
Autoridades de saúde dos Estados Unidos aprovaram a primeira terapia genética voltada ao tratamento de uma forma rara de perda auditiva hereditária. O medicamento foi desenvolvido pela empresa de biotecnologia Regeneron e recebeu autorização da agência reguladora norte americana, a Food and Drug Administration (FDA), responsável pela aprovação de medicamentos.
Chamado Otarmeni, o tratamento foi criado para pacientes com perda auditiva severa a profunda causada por mutações no gene OTOF.
Esse gene produz uma proteína essencial para transmitir os sinais sonoros do ouvido interno até o cérebro. Quando ocorre uma alteração genética nesse processo, a comunicação entre o ouvido e o sistema nervoso é prejudicada, o que leva à deficiência auditiva desde os primeiros meses de vida.
A nova terapia é administrada em dose única por meio de uma injeção diretamente no ouvido interno. O procedimento é realizado por um cirurgião e tem como objetivo inserir uma cópia funcional do OTOF, permitindo que as células do ouvido voltem a transmitir os sinais sonoros de forma adequada.
A aprovação do tratamento foi baseada em um estudo clínico que avaliou 20 crianças e adolescentes com idades entre 10 meses e 16 anos. Após alguns meses de acompanhamento, pelo menos 80% dos participantes apresentaram melhora significativa na capacidade auditiva.
A condição tratada pela terapia é considerada rara. Estimativas indicam que cerca de 50 recém-nascidos por ano nos Estados Unidos apresentam esse tipo específico de perda auditiva ligada ao gene OTOF.
De forma mais ampla, a deficiência auditiva congênita afeta entre duas e três crianças a cada mil nascimentos no país. Especialistas calculam que mais da metade dos casos de perda auditiva precoce estejam associados a mutações genéticas.
Embora terapias genéticas costumem ter custos elevados, frequentemente chegando a milhões de dólares por paciente, a empresa responsável pelo medicamento informou que pretende oferecer o tratamento gratuitamente para pacientes elegíveis nos Estados Unidos.
O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta sexta-feira (24/4), que o bloqueio naval dos Estados Unidos contra embarcações ligadas ao Irã está “se tornando global” e que “nenhum navio sai do Estreito de Ormuz sem a permissão dos Estados Unidos”.
“O bloqueio está se tornando global. Nesta semana, interceptamos 2 navios da frota clandestina iraniana que deixaram portos iranianos antes da entrada em vigor do bloqueio. Nenhum navio sai do Estreito de Ormuz para qualquer lugar do mundo sem permissão da Marinha dos EUA”, disse o secretário americano.
Os EUA impuseram um bloqueio militar naval no dia 13 deste mês contra qualquer embarcação que tenha origem ou destino em portos do Irã. Segundo o general americano Dan Caine, 34 navios deram meia-volta devido ao bloqueio estadunidense, até esta sexta. O general afirmou que a Marinha dos EUA continuará interceptando embarcações nos oceanos Pacífico e Índico.
Nessa quinta, o presidente dos EUA, Donald Trump, autorizou a Marinha americana a atacar qualquer embarcação que esteja colocando minas no Estreito de Ormuz, “por menor que seja”. Trump alega que o canal já está sob controle dos Estados Unidos.
Por outro lado, o Irã afirma que mantém a rota marítima sob controle da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), que fechou o Estreito de Ormuz para passagem de embarcações no primeiro dia de guerra, 28 de fevereiro. A Marinha da IRGC afirma que tem utilizado lanchas rápidas e veículos subaquáticos não tripulados para instalar minas e garantir o bloqueio iraniano em Ormuz.
Há cada vez mais evidências de que a solidão pode ser um fator de risco relevante para pacientes com câncer, principalmente pessoas idosas. Um consenso internacional, publicado recentemente na revista científica The Lancet Healthy Longevity, estabeleceu que o isolamento social impacta diretamente a sobrevida, a intensidade de sintomas e a adesão desse grupo ao tratamento oncológico.
O artigo, que reuniu 40 especialistas de 14 países, define a solidão como uma experiência subjetiva e negativa, decorrente da discrepância entre as relações sociais desejadas e as efetivamente existentes. No contexto da oncologia geriátrica, essa lacuna pode ser fatal. Segundo o texto, a solidão atua como um preditor independente de mortalidade, influenciando mecanismos biológicos como a inflamação sistêmica e o comprometimento da resposta imunológica associado ao estresse crônico.
Na prática do consultório, o isolamento cria uma barreira invisível, mas persistente, capaz de comprometer o desfecho do tratamento. “Uma vez que o paciente começa a diminuir a adesão e perde a motivação por conta de um sentimento de solidão, isso pode afetar significativamente o modo como ele vê sua relação com a doença e os objetivos do tratamento”, analisa a oncologista Patrícia Taranto, do Einstein Hospital Israelita.
Como consequência, muitos entram em um ciclo de negligência. “Ele talvez não entenda que o tratamento pode levá-lo a uma melhora de qualidade de vida porque não tem motivação, nem muitas vezes logística ou força física para seguir com consultas frequentes, realização e coletas de exames”, relata Taranto. Ao interromper o acompanhamento adequado, pode haver piora na qualidade de vida e aumento do risco de morte.
Embora frequentemente confundidas, a solidão e a depressão são condições distintas. A solidão é uma experiência emocional relacionada à percepção de insuficiência nas relações sociais, ao passo que a depressão envolve sintomas persistentes e abrangentes, como baixa autoestima e anedonia (perda de prazer).
“Em pessoas idosas, a solidão está frequentemente ligada à perda de relações sociais resultante de condições e eventos adversos da vida, tais como morte de cônjuge, parentes e amigos e problemas de saúde física e mental que limitam sua mobilidade ou funcionalidade”, aponta o psiquiatra e psicogeriatra Marcus Kiiti Borges, membro do departamento de Psicogeriatria da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). “Além disso, a aposentadoria pode causar sensação de inutilidade, sentimento de vazio e perda de propósito na vida.”
O isolamento prolongado desregula o eixo neuroimunoendócrino, aumentando os níveis de cortisol e potencializando processos inflamatórios, como o aumento de interleucinas, proteínas essenciais para o sistema imunológico. Esse mecanismo é especialmente crítico em pacientes oncológicos, cuja imunidade já se encontra fragilizada.
