
Pesquisadores identificaram um possível mecanismo no cérebro que pode ajudar a esclarecer o fato de algumas pessoas seguirem com alta pressão arterial mesmo fazendo uso de medicamentos. O estudo indica que uma pequena região do tronco encefálico, chamada parafacial lateral, pode contribuir para o desenvolvimento de certos casos de hipertensão.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) em colaboração com a Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, e publicada na revista Circulation Research em 17 de dezembro de 2025.
No estudo, os cientistas identificaram que a região parafacial lateral, conhecida pela sigla pFL, está ligada ao controle da respiração. Ela participa especialmente de expirações mais intensas, como as que ocorrem durante exercícios físicos, tosse ou riso. Os experimentos indicam que esses neurônios também podem influenciar diretamente o sistema cardiovascular.
Durante os testes em ratos, os pesquisadores observaram que a ativação desses neurônios não apenas altera o padrão respiratório, mas também provoca a contração dos vasos sanguíneos, o que aumenta a pressão arterial.
Segundo os autores, essa ligação entre respiração e circulação pode ajudar a entender por que uma parcela significativa de pessoas com hipertensão não conseguem controlar a doença apenas com medicamentos tradicionais.
Para investigar o papel dessa região cerebral, os pesquisadores utilizaram técnicas de engenharia genética que permitem ativar ou desativar neurônios específicos. Ao estimular os neurônios da pFL, eles observaram que circuitos nervosos ligados ao sistema nervoso simpático eram ativados, o que levou ao aumento da pressão arterial nos animais.
O sistema nervoso simpático é responsável pela chamada resposta de luta ou fuga e controla diversas funções do organismo, incluindo a construção dos vasos sanguíneos.
Quando os cientistas reduziram a atividade desses neurônios em ratos com hipertensão, a pressão arterial voltou a níveis considerados normais.
“Descobrimos que, quando essa região do cérebro é desativada em condições de pressão elevada, os níveis de pressão arterial retornam ao normal”, disse o fisiologista Julian Paton, da Universidade de Auckland, em comunicado.
Os resultados também ajudam a esclarecer por que pessoas com apneia do sono apresentam maior risco de hipertensão.
Durante episódios de apneia, o nível de oxigênio no sangue cai e o dióxido de carbono aumenta, condições que podem ativar os neurônios da região parafacial lateral. Isso significa que alterações respiratórias durante o sono podem estimular esse circuito cerebral e contribuir para o aumento da pressão arterial.
Como o estudo foi realizado em modelos animais, ainda será necessário confirmar se o mesmo mecanismo ocorre em humanos.
Mesmo assim, os resultados apontam para uma nova forma de investigar a hipertensão e sugerem que sensores de oxigênio localizados nas artérias do pescoço, conhecidos como corpos carotídeos, podem ser um alvo para futuras estratégias de tratamento.
O controle do diabetes tipo 2 no Brasil enfrenta um desafio crescente: segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2006 e 2024, o diagnóstico da doença entre adultos saltou de 5,5% para 12,9%, um aumento de 135% acompanhado pela alta nos índices de obesidade. Para a nutricionista Bela Clerot, o obstáculo para estabilizar a glicemia não está apenas na falta de acesso a tratamentos, mas na repetição de hábitos que parecem saudáveis, mas mantêm o metabolismo em desequilíbrio.
Segundo a especialista, o foco excessivo em medicações e o consumo de substitutos “naturais” do açúcar criam uma falsa sensação de segurança que impede a remissão da doença.
Ilusão do remédio: muitos pacientes acreditam que a medicação anula o impacto de uma dieta inadequada, ignorando que o estilo de vida é o verdadeiro pilar do tratamento.
Armadilha do “natural”: substituir açúcar por mel, tâmaras ou sucos não reduz o impacto glicêmico para quem já possui resistência à insulina.
Frequência alimentar: o hábito de “beliscar” ou comer a cada três horas sem necessidade pode sobrecarregar o metabolismo e gerar picos constantes de glicose.
Visão limitada: focar apenas no valor da glicose em exames isolados é um erro; o diagnóstico completo exige análise de insulina, hemoglobina glicada e HOMA-IR.
Um dos maiores mitos combatidos por Bela Clerot é a ideia de que o diabetes tipo 2 é uma sentença progressiva e irreversível. “A doença não tem cura, mas pode entrar em remissão com mudanças consistentes. Achar que o destino é apenas aumentar a dose do remédio desmotiva o paciente”, explica.
Para a nutricionista, a chave está em entender que a medicação ajuda, mas não educa o organismo. “A gente controla o diabetes pela boca”, resume, reforçando que o uso de fármacos como eixo único do tratamento costuma falhar a longo prazo.
Outro ponto crítico são os produtos ultraprocessados rotulados como “diet” ou “zero”. A especialista alerta que adoçantes culinários e itens industriais frequentemente escondem maltodextrina ou outros carboidratos que elevam a glicemia tanto quanto o açúcar refinado. O mesmo vale para as substituições caseiras: frutas muito maduras ou receitas “fit” podem carregar uma carga glicêmica alta que o corpo do diabético não consegue processar eficientemente.
Além da qualidade do que se come, a periodicidade das refeições entrou no radar da nutrição moderna. Para quem tem alterações metabólicas, a ingestão constante de alimentos mantém a insulina alta o dia todo, dificultando a estabilização. No entanto, Bela ressalta a importância da individualização: pacientes que usam certos medicamentos precisam de acompanhamento rigoroso para evitar crises de hipoglicemia.
