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Uma descoberta que começou na década de 1980 acaba de render um dos maiores reconhecimentos da ciência mundial. Os pesquisadores Swee Lay Thein, do Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue (NHLBI), e Stuart Orkin, da Universidade de Harvard, receberam o Prêmio Breakthrough em Ciências da Vida pela pesquisa básica que permitiu a criação do Casgevy.

O tratamento utiliza a ferramenta de edição genética conhecida como CRISPR para enfrentar a anemia falciforme e a beta-talassemia, doenças que causam dores intensas e podem ser fatais.

A cerimônia ocorreu em Los Angeles no último sábado (18/4) e celebrou o impacto direto da tecnologia na saúde humana. O tratamento funciona de maneira precisa ao desativar um único gene específico, o que permite ao corpo produzir células saudáveis novamente. Para pacientes que sofrem com crises de dor e danos em órgãos vitais, a inovação representa uma mudança completa na qualidade de vida.

Segredo escondido no sangue dos bebês

A base dessa revolução científica surgiu da observação de um fato curioso. A médica Janet Watson notou anos atrás que bebês com tendência à anemia falciforme não apresentavam sintomas logo ao nascer. O problema só aparecia meses depois.

O motivo é que os recém-nascidos produzem a hemoglobina fetal, que protege as células sanguíneas. Conforme a criança cresce, o corpo troca esse tipo pela hemoglobina adulta, que é onde a doença se manifesta.

Ao estudar famílias que tinham versões mais leves da doença, Swee Lay descobriu que algumas pessoas continuavam produzindo a versão fetal por toda a vida. Ela identificou que um gene chamado BCL11A funciona como um interruptor que desliga a produção da hemoglobina protetora.

“Comecei a reunir famílias para desvendar a genética por trás disso e parecia óbvio que eles tinham uma capacidade natural de continuar produzindo hemoglobina fetal”, explicou Swee Lay à Live Science sobre o início da jornada.

A estratégia então passou a ser reprimir esse interruptor para garantir que o sangue saudável continuasse circulando mesmo na fase adulta.

Desafios e o futuro da edição genética

Embora o Casgevy seja considerado uma cura funcional, o processo ainda é complexo e caro. A terapia exige a retirada de células da medula óssea, a edição em laboratório e a reinfusão no paciente após sessões de quimioterapia.

Fisicamente, é muito desgastante para quem recebe o tratamento e o custo alcança a casa dos milhões de dólares, o que dificulta o acesso em regiões com menos recursos.

Os cientistas agora buscam formas de simplificar o avanço. A ideia é desenvolver métodos que permitam aplicar a edição genética diretamente no paciente através de uma injeção, sem a necessidade de internações longas. O objetivo agora é garantir que a descoberta chegue a quem mais precisa de forma simples e acessível.

Uma múmia de cerca de 700 anos encontrada no planalto andino da Bolívia está reescrevendo a história de doenças infecciosas nas Américas. A partir da análise de DNA antigo, pesquisadores identificaram a presença de uma bactéria altamente contagiosa responsável por infecções como dor de garganta e escarlatina, chamada cientificamente de “Streptococcus pyogenes”, em um indivíduo que viveu séculos antes da chegada dos europeus ao continente americano.

A descoberta da bactéria é de um homem que viveu entre os anos de 1283 e 1383, publicada na revista Nature, sendo a primeira evidência confirmada do streptococcus do Grupo A em restos humanos antigos. Por não terem registros diretos do patógeno em populações pré-colombianas, existam dúvidas sobre a sua origem e disseminação.

O que o DNA revelou sobre a bactéria

A análise genética foi feita a partir de um dente da múmia, onde os cientistas conseguiram reconstruir a maior parte da evidência genômica da bactéria, que consiste em um estudo do DNA completo de um organismo, funcionando como prova molecular que permite mapear e entender as características biológicas, evolutivas e até a capacidade de causar doenças.

Os resultados mostraram que a cepa antiga é muito semelhante às atuais, que infectam a garganta. Os pesquisadores destacam que essa linhagem possui capacidade de causar doença e que o período coincide com a ocupação humana dos Andes, o que levanta a hipótese de que o contato com novos ambientes e animais influenciou na disseminação do patógeno.

Quem era a múmia boliviana?

Os restos pertencem a um jovem adulto do sexo masculino, encontrado em uma torre funerária usada por povos andinos, chamada de “chullpa”. Ele viveu durante o chamado Período Intermediário Tardio, fase marcada por transformações sociais após o declínio da civilização Tiwanaku e antes da ascensão do Império Inca.

Segundo os pesquisadores, o indivíduo apresentava características típicas da época. E, partir de análises ósseas, constatou-se que ele tinha um estado nutricional abaixo da média, o que pode ter afetado sua imunidade e favorecido presença da bactéria .

O que isso muda na história das doenças?

O caso da múmia boliviana reforça a hipótese de que alguns patógenos já circulavam nas Américas há milhares de anos, possivelmente acompanhando as migrações humanas, o que muda a forma como a ciência entende a origem de doenças tradicionalmente associadas à chegada dos europeus ao continente. Ainda assim, os pesquisadores destacam que não é possível determinar quais doenças afetaram o indivíduo analisado nem a causa de sua morte. Por ser o primeiro registro desse tipo em restos antigos, o estudo abre caminho para novas investigações, com a comparação de genomas de diferentes regiões do mundo para mapear a evolução da bactéria.

 

A chegada dos 50 anos marca um período em que o corpo exige uma atenção mais estratégica. Não se trata apenas de estética, mas de manutenção da funcionalidade. Segundo o cirurgião vascular Herik Oliveira, especialista pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), pequenas mudanças na rotina — como o fortalecimento muscular e o combate ao sedentarismo — são decisivas para garantir independência, saúde mental e a prevenção de complicações vasculares graves.

