
Reduzir ou parar de consumir açúcar é uma mudança comum em dietas, mas o corpo pode reagir de diferentes formas nas primeiras semanas. Segundo especialistas, a adaptação envolve alterações no metabolismo, no funcionamento do cérebro e até no nível de energia ao longo do dia.
De acordo com a endocrinologista Alexandra Saliba, que atende em Brasília, a retirada do açúcar adicionado da alimentação pode trazer benefícios metabólicos já no curto prazo. Entre eles estão a redução de inflamação no organismo, menor produção de colesterol e diminuição dos picos de glicose no sangue.
“Essas mudanças levam a uma menor liberação de insulina e podem reduzir o acúmulo de gordura visceral, que é aquela localizada na região abdominal e associada a maior risco cardiovascular”, explica a médica.
Apesar dos benefícios, algumas pessoas podem sentir efeitos temporários quando diminuem drasticamente o consumo de açúcar. O motivo está ligado ao funcionamento do cérebro.
Segundo Alexandra, o consumo frequente de alimentos açucarados estimula a liberação de dopamina, neurotransmissor ligado à sensação de prazer e recompensa. Quando o açúcar é retirado de forma abrupta, pode ocorrer uma redução dessa atividade cerebral. Por isso, nas primeiras semanas podem surgir sintomas como dor de cabeça, irritabilidade, dificuldade de concentração e queda na motivação.
A nutricionista Beatriz Fausto, também de Brasília, explica que o organismo precisa aprender a usar outras fontes de energia.
“Quando reduzimos o consumo de açúcar, diminui a quantidade de glicose disponível no sangue, que é uma fonte rápida de energia. O corpo passa então a utilizar mais carboidratos complexos, proteínas e gorduras como combustível”, afirma.

Com o tempo, a redução do açúcar tende a melhorar o funcionamento metabólico do organismo. A endocrinologista Joana Dantas, que atende no Rio de Janeiro, destaca que a mudança pode favorecer o controle da glicose e reduzir o risco de doenças.
Segundo ela, diminuir açúcares adicionados ajuda a melhorar o perfil metabólico, o que pode diminuir a probabilidade de pessoas com pré-diabetes desenvolverem diabetes tipo 2.
Além disso, a perda de cerca de 5% a 10% do peso corporal, algo que pode ocorrer quando há melhora na alimentação, em muitos casos já é suficiente para reduzir esse risco.
A médio prazo, a redução do açúcar pode trazer uma série de efeitos positivos para a saúde. Entre eles estão a diminuição da gordura no fígado, melhora do perfil lipídico, com redução de triglicerídeos e colesterol LDL, e menor inflamação no organismo.
Essas mudanças reduzem o risco de doenças metabólicas e cardiovasculares, como infarto e AVC. Além disso, segundo especialistas, diminuir alimentos ultraprocessados ricos em açúcar também pode melhorar a saúde intestinal e reduzir o risco de cáries.
Apesar dos claros benefícios, especialistas alertam que cortar todos os açúcares da dieta não é necessário nem recomendado.
Beatriz explica que muitos alimentos naturais contêm açúcares importantes para o funcionamento do organismo.
“Frutas, legumes, verduras, grãos integrais e leguminosas fazem parte de uma alimentação saudável. O problema principal está no açúcar adicionado, presente em refrigerantes, sucos industrializados, doces e alimentos ultraprocessados”, afirma.
Para a endocrinologista Joana, o mais importante é buscar equilíbrio. Dietas extremamente restritivas podem ser difíceis de manter e até prejudicar a relação com a alimentação. Reduzir o açúcar adicionado e priorizar alimentos naturais costuma ser a estratégia mais eficaz para melhorar a saúde
