o uso da glutationa pelas células cancerígenas sem prejudicar as células saudáveis.

Os autores também destacam que a descoberta não significa que alimentos ricos em antioxidantes devam ser evitados. Uma alimentação equilibrada, com frutas e vegetais, continua sendo considerada importante para a saúde.

“Ainda estamos descobrindo novos aspectos da biologia da glutationa e esperamos que esse conhecimento possa ajudar no desenvolvimento de novas terapias contra o câncer”, diz Harris.

Segundo os pesquisadores, os resultados também sugerem que muitos tumores podem depender desse tipo de nutriente, o que reforça a importância de entender melhor como as células cancerígenas obtêm energia dentro do organismo.

Ainda que ocasional, o consumo excessivo de álcool (mais de quatro doses em um dia para mulheres e cinco para homens) é bastante prejudicial para o fígado. Uma nova pesquisa da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, mostra que pessoas com gordura no fígado podem ter três vezes mais risco de desenvolver fibrose no órgão se beberem muito pelo menos uma vez por mês.

A pesquisa foi publicada nesta quinta (2/4) na revista científica Clinical Gastroenterology and Hepatology. Os cientistas descobriram que beber muito em um dia só é mais prejudicial do que dividir a mesma quantidade de álcool em vários dias.

“O estudo é um grande alerta porque, tradicionalmente, os médicos tendem a observar o total de álcool consumido, e não como ele é consumido, ao definir o risco hepático. Nossa pesquisa sugere que o público deve estar atento do perigo de beber muito, mesmo ocasionalmente, e que deve evitar mesmo se consumir álcool moderadamente no resto do tempo”, afirma o hepatologista Brian P.Lee, o principal autor do estudo, em comunicado.

A pesquisa foi feita analisando dados de um levantamento nutricional de longo prazo da população americana e incluiu informações de 8 mil adultos coletadas entre 2017 e 2023. Os cientistas observaram principalmente a relação entre o exagero na bebida ocasional e a fibrose hepática avançada.

Exagero na bebida é comum

Mais de metade dos participantes afirmou beber excessivamente de vez em quando e 16% dos pacientes com gordura no fígado disse exagerar ocasionalmente. Os resultados foram comparados entre pessoas da mesma idade e sexo.

Lee acredita que beber grandes quantidades de álcool de uma vez pode sobrecarregar o fígado e aumentar a inflamação, o que causa cicatrização e danos ao órgão. Pessoas que têm esteatose hepática estão ainda mais em risco pois o fígado já está lidando com a gordura além dos problemas causados pelo álcool.

“Apesar de o estudo ter sido focado em pacientes com gordura no fígado, os achados são pertinentes para uma população maior de pacientes. Mais de metade dos adultos disse beber muito ocasionalmente, e este assunto merece mais atenção de médicos e pesquisadores para entender melhor, prevenir e tratar doenças hepáticas”, afirma o pesquisador.

 

Ronaldinho Gaúcho em série documental da Netflix - Metrópoles

Netflix divulgou o trailer de Ronaldinho Gaúcho, nova série documental da plataforma, com exclusividade ao Metrópoles. A produção conta a história de vida do jogador de futebol e tem estreia marcada para 16 de abril.

No trailer, embalado pela faixa inédita O Segredo da Ginga, cenas gloriosas de Ronaldinho Gaúcho nos campos, polêmicas da vida pessoal e depoimentos marcantes de Messi, Cafu, Neymar Jr. e Galvão Bueno são exibidos. Confira!

 

Trailer de série sobre Ronaldinho Gaúcho é divulgado: veja em 1ª mão - destaque galeria

Cena de Ronaldinho Gaúcho em série documental da Netflix

Cartaz do filme Renato Gaúcho, da Netflix

A série reconstrói momentos-chave da carreira de Ronaldinho como a revelação no Grêmio, a consagração na Seleção Brasileira, o auge no Barcelona e a Bola de Ouro, títulos históricos e fases conturbadas – incluindo o episódio inesperado que o levou à prisão no Paraguai.

Nos bastidores, outros grandes nomes do esporte, como Ronaldo, Roberto Carlos, Gilberto Silva, Felipão e Carles Puyol adicionam riqueza ao conteúdo.

Durante muito tempo, falar em sustentabilidade parecia um adendo – importante, sim, mas ainda à margem das decisões estruturais. Isso mudou, ainda bem.

O Brasil, com todas as suas contradições, vem mostrando algo raro: a capacidade de produzir mais e melhor, ao mesmo tempo em que incorpora práticas mais eficientes, integra sistemas produtivos e avança na adoção de tecnologias de baixo carbono. Não é pouco. Num mundo cada vez mais pressionado por eventos climáticos extremos e pela insegurança alimentar, isso nos coloca em um lugar estratégico. Uma posição hoje reconhecida por especialistas de todo o mundo.