A nutricionista conclui que o tratamento eficaz exige menos “atalhos” e mais análise clínica. Antes de trocar qualquer componente da dieta ou alterar a rotina, é fundamental alinhar a estratégia com um profissional que avalie o histórico completo, incluindo triglicerídeos e HDL, para garantir que o corpo esteja, de fato, recuperando sua saúde metabólica.
Nas últimas décadas, a humanidade conquistou mais tempo e mais qualidade de vida graças, sobretudo, aos avanços tecnológicos na saúde. O desenvolvimento de novas vacinas, cirurgias menos invasivas, unidades de terapia intensiva muito mais modernas e pesquisas na área de genética têm papel preponderante nessa evolução. No entanto, foram duas áreas, em particular, que contribuíram decisivamente para um processo de reconfiguração dos cuidados médicos: os exames de imagem, que revolucionaram a medicina diagnóstica, e novas gerações de medicamentos, que vêm evitando mortes precoces e garantindo o melhor controle de doenças.
Nos últimos 50 anos, as inovações na radiologia já vinham mostrando a importância da tecnologia e da convergência de outras áreas, como a física e a engenharia, na busca de precisão dos exames. Não custa lembrar que os primeiros tomógrafos datam da década de 1970 e que os aparelhos de ressonância magnética se popularizariam nos anos 1980.
A telemedicina, que teve suas primeiras aplicações com os voos espaciais tripulados, ganharia corpo na década de 1990, embora só tenha experimentado expansão no Brasil com a pandemia de Covid-19, em 2020-21. Na virada do milênio, a inteligência artificial (IA) começava a adentrar a área de saúde e, dez anos depois, já era usada em larga escala, dando início a uma mudança de paradigma.
Hoje já podemos falar em transformação digital na saúde, com teleconsultas, monitoramento remoto de pacientes e, particularmente, com o uso da IA, que faz a análise automática de exames e imagens e, de modo geral, reduz a possibilidade de erro em toda a cadeia da saúde.
Seu uso é essencial nas terapias personalizadas e na medicina de precisão baseada em genômica, que hoje representam avanços promissores, pois permitem analisar grandes volumes de dados genéticos e clínicos, identificar mutações relevantes, prever a resposta individual a medicamentos e descobrir biomarcadores que orientam tratamentos específicos.
Parte importante da evolução tecnológica é a interoperabilidade entre os sistemas, que garante a padronização e a segurança no intercâmbio de informações. Também nisso a IA é importante porque ajuda na organização de dados vindos de fontes diversas, na detecção de inconsistências, na integração entre informações clínicas, genômicas e de dispositivos vestíveis e na transformação desse fluxo de dados em conhecimento útil para médicos e gestores. Na ponta do lápis, a interoperabilidade pode trazer uma redução de 15% no custo saúde.
Nosso grande desafio hoje é tornar a inovação acessível ao maior número de pessoas. A tecnologia chega gradualmente, mas sua introdução é mais lenta no SUS (Sistema Único de Saúde), o que se explica pela desigualdade de distribuição de recursos. Nosso sistema público é universal, mas subfinanciado em tudo o que pretende oferecer. Inexistem condições financeiras para a incorporação acelerada de tecnologias, situação agravada pela judicialização, na medida em que o sistema é obrigado a alocar montantes significativos para situações que extrapolam as margens de previsibilidade.
Em um país de mais de 200 milhões de habitantes, dos quais 75% dependem da rede pública, o cobertor já é curto em condições normais – e vale dizer que, mesmo em países desenvolvidos, que têm mais dinheiro, sistemas universais não conseguem oferecer todo tipo de tecnologia a seus pacientes. Para sua incorporação em larga escala, é essencial o processo de avaliação e comprovação de eficácia.
Independentemente da judicialização, as barreiras econômicas são evidentes: cerca de 55% de tudo o que se gasta em saúde beneficia apenas 25% da população, que tem acesso ao setor privado, enquanto os 45% restantes atendem 75% dos brasileiros, que dependem do sistema público. A conta não fecha. É flagrante o desequilíbrio, agravado por desigualdades regionais e pela ineficiência administrativa.
Em muitas regiões, a infraestrutura é precária: 40% da população do país não tem acesso a saneamento básico – e não custa lembrar que, para cada real investido em saneamento, quatro ou cinco são economizados em saúde. Além disso, em vários locais, pacientes com câncer e outras doenças não têm acesso a diagnóstico e a hospitais para tratamentos de alta complexidade. Os tomógrafos estão concentrados na região Sudeste, e os aparelhos de ressonância magnética, em quantidade menor, predominam em clínicas particulares. No SUS, quando há equipamentos, o paciente enfrenta meses em uma fila.
Problemas estruturais e de má gestão de recursos limitados convivem com outro gargalo, o da formação médica. Temos excelentes universidades no país, mas muitas outras de péssima qualidade, como vimos recentemente nos resultados do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica). Há décadas, busca-se a quantidade, não a qualidade – e o resultado dessa política são muitos recém-formados com conhecimentos insuficientes. O poder público tem responsabilidade na qualidade dos médicos que entram no mercado: maus profissionais são um ônus para toda a sociedade.
As universidades devem ser pilares de inovação, verdadeiros centros de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia e de produtos que possam contribuir para melhorar a saúde da população. O investimento em instituições de qualidade é, por isso mesmo, estratégico. Os nossos talentos é que podem fazer o país deixar de depender em excesso de soluções importadas e caras. Nas universidades de ponta, o ensino tem acompanhado as transformações na saúde, mas infelizmente essas ainda são exceções, não a regra.