Entenda

Sincerely Media/UnsplashImagem mostra pés de tênis andando no asfalto - Metrópoles
Conhecida por ser uma atividade física democrática, a caminhada pode melhorar a circulação sanguínea e auxiliar na perda de peso corporal

A força que vem das pernas

O fortalecimento dos membros inferiores é o principal aliado contra a sarcopenia. Segundo Herik Oliveira, esse cuidado vai além da mobilidade: “Fortalecer as pernas ajuda no controle de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, e até na oxigenação cerebral, auxiliando no tratamento de demências”. Além disso, músculos fortes atuam como uma “bomba” que impulsiona o sangue de volta ao coração, prevenindo inchaços e varizes.

Caminhada: o combustível da disposição

Manter o hábito de caminhadas leves é uma das formas mais eficazes de combater o estresse e a ansiedade, melhorando inclusive a qualidade do sono. O exercício estimula a circulação e ativa a musculatura, garantindo que o corpo permaneça ágil e equilibrado, o que é fundamental para a prevenção de quedas e fraturas.

O perigo do hábito de ficar sentado

O sedentarismo é um vilão silencioso para a saúde vascular. Ficar sentado por longos períodos prejudica o retorno venoso e reduz a queima calórica. A recomendação do especialista é clara: levante-se e movimente-se por pelo menos cinco minutos a cada hora.

“A postura prolongada pode causar dores, fadiga muscular e até alterar o humor”, alerta Oliveira.

Dicas práticas para o dia a dia

Para quem busca começar, o médico sugere hábitos simples que podem ser incorporados à rotina:

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores irnaniano, Esmaeil Baqaei (foto em destaque), afirmou nesta segunda-feira (24/4) que não há planos para uma segunda rodada de negociações com os Estados Unidos.

De acordo com ele, o bloqueio norte-americano ao Estreito de Ormuz e a apreensão de um navio de carga na região são “claras violações do cessar-fogo”.

Durante coletiva de imprensa, Baqaei afirmou que não há “planos para a próxima rodada de negociações e nenhuma decisão foi tomada a esse respeito”. Segundo ele, a postura dos EUA não condizem com uma busca a um processo diplomático.

“Ainda não tomamos nenhuma decisão sobre a próxima rodada de negociações. Os Estados Unidos estão se engajando em ações que de forma alguma demonstram seriedade na busca de uma via diplomática, enquanto simultaneamente afirmam estar engajados na diplomacia”, alegou o porta-voz.

Ainda segundo o funcionário do regime iraniano, “não há coerência entre as palavras e as ações” dos Estados Unidos, o que “só aumenta a desconfiança do Irã em relação a todo o processo“.

O Oriente Médio enfrenta uma escalada das hostilidades desde 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. A ação ocasionou em ataques retaliatórios e no fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo mundial.

A quase dois meses do conflito, os países tentam negociar um acordo de cessar-fogo e a reabertura da passagem marítima.

Intermediada pelo Paquistão, EUA e Irã chegaram a ter uma primeira rodada de negociações em que anunciaram uma trégua de 20 dias nas hostilidades.

A pausa foi interrompida após o Irã acusar Israel de romper o cessar-fogo ao manter ataques ao Líbano. Agora, o Paquistão tenta mediar uma segunda reunião com os principais atores do conflito.

“O Irã tomará a decisão necessária quanto à continuidade deste curso com precisão e levando em consideração seus interesses nacionais”, acrescentou Baqaei. Ele não acredita em “prazos ou ultimatos para garantir os interesses nacionais” do Irã e que não foram responsáveis por começar a guerra.

“Sem dúvida, se os Estados Unidos e a entidade sionista embarcarem em uma nova aventura, nossas forças armadas estarão prontas para nos defender”, destacou.

As declarações foram feitas após o sequestro de um navio cargueiro do Irã que tentou furar o bloqueio norte-americano nas águas do Golfo de Omã, nesse domingo (19/4).

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou, em publicação na redes sociais, que o navio está sob custódia dos EUA.

Segundo o chefe da Casa Branca, o navio M/V Touska “está sob sanções do Departamento do Tesouro dos EUA devido ao seu histórico de atividades ilegais”.

Autoridades sanitárias da Índia apreenderam mais de 260 canetas suspeitas de falsificação do medicamento Mounjaro, usado no tratamento de diabetes e obesidade. A operação ocorreu no estado de Haryana, no norte do país, durante uma investigação sobre a produção e venda irregular do produto.

As canetas foram encontradas dentro de um veículo nos arredores de Nova Delhi. Duas pessoas foram presas sob suspeita de fabricar e comercializar as versões falsificadas do medicamento.

Segundo autoridades locais, o principal investigado não possuía licença farmacêutica e produzia os produtos em uma propriedade privada. A suspeita é de que as canetas eram vendidas pela internet com desconto de cerca de 27% em relação ao preço do medicamento original.

Matéria-prima teria sido comprada em plataforma online

Durante as buscas, os fiscais também encontraram grandes quantidades de matéria-prima usada na fabricação dos produtos, além de rótulos do Mounjaro produzidos localmente. O material apreendido foi avaliado em cerca de 7 milhões de rúpias, o equivalente a aproximadamente R$ 420 mil reais.

As autoridades afirmam que os peptídeos utilizados na produção teriam sido adquiridos de fornecedores que anunciam na plataforma chinesa de comércio eletrônico Alibaba. Também há indícios de que as canetas eram comercializadas em um marketplace indiano.

A investigação apontou ainda problemas no armazenamento dos produtos e diferenças na rotulagem quando comparadas ao medicamento original, como variações no tamanho das fontes e em outros detalhes das embalagens.

Amostras das canetas foram enviadas para laboratórios governamentais para análise. As autoridades investigam se os produtos são de fato falsificados e apuram o alcance da rede de distribuição.

Com pouco mais de quatro meses na França, Endrick já está fluente em francês. Após se destacar na vitória do Lyon por 2 x 0 sobre o PSG, nesse domingo (19/4), o atacante concedeu entrevista na língua local.

Veja entrevista:

 

“Sim, eu sei… este jogo é muito importante para mim e estou muito feliz pelo gol, pela assistência e por tudo. Estou muito feliz aqui e é isso. Agora é focar no próximo jogo contra o Auxerre… e é isso”, disse Endrick.