Um dado recente ajuda a dimensionar esse movimento: o Brasil já representa cerca de 20% do mercado de dívida sustentável da América Latina. Ainda estamos atrás de Chile e México, é verdade, mas essa participação cresce à medida que políticas públicas se consolidam e o apetite dos investidores aumenta.

Por trás desses números, existe um trabalho menos visível, mas fundamental. Desde 2019, o mercado de títulos verdes no agro brasileiro vem se estruturando de forma gradual e consistente. O que se viu, de lá para cá, foi uma sofisticação crescente: mais instrumentos, mais investidores, mais critérios climáticos incorporados às decisões. Em outras palavras, mais maturidade.

Programas como o Plano Safra, o ABC e o RenovAgro foram, e continuam sendo, peças-chave nessa engrenagem. Eles não apenas incentivam práticas mais sustentáveis – ajudam a reduzir riscos, dar previsibilidade e, talvez o mais importante, tornar o setor mais “investível”. Porque, no fim das contas, é disso que estamos falando: de como transformar boas intenções em fluxos reais de capital.

Mais recentemente, novas iniciativas vêm ampliando esse ecossistema. O EcoInvest, por exemplo, surge com uma proposta relevante: atrair capital internacional para o Brasil, reduzindo riscos cambiais e estruturais. Já o Caminho Verde Brasil busca organizar o que muitas vezes está disperso, conectando projetos, produtores e investidores a oportunidades concretas de financiamento sustentável.

E oportunidades não faltam.

Um relatório recente da Climate Bonds aponta um potencial de investimento de US$ 141 bilhões em restauração nos próximos 30 anos. Um número que revela tanto a dimensão do desafio quanto a escala das soluções possíveis. Outro estudo, focado na redução de metano na pecuária, evidencia um conjunto robusto de projetos com viabilidade econômica e impacto climático relevante. Ou seja: não se trata apenas de fazer o certo, mas de fazer algo que também faz sentido financeiro.

O futuro da agricultura brasileira – mais sustentável, mais resiliente e alinhado às demandas climáticas – já deixou de ser promessa. Ele está sendo construído na prática, por meio de políticas públicas, instrumentos financeiros mais sofisticados e um pipeline crescente de projetos com viabilidade econômica e impacto ambiental mensurável.

O desafio agora é acelerar essa transição com escala e consistência, garantindo coordenação entre setor público, sistema financeiro e produtores. É isso que permitirá transformar avanços pontuais em fluxos estruturais de investimento, e consolidar o Brasil como um dos principais polos globais de agricultura sustentável.

Gennaro Gattuso não deve seguir no comando da seleção italiana. O ex-jogador tem contrato com a equipe nacional até junho deste ano, porém, com a renúncia de Gabriele Gravina, presidente da Federação de Futebol da Itália, a saída do treinador se torna ainda mais provável, segundo o jornal italiano La Gazzeta Dello Sport, .

Diante deste cenário, a Itália já estaria de olho em possíveis substitutos para assumir o cargo. Os italianos Roberto Mancini e Antonio Conte seriam os favoritos a levar o posto. Além disso, há a presença de um estrangeiro na lista. Trata-se de Pep Guardiola, atual treinador do Manchester City e sonho da seleção italiana.

Em meio à possível saída de Gattuso, Itália sonha com Pep Guardiola - destaque galeria
Itália é dominada pela Bósnia, perde nos pênaltis e está fora da Copa
A Bósnia está classificada para a Copa do Mundo
Os bósnios voltam ao mundial após 12 anos

A Azzurri vive um cenário de incertezas após mais um fracasso. Na última terça-feira (31/3), a Itália perdeu para a Bósnia e Herzegovina na repescagem mundial e ficará de fora da Copa do Mundo pela 3ª edição consecutiva. A Itália não disputa a competição desde 2014, quando foi eliminada ainda na fase de grupos da competição.

O intestino tem sido um dos focos da coluna Claudia Meireles nos últimos dias. De acordo com um artigo da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos (NLM, sigla em inglês), o órgão é responsável por digerir os alimentos, combater os germes e produzir diversos hormônios que transmitem mensagens para outras partes do corpo, além de regular a entrada e saída de água do organismo.

Como o órgão tem funções essenciais, manter o intestino saudável é uma forma de contribuir para o bom funcionamento da “engrenagem” do corpo humano. Diante disso, o gastroenterologista Sérgio Barrichello foi requisitado para explicar a respeito do hábito com maior potencial de beneficiar a saúde intestinal.

Gastroenterologista aponta hábito simples que mais ajuda o intestino - destaque galeria

“O hábito mais consistentemente associado à saúde do intestino é uma alimentação rica em fibras alimentares relacionada à ingestão adequada de água“, atesta o cirurgião bariátrico e endoscopista do Hospital Albert Sabin de São Paulo (HAS-SP). O médico detalha que esse macronutriente exerce “papel central na fisiologia intestinal por diferentes mecanismos.”