Temos muitos desafios a enfrentar na área da saúde, sobretudo para assegurar acesso equitativo a tratamentos modernos e de melhor qualidade. Tecnologias acessíveis podem melhorar esse quadro, reduzindo as desigualdades, e aumentar a eficiência do sistema como um todo, gerando economia. Ainda que dificilmente o setor público venha a alcançar o patamar da saúde privada no quesito inovação, temos a oportunidade de reduzir o custo saúde com mais inclusão.
Estamos em um momento de descoberta das potencialidades da IA, que, à primeira vista, podem fazer parecer que a figura do médico é substituível por algoritmos. Esse é um erro de perspectiva: não se deve confundir uma ferramenta, ainda que poderosa, com aquele que a põe em movimento. Os profissionais devem continuar oferecendo empatia e escuta ativa aos pacientes, pois o processo de cura e enfrentamento de uma doença sempre está inserido em um conjunto de condições particulares de vida. A inteligência artificial já mudou o paradigma da saúde, mas os princípios éticos e de respeito ao paciente como pessoa, que conhecemos desde Hipócrates, vão continuar norteando a prática médica.
Uma equipe de cientistas identificou um novo tipo de célula que surge apenas durante a gravidez e pode ter papel direto na conexão entre mãe e bebê. A descoberta foi publicada nesta quarta-feira (8/4) na revista Nature e liderada por pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco, nos Estados Unidos.
O achado faz parte de um estudo amplo que mapeou, com alto nível de precisão, as células presentes na interface entre o útero e a placenta onde está o feto, região essencial para a formação da placenta e para o desenvolvimento saudável da gestação.
Os pesquisadores analisaram centenas de milhares de células ao longo da gravidez para entender como o corpo da mulher se adapta à presença do feto. Durante a investigação, eles identificaram um tipo celular que não havia sido descrito anteriormente.
A nova célula apresenta características únicas e aparece exclusivamente durante a gestação, o que indica um papel específico no processo reprodutivo. Segundo os autores, a descoberta não foi isolada.
A nova célula faz parte de um “atlas celular” da gravidez, que permite observar como diferentes tipos de células interagem ao longo do desenvolvimento fetal.
Embora ainda não exista uma resposta definitiva para qual é a função da célula, os dados so estudo indicam que ela pode ter um papel importante na formação da placenta — órgão responsável por nutrir o bebê durante a gestação.
A hipótese dos cientistas é que ela ajude a controlar a invasão das células da placenta no útero, um processo natural e necessário para garantir a circulação adequada de sangue entre mãe e feto.
Além disso, a célula possui receptores ligados a substâncias chamadas canabinoides, que atuam em diferentes funções do organismo. Esse detalhe levanta a possibilidade de que fatores externos, como o uso de cannabis, possam interferir no mecanismo durante a gravidez — embora mais estudos ainda sejam necessários para confirmar essa relação.
A gestação é um processo complexo, no qual o corpo da mulher precisa se adaptar rapidamente para sustentar o desenvolvimento de um outro organismo. Mesmo com avanços da medicina, muito mecanismos ainda não são completamente compreendidos.
O lobo frontal é uma das regiões mais importantes do cérebro humano e está diretamente ligado à capacidade de tomar decisões, controlar impulsos e planejar o futuro. Embora muitas pessoas associem a vida adulta aos 18 anos, do ponto de vista neurológico o cérebro continua em desenvolvimento por mais tempo, especialmente a área responsável pelas chamadas funções executivas.
Especialistas explicam que o lobo frontal costuma atingir maturação completa apenas por volta dos 25 anos. Até lá, o cérebro passa por mudanças importantes que influenciam comportamento, emoções e escolhas ao longo da juventude.
Segundo a neurologista Andreia Lamberti, da Doctoralia, plataforma de saúde digital, o desenvolvimento cerebral acontece de forma gradual e pode variar entre os indivíduos.
“A maturação plena geralmente ocorre até os 25 anos. Em pacientes com alterações do neurodesenvolvimento, como o TDAH, esse processo pode ser mais lento e exigir acompanhamento especializado, com tratamento, medicação em alguns casos e suporte da neuropsicologia”, explica.
O lobo frontal é responsável por funções como planejamento, organização de pensamentos, tomada de decisões e controle inibitório, a capacidade de frear impulsos.
A imaturidade do lobo frontal ajuda a explicar comportamentos mais impulsivos durante a adolescência e início da vida adulta. De acordo com a psiquiatra Renata Krelling, do Hospital Nove de Julho, em São Paulo, há um descompasso no desenvolvimento do cérebro nessa fase.
“Os sistemas ligados à recompensa e à emoção amadurecem mais cedo, enquanto o córtex pré-frontal, responsável pelo controle e regulação do comportamento, amadurece mais tardiamente”, afirma.
Esse desequilíbrio favorece maior busca por novidades, decisões baseadas em emoção e dificuldade de avaliar consequências a longo prazo.
Com o passar dos anos, o desenvolvimento do lobo frontal também contribui para maior estabilidade emocional. Segundo Renata, a maturação do córtex pré-frontal melhora a regulação das emoções e reduz comportamentos impulsivos.
Isso ocorre porque há maior integração entre áreas cerebrais responsáveis pelas emoções e pelo pensamento racional, permitindo respostas mais equilibradas diante de situações de estresse ou conflito.
Embora o desenvolvimento cerebral seja influenciado por fatores biológicos e genéticos, o estilo de vida também tem papel importante nesse processo.
Para Andreia, hábitos saudáveis funcionam como um estímulo para o cérebro criar novas conexões. “Exercícios físicos, leitura, aprendizado constante e alimentação equilibrada são fundamentais para a consolidação de novas sinapses e para o desenvolvimento das funções cognitivas”, afirma.