Endrick brilhou no jogo com um gol e uma assistência. Com o resultado, o Lyon subiu para a terceira posição, com o mesmos 54 pontos do Losc Lille.

O atacante brasileiro está emprestado pelo Real Madrid ao time francês até junho deste ano. O jogador tem retorno aos Merengues dado como certo.

Em qualquer interação humana, desde uma conversa informal até uma reunião profissional, há um elemento simples, mas extraordinariamente influente: o nome.

Dale Carnegie, em seu livro Como fazer amigos e influenciar pessoas (1936), afirmava que o nome de uma pessoa é para ela “o som mais doce e importante”. Independentemente do idioma. Podemos estar distraídos, olhando para o celular, andando pela rua pensando em outra coisa… Mas se alguém pronuncia nosso nome, nossa atenção é ativada imediatamente, mesmo que não reconheçamos a voz.

Chamar alguém pelo nome durante uma conversa não é um gesto trivial. Trata-se, antes, de uma ferramenta psicológica e neurológica que potencializa a atenção, reforça a conexão interpessoal e, em muitos casos, melhora a comunicação.

Esse fenômeno não é apenas uma intuição social. Como veremos a seguir, estudos de neurociência, psicologia social e comunicação comprovam que o uso do nome próprio faz com que nosso cérebro reaja de forma única, com efeitos que podem transformar radicalmente a interação interpessoal.

O nome como ímã de atenção

Uma das descobertas mais claras vem de estudos de neuroimagemquando ouvimos nosso próprio nome, o cérebro é ativado de forma específica. São estimuladas áreas do córtex temporal e frontal envolvidas no reconhecimento pessoal e no processamento social, com uma resposta maior do que quando ouvimos outros nomes.

O padrão de ativação não é por acaso: nosso nome é um dos estímulos mais relevantes para o nosso cérebro desde a infância, o que explica por que ele capta imediatamente nossa atenção, mesmo quando não estamos prestando atenção conscientemente. É como um interruptor cerebral.

Identidade, reconhecimento e respeito

A psicologia social aponta que o nome próprio não é apenas um rótulo arbitrário: representa uma parte fundamental da identidade da pessoa.

Quando nos dirigimos a alguém usando seu nome, transmitimos reconhecimento, personalização e respeito por sua singularidade.

Esse efeito se traduz, na prática, em maior receptividade do interlocutor. O uso do nome pode fazer com que a outra pessoa se sinta ouvida, valorizada e considerada, ingredientes essenciais em qualquer relação, seja ela pessoal ou profissional.

Potencializador de conexões e relacionamentos

Diversos estudos mostram que lembrar e usar o nome de alguém favorece relações mais sólidas. De acordo com pesquisas em psicologia social, o uso deliberado de nomes pode facilitar interações mais positivas, promover a inclusão e gerar laços mais fortes em diversos contextos.

Esse mecanismo é particularmente útil em situações de networking, ensino, liderança e atendimento ao cliente, onde estabelecer uma conexão rápida e autêntica pode fazer a diferença.

Psicologia e sensibilidade social

Algumas pesquisas recentes exploraram fenômenos menos intuitivos relacionados ao nome. Por exemplo, foi proposto o conceito de alexinomia, que descreve a dificuldade ou ansiedade que algumas pessoas experimentam ao usar nomes próprios na interação social. Essa reação pode se manifestar tanto ao se dirigir a outras pessoas pelo nome quanto ao ouvir o próprio nome, e não deve ser confundida com simples dificuldades de memória.

Esse fenômeno psicológico pode dificultar o estabelecimento de relações fluidas e revela até que ponto o nome está carregado de significado emocional em nossas interações.

Sugere ainda que, embora o uso do nome possa ser benéfico, nem sempre é neutro na interação social. Fatores emocionais, como os descritos na alexinomia, podem influenciar a forma como o nome é percebido e utilizado, razão porque seu uso requer um certo grau de sensibilidade interpessoal.

O nome e a percepção social

Além da atenção e da conexão, os nomes também podem influenciar as percepções sociais. Pesquisas em psicologia social observaram que os nomes podem estar associados, em alguns casos, a percepções sobre traços pessoais como competência, popularidade ou inteligência.

Por exemplo, estudos demonstraram que certos nomes percebidos como mais clássicos ou convencionais tendem a ser associados a maior competência ou confiabilidade, enquanto nomes menos comuns ou mais modernos podem ser associados a traços como criatividade, mas também a menor seriedade em contextos formais.

Embora esses tipos de efeitos possam ser culturais ou contextuais, eles refletem como os nomes, além de identificar, podem influenciar nossa percepção social dos outros.

Boas práticas: uso equilibrado do nome

O uso do nome não garante sucesso automático na comunicação. Na verdade, especialistas em comunicação alertam que seu uso excessivo ou artificial pode prejudicar a conexão genuína, podendo ser percebido como forçado ou manipulador.

Por isso, a verdadeira arte está em integrá-lo de forma natural e respeitosa, ajustando o uso do nome à situação comunicativa e ao estilo pessoal de cada interlocutor.

Usá-lo com critério e humanidade

Chamar as pessoas pelo nome não é uma questão menor: é uma prática respaldada pela neurociência e pela psicologia social que ativa a atenção, potencializa a empatia e reforça a identidade pessoal dentro da interação. Desde o atendimento ao cliente até o ensino ou a liderança, saber usar o nome de forma adequada pode ser uma ferramenta poderosa para construir relações mais humanas, respeitosas e eficazes.

Em um mundo onde a comunicação pessoal autêntica é cada vez mais valorizada, o nome próprio surge como um elemento central para estabelecer conexões significativas. Usá-lo com empatia e precisão pode fazer a diferença entre uma conversa que passa despercebida e uma que realmente causa impacto.

A crença de que a água elimina escorpiões não se sustenta na prática. Os animais conseguem sobreviver completamente submersos por longos períodos e, em vez de serem eliminados, muitas vezes acabam deslocados para dentro das casas — principalmente quando encontram ambientes desorganizados, com abrigo e alimento disponíveis.

