
Muito popular em Minas Gerais e Goiás, a ora-pro-nóbis é uma planta alimentícia não convencional (Panc) famosa por reunir nutrientes importantes para a saúde. As folhas, fáceis de cultivar e preparar, são ricas em fibras, ferro, cálcio, magnésio e vitaminas A e C. A Panc também tem proteínas vegetais em quantidades moderadas.
“Além do perfil nutricional, a ora-pro-nóbis se destaca por ser um alimento acessível e versátil, que pode ser incluído em preparações simples do cotidiano, o que facilita a adesão a uma alimentação mais natural”, explica a nutricionista Carla de Castro, da Clínica Sallva, em Brasília
Apesar da fama, a ora-pro-nóbis é uma opção de alimento complementar: a planta pode fazer parte de uma dieta equilibrada, mas não substitui outras comidas. No caso da proteína, por exemplo, feijão, ovos e carne ainda têm mais do nutriente do que a folha.
“Por ser um alimento de origem vegetal e rico em outros nutrientes, a ora-pro-nóbis ajuda a qualificar a refeição como um todo, oferecendo fibras e minerais que atuam junto com a proteína no funcionamento do organismo”, ressalta a nutricionista Pâmella Cardoso, da Supreme Clinic, em Goiânia.
Um dos benefícios mais importantes da ora-pro-nóbis é a ajuda no funcionamento do intestino. Por ser rica em fibras, a planta auxilia na sensação de saciedade e controle de apetite, além de participar da movimentação saudável do bolo fecal.
Os antioxidantes presentes na planta também ajudam a proteger as células do estresse oxidativo e contribuir para o funcionamento do sistema imunológico. As versões in natura da planta são as mais indicadas.

O ideal é não deixar as folhas cozinhando por muito tempo: o calor em excesso pode diminuir a concentração de algumas das vitaminas da ora-pro-nóbis.
Por isso, a indicação é usá-la em refogados rápidos ou acrescentá-la no final do preparo. Além de pratos quentes, é possível usar a ora-pro-nóbis em sucos e chás. Macerada em forma de farinha, pode ser adicionada a massas, pãe se vitaminas para melhorar a qualidade nutricional.
Um ictiossauro fossilizado foi encontrado no município de Mistelgau, na Alemanha. Entre as peças achadas, foram identificadas a presença de mais de 100 dentes e várias outras partes do corpo do réptil. Ao analisá-lo, os pesquisadores descobriram que seu estômago continha pedras, o que possivelmente poderia ser uma estratégia de sobrevivência.
Estima-se que o fóssil tenha cerca de 180 milhões de anos e pertence a espécie Temnodontosaurus trigonodon, reconhecidamente a que abrigava os maiores ictiossauros. Através do comprimento do crânio de 1,5 metros, os pesquisadores sugerem que o animal tinha cerca de 6,6 metros de comprimento.
O trabalho liderado por pesquisadores do Urwelt-Museum Oberfranken, na Alemanha, teve os resultados publicados na revista Zitteliana na última quinta-feira (23/4).
O fóssil foi encontrado na pedreira de argila de Mistelgau, um sítio paleontológico alemão importante. Além dos dentes, foram encontradas partes do crânio e da mandíbula inferior, da cintura escapular, das nadadeiras peitorais e da coluna vertebral. A partir delas, foi possível detalhar estruturas anatômicas raramente documentadas, como as do palato, da região orbital e das nadadeiras.
A investigação também descobriu sinais de ferimentos nas articulações do ombro e da mandíbula, o que pode ter limitado a capacidade de caça do réptil. Além disso, pedras no estômago, conhecidas como gastrólitos, também foram identificadas. E o mais curioso: os cientistas apontam que ambos achados têm relação.
“Os ferimentos provavelmente limitaram significativamente a capacidade do animal de caçar. O fato de ele ter sobrevivido, mesmo assim, é evidenciado, entre outras coisas, pelos dentes bastante desgastados e pelos gastrólitos, que conseguimos identificar na região abdominal”, afirma um dos autores do estudo, Stefan Eggmaier, em comunicado.
Raro de ser encontrado nos ictiossauros, os gastrólitos são pedras ingeridas intencionalmente por certos animais para ajudar na trituração dos alimentos em situações específicas.
O achado faz parte de um estudo em andamento sobre a ecologia do mar Jurássico, o período em que os ictiossauros viveram, na Alemanha. Agora, os pesquisadores planejam investigar mais a fundo os dentes e as estruturas ósseas, a fim de saber mais detalhes sobre o habitat do fóssil.
O uso da chupeta e da mamadeira faz parte da rotina de muitas famílias.
Eles ajudam a acalmar o bebê e oferecem conforto emocional. No entanto, o tempo é o maior inimigo da saúde bucal.
Quando esses hábitos duram demais, o sorriso e a face da criança podem sofrer danos permanentes.
Saiba mais sobre os limites recomendados por especialistas e como proteger o desenvolvimento do seu filho.
Chupeta: Deve ser removida até, no máximo, os 2 anos de idade.
Mamadeira: O desmame deve ocorrer gradualmente no mesmo período, substituindo-a por copos.
Vale lembrar: a introdução da chupeta não é uma necessidade de saúde. É uma escolha da família.
A Dra. Cristina Pedro, coordenadora de Odontologia da Faculdade Anhanguera, alerta para os perigos após os 2 anos. O uso tardio interfere na musculatura e nos ossos do rosto. Os problemas mais comuns são:
Mordida aberta: Os dentes da frente não se encontram ao fechar a boca.
Dentes desalinhados: Projeção dos dentes para frente (“dentes de coelho”).