A especialista destaca que a nutrição adequada em todas as fases da vida é essencial para manter o bom funcionamento do cérebro e favorecer o amadurecimento das capacidades mentais.
Uma mulher, de 51 anos, que não teve a identidade divulgada, foi presa preventivamente pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS) nesta quarta-feira (8/4) por suspeita de maus-tratos contra um casal de gêmeos, de 8 meses, em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
De acordo com a delegada Amanda Andrade, a suspeita atuava como técnica de enfermagem e havia sido contratada pelos pais dos bebês para cuidar deles em casa há, aproximadamente, cinco meses.
As investigações tiveram início após os pais notarem mudanças significativas no comportamento dos filhos. Segundo os relatos, durante os fins de semana, período em que a cuidadora não estava presente, os bebês apresentavam quadros de intensa agitação e irritabilidade.
“Os pais decidiram analisar imagens de câmeras de segurança instaladas na casa, e os vídeos revelaram que a profissional agredia fisicamente os bebês, proferia xingamentos e os dopava durante o turno de trabalho”, contou a delegada.
Segundo as imagens analisadas pela polícia, a cuidadora retirava comprimidos do bolso e colocava na mamadeira dos bebês.
A PCRS aguarda exames toxicológicos para saber ao certo qual era a substância utilizada pela mulher, que ficou em silêncio durante depoimento na delegacia.
A suspeita foi encaminhada ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.
Os últimos dias foram movimentados para Virginia Fonseca, que comeorou seu aniversário de 27 anos na Espanha, ao lado da família, amigos e do namorado, Vini Jr., em meio a rumores de crise no relacionamento.
Nesta quinta-feira (9/4), Virginia dividiu com seus seguidores e fãs uma sequência de imagens recentes da temporada internacional. Os registros mostram momentos em família, comemorações e, é claro, cliques românticos ao lado do jogador de futebol.
No entanto, um detalhe acabou chamando a atenção dos olhos mais atentos: os presentes que Virginia ganhou pelo seu aniversário.
Em um das fotos, é possível ver os vários buquês de rosas vermelhas, dispostos ao redor de itens caros. Entre eles, aparece uma caixa da Cartier, que está fechada, além de uma camisa do Real Madrid com o nome dela estampado.
Entre tanta informação, um presente específico que concentrou as atenções. Virginia revelou um relógio que, pelas características, se trata do modelo Royal Oak Selfwinding, da Audemars Piguet, grife suíça de relógios de luxo.
A peça faz parte de uma das linhas mais reconhecidas da relojoaria e apresenta o mostrador com padrão “Grande Tapisserie”, além de caixa em aço inoxidável. Agora, a informação que faltava: o valor estimado do modelo gira em torno de R$ 162.810, considerando a conversão pela cotação atual.
Como revelou este colunista do Metrópoles, o relacionamento de Virginia Fonseca e Vini Jr., assumido em outubro de 2025, atravessa um período de instabilidade. Apesar disso, Virginia tem optado por não reagir, ao menos por enquanto, aos boatos que envolvem o jogador.
As especulações giram em torno de uma possível traição por parte de Vini Jr., hipótese que não foi confirmada publicamente. Ainda assim, a influenciadora já teria tomado conhecimento das conversas que circulam e decidiu não adotar qualquer medida precipitada.
E o histórico recente pesa. Em 2025, Virginia chegou a terminar o namoro com Vini Jr. após a vazarem supostas conversas entre o jogador de futebol e a modelo Day Magalhães.
O conteúdo, divulgado nas redes sociais, indicava interações frequentes, com reações a publicações, comentários e até convites para videochamadas, além de menções a um possível encontro.
Quando células de determinada região do corpo passam a crescer e se multiplicar de forma descontrolada e desordenada, o quadro é classificado como câncer. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), 781 mil novos casos da doença deverão ocorrer por ano no Brasil entre 2026 e 2028.
Apesar do cenário preocupante, o oncologista Paulo Hoff, presidente da Oncologia D’Or e uma das maiores referências em oncologia do país, afirma que a adoção de três hábitos simples são essenciais para prevenir o desenvolvimento de novos casos: ter uma alimentação rica em fibra; praticar exercícios físicos com regularidade; e se expor ao Sol.
“Há diversos estudos consolidados mostrando que muitos tipos de câncer estão associados ao estilo de vida. Podemos afirmar sim que a adoção de hábitos de vida saudáveis é uma das principais aliadas na prevenção de tumores”, diz Hoff em entrevista ao Metrópoles.
Por outro lado, o oncologista ressalta que, em alguns casos, fatores de risco como a herança genética e o envelhecimento, podem aumentar a incidência de câncer, mesmo com a adoção dos hábitos. “Esses fatores estão fora do nosso controle individual”, afirma.
Segundo Hoff, a alimentação rica em fibras ajuda o intestino a funcionar melhor. Como consequência, a mucosa intestinal tem um tempo de contato menor com substâncias potencialmente cancerígenas, além de auxiliar no equilíbrio da microbiota.
“Uma dieta rica em fibras está associada, principalmente, à redução do risco de câncer colorretal. Junto com a prática regular de atividade física, ambas ações auxiliam no controle do peso. Hoje a obesidade é um dos principais fatores de risco comprovado para diversos tipos de câncer”, afirma o oncologista.
Além de ajudar a reduzir a obesidade – um dos fatores de risco para o desenvolvimento da doença – a prática de exercícios físicos regulares é uma ação importante para diminuir a inflamação do organismo e regular hormônios importantes para o funcionamento do corpo, como a insulina e o estrogênio. “Em níveis elevados, esses hormônios podem favorecer o desenvolvimento de alguns tipos de câncer, como de mama e endométrio”, alerta Hoff.