O consenso indica que o impacto da solidão é ainda mais severo em indivíduos expostos a vulnerabilidades simultâneas, como pobreza e residência em áreas rurais. A distância física dos centros de referência, somada ao declínio funcional inerente à idade, agrava as barreiras de acesso ao tratamento.
Para reverter esse cenário, os autores do artigo defendem a implementação de uma abordagem multidisciplinar que inclua profissionais de diferentes especialidades, como oncologistas, geriatras, psicólogos e assistentes sociais.
Entre as estratégias práticas para combater o isolamento, destacam-se grupos de apoio presenciais, que favorecem a troca de experiências e reduzem a sensação de isolamento; atividade física, especialmente em equipe, por associar benefícios fisiológicos, como fortalecimento muscular e liberação de endorfinas, com engajamento social; e visitas domiciliares, essenciais para pacientes com mobilidade reduzida.
“O contato humano pode propiciar mais empatia e cuidado, e tudo isso auxilia uma possível melhora na saúde mental do paciente. Dessa forma, ele se sente mais amparado e pode ter maior adesão e motivação no seguimento do tratamento e no cuidado ao longo da jornada oncológica”, conclui a oncologista do Einstein.
O otimismo não é apenas uma forma de ver a vida — é um padrão de funcionamento do cérebro que envolve áreas responsáveis por emoção, lógica, motivação e resposta ao estresse.
Estudos em neurociência mostram que pessoas otimistas processam o futuro de maneira diferente, com maior capacidade de equilibrar sentimentos negativos e manter expectativas positivas, mesmo diante de incertezas. De acordo com o neurologista Felipe Barros, do Hospital Sírio-Libanês, a principal diferença está na forma de como o cérebro integra razão e emoção.
“Pessoas otimistas apresentam uma comunicação mais robusta e eficiente entre as áreas lógicas e as áreas emocionais do cérebro, o que permite filtrar expectativas negativas e manter o foco em cenários positivos”, explica.
Três regiões cerebrais desempenham papel central no otimismo: o córtex pré-frontal, a amígdala e o sistema de recompensa. O córtex pré-frontal atua no planejamento e no controle emocional, enquanto a amígdala funciona como um centro de alerta para ameaças.
Já o sistema de recompensa, ligado ao núcleo accumbens, é responsável pela motivação. Segundo Barros, o cérebro otimista consegue modular melhor essas estruturas.
“O córtex pré-frontal exerce um controle inibitório sobre a amígdala, reduzindo respostas exageradas de medo e ansiedade”, afirma. Em paralelo, o sistema de recompensa é ativado com mais intensidade quando a pessoa imagina o futuro, o que aumenta a motivação para alcançar resultados positivos.
Exames de neuroimagem reforçam essa diferença. “Quando pessoas otimistas pensam no futuro, há uma forte ativação na rede que conecta o córtex pré-frontal à amígdala. Essa ativação é proporcional ao grau de otimismo”, diz o neurologista.
Além das estruturas cerebrais, substâncias químicas também influenciam o otimismo. A dopamina, ligada ao sistema de recompensa, está associada à motivação e à expectativa de resultados positivos. Já a serotonina atua na estabilidade do humor.
“A dopamina impulsiona a capacidade de prever cenários favoráveis e reforça crenças de sucesso. A serotonina, por sua vez, reduz a reatividade a estímulos negativos, permitindo uma visão mais equilibrada”, explica Barros. Esse conjunto ajuda o cérebro a sustentar uma perspectiva mais esperançosa, mesmo em momentos adversos.

Esse fenômeno é chamado de “viés do otimismo”. Trata-se de uma tendência do cérebro de dar mais peso a informações positivas do que negativas ao prever o futuro. Na prática, isso significa que boas notícias são incorporadas com mais facilidade, enquanto informações negativas têm menor impacto.
“O cérebro otimista atualiza rapidamente crenças diante de dados positivos, mas apresenta certa resistência a incorporar informações negativas”, afirma Barros. Esse mecanismo mantém a pessoa engajada e resiliente, favorecendo a ação mesmo em cenários incertos.
A neuropsicóloga Sandra Schewinsky, também do Hospital Sírio-Libanês, destaca o papel da neuroplasticidade — a capacidade do cérebro de se reorganizar.
“A maior parte do otimismo é construída ao longo da vida. Experiências, vínculos afetivos e a forma como a pessoa aprende a interpretar a realidade têm um peso determinante”, afirma.
Ela reforça que padrões negativos também podem ser modificados. Essa plasticidade pode reforçar pensamentos pessimistas, mas também permite desenvolver uma postura mais positiva por meio de psicoterapia, mudanças de hábito e treino mental.
O cérebro otimista também reage de forma diferente ao estresse. Biologicamente, há menor ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, responsável pela liberação de cortisol, o principal hormônio do estresse.
Diante de uma adversidade, o pico de cortisol tende a ser menor e a recuperação ocorre mais rapidamente. Isso reduz o desgaste inflamatório e protege o organismo ao longo do tempo. Esse padrão ajuda a explicar por que o otimismo está associado a melhor saúde geral.
Os especialistas dizem que pessoas mais otimistas apresentam, inclusive, menor risco de declínio cognitivo, demência e eventos como acidente vascular cerebral (AVC). O efeito não é direto, mas envolve múltiplos fatores. Além disso, contribui para a formação de uma reserva cognitiva mais robusta, importante para o envelhecimento cerebral.
Apesar dos benefícios, há limites. Quando o otimismo se desconecta da realidade, pode se tornar prejudicial. Do lado saudável, o otimismo envolve acreditar na própria capacidade e enxergar possibilidades. O problema surge quando há perda do senso de realidade.
Em quadros como o transtorno bipolar, durante episódios de mania, a pessoa pode apresentar um otimismo irrealista. “Há redução do senso crítico e da percepção de riscos, o que pode levar a comportamentos perigosos”, explica Sandra.

Pessoas otimistas não estão imunes a frustrações. A diferença está na forma de lidar com elas. O otimismo funciona como um conjunto de recursos emocionais. A pessoa consegue se reorganizar mais rapidamente e encontrar caminhos para lidar com a adversidade.