Respiração oral: A criança passa a respirar mais pela boca do que pelo nariz.
Alterações na fala: Dificuldade em pronunciar certos fonemas.
Fique atento se o seu filho apresentar:
Mudanças na forma de fechar a boca.
Dificuldade para mastigar alimentos.
Fala anasalada ou diferente do padrão.
Dormir sempre de boca aberta.
Se a retirada ocorrer após os 4 anos, pode ser necessário usar aparelhos ortodônticos e acompanhamento com psicólogos e fonoaudiólogos.
A transição deve ser acolhedora. Confira dicas práticas:
Redução gradual: Comece limitando o uso apenas para a hora de dormir.
Copos de transição: Ofereça modelos coloridos e adequados à idade para substituir a mamadeira.
Diálogo: Explique para a criança por que ela não precisa mais do objeto (foco em crianças acima de 2 anos).
Ajuda profissional: O odontopediatra pode sugerir aparelhos específicos que auxiliam na remoção do hábito e corrigem a arcada.
Respeitar o tempo certo de retirada garante dentes mais saudáveis e o desenvolvimento correto da fala e da respiração.
O sentido do olfato sempre foi considerado um dos mais difíceis de entender na biologia. Durante décadas, os cientistas acreditaram que os receptores responsáveis por detectar cheiros estivessem distribuídos de forma aleatória no interior do nariz. No entanto, um novo estudo mostra que a realidade pode ser bem diferente.
Pesquisadores criaram um mapa detalhado da organização desses receptores no nariz de camundongos e descobriram que eles seguem um padrão bem definido. Em vez de estarem espalhados ao acaso, os diferentes tipos de sensores aparecem organizados em faixas estreitas dentro da cavidade nasal.
O trabalho foi publicado nessa terça-feira (28/4) na revista científica Cell e analisou milhões de células responsáveis por captar odores.
Os cheiros são detectados por neurônios sensoriais olfativos, células especializadas e localizadas no interior do nariz. Cada uma delas expressa apenas um tipo de receptor de odor. No caso dos camundongos, existem mais de mil tipos diferentes.
Com objetivo de entender como eles se distribuem na cavidade nasal, os pesquisadores analisaram cerca de 5,5 milhões de neurônios olfativos de mais de 300 animais. Para isso, utilizaram técnicas modernas que permitem observar quais genes estão ativos em cada célula.
Uma dessas ferramentas foi o sequenciamento de célula única, que permite examinar os neurônios individualmente e identificar qual receptor de odor que cada um produz. Depois, outra técnica chamada transcriptômica espacial foi usada para localizar exatamente onde essas células estavam posicionadas no nariz.
Combinando essas informações, a equipe conseguiu montar um mapa com mais de 1.100 tipos de receptores. Segundo o neurobiólogo Sandeep Datta, da Harvard Medical School e autor sênior do estudo, os dados revelaram um padrão surpreendente.
“Encontramos cerca de mil faixas distintas de receptores olfativos. Elas se sobrepõem, mas seguem uma organização bastante clara”, afirmou à Live Science.

O estudo também mostrou que essa organização no nariz está conectada diretamente à forma como o cérebro processa os odores.
Os neurônios que possuem o mesmo receptor enviam seus sinais para o mesmo ponto no bulbo olfatório, uma região cerebral responsável por interpretar os cheiros, o que indica que o padrão observado no nariz está alinhado com o mapa neural que existe no cérebro.
Outra descoberta envolve uma molécula chamada ácido retinoico. Os cientistas observaram que ela pode influenciar a posição dos receptores no nariz pois quando os níveis dessa substância foram alterados nos experimentos, o mapa dos receptores também se deslocou dentro da cavidade nasal.
Agora, os pesquisadores tentam entender por que esses receptores aparecem exatamente nessa ordem e se o mesmo tipo de organização existe em humanos.
“O sistema olfativo humano é, em muitos aspectos, semelhante ao do rato, embora tenhamos menos receptores de odor. Ainda precisamos investigar até que ponto os mesmos princípios se aplicam ao nosso nariz”, diz Datta.
Compreender melhor essa organização pode ajudar cientistas a entender como o cérebro interpreta os cheiros e por que algumas pessoas perdem o olfato, condição que também pode afetar a saúde mental e a qualidade de vida.
Muito além de congelar água, certos fungos podem influenciar diretamente a formação da chuva. Isso porque proteínas liberadas por esses organismos ajudam a transformar gotículas de água em gelo dentro das nuvens — etapa essencial para que a precipitação aconteça. De acordo com o novo estudo publicado na revista Science Advances, fungos da família Mortierellaceae produzem essas moléculas com alta eficiência, revelando um elo pouco conhecido entre a microbiologia e o clima da Terra.
A pesquisa identificou proteínas chamadas nucleadoras de gelo, ou Ice Nucleating Proteins (INpros), capazes de organizar moléculas de água e acelerar o congelamento, próximas de 0°C negativos, mesmo em temperaturas relativamente altas.
Até então, esse tipo de mecanismo era conhecido principalmente em bactérias. Agora, os cientistas mostram que fungos também possuem estruturas semelhantes e, em alguns aspectos, ainda mais versáteis.
Na atmosfera, muitas nuvens são formadas por gotículas de água que permanecem líquidas mesmo abaixo de 0 °C, fenômeno chamado super-resfriamento. Para que a chuva se forme, essas gotículas precisam congelar. É nesse momento que entram os nucleadores biológicos.
