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Endocrinologista aponta o que os picos de glicose provocam no pâncreas

“Os picos de glicose são mais perigosos do que muitas pessoas imaginam”, destaca o endocrinologista Nemer Finotelo, de Florianópolis (SC). Segundo o médico, a hiperglicemia não se trata apenas de “açúcar alto” na corrente sanguínea em um momento isolado, mas de um padrão que, quando se repete, favorece inflamação, aumento da fome, maior acúmulo de gordura abdominal e piora progressiva do metabolismo, além de prejudicar determinados órgãos, como o pâncreas.

O metabologista explica que os picos de glicêmicos, quando persistentes, sobrecarregam o pâncreas: “Inicialmente, o órgão tenta compensar produzindo mais insulina para controlar a glicose no sangue”. O médico expert em saúde hormonal complementa: “O problema é que essa exigência constante pode desgastar as células beta-pancreáticas, que são justamente as responsáveis por essa síntese.”

Endocrinologista aponta o que os picos de glicose provocam no pâncreas - destaque galeria

O pâncreas é um dos órgãos prejudicados pelos picos de  glicose

O pâncreas tem a função endócrina e exócrina
Alguns indícios demonstram que a glândula está adoecida

O especialista atuante em emagrecimento pontua que, com o passar do tempo, o pâncreas pode perder a eficiência. “Isso contribui para a evolução do quadro metabólico e para o surgimento de diabetes tipo 2”, avalia. Pós-graduado em endocrinologia, metabologia, fisiologia e nutrição clínica, o médico Wandyk Allison afirma que a hiperglicemia frequente desencadeia um “fenômeno” chamado glucotoxicidade.

“A glucotoxicidade gera três efeitos principais, sendo a hiperestimulação das células beta, exaustão pancreática e inflamação das ilhotas pancreáticas [células endócrinas no órgão]”, menciona o especialista, que atende em Balneário Camboriú (SC). Conforme o especialista, os picos de glicose provocam um fluxo que afeta o funcionamento da glândula.

Foto colorida de mulher medindo a glicemia - Metrópoles
Quando os picos de glicose são persistentes, o pâncreas tende a ficar sobrecarregado

Wandyk esclarece: “Com a hiperestimulação das células beta, o pâncreas precisa produzir cada vez mais insulina, o que leva à hiperinsulinemia e à sobrecarga secretória“. Ele prossegue: “Quanto à exaustão pancreática, ocorre com o tempo a redução da capacidade de secreção de insulina, morte de células betas e diminuição da massa funcional pancreática. Esse processo é um dos mecanismos centrais do desenvolvimento do diabetes tipo 2.

O especialista em medicina integrativa detalha o terceiro efeito causado no pâncreas decorrente da hiperglicemia: “Sobre a inflamação nas ilhotas pancreáticas, a glicose elevada ativa vias inflamatórias, sendo a NF-kB, estresse oxidativo e citocinas inflamatórias“. O médico ressalta que o resultado tende a ser a “degeneração progressiva” das células endócrinas do órgão do sistema digestório.

sasirin pamai/Getty ImagesFoto colorida de maquete de pâncreas - Metrópoles
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