Essa capacidade está ligada à melhor integração entre córtex pré-frontal e amígdala, o que favorece a regulação emocional. Transtornos como ansiedade e depressão podem comprometer a capacidade de manter uma visão positiva.
Nesses quadros, há uma desregulação dos circuitos cerebrais, e a pessoa perde flexibilidade cognitiva. Tudo passa a ser interpretado de forma negativa. O resultado é uma dificuldade em acessar o otimismo, recurso que fica “paralisado”.
Apesar das influências biológicas, o cotidiano tem papel central. Segundo os especialistas, práticas simples ajudam a estimular circuitos ligados ao bem-estar e à motivação.
Sandra destaca alguns pilares: atividade física regular, sono de qualidade, vínculos afetivos, momentos de lazer e contato com a natureza.
“Dar risada, conversar, estar com pessoas próximas e cultivar gratidão são experiências que ajudam a regular neurotransmissores e melhorar o humor”, diz.
O funcionamento do cérebro do otimista revela que a forma como pensamos o futuro não é apenas uma escolha consciente, mas resultado de interações complexas entre biologia, experiências e comportamento.
Embora haja predisposições, a ciência mostra que essa forma de enxergar a vida pode ser desenvolvida — e, quando equilibrada, tende a favorecer saúde ao longo do tempo.
A inflamação de baixo grau, também chamada de inflamação silenciosa, é um estado em que o organismo permanece em alerta constante, mesmo sem sinais evidentes como dor ou febre. Diferente da inflamação aguda, que surge como resposta imediata a uma infecção ou lesão, esse tipo é mais sutil, prolongado e pode passar despercebido por anos, afetando o funcionamento do corpo aos poucos.
Segundo o nutricionista Guilherme Lopes, do Hospital Mantevida, no Distrito Federal, a inflamação de baixo grau está mais ligada ao conjunto da dieta do que a alimentos isolados. Padrões ricos em ultraprocessados, como açúcares refinados, frituras, gorduras trans e carnes processadas, favorecem alterações no organismo.
“Esse tipo de alimentação contribui para resistência à insulina, aumento do tecido adiposo e desequilíbrios na microbiota intestinal, estimulando substâncias inflamatórias”, explica.
Apesar disso, o especialista alerta para um erro comum: extrapolar o conceito. A inflamação não surge de forma imediata por um único alimento, mas sim da combinação de dieta ruim com fatores como estresse, sedentarismo e sono inadequado.
Os sintomas da inflamação costumam ser sutis, o que faz muita gente ignorá-los. Entre os principais sinais estão:
De acordo com o coloproctologista Danilo Munhóz, da clínica Primazo, em Brasília, o intestino costuma dar os primeiros alertas. “Distensão abdominal, gases, desconforto e mudanças no hábito intestinal indicam que o corpo pode não estar reagindo bem à alimentação”, afirma.
Nem todo sintoma significa inflamação, e esse é um dos maiores erros atuais. Sintomas leves, como gases e estufamento, podem estar ligados a situações comuns do dia a dia, como exageros alimentares ou estresse. Já quadros mais sérios tendem a ser persistentes e incluem sinais como diarreia frequente, perda de peso ou presença de sangue nas fezes.
Munhóz reforça: “Rotular qualquer desconforto como inflamação pode gerar ansiedade e até restrições alimentares desnecessárias.”
A inflamação associada à alimentação pode ser revertida, principalmente em quadros leves. Segundo Lopes, ajustes simples, como aumentar o consumo de fibras, incluir antioxidantes na dieta e reduzir ultraprocessados, fazem diferença.
Ainda assim, quando os sintomas são frequentes ou persistentes, o ideal não é tentar resolver sozinho, mas buscar avaliação profissional para evitar diagnósticos errados e problemas maiores.
O papa Leão XIV pediu que Estados Unidos e Irã retomem as negociações para encerrar a guerra no Oriente Médio, após o fracasso das conversas realizadas no Paquistão. A declaração do líder da Igreja Católica ocorreu nesta quinta-feira (23/4), durante retorno ao Vaticano após um tour pela África.
À bordo do avião papal, Leão XIV foi questionado sobre uma possível mudança de regime no Irã, além das tratativas do país com os EUA e Israel.
Ele respondeu que, no momento, “não está claro” qual é o atual governo iraniano, e classificou as declarações sobre negociações de paz como uma “situação caótica”. O papa, contudo, não se posicionou diretamente sobre os questionamentos.
“Em vez disso, eu gostaria de incentivar a continuação do diálogo pela paz, para que as partes se esforcem para promover a paz, afastar a ameaça de guerra e para que o direito internacional seja respeitado”, disse Leão XIV. “É muito importante que os inocentes sejam protegidos, o que não aconteceu em vários lugares”.
O pedido do chefe da Igreja Católica surgiu dias após uma troca de farpas com o presidente dos EUA, Donald Trump. No último dia 12 de abril, o líder norte-americano classificou Leão XIV como “fraco”, e afirmou que o papa não estaria “fazendo um bom trabalho”. A fala ocorreu após críticas do religioso sobre a continuidade da guerra no Oriente Médio.
A declaração foi respondida pelo pontífice um dia depois, em 13 de abril, quando teve início a viagem pela África.
“Não tenho medo do governo Trump. Continuarei a me manifestar veementemente contra a guerra, buscando promover a paz, o diálogo e as relações multilaterais entre os Estados para encontrar soluções justas para os problemas”, afirmou Leão XIV.
Mesmo com o pedido do papa, as negociações entre Washington e Teerã seguem sem previsão de serem retomadas. A última rodada ocorreu em 12 de abril, no Paquistão, mas terminou sem um consenso entre as partes.
Com a falta de resposta do lado iraniano, Donald Trump voltou a recuar, e estendeu o cessar-fogo com o Irã por um tempo indeterminado. A trégua entre os dois países começou em 7 de abril.
O hábito de beber água com limão em jejum ganhou popularidade nas redes sociais como uma estratégia simples para melhorar a saúde. Mas o que, de fato, essa prática provoca no organismo? Segundo a nutróloga Sylvana Braga, o consumo pode trazer benefícios reais ao fígado e à digestão, desde que feito de forma equilibrada e com orientação adequada.
Apesar da fama de “detox milagroso”, o limão não age sozinho nem promove uma limpeza instantânea do organismo. De acordo com Sylvana Braga, seu principal papel está relacionado à ação antioxidante.