Partículas contendo proteínas de bactérias e fungos podem ser transportadas pelo vento até as nuvens. Ao chegarem lá, funcionam como “gatilhos”, organizando as moléculas de água e iniciando a formação de cristais de gelo. Esses cristais crescem, se agrupam e acabam se tornando pesados o suficiente para cair, dando origem à chuva, neve ou granizo.
O estudo identificou essas proteínas em fungos da família Mortierellaceae. Diferentemente das bactérias, essas moléculas não dependem da membrana celular para funcionar. Isso significa que podem atuar de forma independente e resistir a condições extremas, como variações de temperatura e pH.
Além disso, os pesquisadores descobriram que essas proteínas têm uma estrutura rígida e repetitiva, o que facilita a organização das moléculas de água. As análises indicam que os fungos podem ter adquirido os genes responsáveis por esse mecanismo a partir de bactérias, por meio de transferência horizontal de genes.
Para comprovar a função das proteínas, os cientistas inseriram os genes em organismos como a bactéria Escherichia coli e a levedura Saccharomyces cerevisiae. Os resultados mostraram que esses organismos passaram a induzir a formação de gelo, confirmando o papel das moléculas. Isso indica que o mecanismo pode ser reproduzido em laboratório e aplicado em diferentes sistemas biológicos.
A descoberta tem implicações importantes. Na natureza, essas proteínas influenciam a formação de nuvens e a ocorrência de chuvas. Na agricultura, também podem estar ligadas a danos causados por geadas, já que facilitam o congelamento da água em plantas. Por outro lado, o mesmo mecanismo pode ser aproveitado em áreas como produção de neve artificial, criopreservação de células e tecidos, conservação de alimentos e processos industriais de congelamento.
Segundo os pesquisadores, o fato dessas proteínas funcionarem sem depender de membranas celulares abre novas possibilidades tecnológicas. Estruturas mais simples e estáveis são mais fáceis de manipular e aplicar em escala industrial. Além disso, entender como diferentes organismos controlam a formação de gelo ajuda a revelar limites físicos desse processo — o que pode levar ao desenvolvimento de materiais mais eficientes e reforça o impacto desse tipo de descoberta até mesmo no clima do planeta.
Para humanos, saber contar é uma habilidade comum que se aprende desde criança. Apesar de ter um cérebro bem menor que o nosso, pesquisadores internacionais descobriram que o atributo de processar informações numéricas também está presente entre as abelhas. A conclusão veio após uma reavaliação de estudos anteriores sobre a inteligência dos insetos.
Segundo os cientistas, a afirmação de outros pesquisadores de que as abelhas não sabem contar e sim memorizam padrões visuais não se sustenta, pois não leva em consideração as limitações dos atributos das abelhas.
“Tem havido um debate sobre se as abelhas realmente ‘contam’ ou apenas reagem a padrões visuais. Nossos resultados mostram que essa crítica não se sustenta quando se considera a biologia do animal”, aponta um dos autores do estudo, Mirko Zanon, em comunicado.
O trabalho liderado pela Universidade Monash, na Austrália, teve os resultados publicados nos Anais da Sociedade Real B: Ciências Biológicas na última quarta-feira (22/4).
Em estudos anteriores, a capacidade de contar das abelhas era avaliada da seguinte forma: os pesquisadores mostravam cartões com diferentes formas; em seguida, os insetos eram treinados, e depois tinham que escolher o símbolo determinado.
Tanto nos treinos quanto nos testes pós-treinos as abelhas tinham bons desempenhos, selecionando os cartões corretos com porcentagens iguais ou acima de 60%. Mesmo assim, alguns cientistas defendiam que as abelhas estavam apenas memorizando padrões e não contando.
A solução encontrada pelo novo estudo para tirar a dúvida foi reavaliar os estímulos dos trabalhos antigos, mas de um jeito distinto: focado na forma como as abelhas enxergam realmente, e não baseados na visão dos humanos.
As abelhas enxergam com baixa resolução e não percebem detalhes finos como nós. Ao ajustar os cartões de acordo com a visão dos insetos, foi possível perceber que eles viam as imagens com poucos pormenores visuais, evidenciando que o animal sabe contar e não está apenas reagindo a um estímulo visual.
“Ao avaliarmos a cognição do animal, devemos priorizar a perspectiva dele, caso contrário, podemos subestimar ou superestimar suas habilidades. Nós vemos e experimentamos o mundo de maneira bastante diferente dos animais, por isso devemos ter cuidado ao centrar nossos estudos na inteligência animal a partir de perspectivas e sentidos humanos”, afirma uma das autoras do artigo, Scarlett Howard.
Os paleontólogos às vezes descobrem tecidos ou estruturas estranhas nos restos fósseis, o que os leva a suspeitar que os animais estavam doentes. A paleopatologia é a disciplina científica que analisa essas alterações e nos permite saber quais doenças afetavam os organismos que habitaram a Terra em épocas passadas.
Foram identificados processos patológicos em uma grande diversidade de organismos extintos, desde protozoários até vertebrados. Eles são mais frequentes, no entanto, nos grupos que possuem partes duras (mais fáceis de se fossilizar), como ossos ou conchas.
Além de fornecer dados sobre a biologia e a ecologia desses organismos, seu estudo também é relevante para compreender a origem, a distribuição e a evolução das doenças ao longo do tempo.
A comparação entre o presente e o passado é fundamental para compreender as doenças que afetaram os seres pré-históricos. Para chegar a um diagnóstico, a paleopatologia se baseia em uma premissa fundamental: as doenças se desenvolvem de forma comparável em espécies atuais e extintas.