Quando feito de forma moderada e responsável, a exposição diária ao Sol serve para produzir vitamina D, um ativo no organismo importante na regulação do crescimento celular e sistema imunológico.
“É importante frisar que é uma exposição moderada, nunca deixando de usar o protetor solar. O câncer de pele permanece como o mais comum no Brasil, representando cerca de 30% do total de casos”, recomenda o médico.
Pesquisadores identificaram como o canabidiol (CBD), pode ajudar a proteger o cérebro contra danos associados à doença de Alzheimer. Experimentos realizados com camundongos mostraram que o composto foi capaz de reduzir o acúmulo de proteínas tóxicas, restaurar conexões entre neurônios e melhorar a memória dos animais.
O estudo conduzido por cientistas da Universidade de Shenzhen, da Academia Chinesa de Ciências e de outras instituições, foi publicado em 19 de março na revista Molecular Psychiatry.
O Alzheimer é caracterizada pela perda progressiva de memória e outras funções cognitivas. O processo está ligado ao acúmulo anormal de proteínas no cérebro, principalmente tau e beta-amiloide, que desencadeiam inflamação e degeneração das células nervosas.
Segundo os pesquisadores, o CBD tem chamado atenção porque é um composto da planta Cannabis sativa que não provoca os efeitos psicoativos associados ao Δ9-tetrahidrocanabinol (THC), tornando-o um candidato mais seguro para estudos clínicos.
Para investigar os efeitos do composto, os cientistas utilizaram camundongos geneticamente modificados para desenvolver alterações semelhantes às observadas no Alzheimer, incluindo perda de memória e mudanças comportamentais.
Os animais receberam doses de CBD seis vezes por semana durante 45 dias. Ao final do período, os pesquisadores observaram melhora no desempenho em testes de memória e redução de comportamentos associados à ansiedade.
Análises do cérebro desses animais também indicaram recuperação de estruturas importantes para a comunicação entre os neurônios. As sinapses, que são os pontos de contato entre as células nervosas, apresentaram sinais de restauração após o tratamento.
Os cientistas também investigaram o mecanismo molecular por trás desses efeitos. Eles descobriram que o CBD interage com uma proteína chamada FRS2 e ajuda a ativar uma via de sinalização importante para a sobrevivência e a plasticidade dos neurônios.
“Descobrimos que o CBD não substitui o fator de crescimento BDNF, mas fortalece o sistema de sinalização que ele utiliza”, explicou o pesquisador Xiubo Du, autor sênior do estudo.
Quando os cientistas bloquearam a produção da proteína FRS2 nos animais, o CBD perdeu grande parte de sua eficácia. Nesse cenário, o composto deixou de reduzir o acúmulo de proteínas nocivas e também não conseguiu proteger as conexões entre neurônios.
Os autores destacam que os resultados ajudam a esclarecer como o canabidiol pode atuar no cérebro e indicam novas estratégias para o desenvolvimento de medicamentos. Ainda assim, ressaltam que as conclusões se baseiam em experimentos com animais e que mais pesquisas serão necessárias antes de avaliar o potencial do composto em humanos.
O autismo é uma realidade presente em milhões de lares brasileiros.
Segundo dados do IBGE, a maior concentração de diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) está na primeira infância, entre 0 e 4 anos.
Nessa faixa etária, cerca de 2,1% das crianças fazem parte do espectro.
Receber o diagnóstico gera dúvidas e inseguranças nos pais. No entanto, o apoio correto transforma a trajetória do autista.
“Ter um filho com autismo requer o desenvolvimento de habilidades específicas”, afirma Tonny Luccas, profissional da área de neurologia no AmorSaúde. O segredo está na intervenção precoce e no suporte contínuo.
Um diagnóstico seguro costuma ser feito a partir dos 18 meses. Os pais devem ficar atentos a sinais sutis, como:
Dificuldade de interação social.
Ausência de olhar sustentado (manter contato visual por pelo menos 5 segundos).
Atraso no desenvolvimento em comparação com outras crianças da mesma idade.
Ao notar esses sinais, o primeiro passo é buscar um neuropediatra e um fonoaudiólogo. O neurologista fecha o diagnóstico, enquanto o fonoaudiólogo auxilia na evolução da fala.
O neurologista definirá o “grau de suporte” da criança. Esse nível dita quanto auxílio ela precisará ao longo da vida:
Grau 1: Necessita de menos apoio. O foco dos pais deve ser a interação social e a flexibilização mental (ajudar a lidar com novas regras).
Grau 2: Exige suporte moderado. Envolve cuidados com comunicação verbal, não verbal e rigidez comportamental. Terapias ocupacionais são fundamentais aqui.
Grau 3: É o nível mais severo. Requer suporte intensivo e constante para atividades diárias e comunicação. Muitas vezes, gera dependência por toda a vida.
Crianças de grau 1 e 2 podem alcançar grande independência escolar. Para isso, a tríade família, escola preparada e identificação precoce deve funcionar em harmonia. Adaptações pedagógicas previstas em lei são direitos que garantem o aprendizado e a inclusão.
O suporte não termina na infância. Na fase adulta, o acompanhamento multidisciplinar é o que garante a qualidade de vida. Conheça os profissionais essenciais:
Fonoaudiólogo: Melhora a interação social. No grau 3, ajuda até em funções vitais, como mastigação e deglutição.
Psicólogo: Fundamental para a autonomia e para lidar com as barreiras sociais e emocionais.
