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COP30: motéis em Belém ajustam espaços e tentam atrair hóspedes

Para tentar aproveitar a demanda extra de hospedagem durante a COP30, em novembro, motéis de Belém e da região metropolitana estão passando por ajustes discretos e, na maioria dos casos, sutis: camas redondas estão dando lugar a quadradas, paredes vermelhas são pintadas de cores neutras e, em alguns quartos, beliches ocupam o espaço de móveis eróticos.

O g1 visitou dois desses estabelecimentos e constatou que boa parte da estrutura original ainda está preservada, incluindo pole dances e banheiras de hidromassagem.

A ideia, segundo os proprietários, é oferecer acomodações para delegações e turistas sem descaracterizar muito os espaços, que voltarão ao uso habitual depois do evento.

No antigo Motel Acrópole, rebatizado como Pousada Acrópole e localizado no bairro Cidade Velha, o proprietário Alberto Braga quer ocupar os 22 apartamentos durante a COP30.

A região fica a cerca de 20 minutos de carro do Parque da Cidade, onde será realizada boa parte da programação da conferência.

“Troquei cama redonda por quadrada, tirei o vermelho das paredes e, se for preciso, coloco beliches. Se pedirem mais mudanças, eu faço", diz.

Alberto afirma que as mudanças foram pensadas para atender diferentes perfis de público. Ele conta que já contratou quatro novos funcionários para reforçar o atendimento durante a conferência e planeja transformar parte de um prédio anexo ao imóvel em salas de reunião ou dormitórios extras, caso haja procura.

"Se eu tiver demanda, aumento em mais quatro quartos ou monto um espaço para reuniões e eventos."


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Tabela com os antigos preços da Pousada Acrópole, em Belém. — Foto: Roberto Peixoto/g1

Segundo ele, ainda não há reservas confirmadas, mas a expectativa é que a demanda aumente à medida que a conferência se aproxime. “A gente está arrumando para quando chegar a hora, já estar pronto”, afirmou.

Dentro dos quartos, a reportagem encontrou mudanças discretas. Estruturas, como o pole dance, permanecem por enquanto, mas Braga diz que podem ser retiradas se houver demanda. “Muita coisa vai voltar a ser como antes depois da conferência”, afirmou.

Um levantamento da Associação Brasileira de Motéis (ABMotel) mostra que Belém e os municípios vizinhos — Ananindeua, Marituba, Benevides e Castanhal — somam cerca de 2,5 mil quartos nesse tipo de estabelecimento.

Desse total, aproximadamente 550 já foram adaptados para locação diária, o que representa capacidade para cerca de 1,1 mil pessoas.

Público exclusivo para a COP30

Outro espaço que vem passando por adaptações é o Motel Secreto, que vem ajustando parte de suas instalações para receber hóspedes durante a conferência.

Por fora, o prédio não passa despercebido: a fachada e a área construída chamam atenção pelo tamanho, e o conjunto de blocos abriga diferentes tipos de suítes.

Algumas delas têm até dois andares, com espaço para sala e quarto separados, além de áreas no subsolo equipadas com jacuzzis.

O proprietário, Yorran Costa, explica que as mudanças são pontuais.

“Não posso fazer nada mirabolante, mexer na estrutura do quarto, porque depois da COP o Secreto volta a ser motel. É tudo pensado para colocar e retirar depois”, diz


				COP30: motéis em Belém ajustam espaços e tentam atrair hóspedes
Estruturas do Motel Secreto, em Belém, serão mantidas durante o período da COP30.. GazetaWeb.com

'COP não sai Belém'

As adaptações feitas por motéis refletem um problema maior na capital paraense: a disparada dos preços e a dificuldade de encontrar hospedagem acessível para a COP30.

Apesar de o evento estar marcado desde 2022, a cidade chega a três meses da conferência com capacidade limitada para receber os cerca de 50 mil visitantes esperados durante as duas semanas de negociações climáticas.

Há quartos disponíveis, mas não no valor que muitas delegações e observadores podem pagar.

Levantamentos do setor indicam que hotéis e pousadas tradicionais já operam quase lotados, enquanto valores para o período da cúpula disparam.

Delegações estrangeiras e ONGs relatam dificuldade para encontrar diárias por menos de US$ 400 a US$ 500 - muito acima da faixa de US$ 50 a US$ 70 que muitos países dizem precisar para viabilizar a participação.

A crise levou o governo federal a propor, ainda em abril, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para limitar preços e garantir vagas, mas o acordo segue sem assinatura devido à resistência de parte do setor hoteleiro.

A rede Observatório do Clima afirma que o impasse ameaça transformar a conferência “na mais excludente da história”, ao afastar delegações, jornalistas e sociedade civil.

A entidade diz que a negligência do governo federal e do Pará criou uma “bomba” a 90 dias da cúpula e alerta que o esvaziamento pode comprometer a legitimidade das negociações.

Já a prefeitura de Belém e o governo do Pará afirmam que trabalham para ampliar a oferta, mas não detalharam medidas.

O empresário Alberto Braga aposta que, mesmo sem reservas confirmadas, a procura virá. “A COP não sai de Belém”, afirma. “E quando chegar, quero estar pronto.”

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