Avanços tecnológicos permitiram um importante salto qualitativo nesta disciplina. Assim como na medicina, os fósseis com anomalias são digitalizados em alta resolução, utilizando o que conhecemos como tomografia computadorizada. Com os resultados, é possível observar estruturas e tecidos internos e aprofundar o diagnóstico da doença sem danificar o restante do fóssil.
Os trilobitas, com mais de 22.000 espécies descritas, são um símbolo do Paleozóico (539-251 milhões de anos). Esses artrópodes extintos, dotados de uma carapaça dura, habitavam ambientes marinhos em praticamente todo o mundo. Além disso, foram alguns dos primeiros organismos a sofrer predação na própria pele.
Em alguns restos de trilobitas foi possível observar partes truncadas ou lascadas. Cientificamente, essas lesões foram interpretadas como possíveis mordidas de predadores. Em alguns casos, as bordas dessas mordidas mostram sinais de remodelação, sugerindo que foram ataques predatórios malsucedidos. Naquela ocasião, o trilobita se salvou.
Mas quem comia esses animais? Acredita-se que o mais provável seja que seus predadores fossem outros invertebrados durofágicos, como cefalópodes (como polvos), asteroides (como estrelas do mar), artrópodes (como carangujos) etc. Alguns possuíam cones orais e outros estavam dotados de espinhos nas patas, semelhantes aos dos atuais caranguejos-ferradura. Havia também aqueles que apresentavam apêndices frontais que funcionariam como martelos. Fosse qual fosse a ferramenta, ela lhes permitia quebrar a carapaça biomineralizada dos trilobitas.
Historicamente, pensava-se que os principais predadores eram os anomalocarídeos. Hoje, no entanto, existem dúvidas a esse respeito. Sugere-se que eles os predavam apenas logo após o processo de muda, quando a carapaça dos trilobitas ainda não estava endurecida.
Além de lesões relacionadas à predação, foram identificadas nos trilobitas anomalias associadas a outros processos. Por exemplo, alterações no desenvolvimento, complicações durante a muda ou doenças causadas por parasitas.
Já foram identificadas inúmeras alterações patológicas nos restos ósseos e dentários de dinossauros mesozóicos. Algumas são interpretadas como traumatismos (fraturas, amputações, etc.), outras como infecções, e também foram documentadas doenças degenerativas ou alterações no desenvolvimento.
Mas os dinossauros não nos deixaram apenas restos esqueléticos. Eles também deixaram evidências de sua atividade. Pegadas ou rastros (conhecidos como icnitas) podem fornecer informações sobre sua locomoção, como, por exemplo, a velocidade com que se deslocavam, ou sobre seu comportamento, se se moviam em manada ou sozinhos.
Além disso, algumas icnitas sugerem que certos dinossauros apresentavam problemas ao caminhar. Nesses rastros, observa-se uma assimetria no comprimento dos passos. Ou seja, eles alternavam passadas longas com outras mais curtas. Uma hipótese sugere que esse padrão poderia indicar uma marcha irregular, possivelmente para evitar sobrecarregar um dos membros. A origem, entre outras causas, poderia ser uma lesão ou uma artrite. Embora não sejam tão comuns quanto as patologias nos ossos e dentes, foram identificadas marchas irregulares em diferentes tipos de dinossauros.
Por outro lado, estudos das pegadas também puderam observar malformações nos dedos e nas palmas. Foram identificadas icnitas de dinossauros com dedos ausentes, fraturados ou deformados, bem como extremidades curvadas ou irregulares. Também alguns com excrescências anômalas e até mesmo pegadas completamente torcidas. Essas formas aberrantes provavelmente refletem lesões no animal (fraturas, infecções, etc.) ou alterações durante seu desenvolvimento.
Nem todas as doenças que afetaram os organismos do passado podem ser detectadas no registro fóssil. A escassa preservação dos tecidos moles gera um viés significativo, já que a maioria das lesões e doenças não deixa vestígios nas estruturas duras nem nos resíduos de sua atividade. Além disso, as respostas do tecido ósseo costumam ser lentas e, em alguns casos, podem levar anos ou até décadas para se desenvolver. Por isso, muitas doenças, especialmente as de caráter letal, não deixam nenhum vestígio nos fósseis e permanecem fora do nosso conhecimento no tempo profundo.
Outro problema é o mimetismo tafonômico.. Durante o enterramento e outros processos tafonômicos, podem ocorrer alterações semelhantes a lesões patológicas, como abrasões ou fraturas. Por isso, a equipe de pesquisa responsável pelo estudo deve ser cautelosa e prestar atenção especial aos detalhes para evitar identificar doenças onde elas não existem.
A paleopatologia nos ensina que a doença existe desde o início da própria vida. Embora raramente deixe marcas no registro fóssil, quando o faz nos permite vislumbrar as histórias dos organismos de uma maneira completamente incomum: não apenas como viviam, mas também como adoeciam, resistiam ou não conseguiam sobreviver. Mesmo no passado mais remoto, a vida nunca esteve isenta de suas próprias fragilidades.
Segundo a diretora técnica da Cia Athletica, Mônica Marques, é importante adaptar a rotina. “A atividade física vai depender das individualidades de cada pessoa”, explica.
Além disso, dados do Ministério da Saúde mostram um cenário preocupante. Cerca de 60% dos adultos estão acima do peso e 25% são obesos.
As recomendações variam conforme a fase da vida. Veja as orientações gerais para cada grupo.
Crianças e adolescentes devem praticar cerca de 60 minutos de atividade física por dia. Os exercícios podem variar entre intensidade moderada e intensa.
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Também é importante alternar as atividades ao longo da semana. O foco deve ser o movimento e o desenvolvimento saudável.