De acordo com o professor de Biologia Rodrigo Basilio, do Colégio Objetivo de Brasília, a resistência dos escorpiões à água é maior do que muita gente imagina.“Eles conseguem sobreviver à submersão total. Em média, os aracnídeos suportam entre 24 a 48 horas debaixo d’água”, explica.

O especialista destaca que, em condições específicas, o tempo pode ser ainda maior. “Alguns registros científicos mostram indivíduos sobrevivendo mais em estado de dormência”, afirma.

A explicação está no funcionamento do organismo. Diferente dos insetos, os escorpiões possuem pulmões foliáceos, estruturas que realizam trocas gasosas. Durante a submersão, o metabolismo desacelera de forma intensa, reduzindo a necessidade de oxigênio.

Além disso, o corpo também contribui para a sobrevivência. “A cutícula do escorpião é hidrofóbica, o que pode aprisionar uma pequena bolha de ar junto aos estigmas, funcionando como um ‘plastrão’ temporário”, detalha Basilio.

Água pode facilitar a entrada nas casas

Apesar da resistência, a água não é inofensiva em todas as situações. Correntes fortes podem causar danos, mas, no ambiente urbano, o efeito mais comum é outro: o deslocamento.

“Em cidades, a água atua como um facilitador logístico. Enchentes desalojam os escorpiões e forçam a subida para a superfície, aumentando a entrada em residências”, explica Basilio.

O especialista também chama atenção para o papel das tubulações. “Como conseguem prender a respiração e são ótimos escaladores, eles utilizam a rede de esgoto para se deslocar. A água passando pelo ralo não os mata”, afirma.

Desorganização cria abrigo e alimento

Se a água ajuda no deslocamento, a desorganização dentro de casa cria o ambiente ideal para a permanência. Segundo o professor Marcello Lasneaux, da Heavenly International School, em Brasília, o problema está na combinação de fatores.

“Desorganização é um prato cheio para acolhimento de escorpiões: mais abrigos, mais alimentos e menos controle”, afirma.

Locais escuros, úmidos e pouco movimentados são os preferidos desses animais. Ralos, frestas e rachaduras, além de espaços atrás de móveis e eletrodomésticos, funcionam como esconderijos frequentes.

O acúmulo de objetos também contribui diretamente para o risco. “Essa combinação entre lugar para morar e lugar para comer é implacável para que se alojem nesses espaços”, destaca Lasneaux.

Imagem colorida de escorpião escondido em roupa

Outro fator decisivo é a oferta de alimento. Escorpiões são predadores e se alimentam principalmente de baratas, grilos e aranhas. A presença constante de insetos dentro de casa é um chamariz para que os escorpiões entrem e permaneçam no ambiente.

Além disso, algumas espécies tornam o problema ainda mais grave. O Tityus serrulatus, considerado o mais perigoso no país, pode se reproduzir sem a presença de machos, o que acelera infestações dentro de residências.

Organização é a principal forma de prevenção

Diante da resistência dos animais, medidas simples fazem diferença. Reduzir esconderijos e eliminar fontes de alimento são estratégias centrais para evitar a presença de escorpiões.

“É fundamental descartar objetos que não têm utilidade, controlar insetos e vedar possíveis pontos de entrada, como ralos e frestas”, orienta Lasneaux.

O uso de tampas protetoras em ralos, a limpeza frequente — inclusive em áreas pouco acessadas — e a organização dos ambientes ajudam a reduzir de forma significativa o risco.

A combinação entre adaptação biológica e facilidade de abrigo nas cidades explica por que os escorpiões continuam sendo um problema recorrente. Entender como eles sobrevivem e onde se escondem é o primeiro passo para manter distância desses animais.

Como pesquisadora que estuda como a estimulação elétrica cerebral pode melhorar a capacidade de recordação das pessoas, muitas vezes me perguntam como funciona a memória – e o que podemos fazer para usá-la de forma mais eficaz. Felizmente, décadas de pesquisa nos deram algumas respostas claras para ambas as perguntas.

A memória funciona essencialmente em três estágios, com diferentes regiões cerebrais contribuindo para cada um deles.

A memória sensorial, que pode durar apenas milissegundos, registra informações brutas, como imagens, sons e odores. Essas informações são processadas inicialmente pelos cinco córtex sensoriais primários do cérebro (córtex visual para imagens, córtex auditivo para sons e assim por diante).

A memória de trabalho (de curto prazo) retém e manipula uma pequena quantidade de informação por vários segundos ou mais. Pense nisso como o espaço de trabalho mental do seu cérebro: o sistema que permite que você faça cálculos de cabeça, siga instruções e compreenda o que está lendo. Portanto, envolve principalmente o córtex pré-frontal – a parte frontal do cérebro responsável pela atenção, tomada de decisões e raciocínio.

Por fim, a memória de longo prazo armazena informações de forma mais permanente, desde minutos até toda a vida. Isso inclui tanto memórias “explícitas” (fatos e eventos da vida) quanto “implícitas” (habilidades, hábitos e associações emocionais).

Para as memórias de longo prazo, o hipocampo e os lóbulos temporais – localizados nas profundezas do cérebro, nas laterais da cabeça, perto das têmporas – contribuem amplamente para as memórias envolvendo fatos ou eventos da vida, enquanto a amígdala (próxima ao hipocampo), o cerebelo (na parte posterior do cérebro) e os núcleos da base (nas profundezas do cérebro) processam memórias emocionais ou procedimentais.

A memória de trabalho costuma atuar como uma porta de entrada consciente para a memória de longo prazo – mas ela tem seus limites. Em 1956, o psicólogo americano George Miller propôs que só podemos reter cerca de sete “blocos” de informação em nossa memória de trabalho a qualquer momento.

Embora o número exato seja objeto de debates até hoje, o princípio permanece: a memória de trabalho é limitada. E essa limitação pode influenciar a eficácia com que aprendemos e nos lembramos das coisas.

Mas você também pode fazer com que sua memória funcione de forma mais eficaz. Aqui estão cinco dicas fáceis para melhorar tanto sua memória de trabalho quanto sua memória de longo prazo.

1. Guarde seu celular

Os smartphones reduzem a capacidade da sua memória de trabalho. Mesmo só ter um celular por perto – não importa se ele está virado para baixo e no modo silencioso – pode reduzir o desempenho em tarefas de memória e raciocínio.