O especialista referência em balão intragástrico menciona os principais benefícios decorrentes do consumo de fibras: “Aumentam o volume do bolo fecal, estimulando receptores da parede intestinal e favorecendo os movimentos do intestino. Também servem de ‘alimento’ para as bactérias do órgão, sendo fermentadas e produzindo nutrientes importantes para a saúde.”

Foto colorida de mulher com dor abdominal - Metrópoles
O gastroenterologista esclarece como as fibras atuam para melhorar a saúde do intestino

Segundo Barrichello, as fibras oferecem “efeitos importantes” ao intestino. O médico lista:

Conforme o endoscopista, dietas ricas em fibras estão relacionadas a maior diversidade da microbiota intestinal: “É um fator diretamente correlacionado com melhor saúde metabólica e imunológica”.

Ele destaca que a recomendação média de consumo do macronutriente para adultos fica em torno de 25 a 38 gramas por dia. “Preferencialmente provenientes de vegetais, frutas, leguminosas, grãos integrais e sementes”, conclui.

Ilustração colorida do intestino com flores ao redor - Metrópoles.

A produção industrial do Brasil avançou 0,9% na passagem de janeiro para fevereiro de 2026. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (2/4)

Em comparação com o mesmo período do ano passado, a indústria recuou 0,7% na produção. O IBGE destacou, no entanto, que a indústria acumula expansão de 3% nos primeiros meses de 2026.

Com esses resultados, a produção industrial se encontra 3,2% acima do patamar pré-pandemia, em fevereiro de 2020, mas ainda está 14,1% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.

O crescimento da produção industrial foi registrado nas quatro grandes categorias econômicas e em 16 dos 25 ramos pesquisados.

Entre as atividades as influências positivas mais importantes foram assinaladas por veículos automotores, reboques e carrocerias e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis.

Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, nesses setores, as principais pressões positivas vêm de automóveis e autopeças, na indústria automobilística, e derivados do petróleo e álcool etílico, na atividade dos derivados do petróleo e biocombustíveis.

Entre as atividades que apresentaram recuo, a principal influência veio da produção de farmoquímicos e farmacêuticos, com queda de 5,5%, que intensificou a magnitude de queda verificada no primeiro mês do ano, de 1,4%.

“Na indústria farmacêutica, caracterizada pela maior volatilidade de seus resultados, observa-se o segundo mês consecutivo de queda, influenciado, em grande medida, pela elevada base de comparação, em função do avanço de 19,0% acumulado nos dois últimos meses de 2025”, comenta o gerente da pesquisa.

Entenda a Produção Industrial

A PIM produz indicadores de curto prazo desde a década de 1970, relativos ao comportamento do produto real das indústrias extrativa e de transformação. Em março de 2023, o índice passou por reformulação e teve início a divulgação da nova série de índices mensais da produção industrial do país.

A síndrome do ovário policístico (SOP) é um distúrbio hormonal que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva. A condição é caracterizada, entre outros fatores, por alterações hormonais e pela presença de múltiplos cistos nos ovários.

Além de impactar o ciclo menstrual e a fertilidade, a síndrome também costuma levantar uma dúvida frequente entre pacientes. Até que ponto ela está associada ao ganho de peso?

A relação entre a SOP e o aumento de peso é frequentemente mencionada, mas não acontece da mesma forma para todas as mulheres. De acordo com especialistas ouvidas pelo Metrópoles, a condição pode favorecer alterações metabólicas que influenciam o acúmulo de gordura, embora isso não seja uma regra.

“A relação existe, mas não é obrigatória. Nem todas as mulheres com síndrome dos ovários policísticos apresentam sobrepeso ou obesidade”, explica a ginecologista Jessica Wolff, especialista em reprodução humana e ginecologia endócrina da Maternidade Brasília.

Segundo a médica, a síndrome costuma estar associada principalmente à resistência à insulina, uma alteração metabólica que pode favorecer o ganho de peso e o acúmulo de gordura, sobretudo na região abdominal. Ainda assim, ela ressalta que existem diferentes formas de manifestação da doença.

“Também existem mulheres com síndrome dos ovários policísticos e peso normal, o que mostra que a condição pode ter apresentações clínicas diferentes”, afirma.

Alterações hormonais e metabolismo

A síndrome do ovário policístico envolve mudanças hormonais importantes no organismo. Entre as principais estão o aumento dos hormônios androgênicos, conhecidos como hormônios masculinos, e a resistência à insulina.

Jessica explica que a resistência à insulina faz com que o organismo produza níveis mais elevados do hormônio para manter a glicose no sangue controlada.

Esse processo pode estimular os ovários a produzirem mais androgênios. Por esse motivo, a síndrome deixou de ser vista apenas como uma condição reprodutiva — hoje, ela também é reconhecida por seus impactos metabólicos.

Mulheres com síndrome do ovário policístico podem apresentar maior risco de desenvolver síndrome metabólica, diabetes tipo 2 e alterações no colesterol ao longo da vida.

Por que emagrecer pode ser mais difícil?