Terapeuta ocupacional: Treina o adulto para tarefas práticas, como higiene pessoal, cuidados domésticos e rotina profissional.
Neurologista: Deve acompanhar o paciente por toda a vida. Ele monitora condições associadas, como ansiedade, distúrbios do sono e epilepsia.
Reduza estímulos: Ambientes com muito barulho ou luzes intensas podem causar crises sensoriais.
Mantenha a rotina: Autistas sentem-se seguros com previsibilidade.
Cuide de você: O acompanhamento psicológico para os pais é vital para evitar o esgotamento.
Administração medicamentosa: Siga rigorosamente as prescrições médicas para controlar comorbidades.
O autismo não é uma barreira intransponível, mas uma forma diferente de processar o mundo.
Com o suporte adequado em cada etapa, desde a descoberta até a maturidade, o indivíduo com TEA pode desenvolver suas potencialidades e viver com dignidade.
Ao realizar buscas por aranhas em áreas de floresta da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, pesquisadores se deparam com uma nova espécie de fungo. Batizado de Gibellula mineira, o exemplar infecta os aracnídeos, manipulando o comportamento deles e deixando-os como “zumbis”.
Quem assiste a série The Last Of Us (2023), sabe que os fungos têm capacidade de causar estragos. Mas para a nossa sorte, na vida real, o mecanismo de tornar os hospedeiros em zumbi ocorre somente em insetos e aranhas.
A descoberta fez parte do mestrado da estudante Aline dos Santos, sob orientação da pesquisadora Thairine Mendes Pereira e do professor Thiago Gechel Kloss, todos da UFV. Os resultados foram publicados na revista Fungal Biology em meados de março.
Inicialmente, as buscas de Aline tinham como objetivo compreender melhor possíveis alterações no comportamento das aranhas, mas acabaram se deparando com uma nova espécie fúngica. As coletas do exemplar foram feitas ainda em 2024. Após passar por comparações com outros indivíduos já conhecidos, além de investigações morfológicas e genéticas, foi confirmado que se tratava de um organismo nunca antes visto.

As aranhas atacadas pelo fungo são da espécie Iguarima censoria. Segundo análises, cerca de 25% da população das hospedeiras foram infectadas pelo organismo.
“Outro resultado que surpreendeu os pesquisadores foi que aranhas menores apresentaram maior probabilidade de serem parasitadas, um padrão inesperado que levanta novas questões sobre a dinâmica da interação entre o fungo e suas aranhas hospedeiras”, afirma a UFV em comunicado.
Os pesquisadores ressaltam que o achado ajuda a entender mais detalhes da relação entre fungos e aranhas, além de mostrar que descobertas podem ser feitas em ambientes urbanos também, como no campus de uma universidade.
Em meio a volta para a Terra, os astronautas da Artemis II conversaram com uma tripulação localizada na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês). Mesmo com todos presentes no espaço, o sistema de comunicação sofisticado e a infraestrutura da Nasa fizeram o papo acontecer.
Um dos momentos mais marcantes da conversa foi quando a astronauta localizada na ISS, Jessica Meir, perguntou para a colega espacial da Artemis, Christina Koch, como sua perspectiva da Terra mudou após enxergá-la do espaço.
“O que mudou para mim ao olhar para a Terra foi que me vi percebendo não apenas a beleza do planeta, mas também a escuridão que o cercava, e como isso o tornava ainda mais especial. Isso realmente enfatizou o quanto somos parecidos, como a mesma coisa mantém cada pessoa no planeta Terra viva”, afirma Christina.
A astronauta afirmou que a visão ampla do nosso planeta a fez refletir sobre a Terra. “Evoluímos no mesmo planeta, compartilhamos algumas coisas sobre como amamos e vivemos que são simplesmente universais, e a singularidade e o valor disso ficam ainda mais evidentes quando percebemos quanta coisa existe ao nosso redor”, conclui.
A conversa no espaço ocorreu enquanto a tripulação da Artemis segue de volta para a Terra. A previsão é que eles cheguem em solo terrestre nessa sexta-feira (10/4), às 21h07 (horário de Brasília). A cápsula responsável por levar a tripulação deve cair no mar, próximo à costa da cidade norte-americana de San Diego.
O Estreito de Ormuz está com o tráfego de embarcações praticamente parado nesta quinta-feira (9/4). Apenas seis navios atravessaram a passagem nas últimas 24 horas, segundo o site de monitoramento Hormuz Strait Monitor.
Antes da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, cerca de 130 navios que atravessava diariamente o canal, segundo órgãos internacionais que monitoram o trânsito marítimo.
Veja:
Após o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, a expectativa era de que o canal marítimo fosse reaberto e a rota por onde passa 20% do petróleo mundial voltasse a fluir.
No entanto, ataques do Exército israelense ao Líbano que deixaram mais de 250 mortos nessa quarta-feira (8/4) fizeram com que o Irã bloqueasse novamente o canal.
Enquanto o Paquistão, mediador do acordo, e o Irã alegam que o cessar-fogo negociado incluía o Líbano, Estados Unidos e Israel afirmam o contrário.
Nesta sexta-feira (10/4), autoridades norte-americanas e iranianas se reunirão em Islamabad, no Paquistão, para negociações diplomáticas.
Um estudo inédito no Brasil pretende avaliar se levar a profilaxia pré-exposição ao HIV para espaços comunitários pode aumentar o acesso à prevenção entre jovens. A pesquisa, chamada COMPrEP, será lançada nesta sexta-feira (10/4) em Salvador e envolve pesquisadores de diversas instituições brasileiras e internacionais.