A razão é que parte do seu cérebro ainda o está monitorando sutilmente. Mesmo resistir à vontade de verificar notificações já consome recursos mentais – e é por isso que os pesquisadores às vezes chamam os smartphones de “drenos cerebrais”. A solução é simples: coloque seu celular em outro cômodo quando precisar se concentrar. Deixar ele fora de vista realmente libera capacidade mental.

2. Pare de deixar sua mente divagar

O estresse e a ansiedade podem ocupar um valioso espaço mental. Quando você está preocupado com algo ou distraído por pensamentos acelerados, parte da sua memória de trabalho já está em uso.

Treinos de relaxamento e práticas de mindfulness podem melhorar tanto a memória de trabalho quanto o desempenho acadêmico, provavelmente ao reduzir os níveis de estresse. E se a meditação parecer intimidante, experimente técnicas de respiração como o “suspiro cíclico”. Inspire profundamente pelo nariz, faça uma segunda inspiração mais curta e, em seguida, expire lentamente pela boca. Repetir isso por cinco minutos pode acalmar o sistema nervoso e criar condições melhores para o aprendizado.

3. Faça agrupamentos

Todos podem expandir sua memória de trabalho usando a técnica de agrupamento – agrupar informações em unidades significativas. Na verdade, você provavelmente já faz isso para lembrar alguns números de telefone ou listas de palavras – dividindo longas sequências em pedaços menores que seu cérebro pode recordar como um minigrupo.

Os mesmos princípios se aplicam se você estiver fazendo uma apresentação, para ajudar seu público a lembrar seus pontos-chave de forma mais eficaz. O também chamado “chunking” envolveria agrupar dez estudos de caso, por exemplo, em três ou quatro temas, cada um com um título curto e uma única lição principal.

Repita essa estrutura em cada slide: uma ideia, alguns detalhes de apoio e, em seguida, passe para o próximo. Ao organizar as informações em padrões significativos, você reduz a carga cognitiva e torna o conteúdo mais memorável.

4. Torne-se um recuperador

No século XIX, o psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus demonstrou a rapidez com que esquecemos as informações após aprendê-las. Em cerca de 30 minutos, perdemos aproximadamente metade do que aprendemos, com muito mais se esvaindo ao longo do dia seguinte. Ebbinghaus chamou isso de curva do esquecimento. A linha azul-clara no gráfico abaixo ilustra isso.

Mas existe uma maneira de garantir que mais informações sejam assimiladas quando você está tentando aprender muitas coisas em um curto período de tempo: a prática de recuperação.

Ao se preparar para dar uma palestra ou estudar para uma prova, em vez de simplesmente reler suas anotações, teste constantemente o quanto você se lembra. Use cartões de memória, responda a questões de teste ou tente explicar o conteúdo em voz alta sem anotações.

A memória funciona por meio de associações. Cada vez que você recupera informações com sucesso, você vincula o conteúdo a novos estímulos, exemplos e contextos. Isso cria mais pistas para acessar a informação e fortalece cada caminho da memória. Muitas vezes, quando “esquecemos”, a memória não se foi – apenas nos falta o estímulo certo para recuperá-la.

5. Dê um tempo a si mesmo

Pesquisas mostram que a memória é mais eficaz quando as sessões de estudo ou prática são espaçadas, em vez de concentradas. Se você estiver estudando para uma prova, inclua intervalos de descanso sólidos em sua programação de revisão.

Um estudo sugere deixar intervalos entre cada sessão de revisão que correspondam a 10% a 20% do tempo restante até a sua prova ou apresentação. Portanto, se o seu prazo final está a cinco dias de distância e você estuda várias horas por dia, ainda assim deve tirar entre meio e um dia inteiro de folga entre as sessões. Em outras palavras, não exagere – você provavelmente não verá melhores resultados!

Se você só vai lembrar de uma coisa deste artigo sobre como melhorar a memória, que seja esta: a memória não se resume apenas à inteligência, mas também à estratégia. Pequenas mudanças na maneira como você estuda ou trabalha podem fazer uma diferença real na qualidade e na duração da sua retenção de informações cruciais.

A sífilis segue como um dos principais desafios de saúde pública no Brasil. Dados do boletim epidemiológico mais recente do Ministério da Saúde indicam que país registrou mais de 810 mil casos da infecção em gestantes entre 2005 e junho de 2025.

O aumento das notificações e da transmissão da doença tem chamado a atenção de especialistas para a importância de reconhecer os sinais da infecção e buscar diagnóstico precoce.

Causada pela bactéria Treponema palliduma sífilis é classificada como uma infecção sexualmente transmissível e costuma ser transmitida principalmente por relações sexuais sem preservativo.

Também pode ocorrer a transmissão da mãe para o bebê durante a gestação, situação conhecida como sífilis congênita, que pode provocar complicações graves para o recém-nascido.

Sintomas da sífilis

Um dos principais desafios no controle da doença é que os sinais iniciais nem sempre são percebidos. Segundo especialistas, muitas pessoas convivem com a infecção sem saber

“A sífilis frequentemente passa despercebida porque suas lesões primárias são indolores e a doença pode permanecer assintomática por longos períodos (fase latente), o que faz com o que o paciente não saiba que tem a doença”, explica o dermatologista Ademar Schultz, professor do Centro Universitário de Brasília.

Na fase inicial, o sintoma mais característico é o chamado cancro duro, uma ferida indolor que surge no local de contato com a bactéria, geralmente na região genital, anal ou oral. A lesão pode desaparecer espontaneamente após algumas semanas, o que muitas vezes leva o paciente a acreditar que o problema foi resolvido.

Entre seis semanas e alguns meses depois, a doença pode evoluir para a chamada sífilis secundária. Nessa etapa, surgem sinais mais espalhados pelo corpo, como manchas na pele, febre, mal-estar, dor de cabeça e ínguas.