Para adultos, o tempo varia conforme a intensidade do exercício. Atividades moderadas devem somar entre 150 e 300 minutos por semana.
Já atividades intensas podem variar entre 75 e 150 minutos semanais. A recomendação inclui musculação pelo menos duas vezes por semana.
Idosos devem seguir orientações semelhantes às dos adultos, respeitando seus limites. Exercícios moderados também podem variar entre 150 e 300 minutos semanais.
Além disso, é importante incluir atividades de fortalecimento muscular. Isso ajuda a manter a autonomia e prevenir quedas.
Apesar dos benefícios, a atividade física sozinha não garante emagrecimento. Outros fatores também influenciam diretamente a saúde.
“Para emagrecer, é necessário estar em déficit calórico”, explica a especialista. Isso significa consumir menos calorias do que o corpo gasta.
Uma alimentação equilibrada, boas noites de sono e hidratação adequada são fundamentais. Esses hábitos ajudam a potencializar os resultados dos exercícios.
De acordo com os dados mais recentes do Ministério da Saúde, entre 2020 e 2024, o número de atendimentos ligados ao câncer de próstata entre homens jovens – aqueles com até 49 anos – aumentou em 32% no Sistema Único de Saúde (SUS). No mesmo período, foi registrada uma elevação de casos: de 2,5 mil para 3,3 mil.
Ainda segundo o levantamento, grande parte dos atendimentos encaminhou os homens jovens do SUS para a quimioterapia (85%), cirurgias oncológicas (de 10% a 12%) e a radioterapia (entre 3% e 4%).
Segundo especialistas ouvidos pelo Metrópoles, a crescente pode ser interpretada de duas formas distintas: ao mesmo tempo que mostra uma maior exposição das geração jovens a fatores de risco cancerígenos, como obesidade, alimentação inadequada e mudanças climáticas, a cultura de buscar atendimento antes que seja tarde também está se alterando.
“Antigamente, era comum buscar atendimento apenas quando havia sintomas ou alguma doença instalada. Hoje, especialmente entre os mais jovens, já existe uma cultura maior de medicina preventiva. Com isso, temos observado mais alterações no exame de PSA (teste utilizado para rastreamento do câncer de próstata), o que permite aprofundar a investigação e fazer diagnósticos cada vez mais precoces do câncer de próstata”, explica o uro-oncologista Ariê Carneiro, do Einstein Hospital Israelita, em São Paulo.
Com a maior responsabilidade pela saúde da próstata, o resultado é simples: mais atendimentos e, consequentemente, mais casos detectados. “Entender que o câncer pode estar surgindo mais cedo ajuda a reforçar a importância de hábitos saudáveis desde a juventude e de uma avaliação médica individualizada”, diz o oncologista Luiz Reis, do Hospital Brasília Águas Claras.
Apesar do crescimento, ambos especialistas consideram que não. Atualmente, a recomendação da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) é que, em homens sem fatores de risco, o rastreio comece aos 50 anos, através do PSA e do exame de toque retal.
Quando o indivíduo possui risco cancerígeno maior, indica-se iniciar a investigação aos 45 anos ou, algumas vezes, até 10 anos antes da idade do diagnóstico do familiar. Se encaixam nessas recomendações homens:
“Alguns estudos sugerem que a dosagem de PSA aos 40 anos pode ser útil como referência basal. Se esse valor já estiver elevado, pode indicar maior risco no futuro. Mesmo assim, do ponto de vista populacional, a recomendação formal continua sendo iniciar aos 50 anos, ou aos 45 em grupos de risco”, aponta Carneiro.
Um dos principais tabus em volta do câncer de próstata é a realização do exame do toque retal. Seguro e indolor, ele é fundamental para a detecção da doença, visto que geralmente ela não apresenta sintomas iniciais, seja o paciente mais jovem ou mais velho.
“Informar melhor a população ajuda o homem a entender seus riscos, reduz o medo ou a resistência aos exames e permite uma decisão mais consciente junto ao médico. Também abre espaço para mudanças de estilo de vida que podem reduzir o risco de câncer”, ressalta Reis.
Um diagnóstico precoce aumenta as chances do tumor ser menor e, consequentemente, a terapia indicada ser menos agressiva, evitando a retirada por completo da próstata. “Isso ajuda a preservar a qualidade de vida do paciente, incluindo função erétil e continência urinária, com altas taxas de sucesso no controle da doença”, afirma Carneiro.
A busca por atendimento antes que os sintomas fiquem mais graves é essencial para o sucesso do tratamento. No final, a maior recomendação para evitar intercorrências na região é sempre acompanhá-la preventivamente.
Com o alerta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre os suplementos de cúrcuma provocarem danos ao fígado, a coluna Claudia Meireles conversou com dois hepatologistas a respeito de como essas fórmulas afetam a saúde hepática. Os médicos entrevistados foram Arthur Nobre, PhD em gastroenterologia pela Universidade de São Paulo (USP), e Liz Marjorie, mestra em gastroenterologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
A especialista explica que os suplementos de cúrcuma podem provocar uma hepatite aguda tóxica, que é uma inflamação do fígado causada por uma substância química. “Essa condição é diferente das hepatites virais, como a A, B e C”, defende. Com atuação na área de endoscopia digestiva, o médico acrescenta sobre esses casos serem raros.
“Os suplementos de cúrcuma podem causar uma inflamação parecida com uma hepatite medicamentosa, ou seja, uma reação do fígado a uma substância ingerida”, acrescenta Arthur. Ele menciona que, na maioria das vezes, quando esse quadro ocorre, o indivíduo apresenta melhora após a suspensão das fórmulas utilizadas.