“O fígado se beneficia pois recebe vitamina C em alta quantidade, que é um antioxidante natural e extremamente importante para o detox hepático”, explica.

Outro ponto relevante está na digestão. A especialista afirma que o consumo pela manhã pode favorecer o funcionamento do estômago. “A acidez do estômago pode se beneficiar com o cítrico, desde que, de preferência, seja associado a algum alimento nutricional, como uma fruta, por exemplo o mamão”, orienta.
Além disso, o limão também contribui para a melhor utilização dos nutrientes ingeridos ao longo do dia. “Essa prática auxilia a absorção dos nutrientes, pois age como antioxidante, carreando metais tóxicos e retirando radicais livres maléficos”, destaca a nutróloga.

Ainda assim, o consumo deve ser feito com cautela, especialmente por pessoas com sensibilidade gástrica. O excesso ou o uso isolado pode causar desconfortos, como azia ou irritação.
Por isso, a recomendação é incluir o limão dentro de uma rotina alimentar equilibrada — e não como solução única para a saúde.
Ao percorrer o sítio arqueológico de Oxyrhynchus, no Egito, pesquisadores espanhóis se depararam com uma cena curiosa: em uma das múmias achadas no local, havia um papiro sobre o abdômen da pessoa embalsamada. E o mais curioso é que não era um manuscrito qualquer, mas sim um trecho da Ilíada, o famoso poema escrito por Homero – importante poeta da Grécia Antiga.
Apesar de outros papiros já terem sido encontrados juntos de embalsamentos de múmias, o novo achado é o primeiro a ter conteúdo textual literário – os anteriores eram textos ritualísticos.
A descoberta foi liderada por pesquisadores da Universidade de Barcelona, na Espanha. O sítio arqueológico egípcio é investigado pelos espanhóis desde 1992 e por lá já foram encontrados muitos artefatos relevantes.
Durante expedições no local, os pesquisadores encontraram um complexo funerário onde haviam múmias. E uma delas, datada de 1,6 mil anos, chamou atenção por conter o conteúdo literário no embalsamento.
Posteriormente, o papiro foi analisado e descobriu-se ser da obra escrita por Homero, a Ilíada. Não há mais informações sobre o que o trecho estava fazendo ali – se talvez pertencesse a um fã de leituras, por exemplo.
A maior certeza atualmente é que o achado demonstra a influência grega mesmo no Egito Antigo.
Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), a contaminação por verminoses, principalmente os helmintos transmitidos pelo solo (HTS), estão entre as infecções mais comuns em todo o mundo. Pelas estimativas, há mais de 1,5 bilhão de pessoas infectadas por vermes, o que corresponde a 24% da população mundial.
A coluna Claudia Meireles conversou com o infectologista Willian Mattiello da Silva Coelho para saber o que os vermes provocam no intestino, já que costumam “povoar” o órgão do sistema digestório. O médico do Hospital Mantevida, de Brasília (DF), diz que os parasitas intestinais podem variar bastante na forma de apresentação.
De acordo com o especialista, em muitos casos, o paciente permanece assintomático com relação à infecção por vermes, principalmente quando a carga parasitária é baixa. “Quando há manifestação clínica, o que predomina é a interação direta com a mucosa intestinal”, ressalta o médico.
O infectologista argumenta que alguns vermes provocam inflamação local, enquanto outros competem por nutrientes. “Há também aqueles parasitas que geram microlesões, com perda crônica de sangue”, garante o especialista com pós-graduação em medicina da família.
Segundo Willian, a contaminação por parasitas tende a desencadear a dor abdominal, sensação de estufamento e alteração do hábito intestinal, com episódios de diarreia ou constipação. “Em quadros mais prolongados, especialmente em crianças, pode haver impacto nutricional, com anemia e prejuízo no crescimento”, finaliza.

O jogador Lamine Yamal, do Barcelona, sofreu uma lesão grave na partida contra o Celta, nessa quarta-feira (22/4). O atacante espanhol lamentou o diagnóstico através das redes sociais nesta quinta-feira (23/4), mas reforçou não ser o fim da carreira, e sim uma breve pausa para se recuperar do ocorrido.
Veja post do Instagram
“Essa lesão me deixa fora do campo no momento que eu mais queria estar, e dói mais do que eu posso explicar. Dói não poder lutar com meus colegas, não poder ajudar quando o time precisa de mim. Mas eu acredito neles e sei que eles vão deixar a alma em todos os jogos”, iniciou.
“Eu estarei lá, nem que seja de fora, apoiando, torcendo e empurrando como mais um. Isto não é o fim, é só uma pausa. Voltarei mais forte, mais animado do que nunca, e a próxima temporada será melhor. Obrigado pelas mensagens e Visca o Barça”, completou
Apesar da lesão, de acordo com o jornal AS, da Espanha, o jogador não atua mais pelo Barcelona nesta temporada, mas estará disponível para disputar a Copa do Mundo com a camisa da Espanha.
Mesmo eliminado da Champions League, o Barcelona lidera o Campeonato Espanhol com nove pontos de vantagem para o Real Madrid, que aparece na 2ª colocação. Restam sete rodadas para o final da competição.
A anemia, condição caracterizada pela redução da hemoglobina ou da quantidade de glóbulos vermelhos no sangue, foi associada a um risco maior de demência em pessoas com 60 anos ou mais. A conclusão é de um estudo publicado em 17 de abril no periódico científico JAMA Network Open.
De acordo com os pesquisadores, idosos com anemia apresentaram 66% mais risco de desenvolver demência quando comparados aos participantes sem a condição. O trabalho também encontrou relação entre anemia e marcadores biológicos ligados a doenças neurodegenerativas, incluindo o Alzheimer.
O estudo utilizou dados do Swedish National Study on Aging and Care in Kungsholmen (SNAC-K), projeto que acompanha o envelhecimento de moradores de Estocolmo, na Suécia.
Foram analisadas 2.282 pessoas com 60 anos ou mais, todas sem demência no início da pesquisa. Os participantes entraram no estudo entre 2001 e 2004 e foram acompanhados até 2019. O tempo médio de seguimento foi de nove anos e três meses.