“O grande problema é que os sintomas somem, mas a doença não. Sem tratamento, a sífilis pode permanecer silenciosa e trazer complicações irreversíveis anos depois”, alerta a infectologista Monica Peduto Pecoraro Rodrigues, do Hospital e Maternidade Santa Helena.

Riscos para adultos e bebês

Sem tratamento, a infecção pode evoluir para estágios mais graves e comprometer diferentes órgãos do corpo, como o sistema nervoso, o coração e os olhos, além de aumentar o risco de morte em casos mais avançados.

Durante a gestação, o risco também se estende ao bebê. A bactéria pode atravessar a placenta e infectar o feto ainda no úteroo que pode levar a aborto, parto prematuro ou morte fetal. Em recém-nascidos, a sífilis congênita pode provocar anemia, icterícia, alterações ósseas e outras complicações.

“Apesar de ser uma doença prevenível e tratável, a infecção segue em curva ascendente e preocupa pelo impacto tanto na população adulta quanto nos recém-nascidos”, afirma Monica.

O tratamento da sífilis é considerado simples e eficaz e geralmente é feito com penicilina, antibiótico disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).

Especialistas reforçam que o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para interromper a cadeia de transmissão e evitar complicações da doença.

O hábito de consumir alimentos embutidos todos os dias pode parecer uma escolha prática na rotina. No entanto, o consumo frequente desses itens está longe de ser inofensivo. De acordo com o nutricionista Matheus Maestralle, alimentos como salsicha, mortadela, presunto, salame e linguiça carregam uma combinação de substâncias que, ao longo do tempo, impactam diretamente a saúde do organismo.

Segundo o especialista, esses produtos passam por processos industriais, como cura, defumação e adição de conservantes, o que altera significativamente sua composição em relação às carnes in natura.

“A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica as carnes processadas como carcinogênicas. Ou seja, há evidências consistentes de que aumentam o risco de câncer, principalmente o de intestino”, destaca o nutricionista.

O que acontece no corpo ao comer alimentos embutidos todos os dias - destaque galeria

A mortadela não é uma opção saudável para começar o dia

O nutricionista orientou eliminar o presunto das refeições por aumentar o risco de câncer
Fuja de alimentos embutidos, como o salame

Saiba como os alimentos embutidos afetam o organismo

De acordo com Matheus, um dos principais riscos está na presença de nitritos e nitratos — substâncias usadas para conservar os alimentos e intensificar a cor.

“No organismo, esses compostos podem formar nitrosaminas, associadas ao desenvolvimento de câncer”, explica.

Além disso, o nutricionista ressalta que outros componentes também contribuem para os prejuízos à saúde.

“O excesso de sódio sobrecarrega o sistema cardiovascular; as gorduras saturadas aumentam a inflamação e o risco metabólico; e os compostos formados na defumação também têm potencial cancerígeno”, afirma.

Ilustração colorida de esqueleto com coração e vasos sanguíneos em evidência - Metrópoles

Embora a moderação seja frequentemente apontada como caminho para o equilíbrio, Maestralle destaca que o principal problema está na frequência do consumo.

“O risco é acumulativo. Quanto mais frequente o consumo, maior a chance de problemas ao longo dos anos. Cada vez que esses alimentos são priorizados, o corpo é exposto a altos níveis de sódio, gordura saturada e aditivos químicos”, explica.

O que muda no corpo do curto ao longo prazo

Os efeitos do consumo regular de embutidos podem ser percebidos em diferentes fases.

“No curto prazo, é comum observar retenção de líquidos, sensação de inchaço, aumento da pressão arterial em pessoas mais sensíveis e uma piora geral na qualidade da alimentação”, afirma Matheus Maestralle.

barriga e inchaço retenção de líquidos

No médio prazo, começam a surgir alterações mais relevantes.

“É comum o aumento da pressão arterial, piora do colesterol, mais inflamação no organismo e até resistência à insulina”, alerta.

Já no longo prazo, os riscos se tornam ainda mais expressivos. “O consumo frequente está associado ao aumento do risco de câncer colorretal, doenças cardiovasculares como infarto e AVC, além de obesidade, síndrome metabólica e alterações na microbiota intestinal”, conclui o nutricionista.

Foto de menino segurando fita métrica na barriga - Metrópoles

Dados provenientes de observações com radiotelescópios revelaram que dois buracos negros supermassivos podem colidir daqui a cerca de 100 anos. O impacto pode ser tão forte que, mesmo a anos-luz longe do nosso planeta, o impacto poderá ser captado na Terra.

Inicialmente, o único alvo do estudo era um objeto ultrabrilhante chamado blazar – um núcleo galáctico ativo, alimentado por um buraco negro supermassivo no centro de uma galáxia. No entanto, observações posteriores identificaram mais um jato de energia oculto — ele indica que, na verdade, se tratavam de dois buracos negros gigantes.

A descoberta liderada por pesquisadores alemães teve os resultados publicados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society no final de março.

Colisão dos buracos negros

O blazar observado pelos pesquisadores era da galáxia Markarian 501. No entanto, eles não conseguiam confirmar se o que alimentava o núcleo galáctico era de fato um buraco negro. Somente a análise de 83 conjuntos de dados do Very Long Baseline Array (VLBA), uma rede internacional de 10 radiotelescópios, trouxe a resposta.

Segundo a investigação, ao invés de apenas um jato vindo de buraco negro alimentar o blazar, havia um outro girando no sentido anti-horário ao redor do centro núcleo galáctico, revelando os dois buracos negros supermassivos, com massas de, no mínimo, 100 milhões de vezes a do Sol.

“Perceber que havia um segundo jato foi incrível. Para mim, foi como: ‘É assim que funciona?’ Fiquei tão impressionada e emocionada — e queria contar a todos o que tínhamos acabado de descobrir”, conta uma das coautoras do estudo, Silke Britzen, em entrevista ao portal BBC Science Focus.

Posteriormente, a descoberta ganhou mais uma evidência após ambos buracos negros se alinharam e a gravidade de um deles curvar a luz do outro, formando um círculo quase perfeito.