Tanto Liz Marjorie quanto Arthur detalham que a pessoa que consome suplementos de cúrcuma deve ficar atenta a alguns sinais, como pele ou olhos amarelados, urina escura, coceira, enjoo, perda de apetite, dor abdominal e cansaço intenso.

A hepatologista, que atende em Juazeiro do Norte (CE), esclarece quanto aos sintomas desencadeados pela ingestão dos suplementos de cúrcuma: “Gera uma ocorrência inflamatória nas células do fígado (hepatócitos), que pode variar de uma alteração silenciosa em exames de sangue até quadros de icterícia, onde o paciente apresenta pele e olhos amarelados”.
Segundo a mestra em gastroenterologia, em situações mais críticas e raras, essa agressão ao fígado é tão intensa que pode evoluir para uma insuficiência hepática aguda, considerada uma emergência médica. Os dois médicos enfatizam que a cúrcuma usada como tempero em preparos culinários não oferece riscos à saúde.

O líder do Governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), defendeu nesta terça-feira (28/4) que o presidente da Casa Alta, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), receba o indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Jorge Messias, antes da sabatina, marcada para quarta-feira (29/4).
Para Jaques, a decisão de Alcolumbre de não receber Messias não afeta no andamento do trâmite no Senado.
“Eu acho que é uma decisão do presidente. Eu, pessoalmente, acho que institucionalmente ele deveria receber. Mas, evidentemente, conversaram não depois da indicação. Mas, na minha opinião, não [atrapalha]. Aí é uma decisão dele”, disse.
O senador baiano declarou ainda que Alcolumbre não está trabalhando nem a favor nem contra Messias, “mas óbvio que a chancela ajudaria”.
“Se ele quisesse ajudar, poderia estar pedindo voto. Não tem informação do que ele poderia pedir voto contra. Até porque, na minha opinião, a derrota dos messias, na minha opinião, não agraga a nada a caminhada dele próprio. Porque parece estigmatizar uma pessoa. O cara é um jovem para estigmatizar”, afirmou.
Além disso, o líder se disse “confiante” quanto a contagem de votos para a aprovação do indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ocupar a cadeira deixada por Luís Roberto Barroso na Suprema Corte.
“Eu estou confiante que a gente tenha os votos necessários para a aprovação dele. Temos conversado com muita gente”, afirmou.
O bom momento de Casemiro com a camisa do Manchester United foi reconhecido pelo torcedor da equipe inglesa. O brasileiro marcou um dos gols e comandou a vitória dos Red Devils por 2 x 1 sobre o Brentford nessa segunda-feira (27/4) e foi ovacionado no Estádio Old Trafford.
Veja o momento:
“Mais um ano, mais um ano, Casemiro”, cantaram os torcedores do Manchester United ao fim do jogo, pedindo a renovação de contrato do brasileiro.
Em janeiro, Casemiro revelou publicamente que pretende deixar o Manchester United ao fim da temporada europeia, pouco antes da Copa do Mundo.
A saúde dos rins é muito associada à ingestão de líquidos, mas pouco se fala sobre como a alimentação exerce um papel crucial na saúde do órgão, assim como na prevenção de doenças associadas ao longo da vida.
Segundo a nutricionista clínica Sabina Donadelli, criadora do método Viver Mais, Viver Bem explica, o órgão é diretamente afetado pelo que o paciente come, especialmente pelo consumo equilibrado de sódio, açúcar, proteínas e alimentos ultraprocessados.

“Água é essencial, mas ela não neutraliza uma rotina alimentar inflamatória. Quando a dieta é desorganizada, os rins acabam participando dessa sobrecarga”, diz Sabina.
Fatores como a carga inflamatória da dieta e a presença de compostos antioxidantes na alimentação podem influenciar ainda mais o quadro.
Frutas, verduras, legumes, hidratação adequada e controle no consumo de alimentos in natura ajudam a preservar a capacidade de filtragem renal e reduzem o risco de inflamações e sobrecarga metabólica.
“Entre os alimentos que podem favorecer esse cuidado estão frutas naturalmente ricas em água e fitoquímicos protetores, como melancia, melão, limão e frutas vermelhas”, destaca.

Folhas, ervas frescas, sementes e alimentos ricos em magnésio e potássio, quando adequados ao perfil clínico da pessoa, também podem colaborar para um ambiente metabólico mais favorável, assim como os chás, quando bem indicados.
“Chá não substitui alimentação equilibrada nem tratamento, mas alguns compostos vegetais podem contribuir para modular retenção hídrica, estresse oxidativo e processos inflamatórios”, explica.
A Ciência já demonstrou que a obesidade é uma alteração crônica, progressiva, inflamatória e multifatorial. Isso significa que ela não pode ser tratada como um problema pontual, nem como algo que se resolve apenas com uma intervenção curta ou de efeito rápido. Como acontece com a asma ou a hipertensão, a obesidade precisa de manejo contínuo e real engajamento dos pacientes para que seja controlada.
É justamente por isso que o tratamento medicamentoso da obesidade não deve ser visto como temporário por definição. Os novos medicamentos usados para tratar o excesso de peso, popularizados como canetas emagrecedoras, ajudam no controle da doença, mas não a curam. Eles atuam sobre mecanismos biológicos que regulam fome, saciedade e gasto energético. Assim, em muitos casos, seu uso precisa ser contínuo ou prolongado para evitar o reganho de peso.