A proposta é oferecer a PrEP também fora das unidades de saúde, levando a estratégia de prevenção para ambientes frequentados por jovens em territórios periféricos e espaços de convivência. O estudo vai acompanhar participantes entre 15 e 24 anos, com foco em grupos mais vulneráveis à infecção pelo HIV, como homens que fazem sexo com homens, travestis e pessoas trans.
A pesquisa será realizada em Salvador e São Paulo e deve envolver cerca de 1,4 mil participantes. Os voluntários serão divididos em dois modelos de cuidado. Um grupo receberá acompanhamento tradicional em serviços de saúde. O outro terá acesso à profilaxia por meio de iniciativas comunitárias, com apoio de educadores pares.
Esses educadores serão jovens das próprias comunidades, capacitados para orientar os participantes sobre o uso da PrEP, acompanhar a estratégia de prevenção e compartilhar informações sobre HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis.
A ideia é criar vínculos de confiança e reduzir barreiras que muitas vezes afastam jovens dos serviços tradicionais de saúde. Os participantes serão acompanhados por até 12 meses, período em que os pesquisadores vão observar indicadores como início do uso da profilaxia, adesão ao tratamento e continuidade da estratégia.
Segundo o pesquisador Laio Magno, da Fiocruz Bahia e professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), a iniciativa reconhece o papel das comunidades no enfrentamento da epidemia.
“A expectativa é que os resultados ajudem a aprimorar as políticas públicas de prevenção ao HIV no Brasil, com estratégias mais acessíveis para populações em maior vulnerabilidade”, afirma, em comunicado.
O estudo é financiado pelo National Institutes of Health, dos Estados Unidos, e envolve pesquisadores da Fiocruz Bahia, Universidade Federal da Bahia, Universidade do Estado da Bahia, Universidade de São Paulo e Universidade do Alabama. A iniciativa conta ainda com a parceria do Ministério da Saúde, secretarias estaduais e municipais e organizações da sociedade civil.
Nos últimos anos, o uso extensivo de antibióticos para controlar doenças resultou nas superbactérias: microrganismos resistentes a medicamentos que tornam infecções comuns mais difíceis de tratar e assombram profissionais da área da saúde ou pacientes que precisam passar por intervenções cirúrgicas.
A ciência segue em busca de uma resposta ao problema das superbactérias. E nossa equipe da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), do campus Toledo, tem trabalhando nesse enfrentamento, com o desenvolvimento de um hidrogel com alto poder antimicrobiano.
Como o produto ainda não passou por uma regulamentação, não é possível aplicá-lo em pessoas, mas a pesquisa em laboratório mostrou grande potencial para ser usado como substituto do álcool em gel e como agente de limpeza para esterilização de ambientes hospitalares. Os próximos passos incluem escalonar o material. Estamos em busca de empresas parceiras para dar seguimento às pesquisas.
Uma das vantagens do nosso gel está no fato de se apresentar como um agente germicida mais eficaz quando aplicado na pele, como mostraram os nossos experimentos. Outros álcoois em gel, apesar de terem agentes antimicrobianos, não apresentam atividade residual persistente e podem permitir o crescimento lento de bactérias após seu uso.
Em 2022, durante o meu pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Processos Químicos e Biotecnológicos (PPGQB-Toledo), coordenado pelo pesquisador Ricardo Schneider, iniciamos o desenvolvimento de um hidrogel composto de vidro de borofosfato (uma espécie de ‘vidro bioativo’) e carbopol (um agente gelificante utilizado na formulação do álcool em gel e que usamos como desinfetantes para as mãos).
O borofosfato é chamado de ‘vidro’ porque, estruturalmente, é um material vítreo, ou seja, amorfo, não cristalino. Mas ele é diferente do vidro de janela, que é feito principalmente de areia de sílica.
A composição química do vidro de borofosfato parte do fosfato de potássio. Ele é solúvel (ou seja, pode ser diluído na água) e composto por tipos de reagentes específicos. Usamos esse material para fazer uma síntese que chamamos de fusão e resfriamento e, assim, formar esse material ‘vítreo’.
O termo ‘vidro bioativo’ não está ligado à sua composição química, mas ao comportamento do material quando entra em contato com um sistema biológico. Isto porque ele interage ativamente com o meio fisiológico.
Criamos um hidrogel feito de carbopol e incorporamos nele o vidro de borofosfato já em forma aquosa (depois de diluído). O vidro é nosso princípio ativo, responsável por matar as bactérias.
Além do alto poder antimicrobiano e da ausência de metais como a prata, outra grande vantagem do produto desenvolvido e patenteado na Universidade Estadual do Oeste do Paraná, campus Toledo (Unioeste) é que o hidrogel não é inflamável como o álcool em gel, que tem etanol em sua composição.
Em relação ao uso de agentes antibacterianos residuais, como a prata ou o triclosan, várias alternativas têm sido estudadas por cientistas a partir da nanotecnologia, para evitar o surgimento de bactérias mais resistentes a longo prazo.
Se você estiver analisando rótulos para consumo, verifique a lista de ingredientes (Composition/INCI). Se não houver termos como “Silver”, “Colloidal Silver” ou “Silver Citrate”, o produto não contém o metal.
Os estudos para o nosso hidrogel levaram cerca de um ano, entre 2022 e 2023, e resultaram no depósito de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Este prazo é considerado curto quando o assunto é produção científica.