Outro ponto relatado por pacientes é a dificuldade para perder peso, mesmo quando adotam dieta e atividade física. Essa dificuldade, segundo a médica, também está relacionada à resistência à insulina.

“A hiperinsulinemia pode favorecer o armazenamento de gordura e tornar o processo de perda de peso mais desafiador”, diz Jessica.

Isso não significa, porém, que mulheres com a síndrome não consigam emagrecer. A especialista afirma que, em alguns casos, o processo pode apenas ser mais gradual e exigir acompanhamento médico e estratégias individualizadas.

Hábitos que ajudam no controle e sinais de alerta

Mudanças no estilo de vida são consideradas uma das bases do tratamento da síndrome do ovário policístico.

“A modificação do estilo de vida é a base do tratamento da síndrome dos ovários policísticos. O exercício físico ajuda a reduzir a resistência à insulina, e uma alimentação equilibrada também contribui para esse controle”, afirma a endocrinologista Camila Viecceli, do Hospital da Bahia.

Alguns sinais podem indicar a necessidade de procurar avaliação médica para investigar a síndrome. Entre eles estão ciclos menstruais irregulares, períodos em que a menstruação deixa de ocorrer por meses e sintomas relacionados ao aumento de hormônios androgênicos.

Camila explica que também podem surgir aumento de pelos em regiões como rosto e tronco, acne intensa ou queda de cabelo com padrão mais frontal. Alterações em exames laboratoriais, como níveis elevados de testosterona ou sinais de resistência à insulina, também podem levantar a suspeita da síndrome.

Diante desses sinais, a orientação é procurar avaliação médica para confirmação do diagnóstico e definição do tratamento mais adequado.

Não faltam evidências de que o consumo exagerado de refrigerantes e demais bebidas cheias de açúcar está associado ao ganho de peso e todas as suas consequências. Agora, um estudo publicado no periódico The Journal of Nutrition, Health and Aging acrescenta à lista de efeitos o aumento no risco de demência.

Pesquisadores da Universidade Yonsei, na Coreia do Sul, analisaram informações de mais 118 mil adultos, coletadas ao longo de 13 anos por meio do UK Biobank, levantamento britânico que avalia condições de saúde de meio milhão de pessoas.

Entre os participantes que consumiam mais de um copo de bebidas açucaradas todos os dias, observou-se uma maior tendência a desenvolver demências, que incluem doenças como o Alzheimer. Por outro lado, incluir café e chá no cotidiano esteva associado à neuroproteção.

Vale lembrar, porém, que esse é um estudo observacional, ou seja, não estabelece uma relação direta de causa e efeito. Além disso, as informações sobre o consumo dessas bebidas partem de questionários respondidos pelos próprios participantes, o que pode tornar os resultados menos precisos.

Apesar da necessidade de mais pesquisas sobre o assunto, outros trabalhos já mostraram essa associação. “Sobre os possíveis mecanismos envolvidos, há evidências de que o excesso dessas bebidas contribua para uma sobrecarga no sistema metabólico”, afirma o nutrólogo Celso Cukier, do Einstein Hospital Israelita.

Além do ganho de peso, ocorre uma propensão à resistência à insulina, ou seja, um desajuste no metabolismo da glicose. Também se eleva o risco para o acúmulo de gordura na região abdominal, que fica entremeada nos órgãos e contribui para a produção de hormônios e diversas substâncias, inclusive as pró-inflamatórias. O artigo menciona evidências de que exagerar no açúcar pode ainda interferir com estruturas cerebrais, favorecendo o declínio cognitivo.

Dá para incluir essas bebidas no dia a dia?

Embora a nutrição não proíba nenhum alimento, a parcimônia é bem-vinda quando se trata de líquidos abarrotados de açúcar. “A recomendação é incluir ocasionalmente e em pouca quantidade”, orienta a nutricionista Lara Natacci, pesquisadora na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).

Jamais beba esses produtos como estratégia de hidratação. “Para essa finalidade, só vale a água mesmo”, ressalta Natacci. Além de refrigerantes, tenha atenção com as bebidas à base de frutas, que incluem néctares e refrescos, variando a diluição. Também é fundamental um olhar atento ao teor de açúcar de produtos como energéticos, chás prontos, bebidas fermentadas, entre outros.

A dica é esmiuçar informações estampadas nas embalagens. Inclusive, com a nova norma para os rótulos, que traz a lupa com o aviso de “alto em açúcar adicionado”, essa tarefa ficou mais fácil.

As opções protetoras

Café e chá-verde aparecem no artigo sul-coreano como aliados na redução do risco de demência. “Ambos oferecem antioxidantes”, diz Cukier. Esses compostos se destacam em pesquisas pela capacidade de atenuar inflamações, resguardando o cérebro. “Vale salientar, entretanto, que são necessários mais estudos para avaliar a quantidade e ainda a frequência necessárias para garantir os efeitos”, afirma o médico do Einstein.