Durante o período, 362 participantes desenvolveram demência, o equivalente a 15,9% do total analisado. Após ajustes estatísticos para fatores como idade, sexo, escolaridade e doenças crônicas, a anemia permaneceu associada a maior risco de diagnóstico futuro.
Além do aumento no risco de demência, os cientistas observaram que participantes com anemia apresentavam níveis mais elevados de biomarcadores sanguíneos relacionados a lesão e degeneração cerebral. Entre eles estavam:
Segundo os autores, os achados sugerem que a anemia pode estar conectada a processos biológicos envolvidos no declínio cognitivo. Os pesquisadores reforçam que o trabalho mostra associação, e não relação direta de causa e efeito. Ou seja, o estudo não prova que a anemia provoca demência.
Os dados chamam atenção porque a anemia é uma condição frequente em pessoas idosas e, muitas vezes, pode estar ligada a causas tratáveis, como deficiência de ferro, falta de vitamina B12, doenças renais, inflamações ou perdas de sangue.
Para os autores, acompanhar exames de sangue e investigar anemia em adultos mais velhos pode ser importante não apenas para a saúde geral, mas também para monitorar fatores ligados ao envelhecimento cerebral. Novos estudos ainda serão necessários para descobrir se tratar a anemia pode reduzir o risco de demência no futuro.
Quando se ouve falar de tomografias, o que vem à cabeça primeiro são os exames de imagens comuns do dia a dia hospitalar. De fato, a descrição está correta. Mas além de criar imagens detalhadas dos nossos ossos, órgãos e tecidos através do raios-X, elas podem fazer o mesmo em múmias – e o melhor: os detalhes são revelados sem precisar danificar os fragmentos antigos e valiosos.
De forma inédita, através da técnica de imagem, os pesquisadores do Museu de História da Medicina Semmelweis, na Hungria, conseguiram analisar e descobrir particularidades curiosas sobre fragmentos de múmias egípcias com mais de 2,3 mil anos de existência.
As peças já tinham sido investigadas anteriormente utilizando outros métodos, mas os resultados não se mostraram confiáveis.
“As imagens atuais fornecem uma visão mais detalhada do que nunca e espera-se que revelem novas descobertas cientificamente válidas sobre os restos mortais que foram preservados na coleção por décadas”, explica a curadora da coleção do museu, Krisztina Scheffer, em comunicado.
Os resultados da investigação ainda estão em andamento e não foram publicados, mas os primeiros detalhes começaram a ser revelados pela equipe de pesquisa em comunicado divulgado em 14 de abril. Em um dos fragmentos, uma perna mumificada, houve um dos achados mais interessantes: foram identificados sinais de osteoporose, a doença que fragiliza a saúde dos ossos. No total, estão sendo analisadas seis pedaços de restos mortais.
Durante as análises, o achado dos sinais de osteoporose em uma das pernas é mais uma evidência de que no Egito Antigo os indivíduos sofriam com as mesmas doenças de atualmente. Em estudos anteriores, já foram encontrados indícios de artrite, anemia e câncer nas múmias.
Outro detalhe curioso da investigação foi uma confusão esclarecida pelas tomografias. Inicialmente, os pesquisadores achavam que um dos fragmentos era de um pássaro, já que era comum egípcios mumificarem aves. Porém, a investigação mostrou que era um pé.
Houve também a análise de um dos membros inferiores, que pertencia a um indivíduo jovem, e uma das mãos, na qual ainda há dúvida se era de uma criança ou de um adulto. Os estudos pioneiros com tomografias das múmias continuarão para trazer respostas concretas sobre todos os fragmentos.
“Com base nos resultados obtidos até agora, é evidente que a tecnologia moderna de imagem abre novas perspectivas na pesquisa de múmias. Pode revelar informações ocultas em achados com milhares de anos sem danificá-los”, conclui Krisztina.
Um voo partiu da Louisiana, nos Estados Unidos, e pousou na sexta-feira (17/4) no aeroporto internacional da República Democrática do Congo (RDC), levando à revelia ao menos 15 sul-americanos requerentes de asilo, homens e mulheres, do Peru, Equador e Colômbia.
Foi a primeira leva de deportados desde que o governo de Donald Trump firmou um acordo com o país da África central, no começo de abril, para enviar dezenas de pessoas detidas pelo serviço de imigração americano que não são da RDC. Lá, elas ficarão até serem enviadas de vez para os países de origem, em um processo que pode durar meses.
Este foi o episódio mais recente de uma prática que tem se tornado cada vez mais comum nos EUA e que tem atingido cada vez mais a comunidade latina: a deportação para países terceiros, sobretudo, nações pobres africanas.
Esse processo acelera deportações de migrantes em busca de refúgio e se mostrou uma solução para o governo Trump desafogar seu sistema prisional, sobrecarregado após uma série de operações de grande repercussão e detenções em massa pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE).
Os deportados têm ordens de proteção da Justiça dos EUA e não podem, em tese, ser enviados de volta para seus países de origem, onde alegam serem perseguidos e correr sérios riscos. Dessa forma, os EUA “terceirizam” o serviço, por meio de acordos com nações dispostas a receber temporariamente esses migrantes
Até o momento, os EUA gastaram ao menos 40 milhões de dólares para deportar 300 imigrantes para países com os quais não têm qualquer vínculo familiar, linguístico, cultural ou jurídico. Os dados são de um relatório divulgado recentemente pela equipe democrata da Comissão de Relações Exteriores do Senado americano.
Esses países recebem incentivos financeiros dos EUA e quase todos são classificados pelo próprio Departamento de Estado americano como inseguros e com violações de direitos humanos. Um dos parceiros mais ilustres dessa empreitada é El Salvador. Há acordos com Guatemala, Honduras, Paraguai, Equador e Belize.
O governo Trump tem ampliado suas parcerias de deportação na África. Suazilândia, Gana, Camarões, Libéria, Líbia, Ruanda, Sudão do Sul, Uganda são alguns dos países que concordaram em receber imigrantes dos EUA. O acordo com a RDC foi o mais recente, e o próximo deverá ser com a República Centro Africana, segundo reportagem do New York Times.
