
Cada vez mais, a esteatose hepática tem afetado pessoas pelo mundo devido à maior ocorrência da obesidade, diabetes e colesterol descompensado. O quadro, conhecido popularmente como gordura no fígado ocorre quando há o acúmulo expressivo de gordura nas células hepáticas. Apesar da grande incidência, ainda não existe um medicamento específico para tratar a condição.
No entanto, segundo um novo estudo, o cenário pode mudar: pesquisadores internacionais indicaram que dois compostos da planta de cannabis conseguiram reverter um quadro de gordura no fígado em ratos obesos, sem causar efeitos colaterais. O próximo passo é realizar testes em humanos.
Através do uso do canabidiol (CBD) e do canabigerol (CBG), os ratos obesos obtiveram melhora na esteatose hepática e na regulação e diminuição dos níveis de açúcar e lípidos no sangue. O estudo liderado pela Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, teve os resultados publicados no British Journal of Pharmacology no início de março.
Inicialmente, os ratos foram alimentados com uma dieta rica em gordura. Posteriormente, eles receberam injeções diárias de CBD e CBG no abdômen.
Como resultado, a produção de fosfocreatina, uma forma de creatina liberada pelo fígado, aumentou. Ela é usada como uma reserva rápida de energia pelas células. Quanto maior sua quantidade, mais as células hepáticas terão fontes energéticas para funcionar melhor, o que melhora o acúmulo de gordura. Segundo os resultados, a função hepática dos animais foi restaurada após um mês.
Em comparação com o CBD, o CBG foi mais eficaz para reduzir a gordura corporal e o colesterol “ruim” (LDL), além de aumentar a sensibilidade à insulina, nos ratos.
“Nossos resultados identificam um novo mecanismo pelo qual o CBD e o CBG melhoram a energia hepática [do fígado] e a função lisossomal. Essa dupla remodelação metabólica contribui para uma melhor metabolização dos lipídios no fígado e destaca esses compostos como agentes terapêuticos promissores para a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (DHEM)”, destaca um dos autores do estudo, Joseph Tam, em entrevista ao portal Science Alert.
Apesar dos resultados promissores, é preciso realizar estudos com a participação de humanos para ver se os efeitos benéficos ao fígado permanecerão. Também deverá ser analisado se a repercussão hepática ocorre apenas com a injeção abdominal, visto que a maioria dos produtos da cannabis atuais é em gotas.