Entre esses medicamentos estão a semaglutida e a tirzepatida. Os principais medicamentos que contêm semaglutida são Ozempic® (injetável semanal), Wegovy® (injetável semanal para obesidade) e Rybelsus® (comprimido diário oral). A tirzepatida é um princípio ativo de uso injetável presente no medicamento industrializado Mounjaro, aprovado pela Anvisa para o tratamento de diabetes tipo 2, com ampliação para controle de peso e obesidade.
Como imitam hormônios intestinais, a semaglutida e a tirzepatida reduzem a fome, aumentam a sensação de saciedade, desaceleram o esvaziamento do estômago e ajudam a controlar processos que levam as pessoas a comer além do necessário para o seu gasto calórico diário. Se a pessoa deixa de usá-las, os efeitos positivos deixam de prevalecer.
Isso acontece porque, fisiologicamente, é normal que o organismo ative mecanismos para que a pessoa volte ao peso anterior, como um sistema de defesa. Quando há perda de peso, o corpo interpreta isso como risco de falta de comida e entra em modo de economia. O metabolismo basal diminui, o gasto energético cai, e a pessoa passa a gastar menos calorias para realizar as mesmas atividades. Ao mesmo tempo, há aumento da grelina, hormônio que estimula a fome. Todo esse processo leva à recuperação dos quilos eliminados.
As células de gordura não desaparecem com o emagrecimento. Elas apenas diminuem de tamanho, mas continuam ali, prontas para armazenar gordura novamente. Como nem sempre as pessoas tratam fatores como ansiedade, que podem contribuir para a obesidade, fica mais difícil controlar a compulsão alimentar. Esse é outro ponto em que as canetas emagrecedoras podem ajudar.
Em alguns casos, a necessidade de uso contínuo ou prolongado destes medicamentos fica ainda mais evidente. Isso pode acontecer quando há histórico de obesidade na infância ou na adolescência, quando a obesidade vem associada ao diabetes ou mesmo durante a menopausa, período em que a queda do hormônio estrógeno agrava o aumento do peso e da gordura visceral — aquela que se acumula no abdômen e eleva o risco de eventos cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral.
Nesses contextos, é frequente também a presença da síndrome metabólica, um conjunto de alterações que inclui aumento da circunferência abdominal, hipertensão, alterações no colesterol e resistência à insulina. É justamente sobre esses diferentes eixos que atuam os agonistas do receptor de GLP-1, pois, além de reduzir o peso, melhoram o controle glicêmico e impactam fatores de risco cardiovascular — o que reforça seu papel como tratamento de longo prazo.
A indicação de uso contínuo não significa que o paciente terá de usar para sempre altas doses de semaglutida ou tirzepatida. Essa redução pode ocorrer de forma gradual e sempre com supervisão médica. O que não é recomendável é a interrupção abrupta do tratamento, por decisão do próprio paciente, sem acompanhamento profissional.
Também existem casos em que a suspensão do tratamento com as canetas emagrecedoras é possível. Isso acontece com pacientes engajados, que entenderam que a mudança de hábitos de vida e a distância do sedentarismo são fundamentais para o bom controle da obesidade. Como quase tudo na vida, esse processo não acontece de um dia para o outro. Mesmo após a cirurgia bariátrica, muitas pessoas voltam a ganhar peso justamente porque não se adaptaram a um novo estilo de vida.
Não é à toa que o tratamento da obesidade precisa de atendimento multidisciplinar e acompanhamento médico regular. Ao lado do endocrinologista, entra a nutricionista, que adapta a dieta à realidade de cada paciente; a psicóloga, que oferece suporte emocional; e o profissional de atividade física, que acompanha quais os melhores esportes para aquele indivíduo, pensando na realidade de cada um.
Há ainda uma questão de acesso a esses medicamentos. O custo das canetas emagrecedoras ainda impede o tratamento para grande parte da população. Ao mesmo tempo, a expiração da patente da semaglutida no Brasil pode mudar esse cenário. Quando finda o período de proteção legal que garante exclusividade a uma empresa para produzir e vender determinada molécula, outras farmacêuticas podem produzir genéricos ou similares, desde que obtenham registro e aprovação regulatória.
Tratar a obesidade é possível, desde que ela seja entendida como uma doença crônica, e não como uma falha do indivíduo ou um problema passageiro. Isso exige conscientização por parte dos pacientes e responsabilidade dos profissionais que os acompanham durante todo o processo. Quanto à ampliação do acesso aos medicamentos mais atuais, a discussão já deixou de ser apenas médica para se tornar também uma questão de saúde pública.
Você já sentiu que é mais difícil conquistar novas habilidades e conhecimentos com o passar dos anos? A ideia de que o cérebro “para de aprender” aos 25 anos virou senso comum, mas não se sustenta na ciência. Especialistas explicam: o que ocorre nessa fase é uma mudança na forma como aprendemos, não o fim da capacidade de assimilar conhecimento.
Apesar da crença popular, o aprendizado não tem prazo de validade. Segundo o psiquiatra Tales Cordeiro, do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo, não existe evidência científica que comprove a interrupção do aprendizado na vida adulta.
“Não há fundamentação científica. A capacidade de aprendizado é contínua ao longo de toda a vida”, afirma. O cérebro continua criando conexões e se adaptando, mesmo depois dos 25 anos.
Por volta dessa idade, o cérebro passa por um processo importante de maturação, especialmente no córtex pré-frontal, área ligada à tomada de decisão e controle emocional.
O neurocirurgião funcional Pedro Henrique Cunha, do Hospital Samaritano Paulista, de São Paulo, explica que essa fase marca o fim de um ciclo estrutural, não da aprendizagem.