Em 2023, nosso grupo assinou e publicou um artigo na International Journal of Pharmaceutics, a terceira revista científica mais citada na área, apresentando as diferenças entre o hidrogel e o álcool em gel. O trabalho foi desenvolvido por mim e pelos alunos do mestrado Iago Assis (PPGBio/UTFPR) e Jaqueline Saracini (Unioeste), orientados pelos professores Ricardo Schneider e Cleverson Busso.
Pela inovação no desenvolvimento desse gel com alto poder antimicrobiano para uso em ambientes hospitalares, fui selecionada para integrar a edição de 2025 do livro “25 Mulheres na Ciência América Latina” e a plataforma on-line do programa. A publicação trará o nosso trabalho desenvolvido no Paraná, servindo de inspiração à próxima geração de mulheres nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.
Primeiro foi a proteína, agora é a vez da fibra: o “maxxing” conquista as redes sociais, com influencers que insistem que a chave para mais vitalidade e uma transformação radical da saúde intestinal está em consumir certos nutrientes em grandes quantidades.
Mas será que esse fenômeno viral é realmente saudável?
O conceito de “proteinmaxxing” (aumentar o consumo de proteína) defende que “quanto mais, melhor” quando se trata desse macronutriente encontrado em alimentos como carnes, laticínios e castanhas, já que ele é essencial para funções corporais como a reparação de tecidos e o fortalecimento do sistema imunológico.
Mas, em 2026, é a fibra alimentar que desponta como a principal tendência das redes: consumir o máximo possível ajudaria a sentir menos fome e a ter um intestino mais regular, dizem seus defensores na internet, enquanto consomem pratos cheios de sementes de chia e aveia diante das câmeras.
E a indústria percebeu isso. Grandes empresas como PepsiCo e Nestlé, junto com outras mais novas, como a Olipop, aderiram à tendência ao destacar o teor de fibra de seus produtos.
“Considero que a fibra será a próxima proteína”, disse Ramón Laguarta, presidente-executivo da PepsiCo, no fim do ano passado.
Uma pesquisa da consultoria Bain & Company mostrou que cerca de metade dos consumidores dos Estados Unidos tenta ingerir mais proteína.
Nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia, a moda é impulsionada sobretudo pelos consumidores da Geração Z (nascidos a partir de 2000) e pelos millennials, concluiu o levantamento.
E o mesmo ocorre com a fibra. Cerca de 40% da Geração Z e 45% dos millennials relataram que tentam melhorar a saúde intestinal, segundo a consultoria londrina GlobalData.
Vários nutricionistas dizem que há um fundo de verdade na febre da fibra.
Andrea Glenn, professora adjunta de nutrição da Universidade de Nova York, classificou o movimento em torno da fibra como “uma tendência de bem-estar bastante moderada em comparação com outras”.
Samanta Snashall, nutricionista registrada do centro médico da Universidade Estadual de Ohio, afirmou que a proteína tem sido “a queridinha” há anos, enquanto a fibra esteve “bastante subvalorizada.
“Fico feliz que agora ela esteja ganhando algum destaque.”
Mas tanto essas especialistas quanto Arch Mainous, professor de saúde comunitária e medicina de família da Universidade da Flórida, que pesquisou o uso das redes sociais na comunicação em saúde, concordam que nem sempre mais é melhor, especialmente quando se trata de proteína.
Para Mainous, uma coisa é comer de acordo com os valores nutricionais diários recomendados, mas “se você diz que, se um está bom, cinco é melhor ainda […], eu não concordo muito”. Ele também demonstrou preocupação com a confiança excessiva das pessoas em conselhos generalizados de influencers.
Isso faz parte de uma tendência maior que resultou em “uma falta de confiança nos especialistas em saúde”, afirmou. Uma mentalidade de “vou fazer minha própria pesquisa”, que foi impulsionada, entre outros, pelo secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., que divulga informações falsas sobre vacinas há anos.
Poucos influencers são cientistas com formação adequada, observou Mainous, e muitos têm acordos com marcas ou suas próprias agendas, que incluem vender produtos.
Então, o que as pessoas podem fazer? Primeiro, conversar com seu médico, indicou Mainous.
Como orientação geral, a Associação Americana do Coração afirma que, para muitas pessoas, um dia que inclua uma combinação de alimentos como um copo de leite, uma xícara de iogurte, uma xícara de lentilhas cozidas e uma porção de carne magra ou peixe cozido de aproximadamente o tamanho de um baralho de cartas fica, em média, dentro da meta diária de proteína.
No caso da fibra, para Glenn, entre 25 e 38 gramas, dependendo da idade e do sexo, é um bom objetivo.
Alimentos com alto teor de fibra — como feijão, frutas, verduras, castanhas, aveia e quinoa — estão associados a taxas mais baixas de alguns tipos de câncer e podem ajudar a manter o colesterol e o açúcar no sangue sob controle.
Em geral, segundo Glenn, as pessoas podem comer alguns grãos integrais ou frutas no café da manhã e, depois, tentar preencher metade do prato com legumes e verduras no almoço e no jantar.
Assim, “elas conseguem facilmente atingir o objetivo sem precisar contar meticulosamente quanta fibra consomem”, disse à AFP.
Mas, se uma pessoa não consome muita fibra — e a maioria das pessoas não consome —, o “maxxing” não é o caminho adequado, advertiu Snashall.
Mudar os hábitos de um dia para o outro fará com que o “sistema gastrointestinal tenha uma reação mais forte”, disse.
Glenn ressaltou que nutrientes em pó e outros suplementos não podem substituir alimentos integrais e de verdade.
E talvez o mais importante seja que não existe uma solução definitiva que sirva para todos os casos.
“Acho importante não encarar essas medidas como soluções milagrosas para todos os problemas”, afirmou.