Atualmente, a distância entre ambos está entre 250 a 540 vezes a distância entre a Terra e o Sol – uma diferença considerada baixa em termos astronômicos. A expectativa é que gradualmente a separação diminua e eles colidam. Assim que baterem, os buracos negros liberarão ondas gravitacionais tão fortes que deverão ser captadas da Terra, dando mais detalhes sobre o evento.

Pesquisadores conseguiram aprisionar feixes de luz infravermelha com sucesso em uma armadilha projetada para a tarefa. Mais impressionante que a captura é a estrutura usada pelos cientistas – para efeito de comparação, é cerca de 2 mil vezes mais fina que um fio de cabelo humano.

Com os componentes tecnológicos e eletrônicos diminuindo de tamanho cada vez mais e ficando mais eficientes, a descoberta se torna ainda mais promissora para ajudar na construção dos equipamentos. O material produzido pelos pesquisadores foi capaz de permitir a entrada da luz, desacelerá-la e confiná-la.

“Os resultados apresentados são promissores para a realização de dispositivos planos e ultracompactos para emissão laser, controle de frente de onda e estados topológicos de ordem superior da luz”, escrevem os pesquisadores no artigo.

A inovação liderada por pesquisadores da Universidade de Varsóvia, na Polônia, foi publicada na revista ACS Nano em meados de fevereiro.

Como a luz foi “presa”?

O grande truque dos pesquisadores foi construir a armadilha ultrafina a partir de disseleneto de molibdênio (MoSe2), um material semicondutor com alto índice de refração – ou seja, com boa capacidade de curvar e desacelerar a luz.

No entanto, o material de MoSe2 ainda não era capaz de prender a luz. Os cientistas tiveram que transformá-lo em folhas e esculpi-lo em faixas microscópicas. A junção de tudo isso formou a armadilha para reter os fótons – as partículas que compõem a luz.

A modelagem e projeção cuidadosa do material conseguiu criar o estado ligado no contínuo (BIC, na sigla em inglês), um truque na física em que a luz não escapa do material devido a estrutura do material. Assim, a luz foi aprisionada pela armadilha.

Ainda serão necessários mais avanços para utilizar o material na prática, porém a descoberta já representa um progresso para o futuro da computação óptica, uma tecnologia que promete ser mais rápida que os computadores convencionais, além da construção de dispositivos ultrafinos, como lasers, sensores e chips.

Alterações associadas à doença de Alzheimer podem começar fora do cérebro. Um novo estudo encontrou evidências de que alguns problemas motores observados em pacientes podem ter origem em nervos responsáveis pelo movimento, e não apenas na degeneração cerebral.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade da Flórida Central, nos Estados Unidos, e publicada nessa quinta-feira (16/4) na revista científica Alzheimer’s & DementiaOs resultados indicam que mutações genéticas ligadas ao Alzheimer familiar podem afetar diretamente a comunicação entre nervos e músculos.


O que é o Alzheimer?


Segundo os pesquisadores, a descoberta ajuda a explicar por que alguns pacientes apresentam dificuldades de equilíbrio, alterações na forma de andar ou problemas de coordenação antes mesmo do aparecimento dos sintomas de memória.

“Déficits motores podem ser um sinal precoce de Alzheimer. Se conseguirmos identificar essas mudanças mais cedo, pode ser possível intervir antes que o sistema nervoso central seja mais afetado”, afirma Xiufang Guo, uma das autoras do estudo, em comunicado.

Alterações podem surgir antes dos problemas de memória

O estudo se concentrou no chamado Alzheimer familiar, uma forma rara e hereditária da doença que costuma aparecer mais cedo, geralmente entre os 40 e os 65 anos de idade.

Embora a doença seja mais conhecido pelos problemas de memória e demência, médicos já observam há décadas que alguns pacientes apresentam alterações motoras anos antes desses sintomas cognitivos.

Os sinais incluem mudanças no equilíbrio, na coordenação e na forma de caminhar. A origem dessas alterações ainda não era totalmente compreendida, o que levou os cientistas a investigarem se parte do problema poderia surgir fora do cérebro.

Sistema nervoso periférico também pode estar envolvido

Para investigar essa hipótese, os pesquisadores utilizaram uma tecnologia conhecida como “humano em um chip”. O método utiliza células humanas cultivadas em laboratório para reproduzir interações que normalmente ocorrem no organismo.

Nesse experimento, os cientistas criaram em laboratório uma junção neuromuscular, estrutura responsável pela comunicação entre neurônios motores e fibras musculares. A conexão é essencial para que o corpo consiga realizar movimentos.

O diferencial do modelo utilizado é que ele reproduz essa ligação sem incluir cérebro ou medula espinhal. Dessa forma, foi possível observar se os problemas surgiriam mesmo sem a participação do sistema nervoso central.

Os pesquisadores combinaram células musculares saudáveis com neurônios motores derivados de células-tronco que carregavam mutações genéticas associadas ao Alzheimer familiar.

Os testes mostraram que essas mutações eram capazes de prejudicar a junção neuromuscular, interferindo na transmissão de sinais entre nervos e músculos.

“Esta é a primeira vez que mostramos que alterações no sistema nervoso periférico podem surgir diretamente dessas mutações”, afirma o pesquisador James Hickman, que liderou o estudo.

Tecnologia pode ajudar a entender melhor a doença

Nos experimentos, os cientistas analisaram diferentes aspectos da função neuromuscular, como a capacidade dos sinais nervosos de provocar contrações musculares e o tempo que os músculos conseguiam manter essa atividade antes de se fatigarem.

Essas medições são semelhantes aos testes usados na prática clínica para avaliar distúrbios de movimento.

Os pesquisadores acreditam que ferramentas como o modelo humano em chip podem ajudar a compreender melhor como doenças se desenvolvem no corpo humano. Como o sistema utiliza células humanas reais, ele pode revelar efeitos que nem sempre aparecem em estudos com animais.

Eles destacam também que os resultados indicam que o Alzheimer pode afetar diferentes partes do organismo e que futuras terapias talvez precisem considerar não apenas o cérebro, mas também outros componentes do sistema nervoso.

Você já percebeu um odor diferente no corpo ou no hálito e ficou em dúvida se aquilo poderia indicar algum problema de saúde? A resposta é: depende. O risco de interpretação errada é maior do que muita gente imagina.