Além da cafeína, o cafezinho contém uma variedade de fitoquímicos, especialmente do grupo dos polifenóis: ácido clorogênico, ácido gálico, ácido ferúlico e ácido cafeico são exemplos. Vale mencionar ainda a presença de enterodiol e enterolactona, que agem na modulação dos níveis de glicose no sangue.

O chá-verde também concentra cafeína e fenólicos, especialmente a epigalocatequina galato ou EGCG, um potente antioxidante, de comprovada atuação anti-inflamatória. Sua matéria-prima é a erva Camellia sinensis.

O ideal é saborear tanto o chá-verde quanto o café sem açúcar, ou com o mínimo possível. Lembrando que os benefícios desses e de qualquer outro alimento estão atrelados ao estilo de vida. De nada adianta incluí-los no cardápio se o dia a dia é marcado por sedentarismo e má alimentação, com poucas horas de sono e muito estresse.

Para responder à questão de se o multiverso é real, no entanto, precisamos primeiro chegar a um consenso sobre o que significa algo ser real. Como astrofísico que estuda Cosmologia – a história e a estrutura do Universo em grande escala – e a filosofia da física, já refleti sobre essa questão várias vezes ao longo da minha carreira.

definição mais imediata de “real” talvez seja o que você pode ver e tocar. Meu almoço é real nesse sentido, porque posso saboreá-lo e você pode me ouvir mastigando (espero que não muito alto). Portanto, “real” poderia ser definido como algo que você pode perceber com pelo menos um dos seus cinco sentidos.

Mas isso deixaria de fora muitas coisas que também são reais. As micro-ondas que aquecem sua comida são reais, mas você não pode percebê-las diretamente – apenas seu efeito, a comida aquecida. Portanto, algumas coisas reais você só pode “ver” indiretamente, pelas evidências que elas deixam para trás. A existência dos dinossauros é outro exemplo – você só pode ver seus fósseis.

Portanto, podemos fazer duas versões da pergunta sobre se o multiverso é real. Primeira: você consegue vê-lo, ouvi-lo, tocá-lo, cheirá-lo ou prová-lo? Segunda: mesmo que não consiga, há alguma evidência de seus efeitos?

Mecânica quântica do multiverso

A resposta que a maioria dos pesquisadores daria à pergunta se você pode perceber o multiverso com seus cinco sentidos provavelmente é “não”. Mas há muitas coisas reais que não são reais nesse sentido, como as micro-ondas. Então, podemos ver alguma evidência indireta do multiverso, como os efeitos que ele poderia ter no mundo observável?

A resposta curta é sim, mais ou menos.

O multiverso é uma maneira de compreender o comportamento de coisas muito, muito pequenas, como átomos e partículas subatômicas. Os cientistas chamam as regras que regem o comportamento desses objetos minúsculos de mecânica quântica. Na mecânica quântica, nunca se sabe ao certo qual será o resultado de um experimento. Só é possível registrar a chance — ou seja, a probabilidade — de algo acontecer.

É como jogar dados: você não pode ter certeza de qual número vai sair, mas pode dizer que tem chances iguais de obter um, dois, três, quatro, cinco ou seis na face dos dados. Mas se você tivesse informações suficientes sobre os dados – como sua forma e massa exatas, os padrões de ar ao redor deles e a maneira exata como os jogou –, poderia prever exatamente em qual face eles iriam cair. Pode ser necessária uma grande simulação computacional para processar estes números, mas é possível.

Agora imagine dados realmente muito pequenos. Mesmo que você tivesse um computador muito poderoso, não seria capaz de prever em qual lado esses dados superpequenos iriam cair. Isso porque eles são regidos pela mecânica quântica, onde não é possível prever resultados com certeza absoluta. Você pode prever apenas a probabilidade.

Muitos mundos e o multiverso

A mecânica quântica é apenas um pouco aleatória – nem tudo tem a mesma chance de acontecer. Podemos prever a chance de cada cenário ocorrer, mas não o resultado real. No caso dos dados quânticos, tudo o que poderíamos saber é que há uma chance de 1 em 6 de ele cair em qualquer face.

Uma maneira pela qual os cientistas interpretaram essa estranha propriedade da mecânica quântica é que cada cenário possível realmente acontece. Mas, quando isso ocorre, cria-se outro Universo. Isso é chamado de visão dos muitos mundos da mecânica quântica.

No caso do nosso dado quântico, a visão dos muitos mundos diria que há uma chance em seis de rolar cada número, pois seis universos são criados toda vez que jogamos o dado. Embora permaneçamos em um deles – digamos, o mundo em que o dado mostra o três –, outros cinco universos também são criados, nos quais o dado mostra um dos outros números.

Nessa imagem da mecânica quântica, os universos se ramificam a cada cenário. É claro que não podemos realmente fabricar um dado quântico e jogá-lo – a simples interação com o dado destruiria sua natureza quântica.

Isso significa que a mecânica quântica é uma evidência de que o multiverso é real? Eu diria que não. Embora seja uma maneira fascinante de imaginar a mecânica quântica, trata-se apenas de uma interpretação, não de uma evidência incontestável do multiverso.