“Essas expulsões constituem violações dos direitos humanos e do direito internacional dos refugiados. Elas se enquadram em acordos de readmissão ou transferência com países terceiros, acordos opacos e, às vezes, assinados em segredo, que desconsideram os padrões mínimos”, afirma à DW Cécile Blouin, pesquisadora do Instituto de Democracia e Direitos Humanos da Pontifícia Universidade Católica do Peru.
Ainda não há detalhes sobre em que condições a transferência desses imigrantes latinos aconteceu. A RDC afirmou que a permanência dos deportados será temporária. Até esta segunda-feira (20/04), todos estavam hospedados em um hotel próximo ao aeroporto de Kinshasa, sob vigilância da polícia congolesa.
Há relatos anteriores de maus tratos e ambientes insalubres nessas operações. “Eles nos algemaram na cintura, nas mãos e nos pés. Perguntei mais uma vez para onde estávamos indo e disse que temia pela minha vida e precisava falar com meus advogados”, relatou o nigeriano D.A., que prefere se manter anônimo, ao Third Country Deportation Watch, uma iniciativa que monitora deportações para países terceiros.
Ele pediu refúgio aos EUA em 2019, devido à probabilidade de ser perseguido ou morto por sua atuação política no país. Em setembro de 2025, já casado com uma americana, ele foi deportado para Gana, meses depois de um juiz ter determinado a suspensão de sua deportação.
“O agente finalmente me disse que íamos para Gana. Eu disse a ele que tinha medo de ir para Gana e que não podia ir para lá. Ele nos disse ‘gostem ou não, vocês vão embarcar naquele avião’. Em seguida, ele me colocou uma camisa de força extremamente apertada, me amarrou dos ombros aos pés”, relembra. Ele então foi colocado em um avião militar junto com as outras pessoas que foram retiradas de suas celas do ICE.
Segundo o relato de D.A., as condições no campo de detenção onde está em Gana são horríveis. Ele chega a passar uma semana com a mesma roupa. Falta água corrente, comunicação e energia elétrica contínua.
O governo do Peru foi o primeiro a reconhecer que sete de seus cidadãos estavam no voo da semana passada para a RDC. Segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores peruano, todos eles teriam aderido por sua própria vontade a esse “benefício”, dentro de um acordo que permite a custódia desse tipo de migrante “até que a Justiça americana decida sobre seus pedidos de asilo ou refúgio”.
Cécile Blouin chama atenção para o fato de “não haver uma rejeição clara e um questionamento a esses fatos tão graves” por parte do governo peruano. Para ela, o que Washington busca é demonstrar “uma política de terror, medo e dissuasão em relação aos migrantes e seus familiares”.
A lista de violações nessas operações é extensa, aponta a especialista: “violação da liberdade pessoal, do devido processo legal, do direito de não repulsão (enviar a pessoa para um local onde teme pela vida ou pode ser reenviada para seu país, onde corre risco), do direito de viver em família e do direito de não sofrer desaparecimento forçado, neste último caso, devido à opacidade das expulsões e à falta de informação para os familiares, que muitas vezes desconhecem o paradeiro dos deportados”.
“O Executivo americano tem o poder de deportar pessoas sob condições mínimas de devido processo legal e somente quando elas não possuem status legal de permanência ou existe uma ordem firme de deportação”, explica à DW o advogado Moisés Montiel, professor de direito internacional no Centro de Pesquisa e Ensino Econômico (Cide) na Cidade do México. Nesses casos, afirma ele, o que prevalece é o direito interno de cada país e não o direito internacional humanitário.
De qualquer forma, acrescenta, “a norma que sem dúvida se aplica a pessoas que necessitam de proteção internacional é a proibição de repatriação para o país que as persegue ou onde sua vida, integridade e direitos estejam ameaçados, com base em evidências sólidas”, o que seria o caso.
No entanto, observa Montiel, “não devemos perder de vista que a República Democrática do Congo é um país que atualmente vive um sangrento conflito armado interno”, e mesmo que esse país aceite as pessoas, é obrigação dos Estados Unidos “garantir que o país terceiro seja seguro”.
“Minha cliente não está, de forma alguma, em um lugar seguro”, responde à DW a advogada Alma David, representante legal de uma colombiana enviado à RDC. “E isso é intencional: é precisamente por isso que o governo dos EUA a colocou nessa situação. É uma forma de obrigá-la a abandonar sua busca por segurança e proteção. Agora ela se encontra detida de facto em um hotel, em um país onde não tem nenhum vínculo nem rede de apoio”, acrescenta.
“As deportações para países terceiros do governo Trump violam tanto o direito americano quanto o direito internacional”, defende.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) está prestando assistência humanitária aos deportados e teria oferecido um retorno voluntário assistido aos seus países de origem. Isso, para David, é coação.
“Minha cliente está sendo coagida a retornar ao país de onde fugiu e no qual um juiz de imigração americano já determinou que existe um risco superior a 50% de que ela seja torturada pelo governo ou com sua aprovação. Não há qualquer garantia quanto à sua segurança ou aos cuidados que receberá”, afirma.
O chamado vício em dopamina se popularizou nas redes sociais: o retorno rápido da sensação recompensadora de receber muitos likes ou o quentinho no coração ao ver um vídeo fofo de cachorro é a base do vício em telas para adultos e crianças. Porém, do ponto de vista clínico, o conceito é mais complexo — e muitas vezes, mal interpretado.
Segundo o psiquiatra Fabrício Valiante, de São Paulo, a dopamina não é exatamente o “hormônio do prazer”, como costuma ser divulgado. “Ela está muito mais ligada à antecipação e ao aprendizado por recompensa”, explica. O problema não é sentir prazer, mas entrar em um ciclo de busca constante por estímulos rápidos.
O psiquiatra Oswaldo Petermann Neto, da plataforma Doctoralia, reforça que o ponto central não é o excesso da substância, mas o padrão de comportamento aprendido. “Atividades como redes sociais e jogos utilizam reforços imprevisíveis, que aumentam a repetição do comportamento”, afirma.
Na prática, isso significa que o cérebro passa a funcionar em modo de expectativa contínua, sempre esperando a próxima recompensa, como curtidas, notificações ou novidades no feed.
Nem todo uso intenso de celular ou redes sociais configura um vício em dopamina. A diferença está no grau de controle. De acordo com Valiante, o critério mais claro é direto: “Hábito você controla, compulsão te controla”. Clinicamente, isso aparece em três pontos principais: perda de controle, continuidade mesmo com prejuízos e necessidade crescente de estímulo.