Segundo especialistas, algumas condições realmente podem alterar o odor do corpo, mas a informação está longe de ser um método confiável de diagnóstico.

Quando o odor pode sinalizar algo no organismo

O endocrinologista Fábio Carra, do Hospital Nove de Julho, em São Paulo, explica que doenças metabólicas podem, sim, provocar mudanças perceptíveis no cheiro do paciente.

“Distúrbios metabólicos levam ao acúmulo de substâncias químicas que não são adequadamente processadas. Esses compostos são eliminados pela respiração, suor e urina, gerando alterações de odor”, afirma.

Um exemplo clássico é a cetoacidose diabética, em que o hálito pode apresentar cheiro adocicado ou frutado. Isso acontece devido à presença de corpos cetônicos no organismo, comum em quadros de diabetes descompensada.

Além disso, alterações hormonais também influenciam o odor corporal. Durante a puberdade, por exemplo, o início da atividade das glândulas sudoríparas, estimuladas por hormônios, muda completamente o cheiro do corpo.

Outro ponto importante é que o cheiro corporal não vem apenas do organismo em si, mas da ação de bactérias na pele. “As glândulas liberam substâncias inicialmente inodoras, que são transformadas em compostos com cheiro pelas bactérias”, explica o médico.

Apesar dessas associações, usar o odor como ferramenta de diagnóstico é um erro comum e potencialmente perigoso. O infectologista Cristiano Gamba, do Hospital Samaritano Paulista, também em São Paulo, é direto: não é possível identificar infecções apenas pelo cheiro.

“Hoje não consideramos o odor um meio de diagnóstico seguro. Não dá para definir qual infecção está presente apenas com base nele”, afirma.

Segundo o médico, até existem situações em que o cheiro chama atenção, como feridas crônicas de pele, que podem apresentar odor forte devido à presença de bactérias e tecido comprometido. Ainda assim, o odor não permite identificar o agente causador do quadro.

Outro exemplo são alterações no hálito associadas à saúde bucal, como gengivite, que podem gerar cheiro desagradável mas não significam, necessariamente, uma infecção sistêmica.

O odor serve para alguma coisa?

Na prática, o odor pode funcionar como um sinal de alerta inicial, mas nunca como diagnóstico. De acordo com Carra, em alguns casos ele pode ser o primeiro indício percebido pelo paciente, como no hálito cetônico da diabetes ou até no surgimento precoce de odor corporal em alterações hormonais. Ainda assim, o médico faz um alerta: o cheiro deve ser visto apenas como um indicativo complementar.

“O odor pode levantar suspeitas e direcionar a investigação, mas não deve ser usado isoladamente para confirmar ou descartar doenças”, ressalta.

Gamba reforça o risco de erro: associar cheiro diretamente a doenças infecciosas pode levar a interpretações equivocadas e atrasar o diagnóstico correto.

O que observar na prática

Se você notar um odor diferente persistente, seja no hálito, suor ou secreções, o caminho não é tentar adivinhar a causa, e sim procurar avaliação médica.

O mesmo tipo de cheiro pode ter origens completamente diferentes, desde alterações hormonais até questões metabólicas ou até algo simples, como mudanças na alimentação ou na microbiota da pele. O cheiro até pode dar pistas, mas confiar nele como resposta é um atalho arriscado, e, muitas vezes, enganoso.

As geleiras do mundo registraram uma das maiores perdas já observadas: cerca de 408 bilhões de toneladas de gelo desapareceram apenas em 2025, segundo estudo publicado na revista científica Nature Reviews Earth & Environment. O volume é considerado extremo e coloca o ano entre os piores já registrados desde o início das medições, em 1975.

Para o professor de Geografia João Carvalho, do colégio Galois, de Brasília, esse dado ajuda a dimensionar a gravidade do fenômeno. “O aumento do nível do mar é o impacto mais imediato quando pensamos no derretimento das geleiras”, explica. Segundo o estudo, só em 2025 o degelo contribuiu com cerca de 1,1 milímetro na elevação global dos oceanos.

Oceanos sob pressão e risco para territórios

O problema, no entanto, vai além da quantidade de gelo perdida. O despejo massivo de água doce nos oceanos altera a salinidade e pode interferir nas correntes marítimas, sistemas essenciais para o equilíbrio climático global. João destaca que isso pode afetar diretamente regiões costeiras e países insulares. “Territórios próximos ao nível do mar podem perder áreas para o avanço dos oceanos”, afirma.

O estudo mostra, ainda, que todas as principais regiões glaciais do planeta registraram perda de massa pelo quarto ano consecutivo, reforçando que o fenômeno não é isolado, mas parte de uma tendência contínua e acelerada.

Clima mais extremo e efeito global

As geleiras também exercem papel fundamental na regulação da temperatura da Terra. Conforme explica o também professor de Geografia Marcos Bau, da Maple Bear Brasília, o gelo funciona como um espelho natural, refletindo a radiação solar. “Quando há derretimento acelerado, essa capacidade diminui, o que intensifica o aquecimento global”, diz.

Esse processo impacta diretamente o clima. Mudanças nas correntes oceânicas e na atmosfera aumentam a frequência de eventos extremos, como chuvas intensas, secas prolongadas e ondas de calor, efeitos que já começaram a ser sentidos em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil.

Cenário aponta para mudanças irreversíveis

Os dados do estudo da Nature indicam que o ritmo atual de perda das geleiras está muito acima do registrado no século passado. Nas últimas décadas, a taxa anual de degelo quase quadruplicou, evidenciando a aceleração do aquecimento global.

Para Bau, o cenário já é preocupante do ponto de vista da reversibilidade. “Mesmo que o aquecimento seja controlado, parte dessas perdas já está comprometida. Estamos diante de mudanças que devem durar gerações”, afirma.

O avanço do degelo em 2025, portanto, não é apenas mais um dado científico, é um sinal claro de que o planeta já entrou em uma fase de transformação climática profunda, com impactos diretos no nível do mar, no clima e na disponibilidade de água doce no futuro.

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