O multiverso e a Teoria das Cordas

Outro aspecto relevante do multiverso é seu papel na Teoria das Cordas. A Teoria das Cordas defende que as partículas fundamentais que compõem a matéria são, elas próprias, feitas de cordas de energia vibrantes. Pense em um elástico vibrando dentro de cada partícula.

A Teoria das Cordas também defende que o Universo tem mais de três dimensões. Diferentes teorias das cordas preveem números diferentes de dimensões extras. Isso significa que constantes físicas, como a velocidade da luz e a carga dos elétrons, poderiam ter valores diferentes. O mesmo vale para a quantidade de matéria no Universo. Isso sugere um panorama de possíveis universos diferentes, cada um com condições distintas – um multiverso.

Até o momento, não há evidências definitivas de um multiverso com base na Teoria das Cordas. Esses universos provavelmente não se conectariam entre si; caso contrário, não seriam considerados universos separados – seriam apenas parte do nosso próprio Universo. Portanto, mesmo que existam, talvez nunca tenhamos evidências diretas de sua existência.

Mas poderia haver evidências indiretas da existência de múltiplos universos. Por exemplo, a Teoria das Cordas pode ajudar os cientistas a prever os resultados de experimentos de altíssima energia em nosso próprio Universo. Ela também pode fazer previsões sobre como a matéria se comporta em escalas muito, muito pequenas. Se essas previsões se confirmarem, isso poderia ser uma evidência a favor da Teoria das Cordas. E se a Teoria das Cordas for possivelmente real em nosso Universo, isso significa indiretamente que o multiverso também pode ser real.

Embora não haja nenhuma evidência definitiva em nosso próprio Universo para a Teoria das Cordas, quem sabe o que o futuro nos reserva?The ConversationThe Conversation

 

A nova atualização do ranking da Fifa, oficializada após a Data Fifa de março, trouxe mudanças importantes na tabela. A França agora aparece na liderança, após somar duas vitórias nos amistosos, e ultrapassa concorrentes diretos na disputa pela primeira colocação.

O Brasil encerrou o período na sexta posição. O resultado positivo contra a Croácia na última terça-feira (31/3) foi decisivo para manter a equipe próxima do grupo de elite e evitar uma queda maior na classificação geral.

Com mudanças, confira o ranking mundial de seleções após a Data Fifa - destaque galeria

Kylian Mbappé com a camisa da seleção francesa

Hugo Ekitike marcou o segundo gol da França
Brasil encara a Croácia no último amistoso antes da convocação para a Copa (Alamy Live News)

No topo, a França superou a Espanha, que perdeu pontos na janela internacional. A Argentina, atual campeã mundial, também aparece entre os primeiros colocados, mas foi ultrapassada após enfrentar adversários de menor expressão, o que impacta na pontuação.

O grupo dos cinco melhores ainda conta com Inglaterra e Portugal, que ganharam espaço após resultados consistentes. Logo atrás do Brasil, Holanda e Marrocos seguem próximos e na pressão por posições mais altas.

Top 10 do ranking da Fifa:

  1. França — 1877.32
  2. Espanha — 1876.40
  3. Argentina — 1874.81
  4. Inglaterra — 1825.97
  5. Portugal — 1763.83
  6. Brasil — 1761.16
  7. Holanda — 1757.87
  8. Marrocos — 1755.87
  9. Bélgica — 1734.71
  10. Alemanha — 1730.37

O Brasil é um país em que a população tem o costume de ingerir medicamentos sem prescrição médica, conforme verificou a pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), divulgada em 2024. Nove entre 10 brasileiros consomem formas farmacêuticas sem consulta ou orientação especializada. Entretanto, esse hábito oferece riscos à saúde e ao funcionamento de órgãos, como o estômago.

Membro titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) e da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), a gastroenterologista Maria Júlia Colossi explica que o estômago é o local da recepção da medicação e da desintegração decorrente da ação de enzimas e da acidez do órgão. Na maioria dos casos, também ocorre o início da absorção da fórmula medicamentosa no estômago.

Gastroenterologista lista medicamentos populares que afetam o estômago - destaque galeria

Segundo a gastroenterologista, os anti-inflamatórios não esteroidais oferecem risco ao estômago

A médica explica como essas formas farmacêuticas prejudicam o órgão do sistema digestório

Mestra pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a médica destaca que, nesses processos, algumas medicações podem reagir com o revestimento gástrico e desencadear danos ao estômago. A especialista pontua a respeito dos anti-inflamatórios, principalmente os não esteroidais (AINEs). Ela define essa categoria de medicamentos como “os de maior risco”.

Com especialização em endoscopia digestiva e colonoscopia, a gastroenterologista menciona os medicamentos“O grupo do ibuprofeno, diclofenaco, nimesulida e outros — naproxeno, cetoprofeno, cetorolaco, meloxicam e tenoxicam”.