O psiquiatra Petermann Neto complementa com outro sinal importante: a fissura. “A pessoa sente necessidade constante, usa para aliviar desconforto e, muitas vezes, vem culpa depois”, diz.
Já a psicóloga Flavia Marsola, do Hospital Brasília Águas Claras, chama atenção para a perda de sentido. “Quando o comportamento acontece no piloto automático e gera mais culpa do que satisfação, não é mais escolha, é padrão compulsivo”, explica. Ou seja: o prazer deixa de ser o objetivo. O comportamento passa a existir para aliviar ansiedade, tédio ou vazio.
Os especialistas são consistentes ao apontar os principais sinais de que o vício em dopamina pode estar se instalando. Entre eles estão:
Valiante destaca um ponto menos óbvio, mas decisivo: quando o comportamento ocupa a mente o tempo todo. “A pessoa não está no celular, mas continua pensando nele. Isso indica que o comportamento passou a organizar a vida mental”, afirma.
Esse fenômeno é conhecido como saliência cognitiva, quando o estímulo domina a atenção mesmo na ausência dele.
Tratar o vício em dopamina como um problema isolado costuma ser um erro. Em muitos casos, ele é apenas a ponta do iceberg.
Segundo os especialistas, os quadros mais associados são:
Marsola explica que, muitas vezes, o comportamento é uma estratégia de sobrevivência emocional. “Não é sobre falta de controle, mas sobre uma tentativa de regulação emocional que ficou limitada”, afirma. Isso muda completamente a abordagem: se a causa não for tratada, o comportamento tende a voltar.
Não existe solução simples ou única para o vício em dopamina, e promessas rápidas costumam falhar. O tratamento eficaz é combinado e exige mudança real de comportamento.
A psicoterapia, especialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), é a principal abordagem. Segundo Petermann Neto, ela ajuda na regulação emocional, no controle de impulsos e na reestruturação de padrões de pensamento.
Valiante destaca que mudanças práticas têm impacto subestimado: regulação do sono, redução de notificações e reorganização do ambiente. “São intervenções simples, mas com forte evidência científica”, afirma.
A psicóloga acrescenta um ponto que muita gente ignora: não basta cortar o comportamento, é preciso substituir. “Autocontrole não é força, é estratégia. Pequenas mudanças no ambiente são mais eficazes do que depender só da vontade”, diz.
Em casos com transtornos associados, a medicação pode ser necessária, especialmente em quadros como TDAH, ansiedade ou depressão.
No fim, o objetivo não é eliminar o prazer ou a tecnologia, mas recuperar a capacidade de escolha. Porque o verdadeiro problema não é sentir vontade, é não conseguir decidir o que fazer com ela.
As estações mais frias do ano são tradicionalmente marcadas pelo aumento dos casos de gripe, infecção causada pelo vírus influenza. A sazonalidade está relacionada ao clima mais seco e a mudanças de comportamento típicas dos meses frios, como a maior permanência em ambientes fechados e pouco ventilados, o que favorece a transmissão.
Entre o fim de março e o início de abril, o Brasil registrou elevação na incidência da doença, embora ainda não haja um consolidado nacional de infecções em 2026. O boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indica crescimento dos casos de influenza A, com maior impacto na região Centro-Sul. Segundo o levantamento, até o último dia 4 de abril, mais de 31 mil casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) já foram notificados neste ano, condição clínica que pode exigir hospitalização. Desses, mais de 13 mil tiveram confirmação laboratorial para vírus respiratórios, incluindo influenza e outros agentes.
“A gripe pode evoluir com febre mais alta e complicações, incluindo infecções bacterianas como sinusite, otite e pneumonia com necessidade de internação, exacerbação de doenças crônicas, evolução para síndrome respiratória aguda grave e óbito, especialmente em grupos vulneráveis”, alerta a médica alergista e imunologista Cristina Maria Kokron, do Einstein Hospital Israelita.
Para reduzir os impactos da enfermidade, a campanha nacional de vacinação é realizada anualmente, a partir do outono, na maior parte do país. Na região Norte, a imunização ocorre no segundo semestre, antes do período de maior circulação viral, que acontece durante o chamado “inverno amazônico” — caracterizado por maior volume de chuvas e aumento de síndromes respiratórias. No caso dessa região, a vacina contém as cepas predominantes no Hemisfério Norte.
Apesar de ocorrer desde 1999, a campanha de vacinação contra a gripe ainda é cercada por dúvidas e desinformação. Uma das principais diz respeito à necessidade de tomar a vacina todos os anos. O vírus influenza é um dos agentes infecciosos mais antigos conhecidos pela humanidade. Amplamente disseminado, já provocou grandes epidemias, como a Gripe Russa (1889), a Gripe Espanhola (1918) e, mais recentemente, a pandemia de H1N1 (2009). Hoje, permanece em circulação contínua e associado a quadros leves e graves.
Uma das principais características do influenza é sua alta capacidade de mutação. Esse processo ocorre por dois mecanismos: pequenas alterações genéticas durante a replicação viral e rearranjos mais amplos quando diferentes variantes infectam a mesma célula. Essas mudanças fazem com que o sistema imunológico perca, ao longo do tempo, a capacidade de reconhecer o vírus com eficiência, mesmo em pessoas que já tiveram gripe ou foram vacinadas anteriormente. Daí por que a proteção não é duradoura.
A vacina contra a gripe é reformulada todos os anos justamente para acompanhar essas transformações. Uma rede global de vigilância monitora a circulação e a evolução das cepas e, com base nesses dados, a Organização Mundial da Saúde (OMS) define quais variantes devem compor as vacinas de cada temporada. Ao se vacinar anualmente, a população aumenta a proteção contra os vírus mais recentes em circulação, reduzindo o risco de complicações e formas graves da doença
Nos últimos meses, uma variante conhecida como gripe K — um subclado do vírus influenza A (H3N2) — tem chamado a atenção de autoridades de saúde em diferentes países. O aumento de infecções associado a esse subtipo acendeu um alerta global, e ele foi identificado no Brasil pela primeira vez no fim de 2025. No início de abril, o Ministério da Saúde informou ter intensificado a vigilância epidemiológica para monitorar a circulação do vírus e suas mutações.