“O que realmente acontece por volta dos 25 anos é o encerramento de uma fase específica da maturação cerebral”, ensina. Esse processo envolve a neuroplasticidade, que continua ativa ao longo da vida, permitindo novas conexões entre neurônios.
Com o passar dos anos, o cérebro deixa de aprender apenas por repetição e passa a usar experiências acumuladas. Isso pode tornar o aprendizado mais lento, mas também mais profundo e crítico.
O psiquiatra Bruno Pascale Cammarota, que atende no Rio de Janeiro, destaca que a capacidade de aprender permanece, embora com mudanças naturais ao longo do tempo. “O cérebro sempre é capaz de aprender novas informações, mas a forma de aprendizado se transforma com a idade”, explica.
Na prática, adultos tendem a associar novas informações ao que já sabem, enquanto jovens absorvem conteúdo de forma mais rápida, porém menos filtrada.
Mais do que a idade, hábitos e condições de saúde impactam diretamente o funcionamento do cérebro. Ansiedade, depressão, falta de sono e estresse são alguns dos principais fatores que prejudicam a capacidade de aprender. Transtornos psiquiátricos podem impactar tanto na capacidade de foco e atenção quanto na consolidação de memórias.
Além disso, sedentarismo, uso excessivo de álcool e má alimentação também afetam negativamente o desempenho cognitivo.
Todos os anos, milhões de animais silvestres são retirados de seus habitats naturais no Brasil, seja por tráfico ilegal, maus-tratos, acidentes ou captura para criação como animal de estimação. Segundo dados da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), esse número pode chegar a 38 milhões de indivíduos por ano.
Esse fenômeno, muitas vezes invisível no cotidiano urbano, tem impactos profundos. A retirada contínua de espécies compromete cadeias ecológicas, altera dinâmicas populacionais e contribui para processos de extinção. Especialmente em um país que abriga uma das maiores biodiversidades do planeta
Isso resulta no efeito cascata, que ocorre quando uma espécie desaparece e gera impactos para todo um ecossistema. Trata-se de um problema estrutural de conservação e que deve ser tratado na fonte.
Quando um animal silvestre é resgatado de uma situação de risco, o retorno à natureza não é imediato e nem simples. No caso das aves, por exemplo, um dos grupos mais afetados pelo tráfico no Brasil, o processo envolve uma série de etapas que vão além do cuidado clínico. Isso porque elas frequentemente apresentam comprometimentos físicos e comportamentais decorrentes do confinamento, da alimentação inadequada e da perda de estímulos naturais.
A reabilitação é complexa e exige: avaliação veterinária completa, reintrodução alimentar adequada, recuperação da capacidade de voo, resposta a estímulos e readaptação comportamental. Só depois dessas etapas é possível considerar a reintrodução, garantindo que o animal tenha a capacidade de voltar a desempenhar seu papel ecológico, sem prejuízos.
Já a reintrodução é reconhecida como uma estratégia importante dentro das políticas de conservação da biodiversidade. Quando bem conduzida, contribui para a recomposição de populações locais, restaurações de funções ecológicas e manutenção da diversidade biológica.
Experiências como a do Instituto de Pesquisa da Biodiversidade (IPBio), que desde 2013 já devolveu cerca de 500 aves à natureza com taxa de 100% de sucesso na soltura, mostram o potencial dessa abordagem quando há rigor técnico e monitoramento contínuo.
Porém, o trabalho não termina aí. O acompanhamento é essencial para garantir um retorno saudável e funcional. Monitorar os animais em ambientes naturais, especialmente em áreas de vegetação densa, requer ultrapassar barreiras técnicas, tecnológicas e logísticas.
O resgate, a reabilitação e a reintrodução de animais silvestres revela um paradoxo: quanto mais eficiente esse sistema se torna, mais evidente fica que ele não deveria ser tão necessário. Os esforços envolvidos em proteger a biodiversidade brasileira precisam focar na prevenção, evitando danos e não reparando-os.
Experiências internacionais mostram que a redução da retirada de animais da natureza não acontece por acaso, mas como resultado de estratégias consistentes. Países como Botsuana, Ruanda e Zâmbia, por exemplo, combinam extensas redes de áreas protegidas com fiscalização rigorosa e forte valorização da vida selvagem. Já em países como Alemanha, Reino Unido e Canadá, legislações ambientais consolidadas e instituições atuantes contribuem para limitar a extração de fauna em larga escala.
Apesar das diferenças de contexto, há um ponto em comum entre esses cenários: a redução da demanda por animais silvestres. Onde não há mercado, seja para tráfico, estimação ou outros motivos, a retirada tende a ser significativamente menor.
É nesse ponto que está o verdadeiro desafio e também a principal oportunidade para o contexto brasileiro. Combater o problema na origem significa atuar sobre comportamento, percepção e cultura. E, para isso, a educação ambiental é uma das ferramentas mais potentes.
É preciso sensibilizar e mostrar para a população que cada animal retirado da natureza representa um desequilíbrio maior, que se desdobra em impactos para uma biodiversidade inteira. Desencorajar a domesticação, a compra e o tráfico de animais silvestres é uma construção coletiva, que exige tempo, consistência e acesso à informação qualificada.
Iniciativas como as do IPBio mostram que essa transformação é possível e já está acontecendo. O Instituto mantém quatro reservas ambientais em três biomas e já levou mais de 20 mil estudantes para experiências na Mata Atlântica, aproximando novas gerações da natureza e fortalecendo uma consciência que pode, no longo prazo, reduzir a pressão sobre a fauna silvestre.
Se o resgate e a reintrodução representam uma resposta necessária ao cenário atual, a educação ambiental é o que pode interromper esse ciclo.