Segundo a médica, o estômago é um órgão que, para exercer o funcionamento adequado de quebra e absorção de nutrientes da alimentação, “vive sob um pH muito baixo”. “Nem mesmo seu próprio revestimento (mucosa) toleraria essa condição hostil”, garante Maria Júlia sobre os medicamentos afetarem a saúde do estômago.

Lista completa dos diferentes tipos de medicamentos em comprimidos e cápsulas. Metrópoles
A especialista ressalta que algumas medicações podem reagir com o revestimento do estômago

“Como forma de proteção, temos diversos mecanismos, principalmente uma barreira de muco espesso e bicarbonato acima da mucosa. Os AINEs inibem a produção de prostaglandina — hormônio muito importante na manutenção da barreira protetora de muco gástrico. Isso deixa a mucosa gástrica exposta e propensa a sofrer efeitos deletérios do ambiente ácido, como erosões e úlceras”, esclarece a especialista.

A gastroenterologista detalha que esses “machucados” no interior do estômago podem gerar sintomas, desde dor, queimação e até sangramentos graves e “ameaçadores à vida”.

“Portanto, apesar de excelentes para reduzir dores e inflamações, os AINEs devem ser usados com muito cuidado e sempre sob supervisão de profissional”, argumenta a mestra pela Unicamp.

Imagem conceitual de um estômago feito de feltro com uma carinha triste. Dor de estômago. Metrópoles

Tomar café à noite para espantar o sono pode ter efeitos além da dificuldade para dormir. Um estudo recente sugere que o consumo de cafeína nesse período pode reduzir o autocontrole e aumentar comportamentos impulsivos, elevando a chance de decisões arriscadas.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade do Texas em El Paso, nos Estados Unidos, e publicada na revista iScience em 15 de agosto de 2025. Os resultados indicam que o horário em que a cafeína é consumida pode influenciar diretamente a forma como o cérebro regula o comportamento.

“A cafeína é a substância psicoativa mais consumida no mundo, com cerca de 85% dos adultos nos EUA usando-a regularmente. Dada essa popularidade, queríamos entender melhor como fatores como o horário de consumo afetam o controle comportamental”, diz o pesquisador Paul Sabandal, um dos autores do estudo, em comunicado.

Como o estudo foi feito

Para investigar esse efeito, os pesquisadores utilizaram moscas-das-frutas, um modelo comum em estudos científicos por apresentar semelhanças importantes com o funcionamento biológico humano.

Os insetos foram expostos à cafeína em diferentes condições, com variações de dose e horário, incluindo consumo durante o dia e à noite. Em seguida, os cientistas avaliaram a impulsividade observando como as moscas reagiam a um estímulo desagradável, uma corrente de ar.

Em condições normais, elas interrompem o movimento para evitar o desconforto. No entanto, quando consumiam cafeína à noite, apresentavam mais dificuldade para frear esse comportamento.

“Descobrimos que as moscas que consumiam cafeína à noite eram menos capazes de interromper o movimento, exibindo comportamentos impulsivos, como voos imprudentes, mesmo diante de condições adversas”, explica o professor Erick Saldes.

Já as moscas expostas à cafeína durante o dia não apresentaram esse padrão, o que reforça a importância do horário de consumo.

Diferença entre machos e fêmeas

Outro ponto que chamou atenção foi a diferença na resposta entre os sexos. Embora machos e fêmeas apresentassem níveis semelhantes de cafeína no organismo, as fêmeas demonstraram uma reação mais intensa, com maior impulsividade.

“As moscas não possuem hormônios humanos como o estrogênio, o que sugere que outros fatores genéticos ou fisiológicos podem explicar essa maior sensibilidade nas fêmeas”, afirma o pesquisador Kyung-An Han.

Segundo os autores, entender essas diferenças pode ajudar a esclarecer como o organismo reage à cafeína em diferentes contextos.

Possíveis efeitos no dia a dia

Embora o estudo tenha sido feito em animais, os pesquisadores avaliam que os resultados podem ajudar a entender comportamentos humanos, especialmente em pessoas que dependem da cafeína à noite.

Esse cenário inclui trabalhadores em turnos, profissionais de saúde e outros indivíduos que precisam se manter acordados fora do horário habitual. De acordo com os cientistas, o impacto pode ser ainda mais relevante para mulheres.

Eles destacam que mais pesquisas são necessárias para confirmar esses efeitos em humanos, mas os achados já indicam que o momento do consumo de cafeína pode ter um papel importante no comportamento.

 

Embora estejam relacionados, perder peso e reduzir gordura corporal não são a mesma coisa. A balança pode diminuir por conta da perda de líquidos ou massa muscular sem que a gordura seja, de fato, eliminada. Por isso, o foco deve estar em criar condições para que o corpo utilize a gordura como fonte de energia.

Ajustes simples na alimentação já colocam o organismo no caminho certo. Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, açúcar e bebidas calóricas ajuda a controlar o excesso de calorias. Priorizar refeições caseiras, com alimentos naturais e porções equilibradas, é uma estratégia inicial eficaz e sustentável.