Circulam com frequência boatos de que a vacina contra a gripe poderia provocar a doença ou aumentar o risco de infecção. Isso não é verdade: o imunizante é produzido com vírus inativados e fragmentados, o que o torna incapaz de causar gripe. “As doses para influenza disponíveis no Brasil não têm vírus vivo, ou seja, não têm o RNA, somente uma fração”, detalha o pediatra Alfredo Elias Gilio, coordenador da Clínica de Imunização do Einstein. “Brinco com meus alunos que o vírus está ‘morto e esquartejado’, portanto, é impossível causar a doença.”
Sintomas gripais após a vacinação podem ser causados por outros agentes infecciosos. “Nesta época do ano, circulam diversos vírus com quadros parecidos aos de gripe, que podem ser confundidos no dia a dia. Em geral, o que pode acontecer são casos de resfriado causados por outro grupo de vírus, chamado rinovírus, cujos sintomas são mais lves, como nariz escorrendo, tosse, dorzinha, febre baixa e mal-estar”, pontua Gilio.
Os efeitos adversos mais comuns da vacina são leves e passageiros, como dor, vermelhidão e endurecimento no local da aplicação, geralmente com melhora em até 48 horas. Reações menos frequentes incluem febre, mal-estar e dor muscular. A vacinação é a principal forma de prevenir complicações da gripe, reduzindo o risco de hospitalização e morte.
A vacina contra a gripe ofertada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é produzida pelo Instituto Butantan, em São Paulo. Ela é formulada na versão trivalente — ou seja, com três cepas do vírus consideradas predominantes em circulação no mundo. Cerca de 80 milhões de doses são enviadas ao Ministério da Saúde, responsável pela distribuição aos estados e municípios.
A campanha nacional de vacinação segue até 30 de maio e é direcionada a grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde, como crianças de 6 meses a menores de 6 anos, idosos com 60 anos ou mais e gestantes. Também estão incluídas pessoas com maior risco de exposição ao vírus ou de agravamento da doença, caso de puérperas, povos indígenas, quilombolas e pessoas em situação de rua.
Profissionais considerados essenciais, como trabalhadores da saúde, professores, integrantes das forças de segurança, salvamento e das Forças Armadas, também fazem parte do público-alvo, assim como caminhoneiros, trabalhadores do transporte coletivo, portuários e funcionários dos Correios.
A estratégia contempla ainda indivíduos privados de liberdade, jovens em medidas socioeducativas e pessoas com deficiência permanente ou doenças crônicas, independentemente da idade. “Em públicos prioritários, a vacina é especialmente crucial para desafogar o sistema de saúde, proteger os mais vulneráveis via imunidade coletiva e minimizar agravamentos em condições pré-existentes, como problemas cardíacos ou respiratórios”, ressalta Cristina Kokron.
Em anos anteriores, diante da disponibilidade de doses, a campanha foi ampliada para toda a população acima de 6 meses, com estados e municípios tendo autonomia para incluir novos públicos conforme o estoque. Por isso, após o encerramento oficial da campanha, é comum que prefeituras anunciem a chamada “xepa da vacina”, abrindo a imunização para mais pessoas.
O imunizante também está disponível na rede privada, com preços que variam entre R$ 75 e R$ 230. Nesses casos, a versão mais comum é a quadrivalente, que inclui uma cepa adicional do vírus influenza B. Mas tanto a vacina oferecida pelo SUS quanto a da rede privada são eficazes na prevenção de casos graves. “A vacina trivalente tem a mesma abrangência de proteção que a tetravalente”, assegura a médica Mônica Levi, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Nem toda pessoa com alterações cerebrais típicas do Alzheimer desenvolve perda de memória ou demência. É o que diz um novo estudo publicado em 4 de abril na revista científica Acta Neuropathologica Communications, que investigou justamente por que alguns cérebros conseguem manter funções cognitivas preservadas mesmo com sinais biológicos associados à doença.
A pesquisa analisou dados humanos e também testou hipóteses em camundongos modificados geneticamente. Os autores afirmam que o trabalho ajuda a entender mecanismos de “resiliência cognitiva”, termo usado para descrever quando o cérebro tolera lesões ou alterações sem apresentar sintomas clínicos importantes.
Segundo o estudo, cerca de 20% a 30% das pessoas idosas podem apresentar acúmulo relevante de placas beta-amiloide e proteína tau — duas marcas clássicas do Alzheimer — e, ainda assim, permanecerem cognitivamente intactas.
Essa condição é chamada de Alzheimer assintomático. Em termos práticos, significa que o cérebro apresenta alterações vistas na doença, porém sem impacto evidente sobre memória, linguagem ou raciocínio. Os pesquisadores destacam que compreender por que isso acontece pode ser tão importante quanto estudar a progressão do Alzheimer sintomático.
A equipe utilizou ferramentas computacionais para analisar grandes bancos de dados de expressão gênica em tecidos cerebrais humanos. O objetivo era identificar padrões moleculares capazes de diferenciar envelhecimento normal, Alzheimer com sintomas e Alzheimer assintomático.
Depois, os cientistas aplicaram o conhecimento obtido em modelos animais para testar se os mecanismos encontrados também poderiam ser observados em laboratório.
Um dos principais achados envolve a Chromogranin A (CgA). Segundo os autores, a ausência da proteína em camundongos com tauopatia levou a um quadro incomum, no qual os animais mantiveram desempenho preservado em testes de memória e aprendizagem, apesar de apresentarem alterações moleculares e neuropatológicas compatíveis com Alzheimer.
Nas fêmeas, o efeito foi ainda mais marcante, com redução da agregação de tau e preservação de estruturas sinápticas, responsáveis pela comunicação entre neurônios.
O estudo não aponta cura imediata nem mudança no tratamento atual. Porém, sugere que alguns fatores biológicos podem proteger o cérebro mesmo diante de lesões associadas ao Alzheimer.
Se os resultados forem confirmados em novas pesquisas, a descoberta pode abrir caminho para medicamentos voltados não apenas a combater a doença, mas também a fortalecer mecanismos naturais de resistência cerebral. Por enquanto, entender por que alguns cérebros resistem pode ser uma das chaves para enfrentar o Alzheimer no futuro.