Movimento ativa o metabolismo para queimar gordura

Não é preciso iniciar com treinos intensos. Caminhadas regulares, subir escadas ou aumentar o tempo ativo ao longo do dia ajudam a sair do sedentarismo. A prática de atividade física, mesmo leve, estimula o metabolismo e contribui para a queima gradual de gordura.

 

Um estudo publicado na terça-feira (31/3) na revista Nature Communications, liderado por cientistas da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, identificou a presença de níquel em rochas de Marte. A descoberta ajuda a entender como o planeta se formou e evoluiu ao longo de bilhões de anos.

Os dados analisados foram coletados pelo rover Perseverance, da Nasa, que explora a cratera Jezero — uma região que já abrigou água no passado. A pesquisa se concentrou na composição química de minerais presentes nas rochas marcianas.

Os pesquisadores identificaram o níquel associado a minerais ricos em ferro, formados em condições específicas ao longo da história geológica de Marte. Esse tipo de associação é importante porque indica como os elementos químicos foram distribuídos e transformados no planeta ao longo do tempo.

De acordo com o estudo, o níquel não aparece de forma isolada, mas integrado à estrutura mineral das rochas, o que sugere que ele foi incorporado durante processos naturais de formação do solo marciano.

O que a descoberta revela sobre Marte

A presença do metal ajuda os cientistas a reconstruir o ambiente antigo de Marte, incluindo as condições químicas que existiam quando as rochas se formaram.

Os resultados indicam que o planeta passou por processos geoquímicos complexos, envolvendo interação entre rochas, água e diferentes elementos. Isso reforça a ideia de que Marte já teve um ambiente mais ativo do ponto de vista geológico do que o observado atualmente.

Apesar da importância da descoberta, os autores não afirmam que o níquel esteja ligado à presença de vida. Ainda assim, compreender como esses elementos se organizam nas rochas é considerado um passo importante para futuras investigações sobre a habitabilidade de Marte.

Os cientistas destacam que análises mais detalhadas — especialmente com amostras que poderão ser trazidas à Terra em futuras missões — serão fundamentais para aprofundar o entendimento sobre a composição do planeta.

Diversas agências espaciais pelo mundo realizam missões exploratórias com robôs. No entanto, todas elas enfrentam problemas comuns, como atrasos na comunicação entre a Terra e os veículos exploradores e a limitação no envio de dados ao planeta. Por isso, as atividades devem ser planejadas com antecedência, além das máquinas terem que ser estrategicamente eficientes.

Outro ponto dificultador é que os robôs são bastante dependentes dos comandos dos cientistas. Diante de todos esses fatores intercorrentes, as missões atuais ficam limitadas, com menos regiões exploradas e demoram mais para encontrar resultados.

Como solução, um novo estudo propõe que os robôs exploradores sejam semiautônomos, o que tornaria a investigação no espaço mais abrangente e com uma coleta de dados mais eficiente, sem a necessidade de tanta intervenção humana.

Dessa forma, os pesquisadores testaram a alternativa através do robô quadrúpede “ANYmal”, um exemplar semelhante a um cão. Os resultados apontaram que o veículo teve capacidade de acelerar a exploração de recursos e a investigação por sinais de vida, em comparação aos atuais.

Os testes liderados pela pesquisadora Gabriela Ligeza, da Universidade de Basel, na Suíça, tiveram os resultados publicados na revista Frontiers in Space Technologies nessa segunda-feira (30/1).

O cão robô na prática

O principal objetivo dos pesquisadores era avaliar se um robô equipado com uma carga útil científica simples seria capaz de estudar vários alvos com rapidez e, ao mesmo tempo, fornecer dados científicos relevantes.

Com quatro pernas, “ANYmal” foi equipado com um braço robótico para levar dois instrumentos de imagem e investigação de substâncias. O experimento foi realizado em um espaço na própria Universidade de Basel, que simulava as condições de superfície, iluminação e material planetárias.

Ao se aproximar dos alvos selecionados, ele coletou imagens e amostras sozinho. O cão robô conseguiu identificar vários tipos de rochas importantes para a exploração espacial.

Em comparação com os robôs atuais, que são acompanhados de perto por cientistas e têm múltiplos alvos, as missões com os semiautônomos foram mais rápidas, levando entre 12 e 23 minutos. Já os outros precisaram de 41 minutos.

Mais velozes, os cães robôs tiveram taxas de sucesso científicas altas, conseguindo identificar a maioria dos alvos corretamente.

Para os pesquisadores, os semiautônomos podem mudar os rumos da exploração espacial, mapeando áreas maiores e com mais rapidez, sem precisar de tantos comandos humanos.

“Os resultados fornecem informações valiosas para o desenvolvimento de sistemas de exploração robótica semiautônomos e de alta eficiência, contribuindo para o avanço de futuras missões a Marte e para a exploração da superfície planetária”, concluem os pesquisadores no artigo.

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